Como podemos nos proteger do mau olhado

A verdade é que nenhuma pessoa pode fazer algo para prejudicar outra pessoa, a menos que D’us concorde com isso, ou deseje que aconteça, por alguma razão somente d’Ele conhecida. Portanto, o que é mau olhado e como funciona?

Quando outra pessoa olha para você e diz ou pensa “Oh, por que ele tem isso e aquilo, ou por que sua casa ou roupas, ou jóias, ou seja lá o que for é tão bonita?”, esta pessoa está dando um “mau olhado” a você. E nós mencionamos em nossas preces para sermos salvos de um mau olhado – portanto, isso deve existir.

O que acontece depois? A única coisa que um mau olhado pode fazer é fazer que eles (no Céu) abram seus registros naquele momento. Se não há problemas anotados, você está a salvo do mau olhado; por isso devemos cumprir mitsvot, porque elas nos protegem de todo tipo de dano, físico ou espiritual. Se você “está no vermelho”, então será julgado naquele momento, como resultado do mau olhado. Do contrário o julgamento será adiado para uma outra ocasião, o que dará a você tempo para “desfazer” o negativo através de teshuvá (arrependimento).

Portanto, o que um mau olhado faz é colocar seu registro por cima, para ser o próximo na fila. E apenas D’us decidirá como lidar com seu caso. Você pode ter muitos méritos e mitsvot que o protegem, e neste caso um mau olhado não terá efeito. Ou você pode estar sem estas proteções, e se as coisas negativas tiverem que cruzar seu caminho, isso acontecerá.

A razão de alguém ter lhe falado que um mau olhado apenas surte efeito se você pensar sobre isso, é que caso você pense a respeito o tempo todo, você mesmo estará trazendo este assunto à baila, e assim seus registros estão abertos, como foi explicado acima.

Fonte : Beit Chabad

Tenha um sábado de paz.
Fernando Rizzolo

Quando o que temos não basta

Uma das questões mais intrigantes do capitalismo, ou do consumismo, é a indústria da ganância. Não é à toa que a cobiça está prevista como uma transgressão, dos mandamentos de 6 a 10 ela está por último como a raiz de um mal. Certa vez ainda quando estudante de Direito, acompanhei um caso de furto de tênis. Seria um caso corriqueiro se no âmago daquele crime não existisse algo maior, algo indutivo. O réu eram um menino de 14 anos que havia furtado um tênis de marca; não houve agressão, o rapaz simplesmente adentrou num quarto de um vizinho numa comunidade pobre, e furtou o tênis.

Ao se dar conta da perda, o vizinho acabou descobrindo quem o havia furtado, e a polícia chegou enfim ao agente do delito. Menino pobre de 14 anos, pai desempregado, alcoólatra, mãe com problemas de saúde, o garoto foi encaminhado à antiga FEBEM. Ao analisar o caso como estudante comecei a refletir até que ponto não existiriam co-autores ocultos na execução daquele crime. Com efeito, o garoto, segundo relato, passava o dia inteiro assistindo televisão, cujo patrocinador do seu programa preferido era o fabricante do tênis.

A forma envolvente da propaganda, a quase lavagem cerebral do consumo, da realização da auto estima em possuir o tênis, era apregoado repetitivamente nos anúncios, numa linguagem produzida por especialistas em marketing, que tinham por objetivo criar um ambiente psicológico extremamente envolvente, fazendo com que a necessidade do consumo ou de possuir o tênis daquela marca por parte do jovem, fosse quase irresistível. Logo me perguntei se naquele caso criminal, não haveria dois componentes claros reprováveis além da ação delituosa do jovem.

O primeiro deles com certeza já estava previsto por Deus: a cobiça. Não restava a menor dúvida que o motivo desse tipo de lesão patrimonial tinha um componente já elencado na Bíblia, a vontade de possuir o que é do outro. O outro componente com certeza era a potencialização por parte dos especialistas em marketing, em ao utilizar poderosas técnicas psicológicas, induzir, criar e promover essa cobiça, essa inveja, ao ressaltar que o possuidor daquele tênis, era um jovem especial, diferente, melhor do que os que não o possuíam tal marca.

Quantas vezes não desejamos competir com os nossos vizinhos, nossos amigos, nossos irmãos, induzidos por uma vontade de ter o que eles possuem. Passamos muitas vezes a lutar por ter algo que nem sequer precisamos, algo que na verdade nem essencial é para o nosso dia-a-dia, uma grife, um carro novo, mesmo sabendo que o que temos ainda está muito bom. Quem seria o agente desse desejo quase irracional? Hoje há no mundo uma indústria multi-bilionária cujo propósito é a propagação sistemática da inveja, a aceitação do novo décimo mandamento, que proclama: “Tu cobiçarás.” O nome da indústria é Propaganda. Seu objetivo, como admite francamente B. Earl Puckett, Presidente da Allied Stores Corporation, é este: “Nosso trabalho é tornar homens e mulheres infelizes com aquilo que têm.”

A indústria da moda é um exemplo clássico, hoje você pode estar “in” mas amanhã poderá estar “out”, marqueteiros de toda sorte manipulam as mentes humanas em todas as áreas, inclusive na política, fazendo com que pobres eleitores se encantem com candidatos maquiados. Somos bombardeados pela indústria da propaganda a querer sempre mais, sempre o novo, sem limite. O remédio para combatermos essa influência ainda é a introspecção, o olhar para dentro de nós mesmos, o analisar o quanto temos e se realmente o apregoado é de fato necessário para o nosso bem-estar e felicidade.

Não resta a menor dúvida que a cobiça é uma doença da alma que destrói a vida em comum, as relações afetivas, as amizades, pois na sua essência está a comparação, a inveja, o desejo de ter aquilo que outro possui, o carro do outro, a mulher ou marido da outra, a grife do vizinho; o que acaba nos levando a depressão, a angústia, e a amargura. Estar contente com o que possuímos hoje, é a melhor forma de projetarmos a energia necessária para alcançarmos nossos objetivos. Talvez por isso a cobiça é o décimo mandamento, o sustentáculo e obstáculo mais difícil de ser transposto.

Ao olhar aquele menino caminhando para a Febem, compreendi enfim que os que o induziram ao crime eram os ” encantadores do consumo”, e que de uma forma ou outra, eram no meu entender, co-réus, muito embora sem se darem conta disso; talvez cegos pela estrutura sem limite do consumo, do capitalismo desvairado, ao fabricarem desapercebidamente vidas vazias distantes de Deus.

Tenha um Sábado e uma semana de paz !

Fernando Rizzolo