Jimmy Carter: EUA tortura prisioneiros e viola direitos humanos

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Os Estados Unidos tortura os prisioneiros em aberta violação das leis e dos tratados internacionais em matéria de direitos humanos, assegurou nesta quarta (10) o ex-presidente estadunidense Jimmy Carter (1977-1981).

”Vejo nosso país, pela primeira vez em minha vida, abandonando o princípio básico dos direitos humanos. Temos dito que as convenções de Genebra não são para os detidos no cárcere de Abu Ghraib e na base de Guantánamo (Cuba) e a decisão é de que podemos torturar prisioneiros”, afirmou o ex- governante na CNN.

Carter opinou que o mandatário estadunidense, George W. Bush, tem sua ”própria definição” do que são os direitos humanos. ”Ele não pode fazer sua própria definição de direitos humanos e dizer que não os violamos. Essa outra definição é dele própria, inclui tortura, e ele tem assegurado que não se viole a sua definição”, agregou.

Na sexta passada, Bush garantiu em um ato público que ”este governo não tortura as pessoas. Respeitamos a lei estadunidense e nossos compromissos internacionais”.

”Eu não creio” que o governo de Bush torture, ”eu sei que o faz com certeza”, disse Carter, que lamentou as declarações do atual presidente. ”Esta não é uma declaração pertinente com respeito às normas internacionais em matéria de tortura ‘vigentes’ desde que foi promulgada a declaração dos Direitos Humanos há 60 anos atrás”, disse.

Críticas a Cheney

Um dia antes, em uma entrevista com a cadeia britânica da BBC, Carter havia criticado o vice-presidente dos EUA, Dick Cheney. ”Ele tem sido um desastre para Estados Unidos”, sobretudo no tema de política exterior, disse Carter.

”[Cheney] Tem sido um desastre para nosso país, com demasiada influência sobre o presidente Bush e, em geral, se impondo a ele”, afirmou.

As declarações de Carter tiveram uma resposta rápida da Casa Branca, que através de um porta voz, insistiu que os EUA ”não torturam” e que é ”entristecedor” escutar ”um ex-presidente falar dessa maneira”.

Paz com o Irã e com o Iraque

Carter também teceu palavras para o ex-chefe do governo municipal de Nova York e pré-candidato republicano, Rudolph Giuliani, a quem chamou de ”insensato” por sua opinião de que o país deveria estar aberto para fazer uso da força contra o Irã.

”Espero que ele não se eleja presidente e tente impor seu convencimento de que necessitamos de ir a guerra com o Irã”, declarou. ”Isso seria catastrófico para Irã e para os EUA; além disso, os demais países do mundo se apartariam de nós”, explicou.

Por fim, Carter criticou aos pré-candidatos democratas de Hillary Clinton e Barack Obama por não se comprometerem com a retirada das tropas estadunidenses do Iraque para o final de seu primeiro ano de governo, no caso de ganharem as eleições presidenciais.

Tradução: Carla Santos

Fonte: Telesur

Rizzolo: Jimmy Carter ainda é uma voz sensata e de consciência da política norte americana. Não é possível que republicanos com seus próprios conceitos doentios do que vem a ser direitos humanos imponha ao mundo ataques, invasões sobre o prisma do terror. As duras críticas de Jimmy Carter à administração Bush, e em especial, ao “incitador de Bush” o camarada vice-presidente dos EUA, Dick Cheney, denota que os republicanos estão perdendo terreno no campo ideológico e moral. Os EUA estão perdendo sua influência no mundo, na América Latina a seu domínio é o mais baixo em décadas, no Leste Asiático teve que negociar com a Coréia do Norte, e reconhecer o poderio da China na região do ponto de vista de segurança regional, na Europa, a “balela do projeto de instalar baterias antimísseis” a titulo de segurança é contestado pela Alemanha e outros países, no Golfo, a própria Arábia Saudita já não dá muita atenção aos desígnios imperialistas perseguindo objetivos regionais autônomos, na Rússia de Putin difícil é, também convencê-los, e fazê-los de bobo, a engolir a questão dos antimísseis, não atendendo o apelo Russo de que poderiam fazer o projeto em conjunto com a Rússia , demonstrando sua má fé. Enfim, à parte dos desrespeitos aos direitos humanos dentro dos EUA, Washington perde a respeitabilidade em todos os lugares. Isso soa estranho para a elite americana que se manter no topo do mundo numa condição incontestável de “moralidade e democracia”, sempre foi considerado um fato natural. E Jimmy Carter vem de encontro a esse desgaste promovido pelos republicanos irresponsáveis, e que em nome do lucro das 300 maiores empresas dos EUA, tornou-se o maior Estado terrorista do planeta. E o pior, aqui no Brasil ainda tem gente que acha a política americana atual, o máximo. Lamentável, hein !

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