Zelaya: ‘Lutar pela democracia não deveria ser crime’

TEGUCIGALPA – O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, afirmou que “lutar pela democracia não deveria ser um crime”. Em entrevista a um repórter da “France Presse” na noite de ontem, ele disse que é preciso união entre os hondurenhos “a fim de se chegar à paz”. Zelaya está desde a segunda-feira abrigado na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, capital do país.

A representação diplomática foi cercada na segunda-feira por policiais e soldados, que expulsaram os partidários do presidente deposto concentrados na área. As forças oficiais, porém, já disseram que não vão invadir o local. Zelaya está na embaixada junto com a mulher, Xiomara Castro, e filho Jose Manuel, além de vários partidários. Em 28 de junho, ele foi deposto em um golpe militar e expulso do país.

O governo de facto, do presidente Roberto Micheletti, fez hoje uma oferta de diálogo para resolver a crise. Porém ressaltou que é preciso que Zelaya descarte voltar ao poder. Micheletti disse que o presidente deposto deve aceitar as eleições que o país realizará em 29 de novembro. As informações são da Dow Jones.
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Rizzolo: Bem lutar pela democracia realmente não é crime, porem solapar as instituições, tentar rasgar a Constituição, e iludir o pobre povo através de ” eleições dirigidas e plebiscitárias” isso sim é um crime. Legitimar tudo através do voto, tripudiando as instituições, a segurança jurídica, as normas legais é a forma mais moderna de atingir um autoritarismo nefasto. Depois é só deitar de barriga para cima na Embaixada do Brasil, não é ? É bom lembrar: Zelaya foi deposto PARA QUE A LEI SE CUMPRISSE.

Azeredo critica atitude do Brasil em relação a Honduras

BRASÍLIA – O presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), convocou para hoje, às 15 horas, reunião extraordinária da comissão, a fim de debater a crise política em Honduras e o refúgio do presidente deposto, Manuel Zelaya, na Embaixada brasileira. Azeredo criticou a atitude do governo brasileiro de receber Zelaya e disse que a declaração do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, de que o governo brasileiro foi surpreendido com a volta de Zelaya ao país, “não convence”.

Azeredo também afirmou hoje que o Brasil “exagerou” ao abrigar Zelaya na embaixada. Na opinião do senador, o governo brasileiro deveria ter deixado a Organização dos Estados Americanos (OEA) procurar uma solução para o impasse. “O Brasil estava certo ao protestar contra o golpe em Honduras, mas, no meio do caminho, houve um exagero do Brasil em buscar um destaque internacional”, ponderou o senador.

“Esta situação é grave, e o Brasil fica procurando sarna para se coçar. Essa história de que foi surpresa o Zelaya aparecer por lá não convence”, disse o senador, referindo-se às declarações do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, em Nova York, negando que o governo brasileiro soubesse antecipadamente do retorno de Zelaya ao país. Azeredo afirmou que não conseguiu conversar com o chanceler brasileiro nos últimos dias, mas informou que vai discutir o assunto com os demais membros da comissão.

Mercadante

O líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), criticou a declaração feita por Azeredo, de que o Brasil, ao abrigar o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, na Embaixada brasileira naquele país, “procura sarna para se coçar”.

“O direito de abrigo em uma embaixada é uma condição fundamental do estatuto da defesa dos direitos humanos e foi utilizado por muitos brasileiros, inclusive por militantes do PSDB, no golpe do Chile, quando ficaram meses amontoados em embaixadas para fugir da perseguição da ditadura de Pinochet”, disse Mercadante.

O senador do PT afirmou que as críticas devem ser feita aos “golpistas” que tomaram o poder em Honduras, e não à Embaixada brasileira, que, segundo o chanceler Celso Amorim, não soube antecipadamente do retorno de Zelaya ao seu país.

“O que os democratas do Brasil precisam, neste momento, é condenar com veemência o golpe em Honduras e garantir a integridade física do presidente deposto Manuel Zelaya e restabelecer o estado democrático em Honduras como exigem a Organização dos Estados Americanos (OEA) e a Organização das Nações Unidas (ONU), que expulsou o representante dos golpistas da última reunião, e como têm feito os principais países democráticos”, afirmou Mercadante.

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Rizzolo: Em primeiro lugar Manuel Zelaya nunca foi democrata, se fez usar da democracia plebiscitária para afrontar as instituições e violar a Constituição de seu País. O Brasil procurou sim “sarna para se coçar”, deveria como afirmou Azeredo, ter deixado a Organização dos Estados Americanos (OEA) tomar partido dessa questão. Agora o Sr. Mercadante ao defender a democracia, se esquece que quando todos os democratas brasileiros clamavam sua postura em relação a Sarney, há algumas semanas, preferiu calar-se. Conclamar desta feita os democratas do Brasil à causa hondurenha, é algo no mínimo surrealista. O Brasil se mete em cada fria em nome do esquerdismo….

Presença de Zelaya em Honduras pode facilitar o diálogo, diz Amorim

De Nova York e Caracas para a BBC Brasil – O Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou, durante coletiva nesta segunda-feira em Nova York, que a presença do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, na embaixada brasileira na capital, Tegucigalpa, pode facilitar o diálogo para o fim da crise política no país.

“A presença dele em Honduras certamente é um fato novo que já é decorrência, creio eu, também de várias medidas da comunidade internacional e creio que isso facilitará um diálogo, se houver disposição efetiva para tanto, e para que se encontre rapidamente uma solução”, afirmou.

Segundo Amorim, a Organização dos Estados Americanos (OEA), deve exercer um papel fundamental nas negociações políticas em Honduras.

“Se a OEA não servir para garantir um governo democrático, para que vai servir a OEA? E se a OEA quiser recorrer a um outro facilitador, se o presidente (da Costa Rica, Oscar) Arias quiser continuar a ter uma participação e se os envolvidos acharem que isso seja útil, porque não? O Brasil esta pronto a ajudar no que for necessário”, disse o ministro.

Mais cedo, Amorim confirmou que Zelaya teria pedido abrigo na embaixada brasileira em Honduras no seu retorno ao país, quase três meses após a deposição.

Zelaya foi deposto da Presidência no último dia 28 de junho. Em seu lugar assumiu o presidente interino Roberto Micheletti.

Ainda nesta segunda-feira, o governo interino decretou o toque de recolher em todo país, que está valendo até às 7 hrs (horário local), podendo ser renovado.

Momento

O ministro não soube explicar a razão pela qual o presidente Zelaya teria escolhido esse momento para voltar a Honduras e que ficou tão surpreso quanto a mídia internacional sobre o retorno do líder.

Apesar disso, Amorim disse que não surpreendeu o fato de o presidente ter pedido abrigo à embaixada brasileira.

“Nós temos mantido uma posição de coerência, a postura do Brasil foi sempre de apoio à restituição do poder do presidente Zelaya, – o presidente constitucional de Honduras. E nós sempre procuramos uma solução pacífica e rápida, o que já estamos dizendo há três meses. O que terá levado o presidente Zelaya a escolher esse momento não sabemos dizer”, afirmou o ministro na coletiva.

Segundo o ministro, “o Brasil não tem contato oficial com o governo de (Roberto) Micheletti com exceção (de assuntos) como o recolhimento de lixo ou coisas assim.”

Futuro

Celso Amorim disse ainda que é difícil prever o que deve acontecer daqui para frente no cenário político em Honduras.

Segundo o ministro, Zelaya chegou com seus próprios recursos a Tegucigalpa, pelas montanhas e desarmado.

“Fomos abordados primeiro por uma deputada e depois por sua esposa, (Xiomara Castro,) minutos antes de ele entrar na nossa embaixada. E nossa posição continua ser que o presidente Zelaya retorne ao governo. Nós estamos confiantes de que a presença dele em Honduras facilitará (esse processo)”, afirmou.

“Também consideramos muito importante que as autoridades do governo interino tomem conhecimento de que qualquer ameaça ao presidente Zelaya, sua mulher ou a embaixada, será considerada uma grande afronta ao direito internacional e estou certo de que isso não vai ocorrer.”

Segurança

O ministro afirmou que não teme pela segurança da embaixada em Honduras.

“Essas coisas sempre inspiram cuidado porque sempre pode haver um ato de pessoas irresponsáveis. Mas nós confiamos que haja o mínimo de sensatez das autoridades do de fato e que elas possam zelar pela segurança sem violência, sobretudo sem violência contra as pessoas que foram acolher e receber o presidente de Honduras”, afirmou.

O ministro disse, no entanto, que o governo brasileiro tomou algumas medidas de prevenção para garantir a segurança do órgão brasileiro no país.

“Acionamos os canais que pudemos acionar: a OEA e pedimos que nosso embaixador (em Washington) entrasse em contato com as autoridades americanas. E tanto a OEA e o funcionário do governo americano com quem nosso embaixador conversou nos assegurou que isso estava sendo feito”, afirmou.

“Nossa maior segurança é o apelo ao bom senso, mesmo porque não temos de uma hora para outra aumentar a segurança física da embaixada. (..) Confiamos primeiro no espírito pacífico do povo hondurenho e confiamos também que há um processo de diálogo que vai continuar”, disse Amorim.

Multidão

O embaixador de Honduras em Washington, Enrique Reina, que é rompido com o governo interino de Roberto Micheletti e fiel ao líder deposto Manuel Zelaya, disse que o prédio que abriga a Embaixada do Brasil em Tegucigalpa foi rodeado por uma multidão, vinda de diferentes partes do país.

Reina afirmou que o toque de recolher decretado pelo governo interino despertou temores entre os correligionários do líder deposto, uma vez que vários manifestantes pró-Zelaya de diferentes partes do país estariam indo para a capital Tegucigalpa.

Zelaya teria convocado uma reunião com integrantes do governo interino em Tegucigalpa e estaria aguardando o pronunciamento da Organização de Estados Americanos (OEA), que realizou um encontro de emergência para discutir a situação em Honduras.

Em entrevista à BBC nesta segunda-feira, Zelaya confirmou que o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, deve chegar a Tegucigalpa nas próximas horas.

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Rizzolo: Vou ser bem objetivo. Entendo a postura do governo brasileiro muito perigosa, e de ousada não tem nada. Abrigar esse cidadão patrocinando o seu retorno ao país, quando a conseqüência dessa volta pode ser uma guerra civil, é algo sério e que esbarra na inconseqüência. Poderíamos em Direito chamar esta postura de dolo eventual, pode-se prever o resultado, e se o resultado for um conflito armado o Brasil já está envolvido. Em um pronunciamento no rádio, o presidente de facto de Honduras, Roberto Micheletti, exigiu que o Brasil entregue o presidente deposto, Manuel Zelaya, às autoridades hondurenhas.

Agora eu pergunto : Para que? Democrata esse Zelaya nunca foi, pois queria passar por cima da Constituição e as instituições. Isso é que chamo de ” gastar vela boa, com defunto ruim “. Coisas de ” companheiros da América Latina “, idealizadas por Amorim, essa visão esquerdista fora de moda e ultrpassada, que só tem eco, nos amantes bolivarianos. Quer ter posturas de esquerda? Tenha-as legitimando-as como procuro fazer em meus textos, fundamentando-as, agora ações isoladas, inconsequentes, sem ouvir nem mesmo seus parceiros em entidades multilaterais – ONU, OEA ou aquela bobeira de Unasul, não dá não é ?

Zelaya diz que pedirá destituição de golpistas em 24 horas

SAN JOSÉ – O presidente deposto de Honduras, José Manuel Zelaya, chegou na noite desta quarta-feira, 8, à Costa Rica, para iniciar, na quinta, um diálogo junto ao líder de facto de seu país, Roberto Micheletti, mediado pelo presidente Oscar Arias, com o objetivo de pôr fim à crise política na nação. O líder destituído adiantou que pedirá a remoção do governo interino em 24 horas.

Em sua chegada a San José, Zelaya afirmou disse esperar uma “resposta clara da contraparte golpista que rompeu o processo democrático”. Mais cedo, o presidente deposto chamou Micheletti, nomeado em seu lugar após o golpe do último dia 28, de “gorila” e assegurou que o novo chefe de Estado hondurenho deverá “pagar” por sua traição.

“A traição é um crime que não prescreve”, afirmou Zelaya em declarações a um canal chileno de televisão, nas quais também reiterou que não negociará com os “golpistas” nas reuniões desta quinta. Segundo Zelaya, Roberto Micheletti representa um regime que deu um golpe de Estado com armas e que cometeu crimes como “assassinatos, violações aos direitos humanos e especialmente a traição.”

O presidente deposto negou ter violado a Constituição e as leis, como disseram os novos governantes de Honduras para justificar o golpe contra seu governo. “Se meu crime é lutar pela justiça, me declaro culpado”, disse Zelaya.

A missão de Arias será mediar um plano para que presidente deposto volte a seu posto, com o compromisso de não tentar se reeleger. Na terça-feira, Micheletti disse estar muito feliz com a escolha do presidente costa-riquenho e afirmou estar “aberto para o diálogo”. Em seguida ele recuou, dizendo que não iria à Costa Rica “negociar, mas conversar.”

A crise em Honduras começou no primeiro semestre, quando Zelaya desafiava o Congresso hondurenho, a Suprema Corte e o Exército do país ao pressionar por um plebiscito para obter apoio a uma mudança na Constituição que permitiria ao presidente se reeleger além do mandato único de quatro anos. Antes que ele pudesse realizar a votação, em 28 de junho o Exército de Honduras o prendeu quando o chefe de Estado ainda estava de pijamas e o levou à Costa Rica

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Rizzolo: Já comentei anteriormente meu ponto de vista em relação a Zelaya. Mas poderíamos de forma breve fazer uma reflexão, sobre o uso da democracia plebiscitária como instrumento da autocracia. É exatamente nessa esfera que os aproveitadores do “seculo 21” atuam, promovendo sucessivas consultas populares sob a égide da legitimidade democrática, para que num golpe rápido e rasteiro, solaparem as instituições e por último rasgarem a Constituição do país. Talvez a nova forma de golpe branco, como costumo classificar, seria uma “interpretação estelionatária” da essência da democracia, de forma a levar o povo a incorrer em erro ideológico, ensejando uma visão de legitimidade popular, com um claro propósito de chancelar uma verdadeira autocracia, esta, a favor da linhagem esquerdista implantada na América Latina. Uma verdadeira inversão de valores, que apenas impressiona os incautos e o pobre povo inculto.

Honduras: Avião de Zelaya é impedido de pousar em Tegucigalpa

O avião do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, foi impedido de pousar no aeroporto de Tegucigalpa neste domingo e precisou fazer uma parada rápida na capital da Nicarágua, Manágua.

A aeronave deve se dirigir a El Salvador onde Zelaya se encontrará com outros líderes de países da América Latina que estão naquele país.

Por telefone, dentro do avião, Zelaya afirmou que os soldados leais ao governo interino bloquearam a pista de pouso e o alertaram que poderiam atacar o avião caso a aeronave tentasse pousar.

Zelaya enviou uma mensagem ao comandante do Exército hondurenho, general Romeo Vazquez.

“General, não destrua seu próprio povo e sua própria família. Nos ajude a tentar convencê-los (os responsáveis pela deposição do presidente) a reconsiderarem suas ações. O povo está nas ruas e eles não podem governar.”

“Eles (os que depuseram o presidente) foram rejeitados por todos os países do mundo. Pare seus soldados, general, peço isso a você com todo meu amor como um cidadão hondurenho e como seu amigo. Pare o massacre em nome de Deus”, pediu Zelaya.

Pelo menos uma pessoa morreu neste domingo quando soldados dispersaram a manifestação a favor do presidente deposto no aeroporto de Tegucigalpa.

Milhares de pessoas tentaram chegar ao aeroporto quando o avião de Zelaya deixou Washington tentando voltar para Honduras.

Os soldados dispararam gás lacrimogêneo contra os manifestantes no aeroporto de Tegucigalpa e arredores, que teriam respondido com pedras, e a multidão invadiu um cordão de isolamento enquanto esperava pelo avião de Zelaya.

Segundo informações de hospitais locais e da polícia, além do manifestante morto, outras pessoas ficaram feridas no confronto.

Ameaça

De acordo com o correspondente da BBC em Tegucigalpa Stephen Gibbs, o governo interino afirmou que qualquer tentativa de pousar com o avião do presidente deposto será uma violação internacional das regulamentações de tráfego aéreo. E ameaçou Zelaya de prisão caso ele volte ao país.

Neste domingo, o ministro das Relações Exteriores de Honduras, Enrique Ortez, disse em entrevista à emissora de rádio local HRN que o presidente deposto não terá autorização para pousar no país.

“Dei ordens para que não se deixe entrar, venha quem venha, para que não se cometa a imprudência de que morra um presidente da República, que se vá ferir um presidente da República ou que morra quem quer que seja”, afirmou.

O avião de Zelaya decolou de Washington, onde o presidente deposto participou, no sábado, da reunião de emergência da Organização dos Estados Americanos (OEA).

No voo com o presidente deposto estava o presidente da Assembleia Geral da ONU, Miguel D’escoto Brockmann e vários jornaistas.

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, o líder do Equador, Rafael Corrêa e o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, foram para El Salvador para monitorar os acontecimentos e devem se reunir com Zelaya.

Os militares – com o apoio do Congresso e do Judiciário de Honduras – retiraram Zelaya da presidência no dia 28 de junho, um ato que foi condenado pela comunidade internacional e que resultou na suspensão de Honduras da OEA.

Tensão

Em compasso de espera, a capital hondurenha viveu um fim de semana tenso.

No sábado, milhares de manifestantes favoráveis ao presidente afastado marcharam desde o centro da cidade até a região do aeroporto de Toncontin, carregando cartazes e faixas em defesa de Zelaya.

Do outro lado, manifestações contra Zelaya o comparavam ao presidente venezuelano, Hugo Chávez. O presidente afastado de Honduras estava sendo criticado porque pretendia realizar uma consulta popular para reformar a Constituição e, assim, abrir caminho para uma possível nova candidatura – um estilo “à la Chávez”, na visão de seus críticos.

O presidente deposto havia conclamado seus correligionários a ir às ruas recebê-lo, mas ressaltara que o fizessem “desarmados”.

O cardeal Óscar Rodriguez, líder da Igreja Católica hondurenha, havia pedido, em um pronunciamento feito à TV no sábado, que o presidente afastado não regressasse a Honduras, uma vez que isso poderia causar um “banho de sangue”.
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Rizzolo:
No clima de tensão em que se encontra Honduras, é importante encontrar uma solução pacífica. Como já disse anteriormente, Manuel Zelaya não é um coitadinho, um democrata, um injustiçado, encara-lo desta forma, é chancelar suas arbitrariedades no desrespeito frontal às instituições. Zelaya é um daqueles que pelos discursos populistas acabou ” achando” que a tudo era permitido, entendeu que por ter apoio de Chavez e ser popular reduziria qualquer resistência na manutenção da ordem do país.

Quiz na realidade imitar Chavez, Morales, e Correa, utilizando-se de processos eleitorais com uso intensivo de referendos, para estabelecer para si um poder autocrárico, que não precisa ser contrabalançado pelo Judiciário e pelo Legislativo. As Leis seriam o que ele próprio determinaria que fossem como se assim fosse ele a ‘ fonte do Direito “.

O mais incrível é que um coro de esquerdistas apóiam esse tal Zelaya que queria apenas, e tão só, fechar o Judiciário, o Congresso e a Promotoria do país, além de rasgar a Constituição. Agora é necessário encontrar uma solução pacífica. Pessoalmente acho difícil, os apoiadores de Zelaya se assemelham ao pessoal do MST, são radicais, e baderneiros por ali, insuflados pela esquerda da América Latina é que não faltam. E tem mais, gostei muito que o avião não conseguiu pousar. O melhor que Zelaya deve fazer, é ” cantar em outra freguesia”.

Justiça de Honduras emite ordem de prisão contra o presidente deposto

Manuel Zelaya é acusado de ‘traição à pátria’ e ‘abuso de autoridade’.
Derrubado no domingo, ele prometeu voltar ao país na próxima quinta.
A Justiça de Honduras informou nesta terça-feira (30) que, se voltar ao país, o presidente deposto Manuel Zelaya será preso.

Zelaya foi derrubado do governo pelos militares no domingo e expulso do país. A comunidade internacional não reconhece o governo interino de Roberto Micheletti e exige a volta de Zelaya ao poder.

A ordem de prisão contra o deposto foi emitida na noite de segunda pela juíza Maritza Arita e foi divulgada pela própria magistrada através das rádios locais.

A Justiça acusa Zelaya por 18 delitos, entre eles “traição à pátria” e “abuso de autoridade”.
globo

Rizzolo: Dizer que Manuel Zelaya é um coitadinho, ” um democrata” , um injustiçado, é chancelar suas arbitrariedades no desrespeito frontal às instituições. Zelaya é um daqueles que pelos discursos populistas acabou ” achando” que a tudo era permitido, entendeu que por ter apoio de Chavez e ser popular reduziria qualquer resistência na manutenção da ordem do país. O mais incrível é que um coro de esquerdistas apóiam essa tal Zelaya que queria apenas , e tão só, na prática, fechar o Judiciário, o Congresso e a Promotoria do país. E rasgar a Constituição. Coitadinho..

Hillary: OEA enviará delegação a Honduras para negociar

WASHINGTON – A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, afirmou hoje que a situação em Honduras resultou “em um golpe”. Ela disse que os Estados Unidos estudam qual consequência terá a crise em Honduras para os programas de assistência ao país. Segundo ela, a Organização dos Estados Americanos (OEA) enviará uma delegação à nação caribenha “para começar a trabalhar” com os setores em conflito na restauração do governo constitucional. “É importante que tomemos uma posição a favor do Estado de direito”, afirmou.

Governos de América Latina e Europa condenaram a derrubada do presidente Manuel Zelaya e pediram que o conflito seja resolvido pela via democrática. Brasil e Uruguai afirmaram que não reconhecerão nenhum governo hondurenho que não seja o de Zelaya, deposto e expulso do país. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse em seu programa de rádio semanal “Café com o Presidente” que não aceitará nem reconhecerá nenhum governo que não seja encabeçado por Zelaya “porque ele foi eleito diretamente pelo voto, cumprindo as regras da democracia”.

Honduras se arrisca a ficar isolada do resto da América Latina se o mandatário deposto não retornar à presidência, advertiu Lula, que afirmou ter conversado sobre a situação com os presidentes do Paraguai, Fernando Lugo, e do Chile, Michelle Bachelet. “Não podemos aceitar mais na América Latina que alguém queira resolver seus problemas de poder pela via do golpe”, concluiu o brasileiro.

O governo uruguaio informou que não reconhecerá como presidente provisório de Honduras Roberto Micheletti, que foi designado ontem pelo Congresso hondurenho, após o golpe. “A chancelaria uruguaia ratifica o comunicado emitido pelo Mercosul, em apoio à institucionalidade democrática, e manifesta seu mais enérgico repúdio ao sequestro e expulsão do presidente Manuel Zelaya, em aberta violação da ordem constitucional”, afirmou um comunicado publicado hoje no site da presidência.

Condenação

O primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, também condenou a expulsão de Zelaya e pediu seu imediato retorno ao poder. “A solução para qualquer disputa deve se buscar sempre no diálogo e no respeito às normas democráticas”, afirmou ele, em comunicado. O presidente da Assembleia Geral da ONU, Miguel D”Escoto Brockmann, disse que havia convidado Zelaya a Nova York, para que informe diretamente sobre a situação do país. Segundo D”Escoto, a deposição do líder hondurenho foi um ataque indigno à democracia.

Em Londres, o porta-voz do Escritório de Relações Exteriores Chris Bryant informou que “o Reino Unido condena a expulsão do presidente Zelaya e a restauração do governo democrático e constitucional em Honduras”. Na Alemanha, o ministro das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, disse que a detenção de Zelaya e seu exílio forçoso na Costa Rica “violam a ordem constitucional”.

O secretário geral Iberoamericano, Enrique Iglesias, ex-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), afirmou que o golpe de Estado “é algo que não pode ser aceito”. Escolhido para o cargo pelos chefes de Estado e de governo dos países da América Latina, mais Portugal, Espanha e Andorra, Iglesias acredita que em Honduras “a vigência da Constituição” será retomada e Zelaya voltará ao poder. “Vamos ver as coisas no bom caminho.”

Iglesias considera que “a reação mundial foi impressionante”, pela rapidez e firmeza. Uruguaio, ele afirmou que “na América Latina temos superado essas etapas de golpes militares”, algo que “ninguém aceita” no continente. O secretário também elogiou o posicionamento do novo governo dos EUA, presidido por Barack Obama. “O governo Obama também teve posição firme e clara”, disse ele, que está no Brasil para um seminário no Rio, preparatório para a reunião de Cúpula Iberoamericana que será realizada em 30 de novembro, em Estoril, Portugal.
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Rizzolo: Já disse em um comentário anterior mas irei ratificar minha posição novamente. O presidente Manuel Zelaya agiu mal, provavelmente influenciado pelo seu ídolo Hugo Chavez. Tentou conduzir um plebiscito à revelia das normas legais. Com efeito não respeitou a Constituição – tanto que queria fazer um plebiscito inconstitucional – pouco se ateve ao Congresso e desprezou o Judiciário.

Bem, já vimos que Manuel Zelaya bonzinho não é, tampouco coitadinho e injustiçado. Se os países da América Latina entendem que conclamando o povo pobre, que se encanta com as palavras doces dos oportunistas, e com artifícios demogógicos podem golpear, rasgar, e queimar a Constituição de um país, estão eles enganados. Ninguém aqui está defendendo um golpe militar, até porque se os militares ficarem a coisa muda de figura. Agora uma coisa é certa, a democracia não pode subsistir ou ser suplantada com os artifícios da demagogia e do populismo. Isso não. Não é tão fácil, como Hugo Chavez, Morales e sua turma entender ser.

O Aero – Willys e o Congresso Nacional

A política brasileira sempre sofreu de crises de cunho moral. Por outro lado, teve em seus momentos mais difíceis, homens capazes de reconstruir a vil trajetória da amoralidade e da falta de ética, com valores capazes coibi-los em ações pautadas na moralidade pública. A democracia, a ética, a probidade administrativa, são características essenciais e sagradas no desenvolvimento social de um País.

Mas porque hoje no Brasil a corrupção, a politicagem, o clientelismo, e a falta de ética impera nos meios políticos? Será que a democracia no Brasil, não é capaz produzir homens de bem, ou a política na sua mais mais áspera concepção de arranjos inter – partidários acaba por corromper os bem-intencionados homens públicos?

Longe de abrigar uma argumentação defensiva do regime militar, tampouco avalizando um revisionismo político. Contudo, me lembro ainda quando jovem, meu pai – um advogado defensor da democracia – ao ler no jornal, com um certo ar de indignação e admiração patriótica, a notícia que dava conta da decisão do marechal Castello Branco – presidente militar na época – de demitir sumariamente um irmão seu, Licurgo, funcionário da Receita Federal, ao tomar conhecimento que recebera de presente um Aero-Willys, o carro mais caro na época, fabricado no Brasil.

Hoje no Brasil dos anões do orçamento, da CPI dos precatórios, do dossiê Cayman, do mensalão, do dinheiro na cueca, do caso Palocci, das acusações contra Renan Calheiros, do caso Rondeau e Guatama, da Operação Satagraha, dos gastos do Senado e outros, nos apenas resta indagar se esta democracia que vivemos não está de certa forma maculada pelos interesses pessoais dos políticos, que em última instância, estão à serviço de si próprios, e das poderosas siglas partidárias que os conduzem ao poder, dispensando e desprezando dessa forma a devida prestação de contas pertinentes aos seus mandatos.

Com muita propriedade afirmava Rui Barbosa em ” Cartas da Inglaterra”, que “A pior democracia é preferível à melhor das ditaduras”. Temos hoje no Brasil que agregar à participação política, através da educação e da formação, políticos de boa intenção, de caráter ético, preparados para construir uma democracia refratária ao populismo leviano, e eleitoreiro.

Talvez então não teremos o pior da democracia, mas afastaremos de vez aqueles que por de trás de um discurso “elaborado”, justificam e avalizam o desrespeito ao povo brasileiro e às liberdades democráticas no exercício de seus mandatos.

Fernando Rizzolo