Bombardeio na selva colombiana mata dirigente das Farc

BOGOTÁ – O líder de uma coluna da guerrilha colombiana Farc, acusado pelo Exército de semear o terror numa ampla região do sudeste do país, morreu junto com outros sete rebeldes num bombardeio no meio da selva, disseram fontes militares na quarta-feira.

A ação militar com aviões e helicópteros ocorreu na noite de terça-feira perto da localidade de Puerto Cachicamo, Departamento de Guaviare. “No desenvolvimento da operação ‘Alfil’, com participação da Força Aérea Colombiana, as tropas desferiram um certeiro golpe contra as estruturas do Bloco Oriental”, informou nota das Forças Armadas.

Neftaly Murcia Vargas, o “Camilo Tabaco”, comandava a coluna Manuela Beltrán das Farc, uma das mais ativas dentro do Bloco Oriental, o mais importante do grupo, ativamente vinculado à produção e tráfico de cocaína.

O presidente Álvaro Uribe destacou o êxito da operação e a periculosidade do rebelde morto.

“Tabaco é de uma grande importância nas Planícies Orientais, porque a cidadania o acusava de ser o mandante de muitos ataques, de muito derramamento de sangue”, disse Uribe a jornalistas.

Pelo menos cinco outros líderes importantes da guerrilha morreram em ações militares nos últimos meses, inclusive o importante Raúl Reyes, vítima de um bombardeio colombiano em território do Equador, em março.

Além disso, o dirigente máximo da guerrilha, Manuel Marulanda, o “Tirofijo”, morreu do coração neste ano, sendo substituído por Alfonso Cano.

Para piorar a situação da guerrilha, milhares de seus membros desertaram. As Farc chegaram a ter 17 mil integrantes, mas hoje não passam de 9.000, segundo as autoridades.
Agência Estado

Rizzolo: A atuação das Farc na Colômbia está sendo duramente combatida pelo governo de Uribe. É claro que a Colômbia conta com a ajuda estratégica dos EUA, contudo a disposição do governo colombiano em não negociar com a guerrilha, esta a cada dia gerando mais resultado. Ao contrário do que Chavez apregoava, a conciliação, o entendimento, Uribe bate forte ” falando a mesma língua” dos guerrilheiros que na verdade, não passam de terroristas. Nesse universo do combate a guerrilha, a esquerda da América Latina ainda tem as Farc como ” grupo libertador”, o que é uma besteira muito grande, do tamanho da concepção retrógrada e visão política defasada, aonde as posturas radicais tomam formas de redenção. Por esta razão é que os países da América Latina inclusive o Brasil são tímidos em relação a uma crítica mais enfática em relação as Farc. Já disse várias vezes neste Blog, que não podemos assemelhar nosso discurso com o chavismo. Mas o petismo e a esquerda de Ipanema aceitam isso?

Ex-refém norte-americano acusa as Farc de “terrorismo”

Marc Gonsalves, um dos três reféns norte-americanos em poder das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) libertados semana passada, depois de operação militar na Colômbia, afirmou que os membros da guerrilha não são revolucionários como se fazem crer, mas “terroristas”.

“Não se trata de um grupo revolucionário. São terroristas”, afirmou ontem, nas primeiras declarações públicas desde sua libertação na quarta-feira passada (2) pelo Exército colombiano junto com outros 14 reféns, entre eles dois outros americanos e a franco-colombiana Ingrid Betancourt.

“Eles dizem que querem a igualdade e que querem fazer da Colômbia um lugar melhor. Mas tudo é mentira”, acrescentou Gonsalves durante entrevista à imprensa transmitida pela televisão no Texas (sul).

“Eles utilizam isso para justificar suas atividades criminosas (…) Seus interesses se limitam ao tráfico de droga, à extorsão, aos seqüestros. Recusam-se a reconhecer os direitos do homem. Rejeitam a democracia”, prosseguiu.

Os três ex-reféns americanos Marc Gonsalves, Thomas Howes e Keith Stansell, haviam sido capturados pelos rebeldes quando realizavam missão contra as drogas para o ministério da Defesa americano na Colômbia em fevereiro de 2003.

Os três homens estão numa base americana no Texas desde a manhã de quinta-feira (3), para fazer exames médicos e reencontrar as famílias. Cercados por familiares e segurando bandeiras dos Estados Unidos, os ex-reféns agradeceram aos governos colombiano e americano por sua libertação.

Howes aplaudiu o Exército colombiano por “nosso espetacular resgate”, enquanto Gonsalves qualificou de “heróis” os militares que participaram da operação de resgate. “Não adianta dizer que não são terroristas, devem prová-lo. Deixem que os demais reféns voltem para casa”, disse Gonsalves.

Folha online

Rizzolo: Bem, mas não precisa nem ter sido refém para afirmar isso, é lógico que as Farc utilizaram um discurso revolucionário para atingir seus objetivos, e ganhar a simpatia de alguns grupos dentro e fora da Colômbia. Agora o que eu não entendo, é como não há uma enérgica resposta por parte do Brasil contra a presença desse grupo guerrilheiro. O que se pode inferir são declarações tímidas, o próprio assessor e ideólogo do presidente Alvaro Uribe na Colômbia, apesar das origens de esquerda, o advogado José Obdulio Gaviria, 56, não desmente o certo mal-estar com a posição considerada dúbia do Brasil em relação às Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), que praticam seqüestro e mortes e são combatidas ferozmente pelo governo.

Na realidade, como eu sempre afirmo, existe uma percepção da esquerda brasileira e do governo em relação as Farc, como um movimento de esquerda, e isso gera certa condescendência. As Farc promovem o terrorismo, e isso deve ser rechaçado de forma franca, direta, e objetiva. O resto é conversa mole…

Ingrid Betancourt é libertada depois de 6 anos com as Farc

BOGOTÁ – O Exército da Colômbia resgatou em segurança a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, três americanos e onze militares seqüestrados pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A notícia foi anunciada no início desta quarta-feira, 2, o ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos. Horas depois, em Bogotá, Ingrid deu uma entrevista coletiva e classificou a operação como “um milagre”.

Os seqüestrados foram libertados após uma operação de infiltração na guerrilha na Colômbia. De acordo com o ministro, o Exército capturou os guerrilheiros que faziam um cordão de segurança na área de cativeiro dos seqüestrados. Esses rebeldes teriam convencido os demais a entregar os reféns. Ingrid estava em poder das Farc havia seis anos.

O resgate, que aconteceu no departamento de Guaviare, no sudeste da Colômbia, foi fruto de uma operação de inteligência. Segundo o ministro da Defesa da Colômbia, a operação aconteceu a cerca de 70 quilômetros ao sul de San José del Guaviare, capital do departamento, próximo ao rio Apaporis. Vários guerrilheiros – inclusive um líder das Farc identificado como César – foram presos na operação de um grupo de elite das Forças Armadas colombianas.

Os reféns americanos – Keith Stansell, Marc Gonsalves e Thomas Homes – estavam seqüestrados desde fevereiro de 2003 na selva de Caquetá. Eles trabalhavam para a California Microwave Systems, empresa contratada pelo Departamento da Defesa dos EUA para recolher informações sobre as plantações de droga. As Farc os acusavam de ser espiões da CIA, informa o El Tiempo.

“Essa operação, chamada ‘Jaque’, não tem precedentes e mostra a alta qualidade e profissionalismo das forças militares colombianas”, destacou Santos, segundo o jornal El Tiempo. O ministro colombiano parabenizou a Inteligência e saudou o generais Freddy Padilla, comandante das Forças Militares, e Mario Montoya, chefe do Exército.

Padilla destacou que o país “não se esqueceu” dos reféns durante o seqüestro. “Teve um compromisso para que a pessoas voltassem sãs e salvas. Houve oportunidades, porque queríamos que a operação fosse sem precedentes na Colômbia e no mundo. Sem disparos, sem feridos”, ressaltou.

Engano

Infiltrados do Exército convenceram César a viajar para ver Alfonso Cano – líder máximo da guerrilha. Quando todos estavam no helicóptero, foi revelada a farsa: a aeronave do Exército estava camuflada como particular, revela o jornal El Tiempo.

O rebelde, capturado sem resistência, era considerado o principal carcereiro das guerrilha e teria a inteira confiança de Mono Joy, parte da alta cúpula das Farc.

“César e outro membro da guerrilha serão entregues às autoridades judiciais para que sejam processados por todos os seus delitos”, informou em comunicado a Presidência colombiana, sem dar mais detalhes da operação, que começou pela manhã.

Carreira política

Ingrid Betancourt, nascida em Bogotá (no Natal de 1961), veio de uma família já introduzida na política. Seu pai, Gabriel Betancourt, foi ministro da ditadura do general Rojas Pinilla e depois se tornou diplomata, enviado a Paris, onde Ingrid cresceu. Sua mãe, a Miss Colômbia Yolanda Pulecio, serviu o Congresso representando as comunidades pobres do sul de Bogotá.

Após a morte de Luis Carlos Galán, candidato à Presidência da Colômbia repressor ao tráfico de drogas, em 1989, Betancourt voltou ao seu país de origem e fazer algo por ele. Na década de 90, trabalhou no Ministério das Finanças e foi eleita para a câmara dos deputados em 1994, lançando o Partido do Oxigênio Verde.

Combateu a corrupção e o financiamento de campanha com dinheiro de drogas. Concorreu ao Senado em 1998, conquistando o maior número de votos entre os candidatos. Durante seu mandato, ameaças de morte a forçaram enviar seus filhos pra Nova Zelândia.

Após as eleições de 1998, Betancourt escreveu um livro. Sua primeira versão foi em francês, pois foi proibido de ser publicado na Colômbia. Após um tempo, recebeu versões em espanhol e inglês. No final de 2001, o governo colombiano e a opinião pública estavam ficando impacientes e desencorajados com a situação. Ingrid decide se candidatar a presidente.

O Seqüestro

Ao se lançar à Presidência em 2002 – eleição que Uribe venceu – Ingrid Betancourt queria ir a zona delimitada de San Vicente del Caguán para se encontrar com as Farc. Isso era um ato comum, e muitas figuras públicas visitavam a região, criada para negociações com a guerrilha.

Autoridades insistiam para que Betancourt não visitasse a região. Após ter o pedido de transporte com um helicóptero militar ter sido negado, ela decidiu ir pela estrada. Após parar no último posto policial antes da zona delimitada, os alertas dos militares não foi o bastante e sua comitiva seguiu em frente.

Ignoraram o aviso e as Farc seqüestraram grande parte dos integrantes, e continuaram presos nestes seis anos. O nome de Ingrid não foi retirado da campanha e no final atingiu 1% dos votos.

Com ela foi seqüestrada Clara Rojas, candidata à Vice-Presidência da Colômbia pelo partido “Oxígeno Verde” (Oxigênio Verde) e que foi libertada pelas Farc em 10 de janeiro último.O mesmo espírito destemido que levou Betancourt para Caquetá fez com que dissesse ao Congresso colombiano que o país estava sob governo “de um delinqüente”, em referência ao então presidente Ernesto Samper (1994-1998).

Em outra ocasião, declarou que o partido em que iniciou sua vida política, o Liberal, era um clube de “ladrões e corruptos”, e o Poder Legislativo, “um ninho de ratos”.

Cativeiro

Em seu longo período de cativeiro de mais de dois mil dias, suportou a morte de seu pai, uma das pessoas que mais teve influência em sua vida.

A ex-candidata presidencial colombiana, que tem também nacionalidade francesa, se transformou na “jóia da coroa” das Farc, a mais importante moeda da organização guerrilheira junto com os cidadãos americanos.

Um dos chefes da guerrilha, José Benito Cabrera, conhecido como “Fabian Ramírez”, não hesitou em afirmar, poucos dias depois do seqüestro de Betancourt, que a situação dela demoraria a ser resolvida, adiantando na ocasião que a ex-candidata seria a líder de um grupo de reféns “passíveis de troca” por cerca de 500 rebeldes presos.

A família de Betancourt recebeu a primeira “prova de vida” da ex-candidata presidencial em 24 de julho de 2002. Em um vídeo, a dirigente conservava seus brios rebeldes, rejeitava a troca proposta pelas Farc e cumprimentava seu segundo marido, o publicitário colombiano Juan Carlos Lecompte.

Como presente pelo 46º aniversário de Betancourt, Lecompte lançou sobre a selva colombiana, em 25 de dezembro último, cerca de 20 mil panfletos com fotografias recentes dos filhos de Betancourt, com a esperança de que pelo menos um deles chegasse às mãos de sua esposa.

“Este é um momento muito difícil para mim. Pedem provas de sobrevivência à queima-roupa e aqui estou te escrevendo colocando minha alma sobre este papel. Estou mal fisicamente. Não voltei a comer, estou sem apetite, meu cabelo cai em grandes quantidades”, disse Betancourt à sua mãe Yolanda Pulecio.

Fugas

A ex-candidata presidencial, cujo único contato com o exterior vinha sendo feito por um aparelho de rádio, tentou escapar várias vezes de seus seqüestradores, segundo contaram alguns dos poucos reféns que conseguiram fugir dos guerrilheiros, como o policial John Frank Pinchao.

Embora Ingrid Betancourt tenha “uma coragem à prova de bala” e um ótimo humor, segundo alguns analistas, sofreu na carne os rigores do cativeiro na selva. Prova disso é um vídeo divulgado em 30 de novembro último, e no qual é vista em uma cadeira em meio à selva, extremamente magra, com o cabelo muito longo e um olhar triste e perdido, em imagens que para muitos ilustram o conflito colombiano.

‘Dívida com a Colômbia’

Uma série de acontecimentos na Colômbia, como o assassinato de vários candidatos presidenciais, um frustrado processo de paz com as Farc, a ocupação rebelde do Palácio de Justiça – que culminou na morte de mais de 100 pessoas – e o surgimento do chamado “narcoterrorismo”, fez com que Betancourt refletisse sobre suas metas.

Ela sabia que “tinha uma dívida” com a Colômbia, como já havia ensinado seu pai. “O país me chamava”, chegou a declarar.
Agência Estado

Rizzolo: A Farc já vinha se desmoronando, com a morte de alguns de seus dirigentes graças às ações do governo Uribe, em conjunto, é claro com o governo americano. Na América latina não há mais espaço para esses tipos de atrevidos paramilitares. A operação parece ter sido bem elaborada, inicialmente, a inteligência militar colombiana infiltrou um homem seu no grupo que estava com Ingrid Bettancourt e outro agente no próprio secretariado das Farc. Os agentes afirmaram que Afonso Cano, o novo chefão dos terroristas, havia ordenado que Ingrid fosse transferida para outro local, assim sendo, providenciariam um helicóptero de uma organização humanitária chegaria para fazer o transporte. O Exército colombiano maquiou um helicóptero só para a operação. O helicóptero baixou e pegou Ingrid e os demais.

Não resta a menor dúvida que se dependesse a libertação de Ingrid de outros que não fosse o governo Uribe e os EUA, Ingrid ainda estaria por lá. Agora diante dessa vitória contra paramilitares que ameaçam a democracia na América Latina, ainda há que se questionar alguma mal em relação à Quarta Frota americana. Eu entendo que não, com a palavra os que detestam a democracia.