Boletim Focus aponta todos os indicadores de inflação em alta

Brasília – O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que serve de parâmetro para as correções oficiais, deve encerrar este ano em 4,66%, de acordo com expectativa média de uma centena de analistas de mercado e de instituições financeiras consultados pelo Banco Central na última sexta-feira (11).

Eles elevaram a perspectiva de inflação no varejo, que na semana anterior indicava IPCA de 4,50% – no centro da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O aumento decorre da tendência de alta dos preços de alguns alimentos; em especial daqueles com cotação internacional, conhecidos como commodities.

Em razão da elevação dos preços de produtos como carne e leite, principalmente, os analistas calculam que o IPCA de abril, antes estimado em 0,34%, deve ficar em 0,43%. Eles também aumentaram de 0,26% para 0,30% a expectativa de inflação para o mês de maio. Ambos abaixo, portanto, do IPCA de 0,48% de março.

A projeção é de alta também para o Índice de Preços ao Consumidor, medido pela Fundação Instituto de Pesquisa Econômica (Fipe) da Universidade de São Paulo (USP). O IPC-Fipe calculava inflação de 4% na semana anterior, e agora passa para 4,03%. Essa estimativa é só para a capital paulista.

A única indicação de baixa no varejo diz respeito aos preços administrados por contratos ou monitorados (combustíveis, energia elétrica, telefonia, medicamentos, água, educação, saneamento, transporte urbano coletivo e outros). A inflação desses preços estava estimada em 3,55% em 2008, na pesquisa da semana anterior, e caiu para 3,53%.

Os dois indicadores de preços no atacado, pesquisados pela Fundação Getulio Vargas (FGV) também são de alta. O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), que antes previa inflação de 5,64%, aumentou para 5,81% no ano; e o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) evoluiu de 5,81%, na semana passada, para os atuais 6,02%.

Agência Brasil

Rizzolo: Não há dúvida que o aumento de forma brusca do dólar, mesmo num patamar menor como o de hoje, terá como conseqüência um aumento da inflação, até porque os preços dos importados chegarão aqui mais caros, ao mesmo tempo, poderá haver redução da oferta interna de produtos, com aumento de exportação em função do real mais desvalorizado. A grande questão será o comportamento dos juros; quem apostava numa diminuição agora com uma maior definição no quadro inflacionário poderá se desiludir. “Juros altos e escassez de crédito são misturas explosivas legitimadas pela inflação”, ainda mais por quem adora procurar ” motivos para justificar juros altos “( BC). Fique atento, não é hora de contrair dívidas.

Bolsas de NY seguem tendência mundial e abrem em forte alta

SÃO PAULO – As bolsas de Nova York abriram em forte alta nesta segunda-feira, 13, seguindo a tendência de recuperação dos mercados em comemoração ao plano coordenado de combate à crise definido no final de semana por mais de uma dezena de governos europeus. Às 10h30, o Dow Jones subia 4,27%, o Nasdaq avançava 5,19% e o S&P 500 subia 3,72%. Por aqui, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) também abriu em forte valorização, e, às 10h45, subia 6,91%, aos 38.071 pontos. Só na semana passada, o Ibovespa teve uma desvalorização de 20%.

“Vamos matar a saudade da Bolsa em alta”, festejou um operador após ver o Ibovespa fechar em baixa os últimos sete pregões, elevando para 28% a perda acumulada no mês de outubro. Mesmo avaliando que uma alta dessa magnitude repõe só parte das perdas, analistas avaliam que o movimento pode estar sendo exacerbado. É a outra face da volatilidade.

Seria preciso pelo menos uma semana mais calma na Bolsa, de recuperação, para dizer que o mercado está tentando retornar à normalidade, de acordo com um analista. Mas os investidores amanheceram querendo acreditar que o plano de resgate europeu para deter a sangria dos mercados financeiros vai dar certo. Na Europa, a Bolsa de Londres avançava 4,58% e a de Paris 6,41%.

Mais de uma dezena de governos da Europa devem anunciar entre hoje e quarta-feira a criação de fundos nacionais de recapitalização e de garantias do sistema financeiro, nos mesmos moldes do plano anunciado pelo Reino Unido há cinco dias. A decisão foi tomada ontem em Paris, após três horas e meia de reunião entre chefes de Estado e de governo do Eurogrupo, o conjunto de países com moeda única. A ação será ao mesmo tempo nacional, já que os recursos virão do orçamento de cada país, e continental, na medida em que todos os governos obedecerão a regras unificadas para a intervenção. O valor dos planos deve se aproximar dos 300 bilhões de euro inicialmente previstos na idéia do fracassado fundo europeu contra a crise.

Para completar, o governo britânico confirmou a injeção de US$ 63,37 bilhões no Royal Bank of Scotland (RBS) e na instituição que resultará da fusão entre o Lloyds TSB e o HBOS (Halifax). E o Fed anunciou nesta segunda que proverá o que for necessário de recursos em dólar por meio de suas linhas de swap com os três principais bancos europeus.

Os sinais de que a confiança pode estar voltando e o recuo do dólar frente ao euro animam também os mercados de commodities. O petróleo se recupera do tombo da semana passada, após ter fechado a sexta-feira no menor nível em 13 meses, abaixo de US$ 78 o barril. Por volta das 10h, o barril na Nymex era negociado em alta de quase 5%, acima de US$ 82. Os metais vão pelo mesmo caminho. O contrato de cobre para três meses negociado em Londres subia 3,3% mais cedo, para US$ 4.940 a tonelada, enquanto o de alumínio avançava 2,3%, para US$ 2.266 a tonelada.

Outra boa notícia da manhã veio do pelo BC brasileiro, que anunciou um programa de liberação integral dos recolhimentos compulsórios a partir de hoje. A medida atinge os depósitos a prazo e interfinanceiros de empresas de arrendamento mercantil (leasing) e também a exigibilidade adicional, que atualmente recai sobre os depósitos à vista e a prazo. Segundo o BC, serão liberados até R$ 100 bilhões.

Ásia

Na Ásia, o principal índice de bolsa de valores subiu 5% depois de ter caído ao pior patamar em quatro anos nesta segunda-feira. Entretanto, o iene permaneceu firme ante o dólar e o ouro também se valorizou, ressaltando a precaução do investidor e pouca disposição para fazer investimentos arriscados no momento, especialmente com mercados de crédito funcionando de forma fraca.

O mercado acionário do Japão registrou queda de 24% na última semana, duas vezes mais o que perdeu na semana da crise de 1987, enquanto as bolsas dos Estados Unidos tiveram queda de 18%, o maior declínio em uma mesma semana da história.

“Os mercados estão enormemente vendidos e todos estão sedentos por boas notícias, então não irá demorar muito para começar um rali de alívio. Mas isso está longe de ser o fim da história”, disse Geoff Lewis, chefe de serviços de investimentos do JF Asset Management em Hong Kong.

“Até podermos reconhecer um retorno do apetite pelo risco, é difícil de perceber como a Ásia pode se sobressair em linha com seus fundamentos relativamente superiores”, disse Lewis, que antecipou mais pressões sobre bancos sendo gerados por unidades de empréstimos comerciais e de financiamento ao consumidor.

O índice MSCI que reúne os principais da região Ásia-Pacífico com exceção do Japão disparou 7,41%, depois de chegar a cair mais de um quinto na última semana, para o nível mais baixo desde dezembro de 2004. A bolsa de Sydney teve salto de 5,5%, revertendo parte do declínio de 16% da última semana, depois que o governo australiano garantiu cobertura de todos os depósitos bancários.
O índice Hang Seng, de Hong Kong, disparou 10,24%, depois de ter perdido 16,2% na última semana. As ações da China Mobile eram as que mais se valorizaram no índice e papéis de grandes bancos tiveram rali depois de registrarem queda mais cedo na sessão.

O mercado de ações do Japão e de Treasuries dos Estados Unidos não operaram em virtude de feriados nesta segunda-feira. O mercado de Seul subiu 3,79%. Xangai avançou 3,65%, Taiwan recuou 2,15% e Cingapura disparou 6,57%.

Agência Estado

Rizzolo: A ação coordenada dos países, em direção à superação da crise, parece de início ter surtido algum efeito. Contudo ainda é muito cedo para afirmar que a crise acabou; no Brasil há empresas com sérios problemas em operações no mercado cambial, as que já amarguram o prejuízo terão problemas, outras ainda irão enfrentar essa questão.. O grande desafio é por parte do governo, que terá que cortar gastos, a previsão super otimista de receita terá que ser revista.

Outro setor que enfrentará problemas é o imobiliário, não o popular referente aos SFH, até por que pagam TR mais a taxa de juros bancária, mas me refiro aos novos projetos que não começarão tão cedo. O que assusta os empresários, são os financiamentos mais caros, aqueles feitos diretamente com o incorporador, estes financiados por IGPM mais 12%, e como o IGPM subiu muito fala-se em 25% ano, e isso irá trazer problemas.

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Zona do Euro decide recapitalizar bancos para evitar quebras

Paris, 12 out (EFE).- Líderes dos países da Zona do Euro reunidos neste domingo em Paris decidiram permitir um refinanciamento bancário “limitado” até o final de 2009 e de acordo com as “condições do mercado”, disse hoje o presidente francês, Nicolas Sarkozy.

“Não será um presente para os bancos”, declarou o presidente francês, que disse ainda que na cúpula realizada hoje em Paris foi decidido que os Estados-membros da eurozona “poderão reforçar o capital dos bancos de seus respectivos países”.

“O plano que aprovamos tem a vocação de ser aplicado em cada um de nossos Estados-membros com a flexibilidade que se necessite em função da diversidade de nossos sistemas financeiros e de nossas regras nacionais”, advertiu Sarkozy.

O presidente francês assegurou que “é preciso devolver aos bancos a liquidez que precisam, que possam obter financiamento a médio prazo e reforçar seus fundos próprios”.

“Os Governos da eurozona darão garantias públicas para operações de refinanciamento bancário. Este dispositivo temporário, até 31 de dezembro de 2009, será naturalmente devolvido em condições de mercado. Não se trata de dar um presente aos bancos, mas de permitir seu funcionamento”, frisou Sarkozy.

O francês, que ocupa a Presidência rotativa da União Européia, explicou que “os Estados que quiserem poderão reforçar o capital dos bancos mediante a subscrição de ações preferenciais ou com títulos similares”.

“Com uma estrutura financeira dos bancos que seja mais forte eliminaremos a pressão que pesa sobre o crédito”, afirmou Sarkozy, que disse que os governantes dos 15 Estados do Eurogrupo manifestaram sua satisfação com as decisões tomadas pelo Banco Central Europeu (BCE).

O presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, “nos comunicou sua determinação absoluta para pôr tudo que for necessário em andamento para permitir o retorno à normalidade”, assinalou Sarkozy.

Encontro dos poderosos

Os chefes de Estado e de Governo dos países do Eurogrupo, além do presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, e do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, se reuniram neste domingo em Paris para discutir medidas que tirem o sistema financeiro mundial da crise.

Entre os assuntos, discutiu-se a nacionalização parcial dos bancos, coordenação das intervenções de cada Estado, garantia de depósitos dos poupadores e controle das remunerações dos dirigentes, segundo diversos meios de imprensa.

Folha online

Rizzolo: A postura da europa é sempre diversa da forma de enfrentar as questões econômicas como os tomadas pelos EUA. A Comunidade Européia, ou os países que constituem a europa, tem uma resposta mais lenta a tudo. As discussões são mais elaboradas e colocá-las em prática. se torna mais difícil ainda em função da complexidade de cada País. De qualquer formam, tudo o que é feito na direção da solução dos problemas no tocante à crise é bem-vindo. Os EUA possuem mais comando, mais firmeza, e a confiabilidade é maior, haja vista os investimentos em T- Bonds (Treasury Bond ) e dólar, nos momentos de crise.

A pressão sobre o crédito passa pela confiança dos mercados, não só da europa, mas dos EUA, da Ásia, e dos emergentes, que terão um real esfriamento de suas economias, com inflação, escassez de crédito, e queda nos preços das commodities, o pacote da europa pode amenizar a crise num contexto geral. No Brasil o problema envolve principalmente o câmbio, que está totalmente “out of control”, reflexo da lógica das causas acima mencionadas . Por hora, pelo fato dos bancos brasileiros terem pouca alavancagem, a crise ainda não atingiu os atingiu; principalmente os grandes bancos. Até quando não sei.

A verdade, é que a especulação do dólar, ou a aposta num real valorizado, obtido nas operações pelas empresas, deu-se muito em função das altas taxas de juros, e isso ninguem fala, mas eu falo, e sempre falei, quem acompanha este Blog sabe. O cenário não é nada bom para os emergentes, enquanto as medidas não surtirem efeito real na economia americana. O resto é pura perfumaria.

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Votorantim admite perdas de R$ 2,2 bi com operações de câmbio

O grupo Votorantim admitiu nesta sexta-feira que vai arcar com um custo de R$ 2,2 bilhões para eliminar a exposição financeira da empresa às oscilações do câmbio. Anteriormente, Sadia e Aracruz já admitiram prejuízos milionários (de R$ 750 milhões e R$ 1,95 bilhão, respectivamente) com sua exposição à moeda americana devido a operações no mercado futuro.

Entre o final de agosto e de setembro, a cotação da moeda americana oscilou de R$ 1,63 para R$ 1,90, afetando as operações financeiras de muitas empresas brasileiras. E somente nos primeiros dias de outubro, o preço do dólar já bateu R$ 2,48, no pior momento da crise.

Em seu comunicado ao mercado, o Votorantim enfatiza que a geração de caixa do grupo foi de R$ 8,1 bilhões no ano passado, com projeção de R$ 8,4 bilhões para este ano. No entanto, não dá detalhes de como esse custo deve ser contabilizado nos próximos balanços da empresa.

Uma das empresas do grupo, o Banco Votorantim, comunicou à parte que “não teve participação na formação das operações de “swap'” realizados pela Votorantim e que “não registrou qualquer prejuízo com a eliminação das referidas operações”.

Ontem, a agência de classificação de risco Fitch Ratings colocou sob “observação negativa” o “rating” da VCP (Votorantim Celulose e Papel). A “observação negativa” significa que a nota dessa empresa está sob ameaça de rebaixamento, a exemplo do que já ocorreu com a Aracruz.

Reportagem da Folha de hoje, assinada pelo colunista Guilherme Barros e por Sheila D’amorim, informa que aumentou a preocupação dentro do governo com a dimensão dos estragos das operações de alto risco feitas por empresas que apostaram no dólar desvalorizado até o final do ano.

A equipe econômica ainda não sabe bem o tamanho das perdas, mas avalia que podem ter um potencial significativo de estrago.

O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) afirmou à Folha que o Banco Central está levantando quais foram as empresas que fizeram as operações de alto risco no mercado de derivativos de dólar para saber a dimensão dos prejuízos. O número que circula no mercado é de R$ 40 bilhões.
Folha online

Rizzolo: As perdas com as operações de câmbio por parte das empresas são enormes a brusca oscilação provocou prejuízos enormes a várias empresas, e isso de certa forma vai repercutir na composição dos preços, assim como o novo custo do crédito já escasso. De fato a alta do dólar, o custo financeiro, a queda das commodities, e a insegurança bancária, principalmente em relação aos pequenos bancos, nos levará a uma recessão, e a um provável custo inflacionário.

O problema é exatamente dimensionarmos se temos um ” estoque” (reservas cambiais) de soro suficiente para a jornada, aparentemente sim, mas isso tem um limite. Já no tocante ao “rating” ou a nota de risco, significa uma consideração sobre a capacidade de uma empresa ou País, saldar seus compromissos financeiros. A avaliação é feita por empresas especializadas, as agências de classificação de risco, que emitem “notas”, expressas na forma de letras e sinais aritméticos, que apontam para o maior ou menor risco de ocorrência de um “default”, ou seja, de uma eventual suspensão de pagamentos.

Observem que as empresas brasileiras estão sendo reavaliadas; ao que tudo indica a crise atingiu numa proporção não imaginável os emergentes, no Brasil a brecha para o ” buraco negro” é a disparada do dólar, que infelizmente poucos sabem a quantas vai, e se o remédio do BC ( queimar reservas cambiais sistematicamente) é o aconselhável, ou até que nível podemos fazer uso deste instrumento.

Queda em Wall Street causa sexta-feira negra nas Bolsas da Ásia

Em meio a pior semana para o mercado financeiro desde o início da crise, as Bolsas da Ásia acabaram a semana com fortes perdas em uma verdadeira sexta-feira negra para os investidores. Em Tóquio, o maior mercado da região, a Bolsa caiu ao seu mais baixo nível em 21 anos seguindo a derrocada em Wall Street nesta quinta (9).

O índice Nikkei, que mede os negócios da Bolsa japonesa, desceu 11,3% nas primeiras horas da manhã, aos 8,115.41 pontos; no fim do dia, o indicador fechou em 9,62% negativo, aos 8.276,43. De acordo com a agência de notícias Reuters, os negócios foram os piores desde o crash de 1987. Tóquio fecha no vermelho há sete pregões consecutivos e vê uma queda acumulada de quase 20% só nesta semana.

Os mercados na Austrália, na Tailândia e nas Filipinas operavam todos com quedas superiores a 7%. A Coréia do Sul fechou o pregão com recuo de 4,13%. Xangai (China) encerrou o dia em baixa de 3,57%. Hong Kong terminou a sexta-feira em baixa de 7,19%, aos 14.796,87 pontos.

Na região, a crise provocou a primeira queda de uma seguradora. Em meio a uma dívida de 269,5 bilhões de ienes (US$ 2,7 bilhões), a japonesa Yamato Life Insurance pediu falência. Além disso, o BoJ (Banco do Japão, o Banco Central do país) foi obrigado a realizar sua 18ª injeção seguida de dinheiro para aliviar a situação econômica no Japão.

Hoje foram mais 4,5 trilhões de ienes (US$ 45,367 bilhões), o que soma mais de 334 trilhões de ienes (cerca de US$ 332 bilhões) colocados no mercado desde a derrocada do banco de investimento americano Lehman Brothers.

“Isto é pânico. Em Nova York não há nada mais em que confiarmos”, disse Takashi Ushio, do Marusan Securities. “Os investidores estão loucos atrás de recuperar algum dinheiro. Um fio de confiança se transformou em pânico.”

O investidor Kenji Akasaka afirmou que nunca viu nada igual na Bolsa de Tóquio em mais de 40 anos. “Eu rezei antes de ir dormir [na quinta-feira] para que o Dow Jones se recuperasse”, disse. “Perdi o sono, pensando nas perdas.”

Recessão

Fato é que o Dow Jones, principal indicador da Bolsa de Nova York, afundou 7,33%, aos 8.579,19 pontos, ontem. A retração arrastou os mercados (no Brasil, inclusive) e deve provocar efeitos ainda maiores nesta sexta, segundo analistas.

O acumulado de sete dias do Dow Jones, cujas quedas somam 20,9%, são os maiores desde 1987 –quando a queda foi de 23,8%, em 20 de outubro.

“Não há chão para os mercados atualmente”, disse Francis Lun, da Fulbright Securities em Hong Kong. “E não há qualquer indicação quando isso vai parar.”

A última notícia que pesou foi a revisão dos “ratings” (notas dadas por agências especializadas) das montadoras GM (General Motors) e Ford. A Standard & Poor’s rebaixou o da GM e colocou a nota da Ford em perspectiva negativa.

Além disso, os operadores citaram o pessimismo com o início da temporada de divulgação dos balanços de grandes bancos americanos. Temem-se os novos rombos com os créditos “subprimes” (dado a pessoas com histórico de inadimplência, a raiz da crise nos EUA).

Outra fonte de preocupação entre os analistas americanos veio dos números dos pedidos semanais de seguro-desemprego no país. O volume caiu em 20 mil na semana passada, mas o total está em níveis que, segundo analistas, indicam que a economia ou está perto da recessão ou já se encontra em uma.

As novas quedas ocorrem mesmo após a ação coordenada inédita, o Federal Reserve (banco central dos EUA), o BCE (Banco Central Europeu), entre outros bancos centrais, decidiram um corte extraordinário e conjunto de juros, para animar as respectivas economias. A decisão, embora tenha recebido elogios de analistas que pediam um ação global para deter a crise financeira, teve efeitos restritos sobre o dia dos mercados financeiros.

Folha online

Rizzolo: É uma satisfação estar ao lado de vocês novamente depois de um jejum por mais de 24 horas. Porém, ao que parece, a situação no mercado financeiro mundial não aponta ter cedido em nada, muito pelo contrário, a reação das Bolsas da Ásia denotam a profundidade da crise. As novas medidas de regulamentação baixada ontem em reunião extraordinária do Conselho Monetário Nacional (CMN), são boas, segundo elas, a autoridade monetária poderá impor, caso julgue necessário, medidas como: proibir novas linhas de negócios, obrigar o banco a vender ativos, suspender a distribuição de dividendos e proibir a concessão de aumentos salariais para os administradores. As normas também deixam claro que não serão aceitos créditos “podres”dos bancos. Na verdade, essas exigências estão em linha com as práticas já adotadas na Europa e nos Estados Unidos, que por sinal pouco efeito até agora surtiram.

Contudo, uma questão preocupante, é o efeito da desvalorização do real como componente inflacionário e sua inter – relação nas taxas de juros, bem como o custo financeiro repassado, e neste caso existem duas variantes: uma de aumento outra de corte das taxas; pode ser que a queda nas commodities, supra um efeito de alta dos juros. Não acredito que o governo terá sucesso a médio prazo em conter a alta do dólar, e questiono até que ponto é valido as maciças e sistemáticas intervenções no mercado de câmbio, disponibilizando as reservas cambiais, sem ter uma noção da profundidade da crise.

De qualquer forma, governo nestes últimos dias tem reagido bem, mas vale lembrar que os 208 bilhões de dólares, de reservas, podem não ser suficientes para o buraco que hoje desespera até a Ásia. Economia é antes de tudo sensibilidade, e nas crises saem melhor aqueles que exergam longe, e hoje no Brasil a questão cambial é o principal problema, e poderá se tornar, a porta de entrada para os maiores desafios a serem enfrentados.

Após ação dos BCs, Bovespa abre em baixa e dólar dispara

SÃO PAULO – A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) abriu em queda nesta quarta-feira, 8, seguindo a tendência dos mercados no mundo. O dólar segue em alta e na BM&F disparava 6,19%, a R$ 2,455, por volta das 10 horas (de Brasília). Para evitar mais um dia de pânico entre os investidores, líderes de diversos países anunciaram medidas de socorro nesta manhã. As atenções se voltam principalmente para a ação coordenada do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) e outros grandes bancos centrais do mundo de cortar em 0,50 ponto porcentual as taxas de juro de suas respectivas economias. Às 10h08 (de Brasília), o Ibovespa cedia 3,36%, aos 38.790 pontos.

A ação anunciada nesta manhã envolveu sete bancos centrais: o Fed, o BC inglês, o BC europeu, o BC chinês, o BC suíço, o BC canadense e o BC sueco. O governo britânico também anunciou nesta quarta um pacote de até US$ 88 bilhões para resgatar o sistema bancário do país.

Mais cedo, a Bolsa de Tóquio despencou 9,38%, em sua maior queda desde que os mercados globais sofreram a pior desvalorização diária da história na “segunda-feira negra” de 19 de outubro de 1987.

Agência Estado

Rizzolo: Em um cenário de extrema aversão ao risco, o dinheiro pára de circular pelo mundo, principalmente o fluxo para as economias emergentes. Ontem a Casa Branca alertou o Brasil e os emergentes sobre a gravidade da crise, foi um “sinal”. Anteontem à noite, o governo avisou que vai editar uma MP (medida provisória) que autoriza o Banco Central do Brasil a comprar diretamente a carteira de crédito de bancos comerciais. O que se teme é que as medidas adotadas pelo governo até agora, não sejam suficientes, e o pior, existe claramente um resistência por parte do governo em utlizar as reservas para amenizar o aumento do dólar. Entendo que chegará o momento de utilizá-las. A situação é de extrema gravidade, e o governo petista, por vaidade não pode subestimar o que está ocorrendo. Ontem o alerta da Casa Branca aos emergentes, principalmente ao Brasil, não deixou dúvida: o governo americano quer mais empenho do governo brasileiro e dos demais. Observem que todos anunciam um pacote de medidas, até o governo inglês, mas no Brasil de Lula ” não haverá pacotes”, a popularidade é soberana ..

Casa Branca diz que crise já afeta Brasil

Washington, 7 out (EFE).- A porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, disse hoje, em sua coletiva de imprensa diária, que a crise financeira já afeta mercados como o brasileiro e ressaltou que medidas precisam ser tomadas.

“Isto está afetando todo o mundo, incluindo mercados emergentes como Brasil e México. Por isso há muito trabalho pela frente (…) e continuamos trabalhando”, afirmou a porta-voz da Casa Branca.

Na coletiva, Dana Perino destacou que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, falou hoje com líderes europeus sobre a instabilidade dos mercados, explicou sobre as medidas tomadas para conter a crise e ressaltou a importância de uma resposta global coordenada.

Segundo ela, Bush ligou para o presidente francês, Nicolas Sarkozy, o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, e o premier da Itália, Silvio Berlusconi.

“Nas conversas com nossos bons aliados e nossos amigos, o presidente falou das diferentes medidas que os EUA tomaram para devolver a estabilidade aos mercados e da importância que todos os países trabalhem juntos para coordenar nossas ações”, assinalou a porta-voz.

Segundo a porta-voz, o Governo Bush “está satisfeito com os níveis de esforços e coordenação” global dos Executivos para enfrentar a crise financeira internacional.

“É importante irmos todos na mesma direção”, acrescentou.

Em sua conversa telefônica com Sarkozy, Bush tratou com o presidente francês sua proposta de reunir o Grupo dos Oito (G8, que reúne os sete mais desenvolvidos e a Rússia) para abordar os graves problemas dos mercados financeiros.

“O presidente está disposto a participar dela, mas nosso foco de atenção imediato é o encontro deste fim de semana (do G7), porque ainda nos movimentamos em uma situação de emergência”, esclareceu a porta-voz.
Folha online

Rizzolo: Muito embora o governo brasileiro minimize a crise, as medidas de contenção aos gastos públicos, e um política realista do ponto de vista econômico devem ser tomadas. O governo brasileiro retardou as medidas e substimou os efeitos da crise que ora assola o Brasil. Não podemos avaliar a dimensão da crise no país, através de ” indiretas” vindas do exterior para que haja uma revisão na planificação dos investimentos, e dos gastos públicos no sentido de nos resguardarmos. Acho que seria interessante um pacote de medidas, muito embora o governo não goste da palavra “pacote” porque não é nada popular, e para o governo, substimar a crise significa manter a popularidade, acho essa conduta um tanto temerária.

Crise ‘apaga’ bons prospectos para economias emergentes, diz jornal americano

Uma reportagem publicada nesta terça-feira no “Wall Street Journal” afirma que “os prospectos para os mercados emergentes estão se apagando” diante da crise mundial, que já se espalha por economias industrializadas e em desenvolvimento.

O artigo expressa uma leitura amplamente divulgada nos principais jornais europeus e americanos – a de que os países emergentes, até então considerados mais preparados para enfrentar um futuro de instabilidade, “não estão imunes à crise”.

“Embora muitos mercados emergentes ainda tenham prospectos mais cor-de-rosa que os Estados Unidos ou a Europa, eles agora enfrentam um ambiente drasticamente diferente daquele de alguns meses atrás”, escrevem os repórteres do “WSJ”.

“Os preços das commodities, uma importante fonte de exportações das economias em desenvolvimento, tombaram. Ao mesmo tempo, os custos de empréstimos para as companhias aumentaram como parte da crise de crédito, dificultando seu acesso a capital”, afirma.

O diário financeiro americano destaca a queda de 5,4% da Bolsa de Valores de São Paulo, em um dia em que as ações chegaram a cair 15% e o sistema de contenção de perdas foi acionado duas vezes. A queda de 19% da Bolsa de Moscou também foi destaque nas reportagens desta terça-feira.

Ao mesmo tempo, as moedas de países como o Brasil, a Turquia, a Coréia do Sul e o México, se desvalorizaram em relação ao dólar americano, à medida que investidores se desfaziam de ativos considerados de maior risco.

‘Fundamentos’
Para o jornal britânico “Financial Times”, a força com que a crise afetou os mercados em desenvolvimento “desfaz a idéia de que os maiores mercados emergentes de Brasil, Rússia, Índia e China – os Brics – estavam imunes à crise”.

No entanto, diz o jornal, “as perdas recentes confundem os fundamentos em muitas destas economias, já que governos introduziram reformas cruciais” para fortalecê-las contra riscos econômicos.

Um investidor ouvido pelo jornal sintetizou o que seria esta “confusão”:

“Que economia é mais forte, a do Brasil ou da Itália? Os fundamentos econômicos ainda são mais fortes nas economias emergentes”, afirmou, segundo o “FT”.

Desenvolvendo raciocínio na mesma linha, o “The New York Times” cita o caso do Brasil. Avalia que o país “fez mais que qualquer outro país na América Latina” para tentar garantir tranqüilidade diante de turbulências: acumulou reservas de US$ 200 bilhões e diversificou suas exportações para reduzir a dependência em relação à demanda nos Estados Unidos.

Passos semelhantes foram tomados por outros países emergentes – mas a “saúde relativa (dessas economias) inspira pouca fé nos mercados”, lamenta o “NYT”.

“Muitas das economias mais dinâmicas do mundo pensaram que estavam imunes dos problemas no mundo desenvolvido. Mas economistas afirmam que uma turbulência simultânea na Europa e nos Estados Unidos é demais para suportar.”
BBC/Folha online

Rizzolo: A disparada do dólar hoje -a pior desde janeiro de 1999 -, no mercado indica que a crise passa no Brasil pelo “fator confiança”. As previsões não são nada boas, com a escassez de crédito, o custo financeiro aumenta, e isso, em conjunto com o fator cambial, insinua uma inflação nos preços, que irão absorver tais cusos. Alem disso, com o preço das commodities despencando em conjunto com a indisponibilidade de crédito abundante ao produtor, nos aponta dois fatores explosivos em sentido contrário.

O que salta aos olhos, é a ingenuidade política do governo em subestimar a crise desde o início; há duas semanas atrás o presidente Lula afirmava que crise “era um problema de Bush”. Da mesma forma em que se constata o despreparo político econômico, o governo continua com os gastos públicos nas alturas; com o “vamos pisar no acelerador”; talvez alguém deverá alerta-los que gastos públicos pródigos com crise não combinam. De qualquer forma o dólar descansa quinta-feira no Yom Kipur, assim esperamos.

As “bolhas” eminentes

O aumento do limite da dedução de compulsórios para R$ 300 milhões, e a disponibilização de R$ 24 bilhões exclusivos para a compra de carteira de bancos menores e ampliação da linha de crédito para exportações em R$ 5 bilhões, provavelmente não será suficiente para deter a crise no mercado financeiro. Hoje a força motriz da crise é o “fator confiança”. A queda do preço das commodities, e a incerteza de que realmente a antecipação de R$ 5 bilhões para o crédito rural sejam suficientes, acabam sendo fatores que contribuem para o aprofundamento da crise no Brasil.

No âmbito internacional, não há dúvida que a China irá exportar e consumir menos, e isso poderá gerar um tipo de “bolha chinesa”, vez que terão que direcionar sua produção para o mercado interno, ainda pobre e com um consumidor de caráter poupador, pouco induzido ao consumo. O fato do consumo interno dos emergentes diminuir, nos levará ainda mais a uma desvalorização das commodities que são hoje nosso carro chefe exportador.

Por outro lado, a escassez de crédito no Brasil, irá gerar um custo financeiro maior, que em conjunto com a desvalorização cambial rápida, nos levará certamente a um índice de inflação maior em 2009. Por último, ficaria a dúvida se as reservas acumuladas no país serão efetivamente suficientes em casos de tempestades que ainda estarão por vir, até porque não sabemos a dimensão da crise.

Talvez a questão mais interessante e que nos levaria a uma reflexão nesta crise, é o fato de que o mundo está à beira de estatizar o sistema bancário; na verdade, a atribuição à crise pela pouca intervenção estatal ocorrido no setor bancário privado mundial, nos levou a reconsiderar o papel regulador do Estado, condenando de vez o liberalismo financeiro. Uma bandeira ideológica do passado, virou a verdade atual; o que de certa forma, em vista da influência da esquerda em alguns países como o Brasil, trouxe do ponto vista econômico interno certo conforto.

Na verdade, o governo deve repensar sua política de gastos públicos, até porque não haverá dinheiro suficiente para pisar no acelerador, e socorrer a economia num momento crucial como este. A grande diferença da crise do momento em relação às outras, é que além do fator risco, os provedores de crédito poderiam até não se contaminar pelo ” fator confiança”, mas o pior é que desta vez a maioria nem sequer tem mais recursos para emprestar.

Fernando Rizzolo

Dólar dispara com crise financeira; BC vende quase US$ 1,5 bi

As Bolsas de Valores da Europa e da Ásia fecharam em forte baixa nesta segunda-feira, refletindo a preocupação dos investidores de todo o mundo com o agravamento da crise financeira dos Estados Unidos.

Às 13h, a moeda americana avançava 5,72%, a R$ 2,163 na venda. Contra a escalada da moeda americana, o Banco Central vendeu dólares nesta segunda-feira. O leilão somou aproximadamente US$ 1,47 bilhão e foi realizado por meio de um “swap” cambial (contratos que trocam o rendimento em juros pela oscilação do dólar), entre 13h e 13h30.

O mercado absorveu apenas parcialmente o lote de 41,6 mil contratos, com vencimento em 3 de novembro de 2008. Foram colocados 29,5 mil contratos, a uma cotação mínima de 99,5506. A taxa nominal foi de 6,59%, e a linear, de 6,25%.

Com essa operação, o BC tem como objetivo oferecer proteção às empresas – pagando a variação do dólar e, em troca, recebendo juros. Se o dólar subir, os investidores que participaram da operação saem ganhando; se os juros subirem, quem ganha é o BC.

A autoridade monetária não realizava esse tipo de leilão desde 30 de maio de 2006.

Incerteza
Momentos de incerteza no setor financeiro têm provocado a alta do dólar nos últimos dias. Investidores vendem papéis de maior risco, como ações, trocando-os por dólares, para se refugiarem em aplicações mais seguras, como os títulos do Tesouro americano, considerados o investimento mais seguro do mundo.

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) já teve seu pregão interrompido duas vezes nesta segunda. Primeiro, quando a queda alcançou 10%, os negócios pararam por meia hora. Depois, a Bolsa continuou caindo até atingir a marca de 15%, o que levou a uma interrupção por mais uma hora.

A preocupação dos investidores é com o possível efeito dominó na crise financeira iniciada nos Estados Unidos. Bancos europeus têm apresentado dificuldade, o que gera temor de que os problemas americanos se espalhem pela Europa.

Folha online

Rizzolo: Para entendermos a necessidade de um contrato de swap, podemos citar por exemplo uma empresa exportadora, que têm receitas em dólar, mas cujas despesas são corrigidas por juros pós-fixados. Nesse caso, a empresa poderia usar um contrato de swap para trocar o “risco cambial” pelo “risco de juros pós-fixado”. Uma típica empresa interessada nesse título seria uma varejista importadora, cujas despesas são atreladas ao dólar e cujo caixa está aplicado no mercado (acompanhando assim a evolução dos juros). Assim, essas duas empresas fazem um contrato de swap entre si, ou através da intermediação de instituição financeira, para trocar uma posição de risco.

O governo está tentando controlar a crise, que como insisto, é grave e necessita de medidas econômicas à altura, que superem os interesses políticos. Observem que a queda de hoje da Bovespa, segundo Bloomberg Latin America, foi a maior da década, e que a autoridade monetária não realizava esse tipo de leilão ( swap cambial) desde 30 de maio de 2006.

Só para se ter uma idéia da gravidade, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou nesta segunda-feira, que o governo federal vai disponibilizar parte das reservas internacionais do País – que somam cerca de US$ 207 bilhões – para os bancos, com o objetivo de financiar o comércio exterior e impedir a deterioração das exportações brasileiras em razão da crise financeira, alem disso, o dólar comercial fechou em forte alta nesta segunda-feira, acompanhando o desabamento das Bolsas no mundo. A moeda saltou 7,53%, cotada a R$ 2,20 na venda. Para tentar conter o avanço da moeda, o Banco Central voltou a intervir no mercado, com a venda de dólares, mas a operação não foi suficiente. É, para quem achava que o problema era do Bush…. Ah! Uma observação, quinta-feira é feriado judaico e as bolsa mundiais costumam se acalmar, geralmente compra-se na turbulência e vende-se na calmaria.

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Bovespa cai mais de 15% e tem segunda interrupção no dia; dólar dispara

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) caiu mais de 15% e parou de funcionar pela segunda vez nesta segunda-feira. A Bolsa caía 15,06%, aos 37.814 pontos, quando o pregão foi suspenso. O dólar está disparando.

A sessão havia sido interrompida na primeira vez às 10h18, após o Ibovespa atingir 10,09% de queda. O pregão ficou parado meia hora, das 10h18 às 10h48. A maior queda da Bovespa foi de 22,26% em 21 de março de 1990.

Desta vez, os negócios ficarão interrompidos por uma hora, das 11h44 até as 12h44. Quando voltar a funcionar, não existirá mais limite de queda. A decisão de uma nova parada dependerá do diretor do pregão.

Essas interrupções acontecem automaticamente. O sistema é chamado “circuit breaker” e é acionado para tentar acalmar o mercado. A primeira parada ocorre quando a queda é superior a 10%. Depois quando atinge mais de 15%.

É a terceira vez em uma semana que o sistema de parada da Bovespa é acionado. Na segunda-feira passada, dia 29 de setembro, houve o mesmo problema.

O mercado está com medo do efeito dominó da crise financeira sobre a Europa, o que está derrubando mercados no mundo todo.

Por volta das 12h, o dólar comercial operava em forte alta de 5,62%, cotado a R$ 2,161 para venda (veja quadro com a cotação do dólar atualizada).

Embora o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush tenha sancionado na última sexta-feira a lei que autoriza o pacote de US$ 700 bilhões para socorrer os bancos norte-americanos em crise, o mercado não se convenceu e seguiu sem otimismo.

As Bolsas asiáticas, por exemplo, afundaram nesta segunda-feira com os investidores temerosos quanto a eficácia das medidas dos governos norte-americano e europeus para acalmar as tensões nos mercados financeiros.

Noticiário
O Bank of America anunciou que está disposto a gastar até US$ 8,4 bilhões para reestruturar os empréstimos hipotecários dos clientes de sua nova filial Countrywide, adquirida em julho quando estava à beira da falência.

O maior banco dos Estados Unidos afirmou que está pronto para revisar as taxas aplicadas ou renegociar para baixo os empréstimos hipotecários de quase 400.000 clientes do Countrywide, segundo um comunicado divulgado pela empresa.

O governo e os bancos da Alemanha fecharam um acordo neste domingo para a criação de um plano de 50 bilhões de euros para evitar a quebra do Hypo Real Estate (HRE), no mesmo dia do anúncio de que o governo garantirá correntistas e poupadores particulares.

O banco americano Wells Fargo anunciou no domingo à noite que conseguiu anular, com um recurso de apelação, a decisão do juiz de Nova York que ordenava o congelamento da fusão com o Wachovia.

O Banco Central Europeu (BCE) injetou nesta segunda-feira US$ 50 bilhões com vencimento amanhã e a uma taxa de juros marginal de 4% em uma operação extraordinária para colocar liquidez no mercado.

Brasil
O mercado financeiro reduziu a estimativa para o crescimento da economia brasileira em 2009 pela segunda vez seguida, mas também espera inflação mais moderada no próximo ano.

De acordo com levantamento do Banco Central divulgado nesta segunda-feira, o país deve crescer 3,5% em 2009, levemente abaixo dos 3,55% estimados na semana anterior. Para a inflação, a estimativa é de que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) alcance 4,85% em 2009, pouco abaixo dos 4,9% estimados anteriormente.

Rizzolo: A crise atingindo a Europa, e os EUA em direção a uma forte recessão acabou por influenciar as bolsas asiáticas. Como tenho comentado, a crise é extremamente grave, até porque passa por uma questão de confiança nos mercados, e na real possibilidade do pacote americano não refletir os efeitos desejados. Não há dúvida que isso também criará uma ” bolha” na China, que ao constatar uma demanda menor dos seus produtos exportados, terá que redirecioná-los para o mercado interno, cujo poder aquisitivo é baixo, e onde não há a cultura do consumo.

No Brasil ainda existe certa resistência em admitir que a crise já está às nossas portas. Existe na visão do governo, um certo “pudor” em agir rápido, e em não admitir a gravidade alegando que o Brasil ” não corre nenhum risco”, pelo receio de que a popularidade do presidente possa vir a ser maculada pela turbulência. Pessoalmente acredito numa alta da inflação no Brasil, vez que com a restrição e o encarecimento do crédito, o custo financeiro será repassado ao consumidor, existindo, portanto, mais um forte componente inflacionário a ser considerado. Essa queda de hoje, segundo a Bloomberg Latin America, é considerada a maior da década, e está relacionada com o declínio da produção do elenco de commodities no Brasil, além da restrição ao crédito.

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Inadimplência faz banco de São Paulo fechar financeira

O Banco Credibel, com sede em São Paulo, encerrou as operações de sua financeira voltada a empréstimos para as classes C e D.

Segundo a direção da instituição, a decisão foi tomada por causa da alta taxa de inadimplência e da dificuldade, com o agravamento da crise internacional, de captar novas linhas de crédito.

Foram fechadas as 15 unidades de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

De acordo com o superintendente do banco, Paulo Nogueira, os cerca de 60 mil contratos de financiamento, a maioria voltada para a aquisição de automóveis, serão absorvidos pela estrutura do próprio banco.

Segundo Nogueira, a própria instituição centralizará a negociação do pagamento com os clientes em atraso, a devolução dos veículos de quem já está sem condições de quitar o financiamento e a continuidade do recebimento do pagamento dos carnês.

Fundado em 1992 e pertencente ao grupo Splice, do setor de telefonia, o Credibel atuava na concessão de financiamentos para o setor de pessoa jurídica. Há dois anos, a instituição abriu operações para as classes C e D.

O banco não divulgou o número de demitidos. O superintendente do Credibel diz que o fechamento não afetou a “liquidez” do banco. “O banco tem uma liquidez muito boa e, além disso, tem o grupo [Splice] por trás.”

Folha online

Rizzolo: A situação dos bancos pequenos em termos de captação ficou complicada, além disso existe o componente inadimplência já acentuado, além da dificuldade em captar novas linhas de crédito. Na verdade não sabemos ainda a reação em termos de inadimplência nos longos financiamentos efetuados até pouco, e se, de certa forma, não haverá uma inadimplência em massa a crise agravando-se no mercado internacional. A inadimplência nas classes mais baixas pode se agravar no Brasil. Isso denota a gravidade da crise já atingindo as instituições financeiras do País. Agora, temos que agir, com rapidez, firmeza, coragem, e fazer uso dos instrumentos que temos disponíveis face a nossa condição econômica, para evitar um efeito do tipo ocorrido com devedores americanos inadimplentes. Só para se ter uma idéia, a crise financeira dos Estados Unidos já levou R$ 513 bilhões em valor de mercado das empresas brasileiras na Bolsa em 2008.

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Lula reúne ministros para discutir crise pela 3ª vez em 2 dias

SÃO PAULO – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu novamente com Henrique Meirelles, do Banco Central, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, nesta quinta-feira, 2, para avaliar a crise financeira e suas conseqüências no Brasil, segundo informou a repórter Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo. O encontro é o terceiro entre o presidente e seus ministros nos últimos dois dias.

Apesar de o governo negar a criação de um pacote de medidas para combater os impactos da turbulência no Brasil, fica cada vez mais claro que Lula e os ministros estudam ações para evitar que a escassez de crédito no mercado internacional prejudique essas operações no País.

Na reunião da coordenação política, na manhã de quarta, o grupo discutiu a idéia de reduzir o depósito compulsório dos bancos para, com isso, aumentar o volume de dinheiro no mercado. O depósito compulsório é o dinheiro que os bancos recolhem diariamente ao BC. Trata-se de uma ferramenta do BC que mexe diretamente com os recursos disponíveis. Assim, quando o BC quer aumentar os recursos disponíveis nos bancos, ele reduz a parcela dos depósitos compulsórios e permite que os bancos tenham mais dinheiro para emprestar.

Lula também pediu medidas para atender às necessidades dos exportadores. Dados do Banco Central mostram a forte redução do volume de Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC) – meio de financiamento usado por exportadores – após o fim de semana de derrocada do banco de investimento Lehman Brothers.

Na reunião de quarta à noite, o presidente afirmou a Mantega e Meirelles que a crise tem origem nos Estados Unidos e que, por isso, é necessário aguardar as medidas a serem tomadas pelo governo norte-americano, segundo uma fonte do Planalto. A partir daí, afirmou o presidente conforme relato da fonte, seriam definidas as alternativas a serem seguidas pelo governo brasileiro para enfrentar os problemas. Um novo pacote de socorro às instituições financeiras, de US$ 700 bilhões, foi aprovado na quarta-feira pelo Senado dos Estados Unidos e deve ser votado na Câmara nesta sexta.

Medidas já anunciadas

O governo já tem tomado medidas pontuais e paliativas para reduzir a influência da crise econômica norte-americana sobre o Brasil. No dia 24 de setembro, o Banco Central (BC) anunciou duas medidas para aumentar a liquidez no sistema financeiro nacional – volume de dinheiro em negociação. Com elas, o BC manteve R$ 13,2 bilhões no mercado.

A primeira delas foi o adiamento do cronograma de implementação de compulsórios sobre depósitos interfinanceiros de leasing. O depósito compulsório é o dinheiro que os bancos recolhem diariamente ao BC. Trata-se de uma ferramenta do BC que mexe diretamente com os recursos disponíveis para crédito. Assim, quando o BC quer aumentar os recursos disponíveis nos bancos, ele reduz a parcela dos depósitos compulsórios. Na situação oposta, quando o objetivo é restringir o crédito, ele aumenta a participação do compulsório. Neste caso, ao adiar o recolhimento do compulsório sobre as operações de leasing, o governo pretendia aumentar a oferta de recursos ao mercado.

De acordo com a medida, o recolhimento com base na alíquota de 20% que seria feito a partir de 14 de novembro deste ano passará a vigorar apenas em 16 de janeiro de 2009. A alíquota subseqüente de 25%, que seria adotada a partir de 16 de janeiro de 2009, só entrará em vigor no dia 13 de março de 2009. Com esta medida, o BC adia o recolhimento adicional de R$ 8 bilhões nesse segmento. A criação desse compulsório sobre os depósitos de leasing foi anunciada no fim de janeiro.

A segunda medida triplica de R$ 100 milhões para R$ 300 milhões o valor a ser deduzido pelas instituições financeiras sobre os depósitos a prazo, à vista e da poupança. Apesar dessa alteração, permanecem as alíquotas usadas para o cálculo dessa exigibilidade em 8% para depósitos a prazo e à vista e 10% para a poupança. Esta medida vai evitar que bancos recolham outros R$ 5,2 bilhões ao BC, totalizando os R$ 13,2 bilhões. Esses recursos, quando recolhidos junto ao Banco Central, continuam sendo remunerados pela taxa Selic.

No dia 29 de setembro, outra medida sinaliza a intenção do governo em melhorar as condições econômicas no Brasil, frente aos problemas nos EUA. Trata-se da manutenção da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) em 6,25% para o último trimestre do ano, no mesmo momento em que a taxa básica de juros (Selic) está subindo. Ao adotar esta medida, o governo passa a subsidiar parte dos recursos emprestados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), já que a cobrança das empresas é feita por uma taxa menor, sem aumentos, a TJLP.

Agência Estado

Rizzolo: Para quem não estava preocupado com a crise, e se referia a ela ” como sendo problema do Bush” as coisas estão mudando. Mas vamos nos ater as medidas; entendo que aumentar os recursos disponíveis nos bancos através da redução dos depósitos compulsórios é uma medida interessante e digamos ” mais à mão” para que os bancos tenham mais dinheiro para empréstimos. Medidas que visam aliviar o impacto da crise no sistema financeiro brasileiro devem ser tomadas com urgência, observem que as medidas giram em torno do sistema bancário brasileiro, visando com isso fluir nas instituições mais dinheiro como forma de atenuar a escassez de crédito. Hoje o dólar comercial disparou para R$ 2,0010, em alta de 4,33%. O pior desta crise me parece o fato de que as medidas efetuadas pelos EUA não surtiram o efeito ” confiança no mercado”, gerando grande instabilidade. E Lula dizia que nada nos atingiria, hein !! Conclusão: (o plano) só evitou o abismo, mas não evitou a recessão, e medidas econômicas se resolve agindo do ponto de vista pró-ativo econômico, não político.

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Lula decide aprovar licença-maternidade de seis meses

BRASÍLIA – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu não vetar o projeto que amplia a licença-maternidade de quatro para seis meses. Mantega disse que, como ministro da Fazenda, cabe a ele informar ao presidente o impacto fiscal da medida e lembrou que o governo sempre é cobrado para reduzir seus gastos. Mas, o ministro destacou que o presidente considerou que a medida é socialmente importante e resolveu arcar com o custo que é estimado pela Fazenda em R$ 800 milhões por ano.

De acordo com o projeto que será sancionado por Lula, a licença-maternidade ampliada só vale para as empresas que aderirem ao Programa Empresa Cidadã em troca de incentivos fiscais. Na prática, essas empresas terão custo zero ao adotar os 60 dias adicionais para a gestante.

Mantega deu a informação em entrevista nesta quarta-feira, 20, a emissoras de rádio, no programa Bom Dia, Ministro. “O presidente já decidiu que vai aprovar, não vai vetar esse projeto de modo que esse benefício seja estendido a todas as mulheres brasileiras”. Mantega disse que teve de mostrar ao presidente “quanto custa o negócio”. Ele disse que é fácil aprovar uma lei que traz um benefício, mas a Fazenda tem de dizer quanto vai custar isso para a União. “O custo disso é de R$ 800 milhões por ano. E eu sou obrigado, como ministro da Fazenda, a dizer ao presidente: ‘Olha vai custar isso e portanto temos que ter verba no nosso orçamento para viabilizar”.

Na última terça, em reunião do Conselho Político, Lula fez uma reclamação ao tratar do assunto. O presidente disse que o Congresso não podia ficar aprovando projetos para ele ter de vetar depois. “Me colocaram em uma camisa-de-força e eu vou ter de decidir”, disse Lula, segundo relato de líderes que estavam na reunião.
Agência Estado

Rizzolo: Ótima decisão do presidente Lula em não vetar o projeto. O Brasil é um País pobre e é um direito da mãe acolher seu filho por um tempo maior. Os pequenos brasileiros merecem a atenção e o carinho materno, até porque em seguida sofrerão com a falta de creches, com a eventual miséria, com a falta de assistência do Estado. O custo da licença-maternidade ampliada é zero para as empresas e o benefício aos novos brasileiros será imenso. Aqueles que criticam o impacto fiscal da medida, geralmente nasceram em berço de ouro e não tinham problemas com a mãe e sim coma babá. O cuidado com a criança começa no início da sua jornada.

Copom aumenta juro mesmo com a inflação sob controle

Selic sobe de 11,75% para 12,25 e juro real no Brasil é o maior do mundo: 6,9%

Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) aumentou outra vez os juros básicos. A taxa com a qual bancos e outros especuladores sangram o Tesouro, ancorando nela as suas próprias taxas de juros, passou de 11,75% para 12,25% ao ano. A taxa real (isto é, descontada a inflação) passou a ser 6,9%, outra vez a maior do mundo.

Dentre os países que adotam o sistema de metas de inflação, o Brasil ficou abaixo do limite da meta

O pretexto foi a inflação, que, segundo o presidente do BC, Henrique Meirelles, está ameaçando a economia. Porém, como ela está perfeitamente dentro da “meta” (uma banda que vai de 2,5% a 6,5%), a tese agora é a de que a inflação tem que estar no “centro” da meta (4,5%). Senão, provavelmente, um tsunami vai transportar Brasília para Bora-Bora, ou alguma outra desgraça, tão real quanto esta. Resta saber porque o próprio Meirelles propôs uma banda como meta, se somente o centro dela é que importa.

Ao lado, o leitor poderá ver um dos gráficos apresentados pelo ministro Guido Mantega no balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), também na quarta-feira. Percebe-se, pelo gráfico, que a inflação em quase todos os países que usam o sistema de metas ficou acima da banda anteriormente definida como meta. No entanto, o céu não desabou sobre os habitantes desses países, nem os juros foram catapultados para a órbita de Plutão porque a inflação ficou acima da meta.

Já o Brasil, considerando-se a inflação de 12 meses até abril, ficou 1,5% abaixo do limite máximo da meta. Entretanto, Meirelles e o BC aumentaram os juros – e com a perspectiva de continuar aumentando-os até, dizem os asseclas de Meirelles, atingir 14,25% em dezembro (cf. o site da famigerada “Veja”). Como notou o ministro Mantega, outro dos três países que ficaram com a inflação abaixo do limite da meta, o Canadá, encontra-se com a economia paralisada – e, poderia acrescentar, os juros canadenses também são quase insignificantes diante dos brasileiros.

ALARDE

Na verdade, quase todos esses países têm taxas básicas de juros imensamente menores do que as do nosso. Os que mais se aproximam do Brasil são a Austrália (5,5%) e a Turquia (5,3%). O quarto lugar do mundo, a Colômbia, tem uma taxa de 3,7% e o quinto, o México, 2,6%. Todos os outros países têm taxas inferiores, mesmo a maioria deles ultrapassando a meta de inflação.

Porém, apesar disso, o México não aumentou sua taxa de juros porque a inflação excedeu a meta em 0,7%, nem a Colômbia – apesar de toda a subserviência aos EUA do seu governo atual – aumentou-a porque a inflação ficou 1,4% além do teto da meta. Nem o Chile, cuja inflação ultrapassou em 4,5% a meta, ou a Islândia (4,7% a mais) ou a África do Sul (3,8% além da meta) pensaram em fazê-lo, apesar dos juros nesses países, se comparados aos do Brasil, parecerem quase microscópicos.

No entanto, se acreditássemos na conversa de Meirelles, qualquer desses países teria mais razão do que o Brasil para aumentar os juros – sob pena, supõe-se, de desaparecer do mapa se não o fizesse. Mas nenhum deles desapareceu, nem aumentou os juros.

Certamente, é inútil procurar alguma coerência em Meirelles, exceto se considerarmos seu verdadeiro objetivo: frear o crescimento, alcançado pela política do presidente Lula, em especial pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Não existe, a rigor, razão econômica para aumentar os juros agora e bloquear o crescimento. A ação do BC é, cada vez mais abertamente, política.

Meirelles & sequazes passaram semanas alardeando que a demanda (ou seja, o consumo da população) estava demasiadamente aquecida, ou, até mesmo, “superaquecida”; que havia um desequilíbrio entre oferta (produção) e demanda; que esse suposto desequilíbrio já estava levando a um surto inflacionário, que exigia aumentos de juros consecutivos para refrear o consumo.

FREIO

Na segunda-feira, véspera do primeiro dia da reunião do Copom, o IBGE divulgou que a indústria havia crescido, no mês de abril, 10,1% em relação ao mesmo mês do ano passado. Esse resultado significativo indicava que a oferta, a produção, estava avançando mais do que o consumo – portanto, era impossível o “superaquecimento” da demanda e o “desequilíbrio” propalado por Meirelles.

Mais ainda quando esse resultado da indústria foi obtido sem que a sua capacidade ocupada (isto é, a parcela da capacidade do maquinário efetivamente usada na produção) sofresse alteração. Como revelou a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a utilização da capacidade instalada ficou em 83,2% em abril, contra 83,1% em março. Portanto, quase 20% da capacidade instalada permaneceram sem utilização, mesmo com o aumento na produção – o que significa que os investimentos estão aumentando a capacidade da indústria a tempo de suprir o aumento de consumo, e que a folga da indústria para continuar aumentando a produção é, no momento, de quase um quinto da sua capacidade.

Pois bem, leitores, em 24 horas apareceram asseclas de Meirelles argumentando que o aumento da produção tornava ainda mais urgente o aumento dos juros. Porque, desse jeito, o povo ia se entusiasmar com a fartura de produtos à sua disposição (ainda por cima, mais baratos, ou seja, com possível inflação em queda) e ia começar a comprar, comprar, comprar, até que a indústria não tivesse capacidade de suprir a demanda desses tresloucados, sempre querendo comprar alguma coisa, aumentando, assim, a inflação. Logo, aumento de oferta só serve para aquecer a demanda, inflação em queda só serve para aumentar a inflação e crescimento da indústria só serve para aumentar juros.

Pelo jeito, o ideal de Meirelles é uma indústria que não venda os seus produtos e consumidores que não os comprem. Portanto, uma indústria que não produza, por falta de compradores, e consumidores que não consumam, por falta de dinheiro. Se a indústria cresce em relação ao consumo, é preciso aumentar os juros. Se o consumo cresce em relação à produção, também é preciso aumentar os juros. Sempre é preciso aumentar os juros para que o país não cresça.

Mas, voltemos ao gráfico: os EUA não constam dele, porque não usam metas de inflação – eles inventaram o sistema para os outros usarem, não para eles usarem. Veja-se o que diz o grande sacerdote da religião, quer dizer, do sistema de metas, Edwin Truman, ex-secretário-assistente do Tesouro dos EUA e ex-diretor do banco central americano. Em resumo, junto com o sistema de metas de inflação, eles inventaram uma classificação de países que os livra de usar o vomitório que receitam para os demais (cf., Edwin Truman, “Inflation Targeting in the World Economy”, 2003).

Porém, pela classificação de Truman, nós também não precisaríamos mais desse estrupício, uma vez que já atingimos inflação baixa, portanto estaríamos dispensados de, como ele diz, “sacrificar” a economia. Mas como tudo é encenação para roubar os outros países, basta um Meirelles no Banco Central que esses problemas de coerência estão automaticamente resolvidos. Afinal, nunca se ouviu falar de um ladrão que deixasse de roubar por considerações teóricas. Nessas horas, a teoria é enviada para o lixo sem precisar de substitutas, pois o negócio é roubar. E o resto que se dane.

CARLOS LOPES
Hora do Povo

Rizzolo: Como sempre a política daqueles que querem frear o desenvolvimento do Brasil, acaba prosperando. Exatamente aqueles que não querem um Brasil com desenvolvimento acabam utilizando-se de argumentações vazias para justificar sua política econômica perversa. No texto acima de Carlos Lopes, podemos inferir no quadro apresentado por Mantega, a posição em relação à questão inflacionária no que diz respeito ao desvio das metas dos demais países. Não é possível que num País como o Brasil em que precisamos gerar por ano 5 milhões de novos empregos, insiste-se nessa política retrógrada que visa apenas prestigiar especuladores de plantão.

O foco para combater a inflação deve ser o desenvolvimento, visando um aumento da produção, um aumento do mercado interno, só assim poderemos como a China, diminuir a ” ameaça” da inflação, que diga-se de passagem nem existe. Vamos crescer e aumentar a oferta, mas isso o Meirelles, o Copom, e os especuladores não querem, querem a inflação agora no “centro da meta”. Com isso querem transformar a inflação numa pauta política e pouco técnica.