Por Que Um Cientista Diz a verdade?

*Por Chana Weisberg

“Não creio que Frankl deixou de fornecer um caminho rumo ao significado. Penso que é de certa forma uma profanação de sua mensagem. Ele escreveu um livro de psicologia, que naturalmente é um campo humanista e subjetivo, não um comentário ético ou bíblico,” disse-me uma amiga após ler meu último blog (AID) criticando a logoterapia, o método psicoterapêutico de Frankl para encontrar um significado.

Ela continuou: “Seria antiético para um terapeuta impor valores… a natureza da humanidade é ser subjetiva e felizmente é assim. Um código universal de moralidae não pode e não deveria existir!”

Minha amiga tocou num assunto interessante, e ela está em boa companhia.

Estabelecer valores de julgamentos tem sido visto por muitos psicólogos e cientistas como um afastamento ofensivo do método científico, que deve ser rechaçado a todo custo.

Segundo Thomas Harris, autor do best-seller I’m OK, You’re OK, “Algumas dessas pessoas insistem firmemente que pesquisa científica não pode ser aplicada a essa área. ‘É um julgamento de valor, portanto, não podemos examiná-lo’ – ou ‘Isto é no campo das crenças; portanto não podemos reunir dados plausíveis.’”

Valores e pesquisa científica podem – ou devem – ser misturados? Os critérios objetivos do pensamento e investigação científica devem estar sujeitos a um sistema de valores, crenças e morais que são aparentemente subjetivos?

Harris, cujo livro vendeu mais de 15 milhões de exemplares e segundo o Los Angeles Times “ajudou milhões de pessoas a encontrarem a liberdade para mudar”, argumenta que pode e deve.

“O que eles [pessoas que acham que ciência e valores não se misturam] deixam de ver é o fato de que o método científico depende totalmente de um valor moral – a confiabilidade dos repórteres de observação científica… Por que um cientista diz a verdade? Porque ele pode provar num laboratório que ele deveria?”

Harris cita Nathaniel Branden, outro membro importante da comunidade de psicólogos, o qual afirma que psiquiatras e psicólogos têm uma grave responsabilidade moral se declararem que “assuntos filosóficos e problemas morais não dizem respeito a eles, que a ciência não pode pronunciar julgamentos morais.” Aqueles que “fazem pouco das suas obrigações profissionais afirmando que um código racional de moralidade é impossível, pelo seu silêncio, dão a sanção para o assassinato espiritual.” (o itálico é meu – [autora])

Pois o que motiva um psicólogo ou cientista a fazer pesquisa para tornar mosso mundo um lugar melhor? Ele não é instigado pela convicção, estritamente indemonstrável da ciência, que o universo tem um rumo?

Como pode um terapeuta querer ajudar seu paciente a lidar com seus conflitos interiores sem acreditar nas habilidades inatas de um ser humano? Frankl declara: “Se pretendemos estimular o potencial humano naquilo que ele tem de melhor, devemos primeiro acreditar na sua existência e presença. E apesar da nossa crença na potencial humanidade do homem, não devemos fechar os olhos ao fato de que seres humanos com humanidade são e provavelmente sempre permanecerão sendo uma minoria. Porém é exatamente por este motivo que cada um de nós é desafiado a juntar-se à minoria.”

De fato, na raiz do movimento existencial está a crença de que o homem tem livre arbítrio para tornar-se responsável pelas suas ações. Ao analisar a contribuição dos existencialistas à terapia, Rollo May escreve: “O homem é o ser que pode ser consciente de, e portanto responsável por, sua existência. É a capacidade de tornar-se consciente do próprio ser que distingue o ser humano dos outros seres. Binswanger fala de ‘Escolha Dasein’ isto ou aquilo, significando ‘a pessoa que é responsável pela sua existência escolhendo…

“(Medard) Boss enfatiza que uma pessoa sente culpa porque “trancou algumas potencialidades essenciais em si mesma. Portanto tem sentimentos de culpa. Se você trancar as potencialidades, é culpado contra aquilo que é dado a você em sua origem, no seu âmago.”

Estes princípios subjacentes de terapia não são valores de julgamento? Essas declarações afirmam de maneira não-científica que todo ser tem um valor intrínseco e potencialidades essenciais que, se não usadas, o indivíduo é culpado de abuso. E aquele homem é distinguido entre todas as outras criações em sua percepção da responsabilidade para consigo mesmo e com o mundo.

Se estes não fossem membros da comunidade científica, muitas dessas alegações soariam quase como aquelas originadas de moralistas religiosos.

Até Sigmund Freud, considerado por muitos como o demolidor dos ícones religiosos, fez uma declaração incomumente religiosa. Quando lhe pediram para resumir a teoria psicoanalítica em uma frase, ele respondeu em sete palavras: onde o id estava, ali o ego estará. Ou seja, a psicoanálise tenta explicar o processo onde podemos (ou não podemos) substituir escolha por impulso.

Se fôssemos resumir a força moral da Torá, seria algo notavelmente similar – não faça aquilo que tem vontade de fazer; faça aquilo que D’us quer que você faça.

E então, julgamento de valores e pesquisa científica podem ser compatíveis?

Talvez uma questão mais fundamental seja: como a ciência pode ser eficaz sem julgamentos morais e de valores em seu alicerce?

Mas então o verdadeiro dilema – que se torna sempre tão complexo – é como definir o que esta moral deveria ser.

fonte: Site do Beit Chabad

Tenham um sábado de paz !

Fernando Rizzolo

Um cão chamado Kalev, perto do coração

“Nossa tarefa deveria ser nos libertarmos … aumentando o nosso círculo de compaixão para envolver todas as criaturas viventes, toda a natureza e sua beleza.” Albert Einstein (físico, Nobel 1921)

*POR FERNANDO RIZZOLO

A Torá nos instrui várias leis de respeito e bom tratamento aos animais, com a finalidade de nutrir nossa midá (virtude) de compaixão e respeito para com todos os seres vivos. Um exemplo de bondade com os animais foi Nôach, que com seu caráter elevado poupou várias espécies de animais de um tenebroso dilúvio. Mas um animal, em especial pela sua bondade, doçura e fidelidade merece nossa atenção, o cachorro. Em hebraico, seu nome é muito mais significativo e interessante, chama-se “Kalev”, e muito embora poucos saibam, este nome significa “perto do coração”.

Os hebreus, os antigos formuladores da língua, observaram desde aquele tempo a característica do cão ser “todo emoção”, e conseguiram dar-lhe um nome exato reconhecendo que sua companhia nos faz senti-lo sempre perto do coração. Tenho profundo respeito e admiração pelos animais, pela resignação deles em servir ao homem. Talvez, dentro da lógica de um ser vivo que não mais retornará ao mundo – pois não possuem o neshamá (o nível mais elevado da alma ) – se entregam e acabam se aprisionando, tornando -se reféns do ser humano.

Acredito que o mundo caminha para uma compreensão maior do que os animais representam para a humanidade. Várias correntes científicas questionam o uso dos animais em experiências de laboratórios, e um número cada vez maior de pessoas evita ingerir carne, como eu; ou demandam práticas de abate mais humanas, o que no judaísmo é algo extremamente sério com suas considerações de cunho ” casher”, as formas de abate impõem menor sofrimento a estes seres.

Quando olho para um cão, lembro-me da sempre palavra Kalev, e do seu significado. Já tive vários cães que se chamaram kalev, e outros Dodi, que em hebraico significa amado. Impressiona-me olhar dos cães-guia, que emprestam sua visão e sua vida aos cegos e os ajudam a dar maior sentido à vida. Emociona-me saber de tantos solitários que contam com a companhia de cães que jamais os abandonarão, e que de nada esperam, a não ser um carinho, ou como eu brinco, ” um bifinho”. Os rabinos dizem: “o cão é pura emoção porque o coração está na mesma altura da cabeça. Diferente da condição humana em que a razão (cabeça) está acima do coração.”

Certa vez, nos Estados Unidos, ao entrar numa livraria, deparei-me com um cego, caminhando com um Labrador cor- de- mel que, soube depois, o guiava há 8 anos. Quando percebeu que eu acariciava seu cão, perguntou com uma voz rouca e pausada:

– Já descobri que o senhor gosta de cães, não é?

– Sim, muito – respondi.

-O senhor sabe por que os cães vivem pouco e geralmente morrem antes do dono ? – perguntou-me novamente como que justificando aquele afago meu – Talvez por que assim foram programados -, respondi.

– Não, senhor, porque jamais suportariam a dor de saber que seu dono não mais existiria.

Naquele momento rolou uma lágrima dos meus olhos, e entendi a partir de então, porque em hebraico o cão se chama Kalev, entendi enfim, o quanto é bom sempre ter um amigo perto do coração.

Fernando Rizzolo

Um Antídoto para o Desespero

*Por Chana Weisberg

Quando você se sente envolvido num poço fundo e escuro de desespero, quando seu coração se sente partido em mil pedaços, quando você simplesmente não consegue mais lutar contra os dolorosos desafios nem mais um só momento…

Você simplesmente poderia não ter de fazê-lo. Seu momento seguinte pode ser totalmente diferente do seu momento atual.

O filósofo Kierkegaard, que semeou as raízes da psicologia existencial, escreveu de maneira eloquente: “Um ser, a todo instante em que existe, está no processo de tornar-se, pois o ser… é somente aquilo que vai se tornar.”

E apesar disso, a fonte de grande parte de nosso sofrimento é que vemos nossas vidas de maneiras limitada, como uma foto instantânea, acreditando que aquilo que temos agora representa como fomos e como seremos.

Porém tudo em nosso mundo continua num estado de fluxo. A cada momento há uma enorme mudança. A mudança pode ocorrer tão levemente que chega a ser imperceptível aos nossos olhos e mente, mas está ocorrendo.

A mudança é incessante. Um vaso ou um móvel muda a todo momento, mesmo que pareça permanente. Perde a cor e se torna antigo, não de repente, mas momento a momento.

Isso é verdadeiro sobre objetos inanimados, e se aplica ainda mais à dinâmica física, psicológica e espiritual.

A celula típica de nosso corpo morre após 100 dias ou algo equivalente, A cada segundo, 2.5 milhões de celulas sanguíneas nascem, e no mesmo segundo morre uma quantidade correspondente. Este ciclo de nascimento e morte ocorre constantemente.

Nas palavras de Rollo May: “A personalidade pode ser entendida somente como a vemos numa trajetória rumo ao seu futuro; um homem pode entender a si mesmo somente à medida que se projeta para a frente. Este é o corolário do fato de que a pessoa está sempre se tornando, sempre emergindo, no futuro. O ser deve ser visto em sua potencialidade.”

Alguns desafios não vêm e vão, mas coninuam a nos afligir durante toda a nossa vida. Porém, mesmo então, um novo conjunto de circunstâncias está constantemente sendo concebido e formado, criando o processo de mudança.

William James escreve: “A grama do lado de fora da janela agora me parece do mesmo verde quando está ao sol ou na sombra, e mesmo assim um pintor teria de pintar uma parte em marrom escuro, outra em amarelo brilhante para dar seu verdadeiro efeito sensacional. Não consideramos, como uma regra, a maneira pela qual as mesmas coisas se parecem e soam e cheiram a distâncias diferentes e sob diferentes circunstâncias.

“O mesmo objeto não pode facilmente nos dar a mesma sensação outra vez… Cada pensamento que temos sobre um determinado fato é, estritamente falando, único e somente tem uma semelhança pequena com nossos outros pensamentos sobre o mesmo fato. Quando o fato idêntico se repete, devemos pensar sobre ele de maneira nova, vê-lo sob um ângulo um tanto diferente, e apreendê-lo em relações diferentes daquelas nas quais apareceu da última vez.”

Em uma das narrativas mais comoventes de esperança emergindo de dentro daquela escuridão avassaladora, a Torá registra a primeira troca de palavras entre D’us e Moshê.

O povo judeu tinha passado pela mais severa degradação sob a tirania dos seus opressores egípcios. D’us ordena a Moshê que revele que Ele irá libertá-los do cativeiro. Moshê responde perguntando o que deveria dizer em nome de D’us.

Moshê estava pedindo uma mensagem de consolo e esperança para levar a um povo alquebrado cujo D’us aparentemente os tinha abandonado durante as últimas décadas, deixando de ouvir seus gemidos angustiados.

D’us responde de maneira elusiva. Moshê deveria transmitir aos escravos judeus que o nome de D’us é “Eu serei aquele que serei.”

Por algum tempo, a escravidão se tornou pior depois da mensagem de esperança de Moshê. Embora as sementes da redenção estivessem semeadas, sob a perspectiva do povo, nada tinha mudado. E mesmo assim, a situação estava mudando dramaticamente.

Talvez a mensagem de D’us ao povo extraviado seja a mensagem de D’us para nós, em nossos momentos de angústia, que podemos conectar a Divindade com “Eu serei aquele que serei” – o poder de ser.

Somente quando somos capazes de perceber que ser é inseparável de tornar-se, podemos nos libertar das amarras da servidão às nossas ansiedades e hábitos que nos derrotam.

O presente é apenas aquilo que trouxemos de nosso passado, e aquilo que usaremos para forjar nossos futuros imediatos. Trazer esta verdade à nossa consciência pode nos ajudar a encontrar consolo à medida que encontramos as provações no tempo presente de nossa vida.

Portanto, quando as trevas parecem avassaladoras, quando a monotonia entediante está levando você ao limite da insanidade, encontre conforto na percepção de que nada em nosso mundo permance estático.

Não os nossos desafios atuais. Não quem nós somos.

Você, sua vida e as circunstâncias são uma parte integrante do labirinto do plano cósmico de D’us, emergindo de novo a todo instante.

Não existe o estático “ser”. Há somente aquilo que fomos – e mais importante, aquilo que escolhemos nos tornar.

fonte: site do Beit Chabad

Tenham um sábado de paz !!

Fernando Rizzolo

Gripe Suína, Religião e a Imunidade

Foi com satisafação que soubemos que Ministério da Saúde vacinou, em três meses, 81 milhões de pessoas contra a gripe suína (gripe A H1N1), um recorde mundial. O número corresponde a 88% dos 92 milhões de brasileiros que se encontram em grupos de risco. Contudo gostaria de abordar um estudo interessante realizado em Israel sobre a questão da relação entre as doenças em geral e a fé.

Estudos científicos realizados nas últimas quatro décadas têm demonstrado o papel do ponto de vista público e pessoal da religiosidade e seus efeitos na saúde e na longevidade. Tais pesquisas têm evidenciado que a prática da fé e da religiosidade, aumenta, de certa forma, a imunidade geral dos pacientes. Alguns dos resultados citados foram pesquisados durante 16 anos em Israel, em comunidades com o mesmo perfil, porém vivendo espiritualmente de forma diversa: uma num kibutz secular não-religioso e outra num kibutz religioso.

Apesar de ambas as comunidades serem demograficamente iguais, contendo o mesmo nível de estrutura médica e social, o número de óbitos era o triplo no Kibutz secular, comparado-se em relação ao religioso. Pesquisas nesta área também foram realizada na Inglaterra. Através de estudos semelhantes foram constatado os efeitos da fé na superação dos problemas de saúde.

Verificou-se, por exemplo, num estudo sobre os efeitos das doenças meningocócicas em adolescentes, que a religiosidade, a fé e a espiritualidade, tinham o mesmo efeito preventivo que as vacinas para as doenças relacionadas a esta bactéria ( Tully J, Viner RM, Coen PG, Stuart JM, Zambon M, Peckham C, Booth C, Klein N, Kaczmarski E, Booy R. 2006. Risk and Protective Factors for Meningococcal Disease in Adolescents: Matched Cohort Study. BMJ 332: 445-450.)

O mundo ainda vive, a ameaça de uma pandemia de gripe do tipo H1N1 . Apesar dos esforços dos governos, das vacinações em massa, e de toda sociedade, os procedimentos de higiene preconizados devem continuar sendo amplamente difundidos pela imprensa. Contudo, por tratar-se de uma doença que tem no seu âmago, indevidas violações do ser humano contra natureza – no seu característico desrespeito especista, no triste confinamento antinatural de grandes quantidades de animais – temos que refletir e rever nosso estilo de vida e os nossos conceitos em relação aos hábitos alimentares que jamais deveriam ser baseados na violência.

O sofrimento dos animais e a incessante busca de lucro pelos grandes abatedouros escondem, com certeza, um baixo conteúdo espiritual-energético no contexto desta doença. Muito mais do que um vírus, encontramos uma forma de “virulência espiritual”; assim, a razão e a nossa espiritualidade nos levam a lançarmos mão de uma busca religiosa como uma forma complementar de proteção de seus efeitos nefastos.

Pouco importa a religião, a origem ou a forma de se conectar com Deus. Talvez, no silêncio da noite, numa reflexão sobre a procedência desta epidemia, e de outras que poderão um dia surgir, ou então numa oração, encontraremos, enfim, uma forma de nos apaziguarmos com toda a natureza e nos harmonizarmos com um elo perdido. Descobriremos também que nos relacionarmos com Deus é respeitarmos os seres vivos por Ele criados que aqui vivem e compartilham conosco essa jornada terrena. Afinal, uma oração ou uma reflexão espiritual é também uma forma de perdão e de harmonia que sempre leva à cura os que têm fé.

Fernando Rizzolo

A Alma da Arte

O Rebe, um educador nato, perguntou ao jovem se ele tinha um passatempo. O rapaz disse que gostava de pinturas. O Rebe então perguntou: “O que é mais preciso, uma fotografia ou uma pintura?”

“Claro que é uma foto,” disse o rapaz. “Uma foto capta exatamente qualquer cena, algo que uma pintura jamais poderia fazer.”

“Qual delas vale mais?” continuou o Rebe a inquirir.

“Uma pintura. Enquanto uma foto custa alguns dólares, uma pintura de uma cena idêntica pode chegar a milhões de dólares.”

“Por quê?” perguntou o Rebe. “Não parece justo. A foto acurada deveria custar mais dinheiro, não?”

“Porque a maioria das fotografias,” explicou o jovem, “são itens inanimados, sem vida. Uma foto capta e congela uma pessoa ou uma cena como é. Por outro lado, uma pintura contém a riqueza da imaginação humana, a profundidade da emoção humana e a estética da criatividade humana. É isso que dá à pintura seu grande valor. É o que chamamos de arte.”

O Rebe sorriu e disse: “Esta é a resposta à sua pergunta. Anjos são fotos, enquanto que os seres humanos são peças de arte.”

Os anjos são criaturas impecáveis; como as fotos, são reproduções perfeitas das realidades espirituais. Como as fotos, jamais erram. Porém é exatamente o drama flutuante da existência humana, o perpétuo conflito entre nossa luz interior e as trevas, e o vazio interior humano procurando significado e verdade – que torna nossa vida, a todo momento, uma obra de arte.

O Báal Shem Tov ensinou que tudo que fazemos é significativo. Cada ação nossa, cada palavra que dizemos, até um simples pensamento que temos, provoca um efeito que reverbera em todos os mundos e através de toda a história. Com todo pensamento e ação, você é capaz de transformar sua vida em arte.

Somente nas câmaras atormentadas do coração humano D’us pode descobrir obras de arte genuínas e inspiradoras. São a bondade e o idealismo que emergem da dúvida e do conflito humano que concedem à humanidade uma dignidade e esplendor que o mais elevado dos anjos
jamais pode atingir.

Fonte : site Beit Chabad

E viva a arte de ser humano !! Prestigiem o Festival de Cinema Francês em São Paulo !!

Tenha um sábado de paz

Fernando Rizzolo

Entre um trabalho e outro

*Por Yanki Tauber

Você entra apressadamente na sala de espera, com quinze minutos de atraso. Isso é intencional: você está tentando reduzir aqueles minutos desperdiçados na sala de espera. Porém uma breve conversa com a recepcionista revela, para sua consternação, que você chegou, por engano, 35 minutos adiantado…

Você perde sua conexão, e o próximo vôo disponível parte na manhã seguinte. Enquanto se registra no hotel do aeroporto, passa pela sua cabeça o pensamento de que jamais esteve antes nessa cidade. O que fazer agora? Algumas compras? Uma caminhada pelo centro? Passar a tarde no quarto pondo o trabalho em dia?

Você está num impasse. Já há algum tempo, tem percebido que não é isso que deseja fazer com sua vida, e é inevitável que seu chefe logo perceba também. Você está explorando diversas possibilidades, mas demorará um pouco até que qualquer delas se materialize. Então, você tem à sua frente uns bons meses de rotina massacrante (e isso na melhor das hipóteses…)

Nos vivemos em dois tipos de tempo: tempo real e tempo intermediário. No tempo real, seguimos com nossa vida: carreira, relacionamentos, família e interação social. Porém existe o tempo da sala de espera, o tempo no aeroporto, o tempo entre dois trabalhos. O truque é aproveitar ao máximo o tempo real e reduzir o tempo intermediário ao mínimo possível.

Não é bem assim, diz o Lubavitcher Rebe. Segundo o Rebe, existe apenas um tipo de tempo. Há jornadas longas e jornadas curtas, há trabalhos grandes e pequenos, existem oportunidades óbvias e situações nas quais coçamos a cabeça e nos perguntamos: O que estamos fazendo aqui? Mas todo o tempo é real; cada momento é crucial. Todo segmento de nossa vida, não importa quão efêmero ou temporário, tem um centro, um propósito, um objetivo.

Em uma de suas cartas, o Rebe explica seus fundamentos para esta opinião: a história das viagens de nossos ancestrais através do Deserto do Sinai.

O Livro de Bamidbar descreve como os Filhos de Israel acamparam e viajaram no deserto. Bem no centro do acampamento israelita ficava o Mishcan, o Santuário portátil que abrigava a Divina Presença. Ao redor do Mishcan estavam as tendas dos Cohanim e Levitas, que serviam no Santuário. E além do acampamento Levita ficavam, como os raios de uma roda, as tendas comunitárias das doze tribos de Israel – três tribos a leste, três ao sul, três a oeste e três tribos ao norte.

Acima do Mishcan pairava uma nuvem, significando a Divina Presença que ali habitava; quando a nuvem se erguia, era o sinal de que estava na hora de seguir adiante. Não havia um período preestabelecido para cada acampamento. As vezes a nuvem – e o povo – ficavam estacionados por um ano, e às vezes por uma única noite. Sempre que a nuvem se levantava, o povo se punha a caminho.

Dissemos que o Mishcan era portátil. Mas não era uma pequena tenda dobrável. Este fabuloso edifício incluía quarenta e oito paredes de 6 metros, cem bases com 70 quilos cada, mas de duas dúzias de enormes tapeçarias, e numerosos pilares, prendedores, revestimentos e utensílios. Era necessário uma equipe de 8.580 Levitas para desmontar, transportar e montar o Mishcan a cada vez que o povo se mudava.

E a Torá enfatiza que todo o processo se repetia a cada vez que o povo viajava, incluindo aquelas vezes em que acampavam por uma única noite. A cada vez, o Mishcan era erigido e 600.000 famílias montavam suas tendas na formação prescrita ao seu redor.

Assim, o povo sabia que nunca estavam apenas “atravessando” ou “matando tempo” em uma conjuntura específica na jornada. Cada acampamento, não importa o quanto fosse breve ou temporário, deveria ter seu centro, seu foco, seu objetivo: sua própria maneira distinta de fazer D’us Se sentir em casa junto deles.

fonte: site do Beit Chabad

Tenha um sábado de paz !

Fernando Rizzolo

Um Psicoterapeuta em Auschwitz

*Por Chana Weisberg

Shema Yisrael Hashem Elokeinu Hashem Echad… Ouve, ó Israel, o Eterno é nosso D’us, o Eterno é Um.

Essas palavras são o ponto alto das nossas preces diárias, expressando poderosas pérolas de fé.

Essas palavras têm sido murmuradas no decorrer dos tempos, em épocas de grave desafio, em porões escuros, por aqueles que exalavam seu último suspiro, num auto-da-fé na Espanha ou numa câmara de gás na Alemanha nazista.

Há também palavras de esperança e felicidade, entoadas com alegria ao celebrar importantes acontecimentos.

Porém eu não esperava ler essas palavras hebraicas num clássico campeão de vendas, um livro de psicologia que foi considerado pela Biblioteca do Congresso como um dos dez livros mais influentes nos Estados Unidos.

“A Busca do Homem por um Significado”, por Viktor Frankl, vendeu mais de doze milhões de cópias em todo o mundo. Frankl descreve suas experiências nos campos de concentração nazistas, porém mais que as suas provações, ele escreve como psicólogo sobre o que lhe deu força para sobreviver.

Frankl descreve pungentemente como os prisioneiros que desistiram da vida e da esperança por um futuro eram inevitavelmente os primeiros a morrer. Eles morreram menos pela falta de comida que pela falta de algo pelo qual viver. Em contraste, Frankl se manteve vivo pensando em sua mulher, e sonhando em fazer palestras sobre como as suas experiências reforçaram aquela que já era uma parte importante de sua tese antes de entrar nos campos – que a força de motivação fundamental de toda pessoa é a busca por um significado.

A autobiografia de Frankl é seguida por um esboço de sua doutrina terapêutica de cura da alma encontrando significado na vida. Sua teoria ganha credibilidade a partir do pano de fundo de suas experiências pessoais nos campos de concentração e como ele encontrou significado enquanto enfrentava seu sofrimento.

Um forte encadeamento implícito em todo o livro é a força e o amor que ele extraiu não somente das lembranças de sua mulher, como também de sua fé.

Como ele declara em seu livro, “A Busca do Homem por um Significado Definitivo”: “D’us não está morto, nem mesmo depois de Auschwitz.” Pois a crença em D’us é incondicional, ou então não é crença. Se for incondicional, enfrentará o fato de que seis milhões morreram no Holocausto; se não for incondicional, então vai desmoronar se apenas uma única criança inocente tiver de morrer… Não adianta barganhar com D’us, ele diz e argumenta: ‘Até o ponto de seis mil ou até um milhão de vítimas no Holocausto eu mantenho minha fé em Ti; porém acima de um milhão nada mais pode ser feito, e sinto muito mas devo renunciar à minha fé em Ti… Uma fé fraca é enfraquecida por provações e catástrofes, ao passo que uma fé forte fica ainda mais fortalecida por elas.”

Pouco depois de chegar a Auschwitz, Frankl foi privado do objeto mais precioso que possuía – um manuscrito que era a obra de sua vida, e que tinha escondido no bolso do casaco. Percebendo que as chances de sobreviver eram pequenas, “não mais que uma em vinte e oito”, ele teve aquela que descreve como “talvez a experiência mais profunda nos campos de concentração.”

“Eu tive de passar e superar a perda de minha criança mental. E parecia como se nada nem ninguém fosse sobreviver a mim; nem uma criança física nem uma mental que fosse minha. Portanto fui confrontado com a questão de que sob tais circunstâncias minha vida, em última análise, estava vazia de significado.

“Eu ainda não tinha percebido que uma resposta a essa pergunta com a qual eu lutava tão apaixonadamente já estava reservada para mim, e que pouco depois essa resposta me seria dada. Foi isso que aconteceu quando tive de entregar minhas roupas e por minha vez recebi os trapos rasgados de um interno que já tinha sido enviado à câmara de gás… Em vez das muitas páginas do meu manuscrito, encontrei no bolso no casaco recém-ganho uma única página de um livro de preces em hebraico, contendo a prece mais importante, Shema Yisrael. Como poderia eu ter interpretado tamanha “coincidência” como não sendo um desafio para viver meus pensamentos em vez de meramente colocá-los no papel?”

E então na sentença que conclui este livro campeão de vendas que foi traduzido em vinte e quatro idiomas, Frankl novamente expõe essa eterna proclamação de fé.

“Nossa geração é realista, pois chegamos a conhecer o homem como realmente é. Afinal, o homem é aquele ser que inventou as câmaras de gás de Auschwitz; no entanto, ele é também aquele ser que entrou naquelas câmaras de cabeça erguida com a oração do Shemá Yisrael nos lábios.”

O que há na prece Shemá Yisrael que tem inspirado tantos através das maiores dificuldades e tem conferido tamanho significado e propósito para nos ajudar a sobreviver até mesmo nas circunstâncias mais desesperadoras?

Creio que além da simples afirmação de fé num único poder Superior e o profundo significado místico oculto nas palavras dessa prece especial, há quatro elementos psicológicos vitais que fizeram dela nosso alicerce da fé:

1 – Relevância: Ouve, ó Israel – Uma religião ou estilo de vida não pode começar e terminar com teorias; deve também dirigir-se à parte humana dentro de nós. O Shemá não começa no âmbito da ideologia, nos céus, com uma declaração de fé despersonalizada. Fala endereçando todos e cada um de nós. Ouve, ó Israel, ouve essa mensagem, e faz dela uma parte do teu ser, porque não está falando sobre ti, não para ti, mas está te chamando.

2 – Pertencer: A prece Shemá está no plural (“nosso D’us” e não “meu D’us”), falada como um grupo coletivo, dirigindo-se a nós todos como Israelitas. Os seres humanos têm uma necessidade de se identificarem uns com os outros. O senso de fazer parte. Recebemos força uns dos outros e a fortaleza de sermos parte de algo maior que nós mesmos. Mais atraente que a ideologia é uma sensação de pertencer a uma família expandida – apesar das barreiras. Aquele senso de comunidade é um dos nossos alicerces mais fortes.

3 – Personalização: D’us é nosso D’us. D’us é “nosso”. D’us que é transcendental e infinito é também nosso D’us pessoal que está conosco em todos os momentos, segurando nossa mão tanto em tempos de celebração quanto nas horas de desespero. D’us não é apenas um governante objetivo, que cria e regula o cosmos. Ele é “nosso”, está perto de nós, entendendo subjetivamente a parte mais profunda de nós mesmos, mais do que a entendemos; Ele está conosco em tempos de necessidade, júbilo e sofrimento.

4 – Individualidade: Por mais que precisemos todos de um senso de pertencer e de comunidade, não devemos negar nossas diferenças individuais. A declaração do Shemá termina com as palavras “D’us é um” (em vez de D’us é “singular” ou “sozinho”). A unicidade de D’us está presente na diversidade do mundo. Como disseram os mestres chassídicos: “Não há nada além d’Ele.” Enquanto a conformidade tolhe o crescimento, a “unicidade de D’us” deveria nos possibilitar descobrir e cultivar a unicidade e unidade Divina dentro de cada um de nós.

Uma base da teoria de Frankl é que forças além do nosso controle pode levar tudo que possuímos exceto uma coisa – nossa liberdade de escolher como vamos reagir à situação.

Após descrever a angústia de suas experiências em Auschwitz, Frankl conclui suas memórias pessoais: “A experiência mais elevada, para o homem que regressa ao lar, é a maravilhosa sensação de que após tudo que ele sofreu, não há nada de que precise temer – exceto seu D’us.”

Esta pode tornar se nossa crença mais poderosa.

*Fonte: site do Beit Chabad

Tenham um sábado de paz !

Fernando Rizzolo

A Torá é científica?

*Por Tzvi Freeman

Pergunta:

Ouvimos dizer com freqüência que a Torá e a ciência na verdade não se contradizem. Você poderia dar-me um ou dois exemplos nos quais ambas realmente coincidem?

Resposta:

O exemplo mais notável; Durante milênios, fomos ridicularizados por acreditar que o mundo começou. Somente na segunda metade do Século Vinte surgiu uma prova esmagadora para o nosso lado. Como escreve Dr. Arno Penzias (um dos três a receber o Prêmio Nobel por identificar a “radiação de fundo” que se tornou um dos pilares da atual cosmologia do Big Bang), “a ciência finalmente vingou Moshê e Maimônides acima de Aristóteles.”1

Avraham foi um dissidente por acreditar que todas as forças do cosmos são na verdade uma única força. Esta é a contenção da ciência pelos últimos 100 anos e a força propulsora por trás da pesquisa para a Teoria do Campo Unificado.2

A narrativa da Criação encontrada na Torá e dos eventos que desafiam as leis da Física – e até da lógica – implica que as leis da lógica não são absolutas – i.e., não é impossível que aquelas leis tivessem sido criadas de outra forma, e mesmo agora, o Criador poderia ajustá-las ou superá-las à Sua vontade. Uma alusão a esse tipo de raciocínio abriu caminho para a moderna matemática, derrubando a visão euclidiana de que os axiomas da geometria são “verdades auto-evidentes”, e lançando o alicerce para a relatividade de Einstein. De fato, todas as tentativas posteriores de demonstrar que a matemática está baseada na lógica falharam. Os pensadores atuais questionam a lógica em si3.

A Torá, ao apresentar o conceito da Divina Providência dentro da natureza, exige um universo que é apenas vagamente linear, rejeitando o conceito determinista de que causa e efeito estão inerentemente ligados. Este é um resultado do Princípio da Incerteza, primeiro enunciado por Heisenberg em 19284. No decorrer dos últimos 30 anos, experimentos afirmaram repetidamente este conceito.

A Torá não fala em termos de matéria como uma substância auto-contida, mas como um evento, uma ‘palavra’. Atualmente entendemos a matéria como simplesmente uma dinâmica de energia concentrada, como na conhecida fórmula E=mc2. Ou, na definição do físico David Bohm. “Aquilo que se desdobra, qualquer que seja o meio.”5

A Torá confia em testemunhas e na observação acima da intuição. Hoje chamamos isso de empirismo objetivo. É o que distingue o cientista do filósofo helenista ou medieval.

A Torá reconhece o papel da consciência humana como participante ativo, não passivo, na formação da realidade6. Este resultado do modelo padrão da mecânica quântica foi primeiro anunciado por John von Neumann em 1932.7

A Torá confia firmemente no conceito de sinergia: o todo é maior que a soma de suas partes. Este se tornou um princípio essencial em muitas disciplinas modernas, da sociologia à química.

A Torá, em muitas aplicações haláchicas, confia no “quantum” – os menores incrementos possíveis de mudança dentro do espaço e tempo. Este era o postulado de Max Planck que abriu o campo da Mecânica Quântica.

A Torá descreve toda a humanidade como descendendo de um único homem e – uma única mulher.8 Esta esmagadora evidência genética coincide, embora a data ainda seja de certa forma vaga. Ainda estão tentando resolver.

A Torá entende a psique humana como sendo multifacetada e com diversas camadas – não há apenas uma pessoa lá dentro. Bem-vindo à moderna psicologia.

A Torá descreve o planeta Terra e todo o cosmos em termos holísticos. A ciência hoje está se movendo depressa nesta direção, nas ciências da vida, na física e cosmologia.

A Torá provê inferências a muitos dos costumes, crenças, política, tecnologia, etc., de tempos antigos que os historiadores já recusaram e apenas recentemente os arqueólogos confirmaram.

A Torá apresenta e desenvolve rigorosamente a chazakah: um evento deve ocorrer repetidamente e sob condições idênticas para ser considerado o resultado mais provável no futuro (como no caso do boi que ataca muitas vezes). Esta é a base do método científico.9

A Torá prescreve a educação pública, o envolvimento popular e o governo constitucional. Os sociólogos descrevem como esses elementos geram estabilidade e produtividade numa sociedade.

A Torá prescreve um uso responsável de nosso meio ambiente. Hoje está demonstrado que este tipo de atitude é a única possível para a vida sustentada no planeta.

Muitos desses exemplos podem parecer óbvios, porém nenhum deles foi aceito senão recentemente. Tenho certeza de que há mais – se você lembrar de algum, por favor, pode falar.

Agradeço ao Dr. Moshe Genuth por suas valiosas sugestões e ajuda para este artigo.

fonte: site do Beit Chabad

Tenha um sábado de paz

Fernando Rizzolo

Não-Ortodoxo

*Por Tzvi Freeman

Então eu perguntei ao rabino que tipo de rabino ele é, e ele respondeu; Não-ortodoxo. Não-ortodoxo! Sim! O termo mais descritivo que já ouvi para o verdadeiro Judaísmo! A crença de que nada é da maneira que deveria ser, que tudo no mundo tem de mudar, que devemos ser diferentes de todos os outros. É isso que os judeus são – os kvetchers (reclamões) da história, recalcitrantes, insurgentes, revolucionários – e o que poderia ser mais não-ortodoxo do que isso?

O Judaísmo não começou com o paradigma de todos os iconoclastas? Imagine Avraham quebrando os ídolos na casa do pai, desafiando o Rei Nimrod e todas as normas sociais de sua época. Imagine Moshê desafiando o faraó, ou Rabi Akiva e os Sábios desafiando o poderoso Império Romano. Isso é algo que você descreveria como comportamento “ortodoxo”?

Ser judeu é rebelar-se. Recusar-se a atender o telefone no Shabat é uma rebelião contra a tecnocracia. Manter-se casher é uma rebelião contra o consumismo. Levantar-se cedo pela manhã para se embrulhar num xale grande e branco, torcer correias de couro e colocar caixas sobre o braço e a cabeça, juntar-se a outros em fórmulas místicas e ler num rolo antigo, é uma rebelião flagrante contra tudo que é considerado normal na vida moderna.

Você conhece a história do rabino que está de pé na rua procurando o décimo homem para seu minyan? Finalmente, ele encontra um judeu. Porém o judeu diz: “Desculpe, não faço parte da religião organizada.”

“Se isso é religião organizada,” exclama o rabino, “o que então estou fazendo na rua incomodando os pedestres?”

Os judeus jamais foram ortodoxos? Já houve um tempo em que suas opiniões e comportamento foram considerados normais? O faraó pensava que eram loucos porque exigiam direitos para os trabalhadores. Os romanos achavam que eles eram loucos porque não se livravam dos bebês doentes. A Igreja achava que eram perversos porque não se rendiam à fé da maioria. Os racionalistas os consideravam insanos por causa do seu misticismo, e os românticos os consideravam obtusos por causa do seu racionalismo. As Nações Unidas resolveram que os judeus são estranhos porque insistem em existir. Nesse ínterim, todos terminaram por adotar nossa inclinação, porém ainda continuamos sendo uma anomalia entre os povos. Simplesmente há muita coisa para os outros colocarem ainda em dia.

O Judaísmo jamais pode ser chamado de fora de moda, porque para começar, nunca esteve na moda.

Então, quem inventou esta contradição: “Judaísmo Ortodoxo”?

Vou lhe contar: Há duzentos anos, quando o Imperador Napoleão Bonaparte decidiu que era o Messias e que os judeus deviam ser liberados, ele designou diversos líderes da comunidade judaica para formar um Sanhedrin, uma alta corte de rabinos e eruditos, como tinha existido nos tempos antigos. Assim homenageados, eles começaram a convencer seus amigos a fazerem parte. Afinal, Napoleão era a onda do futuro. Isso era progresso.

Porém alguns rabinos não pensavam que era tamanho progresso. Napoleão, um Messias? E Paris é Jerusalém, certo? Portanto eles se recusaram. E por esta teimosa recusa em compreender o quanto eram retrógrados e não esclarecidos, foram tachados “vocês… vocês… seus RABINOS ORTODOXOS!”

“Ortodoxos, schmortodoxos,” responderam eles, “mas o sujeitinho com a mão por dentro da camisa não é o Messias!”

É mais ou menos da maneira que os hippies começaram a se denominar de “aberrações”. Algum fazendeiro em Woodstock olhou para esta juventude americana e cuspiu esse epíteto na frente das câmeras. Então eles disseram, por que se rebelar contra isso? E eles próprios se chamaram de “aberrações”.

Meu rabino disse certa vez: “Rótulos são para camisas.” Tudo bem, há outras coisas que podem levar rótulos. Como os templos reformistas, sinagogas conservadoras, bosques reconstrucionistas. Porém os judeus que você vai encontrar nesses locais têm apenas um rótulo: judeus. Porque “judeu” não é um termo comportamental. É um estado de ser, essencial. Não é onde você está, é de onde você faz parte.

Portanto se alguém lhe pedir para descrever os três tipos de judeus de hoje, responda conforme segue:

Há três tipos de judeus:

1 – Judeus que cumprem mitsvot.
2 – Judeus que cumprem mais mitsvot.
3 – Judeus que cumprem ainda mais mitsvot.

E isso porque um judeu mal consegue respirar sem cumprir uma mitsvá. Eles são simplesmente não-ortodoxos demais.

fonte: site do Beit Chadad

Tenha um sábaso de paz !
Fernando Rizzolo

Caridade: um ato de justiça

*por Yanki Tauber

Baseado nos ensinamentos do Lubavitcher Rebe

O conceito caridade é praticamente inexistente na tradição judaica. Os judeus não fazem caridade: em vez da caridade, o judeu faz tsedacá, justiça. Quando um judeu faz uma contribuição em dinheiro, tempo ou recursos aos necessitados, não está sendo benevolente, generoso ou “caridoso”. Está fazendo aquilo que é certo e justo.

Conta-se a história de um rico chassid que certa vez recebeu uma carta de seu Rebe, Rabi Abraham Yehoshua Heshel de Apt, pedindo-lhe para contribuir com 200 rublos para salvar um colega chassid da ruína financeira. O chassid contribuía regularmente para as obras de caridade de seu Rebe, mas esta carta específica chegou numa ocasião não muito propícia sob o ponto de vista financeiro, e continha um pedido de uma quantia vultosa; após alguma deliberação, o chassid decidiu não responder ao pedido do Rebe.

D’us poderia ter distribuído porções iguais de Seu mundo a todos os habitantes. Mas então o mundo não teria sido mais que uma exibição dos poderes criativos de D’us, previsível como um jogo de computador e estático como uma prateleira de museu.

Pouco depois, a fortuna do chassid começou a diminuir. Uma das empresas teve sérios prejuízos, outra faliu, e então outra; não demorou muito para que ele perdesse tudo que tivera.

“Rebe” – queixou-se ele, quando foi admitido na sala de Rabi Abraham Yehoshua – “sei por que isso me aconteceu. Mas meu pecado foi tão grave para merecer uma punição assim severa? E é certo punir sem um aviso? Se você tivesse me falado como era importante doar aqueles 200 rublos, eu teria cumprido suas instruções ao pé da letra!”

“Mas você não foi punido, de forma alguma” – replicou o Rebe.

“O que está dizendo? Toda minha fortuna me foi tirada!”

“Nada que lhe pertencesse foi tirado de você” – disse o Rebe.

“Veja, quando minha alma desceu à terra, uma determinada quantidade de recursos materiais foi designada para que eu usasse em meu trabalho. No entanto, meus dias e noites são usados para a prece, o estudo e ensinamento da Torá, e a aconselhar aqueles que me procuram pedindo orientação; de modo que não há tempo para administrar todo aquele dinheiro. Então, estas reservas foram colocadas sob a guarda de diversos ‘banqueiros’ – pessoas que reconheceriam sua tarefa de apoiar minha obra. Quando você deixou de cumprir seu papel, minha conta com você foi transferida para outro banqueiro.”

Em nosso mundo, tão flagrantemente – e por vezes violentamente – dicotomizado pela prosperidade e pela pobreza, existem duas perspectivas gerais sobre riqueza e propriedade:

a – Que estas são possessões legítimas daqueles que as ganharam ou herdaram. Se escolherem compartilhar mesmo uma pequena parte de suas posses com outros, este é um ato nobre, que merece louvores e elogios.

b – Que a distribuição desigual dos recursos da terra entre seus habitantes é um engodo. Possuir mais que a cota do outro é uma injustiça, chega a ser um crime. Doar aos necessitados não é “uma boa ação”, mas a retificação de um erro.

A tradição judaica rejeita estas duas opiniões.

Segundo a lei da Torá, dar aos necessitados é uma mitsvá – um mandamento e uma boa ação. Isso significa que, por um lado, não é um ato arbitrário, mas um dever e uma obrigação. Por outro lado, é uma boa ação – um crédito àquele que reconhece seu dever e cumpre sua obrigação.

O judeu acredita que riqueza material não é um crime, mas uma bênção de D’us. Alguém que tenha sido abençoado a esse ponto deve considerar-se um “banqueiro” de D’us – foi privilegiado pelo Criador com o papel de distribuir os recursos de Sua criação a outros.

D’us poderia ter distribuído porções iguais de Seu mundo a todos os habitantes. Mas então o mundo não teria sido mais que uma exibição dos poderes criativos de D’us, previsível como um jogo de computador e estático como uma prateleira de museu. D’us desejava um mundo dinâmico – um mundo no qual o homem, também, fosse um criador e provedor. Um mundo no qual os controles têm, até certo ponto, sido entregue a seres que têm o poder de escolher entre cumprir ou renegar seu papel.

Assim, a Lei Judaica exige que todos dêem tsedacá – até mesmo aquele que é sustentado pela tsedacá dos outros. Se o propósito de tsedacá fosse apenas retificar a distribuição desigual de riqueza entre ricos e pobres, esta lei não faria sentido. Tsedacá, no entanto, é muito mais que isso: é a oportunidade concedida a todos de ser tornarem “um parceiro com D’us na criação.”

Dar tsedacá é, acima de tudo, um exercício de humildade. Perante nós está um ser humano menos afortunado que nós mesmos. Sabemos que D’us poderia facilmente ter dotado esta pessoa de tudo que ela precisa, em vez de nos enviar para prover suas necessidades. Aqui está alguém que sofre com a pobreza a fim de nos proporcionar a oportunidade de fazer um ato Divino!

Pelo mesmo raciocínio, se a Divina Providência nos colocou do lado receptor de um ato de caridade, não precisamos nos sentir desmoralizados pela experiência. Sabemos que D’us poderia facilmente ter nos dado Ele mesmo aquilo que precisamos, e que nossa necessidade de ajuda humana é meramente para dar a outra pessoa a capacidade de realizar um ato Divino. Nosso “benfeitor” está nos dando dinheiro ou algum outro recurso; estamos lhe dando algo muito mais importante – a oportunidade de tornar-se um parceiro de D’us na criação.

Nas palavras de Nossos Sábios: “Mais que o rico dá para o pobre, o pobre dá para o rico.”

Fonte: site do Beit Chabad
Baseado nos ensinamentos do Lubavitcher Rebe, transmitido por Yanki Tauber

Tenha um sábado de paz !!
Ajude a Casa Hope…..

Fernando Rizzolo

Doleiros dizem que Igreja Universal enviou R$ 400 milhões ao exterior

Igreja Universal do Reino de Deus é acusada de ter enviado para o exterior cerca de R$ 5 milhões por mês entre 1995 e 2001 em remessas supostamente ilegais feitas por doleiros da casa de câmbio Diskline, o que faria o total chegar a cerca de R$ 400 milhões. A revelação foi feita por Cristina Marini, sócia da Diskline, que depôs ontem ao Ministério Público Estadual e confirmou o que havia dito à Justiça Federal e à Promotoria da cidade de Nova York.

O criminalista Antônio Pitombo, que defende a igreja e seus dirigentes, nega as acusações.

Cristina e seu sócio, Marcelo Birmarcker, aceitaram colaborar com as investigações nos dois países em troca de benefícios em caso de condenação, a chamada delação premiada. Cristina foi ouvida por três promotores paulistas. Ela já havia prestado o mesmo depoimento a 12 promotores de Nova York liderados por Adam Kaufmann, o mesmo que obteve a decretação da prisão do deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), nos Estados Unidos – ele alega inocência.

Os doleiros resolveram colaborar depois que a Justiça americana decidiu investigar a atividade deles nos Estados Unidos com base no pedido de cooperação internacional feito em novembro de 2009 por autoridades brasileiras. Em Nova York, eles são investigados por suspeita de fraude e de desvio de recursos da igreja em território americano.

Seus depoimentos foram considerados excelente pelos investigadores. Ela afirmou aos promotores que começou a enviar dinheiro da Igreja Universal para o exterior em 1991. As operações teriam se intensificado entre 1995 e 2001, quando remetia em média R$ 5 milhões por mês, sempre pelo sistema do chamado dólar-cabo – o dono do dinheiro entrega dinheiro vivo em reais, no Brasil, ao doleiro, que faz o depósito em dólares do valor correspondente em uma conta para o cliente no exterior. Cristina disse que recebia pessoalmente o dinheiro.

Subterrâneo. Na maioria das vezes, os valores eram entregues por caminhões e chegavam em malotes. Houve ainda casos, segundo a testemunha, que ela foi apanhar o dinheiro em subterrâneos de templos no Rio.

Cristina afirmou que mantinha contato direto com Alba Maria da Silva Costa, diretora do Banco de Crédito Metropolitano e integrante da cúpula da igreja, e com uma mulher que, segundo Cristina, seria secretária particular do bispo Edir Macedo, fundador e líder da igreja.

De acordo com a testemunha, ela depositou o dinheiro nos EUA e em Portugal. Uma das contas usadas estaria nominada como “Universal Church”. Além dela, os promotores e procuradores ouviram o depoimento de Birmarcker. Ele confirmou a realização de supostas operações irregulares de câmbio para a igreja, mas não soube informar os valores.

Os doleiros Cristina e Birmarcker estão na relação de investigados no Caso Banestado (inquérito federal sobre evasão de divisas). Em 2004, foram alvo da Operação Farol da Colina – maior ofensiva da história da Polícia Federal contra crimes financeiros no País. Cristina e Birmarcker foram presos na ação e hoje respondem a processo na 2.ª Vara Federal Criminal de São Paulo.

No Brasil, Macedo e Alba estão entre os diretores do chamado Grupo Universal processados sob as acusações de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro obtido de fiéis por meio de estelionato. Alba representaria no País as empresas Investholding e Cableinvest, ambas sediadas em paraísos fiscais. A acusação sustenta que elas seriam usadas para a lavagem de dinheiro.

Provas. Os promotores brasileiros têm ainda como prova um relatório financeiro feito pelo Ministério Público Federal que relaciona algumas remessas supostamente ilegais feitas pela Diskline para a Cableinvest. A empresa teria movimentado recursos por meio da conta Beacon Hill, no JP Morgan Chase Bank, de Nova York, mantida pelos doleiros.

As provas sobre essas remessas foram encontradas em um CD apreendido na sede da casa de cambio pela PF. Uma tabela descreve remessas que totalizam R$ 7,5 milhões (em valores da época) feitas entre agosto de 1995 e fevereiro de 1996.

Na esfera estadual, as investigações seguem em duas frentes – uma comandada pela Promotoria do Patrimônio Público e Social e outra pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). A primeira pode levar ao bloqueio e à perda dos bens dos diretores da igreja no Brasil. A segunda investigação pode levar à condenação criminal dos acusados.
agencia estado

Rizzolo: Bem, esta não é a primeira vez que surgem acusações contra a Igreja Universal, que evidentemente devem ser apuradas com o rigor apropriado. Contudo, ao que parece, existe em determinados segmentos da mídia uma verdadeira cruzada contra as atividades da referida Igreja, e aos evangélicos de uma forma geral, o que leva por certo à conclusão de que sempre há um componente político por trás de todas as acusações. A delação premiada é controversa, e na minha opinião pessoal, extremamente perigosa para a devida instrução criminal, portanto delação premiada, componentes políticos religiosos, conflitos de mídia, tudo pode levar à devida suspeição. Enfim apurar é o papel do Ministério Público.

Inteligente e Correto

*Por Eliezer Cohen

Ser inteligente e correto são dois conceitos com os quais convivemos diariamente. Cada um de nós, à nossa própria maneira, tenta viver de modo tal que reflita tanto profundidade intelectual quanto comportamento virtuoso. Muitos acreditam que habilidade intelectual produz a ação correta, e de fato, o indivíduo inteligente tem a oportunidade de avaliar suas ações para assegurar-se que o resultado será correto.

Porém é possível que habilidade intelectual seja a base da ação correta? E quanto àqueles que não foram abençoados com uma mente rápida? As pessoas mais lentas estão fadadas a ser “os perversos” de nossa geração?

Sobre este tópico, há uma famosa parábola judaica que ilustra claramente o relacionamento entre inteligência e integridade.

Certa vez, dois eruditos estavam sentados discutindo vários tópicos da Torá. O anfitrião trouxe uma chávena de chá a cada um dos distintos sábios. Em seguida, voltou com um prato contendo dois deliciosos biscoitos, um para cada visitante.

Um dos biscoitos era obviamente maior que o outro, e o menor deles estava um tanto esmigalhado. Cada um dos eruditos olhou para o prato e constatou a desigualdade. As regras da etiqueta exigem que a pessoa que se serve primeiro, como prova de finesse, deve pegar o menor, demonstrando assim consideração e estima pelo amigo. Não somente isso, como também era costume que o erudito mais notável se servisse em primeiro lugar. No entanto, não seria de bom tom declarar-se um erudito mais importante, pois isso trairia a fachada de humildade que cada sábio mantém sobre si mesmo.

Cada um deles queria o biscoito maior, e portanto nenhum ousava servir-se primeiro.

Ambos os eruditos esperaram pacientemente que o outro pegasse o biscoito, Porém nenhum esticou a mão para apanhá-lo.

“Rabi Yankel, por gentileza, o senhor é um renomado erudito, queira servir-se primeiro.”

“Não, meu caro Rabi Schmendel, sou como o pó de suas botas. Deve servir-se antes de mim.”

E assim foi, cada qual tentando convencer o outro a servir-se em primeiro lugar.

Sentaram-se então em silêncio por alguns instantes. Finalmente, um dos sábios esticou a mão e agarrou o biscoito grande.

Enquanto o levava até a boca, o outro exclamou: “Não acredito que o senhor cometeu ato tão inconveniente! O senhor, um verdadeiro erudito de Torá, de família tão distinta, como pôde comportar-se de maneira degradante, pegando o biscoito maior?!?”

“Ora, caro amigo, o que teria feito em meu lugar?”

” Se eu tivesse me servido primeiro, obviamente teria pegado o biscoito menor” – explicou o amigo.

“Hummm” retorquiu o primeiro – “neste caso, do que reclama? Não recebeu o biscoito menor?”

A moral:

Vivemos segundo diversas regras e costumes. A diferença entre pessoas simples e homens inteligentes é que o simplório não tem os argumentos para justificar sua transgressão. Uma pessoa inteligente pode fazer com que seu erro não pareça ser um erro, e um indivíduo extremamente sagaz pode nos convencer que, não somente aquilo não foi uma transgressão, como na verdade foi um ato correto. E uma pessoa excepcionalmente inteligente pode nos fazer acreditar que, não somente nenhum erro foi cometido, e ele não apenas é um homem íntegro, como na verdade aquilo foi feito única e exclusivamente para nosso próprio benefício.

Durante a Inquisição Espanhola, muitos dos eruditos converteram-se ao Cristianismo, ao passo que as pessoas simples deram a vida para santificar o Sagrado Nome de D’us, sofrendo mortes horríveis e proclamando Shemá Yisrael enquanto a alma abandonava seu corpo sofrido. Aquelas pessoas inteligentes convenceram a si mesmas que era melhor converter-se que morrer, que sua conversão era apenas uma fachada. Os indivíduos mais simples não puderam se convencer disso – a conversão era estritamente proibida.

Obviamente, D’us criou os homens com capacidades intelectuais variadas. Ele espera que nós, não importa se intelectualmente aguçados ou vagarosos, nos comportemos de maneira íntegra.

Nossa tarefa é não sermos levados por pessoas habilidosas que tentam nos fazer acreditar que suas ações são corretas. E mais ainda, cabe às pessoas realmente inteligentes não se deixarem convencer por sua própria inteligência de que estão sempre corretas. Uma pá é uma pá, e um pecado é um pecado.
fonte: site do Beit Chabad

Tenha um sábado de paz !

Fernando Rizzolo

Não Mate o Amor

*Por Rabino YY Jacobson

Cultivando a sensibilidade para com as aves (Parashá Tazria)
O Gênero dos Computadores

Por que os computadores devem ser considerados masculinos:
1 – Eles têm muitos dados mas ainda não têm noção
2 – Eles deveriam ajudar você a resolver seus problemas, mas na metade do tempo eles são o problema.
3 – Assim que você compra um, percebe que, se tivesse esperado um pouco mais, poderia ter tido um modelo melhor e muito mais barato.

Por que os computadores devem ser considerados femininos:
1 – Ninguém, exceto seu criador, entende sua lógica interior.
2 – A linguagem nativa que eles usam para se comunicar com outros computadores é incompreensível para o restante.
3 – Até mesmo os seus menores erros são armazenados na memória a longo prazo para depois serem recuperados.
4 – Assim que você compra um, gasta metade do seu salário comprando acessórios para ele.

Procurando as Discrepâncias
Os judeus sabem há muito tempo que a Bíblia Hebraica somente pode ser realmente apreciada quando se presta atenção não apenas à narrativa e mensagem explícitas, mas também às aparentes discrepâncias do texto, falhas gramaticais e sintaxe incomum. De fato, um dos aspectos mais aparentes da cultura judaica bíblica produzida no decorrer dos dois milênios e meio passados é sua interpretação incrivelmente rica dos erros aparentes da Torá, um estudo que escapou quase que por completo do olho de muitos críticos da Bíblia nos dois séculos passados.

Gostaria de chamar sua atenção a uma dessas pequenas anomalias na porção dessa semana da Torá, Tazria, a qual, quando se reflete sobre ela, nos mostra a atitude majestosa da Torá em relação ao cultivo da sensibilidade e empatia.

Oferendas após o nascimento
O início da porção dessa semana, Tazria, discute a oferenda que toda mulher judia levava na época do Templo após o nascimento de um filho. Essa oferenda, representando a cura e dedicação após o parto, era levada quarenta dias após o nascimento de um menino, e oito dias após o nascimento de uma menina.

O tipo dessa oferenda dependia em grande parte dos meios financeiros da família. Eis aqui como a Torá a descreve (1):

“Ela deve levar uma ovelha dentro do primeiro ano para uma oferenda de elevação, e um filhote de pomba ou uma rolinha.

“Mas se ela não puder comprar uma ovelha, então ela deverá levar duas rolas ou dois filhotes de pomba e ficará purificada.”

A Anomalia
Parece bem claro e objetivo. Porém o estudante esclarecido da Torá perceberá uma falha aqui. A Torá já discutiu várias vezes a possibilidade de indivíduos específicos levando rolas ou pombinhas como oferenda a D’us (2). Mais tarde, também, a Torá irá discutir repetidamente este tipo de oferenda (3). Em cada um desses exemplos, a Torá menciona primeiro a rola (tor, em hebraico), e somente depois a pombinha (ben yonah, em hebraico). Aqui também, ao discutir a oferenda levada pela mulher que possui menos meios, a Torá declara: “ela deverá levar duas rolas ou dois filhotes de pomba.” Em todas as nove vezes em que essa oferenda é discutida na Bíblia, a rola precede o filhote de pomba.

Há uma exceção, por incrível que pareça. Em nossa porção, enquanto discute a oferenda levada pela mulher com melhores condições financeiras, a Torá declara (como foi registrado acima): “Ela levará uma ovelha dentro de seu primeiro ano para uma oferenda de elevação, e uma pombinha ou uma rola.” Aqui, de repente, a ordem é mudada. Primeiro a pequena pomba, e somente depois a rola adulta, Por quê?

Os Pares
Uma das mais notáveis personalidades legais e espirituais da Idade Média, Rabino Jacob Ashkenazi (nascido na Alemanha em 1270 e falecido em 1343 em Toledo, Espanha), em seu comentário sobre a Torá conhecido como “Baal Haturim”, oferece uma resposta simples mas bastante comovente, em apenas duas linhas.

Toda vez que a oferenda da ave é mencionada na Torá, diz Rabino Jacob, é sempre no contexto de um par de rolas ou um par de pombinhas. A citação acima é um exemplo: “Mas se ela não puder comprar uma ovelha, então deve pegar duas rolas ou duas pombas jovens.” As aves são oferecidas aos pares.

A única exceção é a mulher que tem mais meios, que, após o parto, oferece uma ovelha e uma ave. Aqui a Torá declara: “Ela levará uma ovelha e uma pomba jovem ou uma rola.” É por isso que a Torá, nesse exemplo, muda a ordem das aves, mencionando primeiro a pomba jovem, e não a rola mais velha.

A Torá está tentando nos ensinar que no caso em que uma única ave é oferecida, deve-se dar preferência à pomba jovem sobre a rola mais adulta. A rola mais velha deveria ser levada apenas como último recurso, se não puder ser encontrada uma pomba jovem. Essa exigência não se aplicaria quando um par de aves está sendo oferecido junto.

Lealdade de uma pomba
A lógica por trás disso é comovente.

A maioria dos animais não aprecia relacionamentos monogâmicos. Quase todos os animais pertence à categoria de “quanto mais melhor”, na qual estão constantemente trocando de parceiros, mesmo numa única estação. O chimpanzé macho, por exemplo, chega ao ponto de convidar fêmeas diferentes apenas abrindo as pernas. Criaturas como os peixes (em especial o ouriço do mar) vão ainda mais longe. Liberam seus ovos e semente no mar e esperam que alguns deles se encontrem e fertilizem.

Há algumas poucas exceções à tendência não-monogâmica entre os animais: uma delas é a pomba. Muitas (embora não todas) as aves da família das pombas são fiéis aos seus parceiros, às vezes durante muitas estações e até mesmo anos. Na verdade, o Talmud declara (4) que se a Torá não tivesse sido outorgada, teríamos aprendido como ser fiéis aos nossos esposos através do comportamento das pombas.

As palavras apaixonadas expressas pelo noivo à noiva no Cântico dos Cânticos(5): “Veja, você é minha amada; veja, você é linda, seus olhos são pombas,” são entendidas no Midrash (6) como o profundo elogio de D’us ao povo judeu. “Assim como a pomba, a partir do momento em que reconhece seu parceiro jamais o troca por nenhum outro, também o povo judeu, a partir do momento em que reconheceu D’us, jamais O substituiu por qualquer outra deidade.”

A Lição
Existem até mesmo determinadas pombas que pranteiam a morte do parceiro, não escolhendo facilmente um outro. É por isso que no caso de uma mulher que oferece somente uma pomba, a Torá está insistindo conosco para evitarmos pegar uma única pomba adulta como oferenda, pois poderíamos estar privando seu (sua) parceiro(a) dele ou dela, que ascendeu a D’us. A preferência deve ser uma pomba jovem, que ainda não começou a cruzar. Em todos os outros exemplos, porém, onde a instrução é oferecer duas pombas, nenhum parceiro perderá seu companheiro, daí a Torá não dar preferência às pombas jovens sobre as adultas.

Isso transmite uma profunda lição sobre a sensibilidade que a Torá exige de nós quanto aos sentimentos dos animais, até mesmo com uma ave que sobra depois que seu parceiro é oferecido a D’us. Certamente, isso nos diz o quanto devemos honrar a dignidade e os sentimentos de um ser humano. Muito mais então devemos honrar e prezar as emoções de nossos parceiros na vida.

Fonte: site do Beit Chabad

Tenha um sábado de paz

Fernando Rizzolo

Quem vai salvar o bebê?

*Por Sara Yoheved Rigler – aish.com

Se alguém no Gueto de Cracóvia jamais teve uma chance de sobreviver ao Holocausto, foi Avraham Shapiro. Aos 22 anos, ele era um jovem inteligente e engenhoso cuja mente tinha sido cultivada durante anos de estudo na yeshivá. Ele sabia que os alemães estavam dispostos a aniquilar todos os judeus, e tomou as precauções necessárias para salvar a si mesmo e seus pais idosos. Conseguiu documentos de identidade falsos de primeira qualidade para os três membros da família, como estrangeiros. Construiu e estocou um bunker num local afastado, por baixo do gueto. Procurou um mapa dos esgotos e planejou uma fuga para o dia em que o gueto seria liquidado. Seu plano mestre era escapar para a Hungria, onde estaria seguro.

Então um dia uma vizinha de 18 anos, Chaya Rivca, bateu à porta de Shapiro segurando um bebê. A criança, com 20 meses de idade e que não podia ficar de pé nem sentar-se por si mesmo, era seu sobrinho Chaim. Seus pais tinham sido mandados para Treblinka. Chaya Rivca sabia que os Shapiro tinham documentos de cidadania estrangeira. Ela calculara que de todos os judeus do Gueto, os Shapiro tinham a maior chance de escapar. Ela tinha abordado a família Shapiro diversas vezes, pedindo-lhes para levar o bebê com eles em segurança, mas eles tinham recusado. Um bebê seria provavelmente algo que colocaria em risco suas próprias chances de sobrevivência.

Porém este dia – 11 de março de 1943 – foi diferente. Chaya Rivca tinha recebido um aviso de que estaria sendo deportada a um campo de trabalho. Ela simplesmente não podia levar o bebê junto. Com soluços de cortar o coração, ela implorou a Avraham, que era o único em casa naquele momento, para levar o bebê. Avraham – o pensador lógico, o planejador cuidadoso – estava preparado para superar os nazistas, mas naquele dia ele superou seu próprio caráter. Como ele declararia mais tarde: “Minha compaixão dominou meu intelecto, e decidi aceitar a criança.”

Quando seus pais chegaram em casa e viram Avraham com o bebê no colo, ficaram consternados. Como podia ele colocar três vidas em perigo por causa de um ato de compaixão impensada? Avraham respondeu que o bebê agora era dele, e ou a criança escapava com eles, ou permaneceriam todos no gueto condenado.

A necessidade imediata de Avraham era forjar uma certidão de nascimento provando que o bebê era seu. Ele conhecia um rabino que tinha um carimbo oficial, mas onde encontrar um formulário? De alguma forma Avraham conseguiu encontrar uma máquina de escrever. Ele jamais tinha datilografado na vida, mas ficou acordado a noite toda, e ao raiar do dia tinha produzido uma certidão de nascimento passável.

“Naquele momento,” escreveu Avraham mais tarde, “nascia um filho para Avraham Shapiro.”

“Todos nós juntos!”
Dois dias depois os alemães liquidaram o Gueto de Cracóvia. Reuniram os judeus numa grande praça e os dividiram em dois grupos para deportação: os jovens para o trabalho, os idosos para asilos, e as crianças para residências infantis. Avraham sabia que tudo não passava de uma farsa. “Jamais acreditei nos alemães e sempre tentei fazer o contrário daquilo que eles diziam.”

Quando alguém tentou tirar o bebê dele, Avraham recusou-se a entregá-lo, gritando: “Todos nós juntos!”

Naquele dia seria impossível alcançar o bunker que ele tinha preparado porque ficava na outra metade do gueto, separado por uma cerca de arame farpado. Avraham entregou o bebê para sua mãe e disse aos pais para não cederem. Ele encontraria um esconderijo temporário e voltaria para apanhá-los.

Após uma busca desesperada, ele encontrou um prédio vazio com degraus que iam da entrada até um porão. Em meio ao perigo, ele conseguiu levar seus pais e o bebê para lá. Avraham sabia que os alemães procurariam em todos os prédios e porões, mas a Divina Providência tinha fornecido a eles uma proteção insuspeita. Alguém no edifício tinha tido problemas de encanamento, e nas circunstâncias desesperadas do gueto não pudera encontrar um encanador. Portanto, tinham enchido um barril enorme com os dejetos do banheiro, e colocado o barril na escadaria. Com grande esforço, Avraham conseguiu virar o barril, derrubando excremento em todos os degraus que levavam ao porão. Ele calculou que os altivos germânicos não estariam dispostos a sujar as botas para procurar judeus.

Naquela noite ele ouviu os alemães entrarem no prédio. Para impedir que o bebê chorasse, o que os denunciaria, eles tinham planejado dar-lhe comida, mas tinham apenas chalá seca sem água para amaciá-la e torná-la comestível. Portanto Avraham e seus pais mastigaram rapidamente a chalá, cuspiram, e alimentaram o bebê com os pedaços amolecidos. Eles ouviram os nazistas reclamando do mau cheiro. Avraham estava certo; eles não se dignaram a descer até o porão.

Foi naquela noite, após a liquidação do gueto, que Avraham tinha planejado escapar através dos esgotos até o “lado ariano” de Cracóvia. Olhando para o bebê, no entanto, ele se viu frente a frente com um dilema. Ele ouvira falar de judeus que tinham fugido pelos esgotos com os filhos, e as crianças tinham sufocado no caminho. Não, decidiu ele, não arriscaria a vida do bebê escapando pelos esgotos. Teria de pensar num plano diferente.

Avraham sabia que eles não poderiam ficar no porão por muito tempo. Eles teriam de ir até o bunker que ele tinha preparado, mas uma cerca de arame farpado bloqueava o caminho. Avraham usando um canivete e força sobre-humana, conseguiu cortar o arame e fazer um buraco na cerca. Correndo sem parar pelas ruas, vazias de pessoas vivas mas coalhadas de corpos de judeus, a família Shapiro conseguiu chegar ao bunker.

Avraham tinha instalado previamente uma lâmpada elétrica, cortando fios da parede de seu apartamento e conectando-os no bunker. No entanto, não havia como canalizar água. Todos os dias Avraham tinha de subir e apanhar água de uma torneira. Um dia foi apanhado, Apesar de seus protestos de que eram cidadãos estrangeiros com os documentos para provar isso, os três e mais o bebê foram enviados à prisão da Gestapo.

O fogo do Amor
Usando uma cigarreira de ouro pesando 250 gramas, eles conseguiram subornar um guarda e sair da prisão. Fugiram imediatamente de Cracóvia para uma aldeia nas proximidades, onde alugaram um quarto para se esconder. Era outono, 1943. A Hungria era praticamente o último país na Europa onde a “Solução Final” não fora implementada. Contrataram um guia para contrabandeá-los pela fronteira até a Eslováquia, e de lá para a Hungria.

Durante a jornada eles se alimentaram de batatas cruas, que mastigavam, regurgitavam e davam para o bebê. A noite do Shabat, 28 de outubro, encontrou-os no meio da floresta próxima à fronteira polonesa. A família estava cansada, com frio, e com medo de ser descoberta. O guia anunciou abruptamente que teriam de passar a noite ali porque não poderiam cruzar a fronteira naquela noite. E sem mais uma palavra, o guia desapareceu.

Os Shapiro começaram a se arrumar para dormir. Avraham, que tinha carregado Chaim o tempo todo, percebeu de repente que o bebê esta mole, silente, e não se movia. Retirou rapidamente as roupas dele e viu que o bebê estava azulado.

Tremendo de medo, Avraham juntou madeira e galhos e acendeu um fogo para aquecer o bebê de volta à vida. Era um ato de requintada irracionalidade. O fogo era um anúncio de seu paradeiro, mas a compaixão de Avraham mais uma vez dominou seu intelecto. Ele segurava o bebê o mais próximo do fogo que podia sem arriscar sua segurança, virando-o de um lado para o outro, enquanto a Sra. Shapiro secava e aquecia as roupas do bebê.

Chaim reviveu. Recuperou a cor e começou a se mover. E Avraham que muitas vezes já tinha arriscado a vida durante o Holocausto, se lembraria desses minutos com medo pela vida do bebê como os mais traumáticos da guerra.

Eles esperaram durante todo o Shabat, perguntando-se se o guia iria voltar. Quando caiu a noite, o guia apareceu. Quando viu as cinzas da fogueira, ficou furioso pela falta de cuidado deles.

Estava na hora de prosseguir rumo à fronteira. Para impedir a repetição da calamidade, Avraham pegou um lençol e amarrou o bebê junto ao peito, de frente para ele. Assim ele podia verificar o bem-estar de Chaim, embora seu campo de visão ficasse prejudicado. Caminhando sobre pedras e terreno acidentado, que não podia ver, Avraham a certa altura tropeçou, rasgando a sola do sapato. Amarrou alguns trapos ao redor do pé e continuou andando. Horas depois cruzaram a fronteira da Eslováquia.

“Para o bem da criança”
Finalmente os fugitivos chegaram a Budapeste. Foram alojados em bairros de refugiados. Uma operária judia, ao saber que eles estavam com um bebê órfão que não era deles, sugeriu que o entregassem à família Schonbrun, um casal judeu religioso sem filhos e muito rico.

No Gheto

Dessa vez o intelecto e a compaixão de Avraham convergiram. O pequeno Chaim, agora com dois anos, era mal nutrido e doentio, e ainda não conseguia sentar-se sozinho. Avraham sabia que o bebê precisava de um lar estável e normal, onde recebesse três refeições por dia e estivesse a salvo do perigo que ainda pairava sobre a família Shapiro. Ele ficou impressionado, não com a luxuosa mobília da casa, mas pelas enormes estantes repletas de livros sagrados. Confiante de que estava fazendo o melhor para Chaim, Avraham entregou o menino aos Schonbrun.

Quando Avraham ocasionalmente encontrava o Sr. Schonbrun na sinagoga e perguntava sobre Chaim, recebia apenas respostas evasivas. Avraham deduziu que o casal não queria que Chaim soubesse de seu passado. “Distanciei-me da família,” escreveu Avraham, “para o bem da criança.”

Em 19 de março de 1944, os alemães dominaram a Hungria. Numa noite de Shabat dois meses depois, Avraham e seu pai foram apreendidos na sinagoga. Foram transferidos de um local para outro até que finalmente foram colocados num vagão de carga fechado que ia para Auschwitz. Com uma faca que comprara de um sapateiro, Avraham conseguiu aumentar o tamanho de uma janela minúscula no vagão. Enquanto o trem corria pela Eslováquia a caminho do campo da morte, Avraham e seu pai saltaram.

Eles passaram o resto da guerra na Eslováquia, disfarçados de gentios. Assim que os russos libertaram a Eslováquia, Avraham e seu pai voltaram a Budapeste, para a casa onde tinham deixado a Sra. Shapiro há quase um ano. Quando abriram e porta, a encontraram sentada à mesa comendo um pedaço de matsá. Era o primeiro dia de Pêssach, a Festa da Liberdade.

A caixa
Apenas uma vez na Budapeste do pós-guerra Avraham avistou o pequeno Chaim. A criança estava andando (sim, andando!) na rua com a babá. “Meus olhos se encheram de lágrimas,” escreveu Avraham em suas memórias, “mas não me aproximei do menino.”

A Hungria comunista não era lugar para judeus religiosos. Pouco depois da guerra, os Schonbrun partiram para a Bélgica, depois Montreal, no Canadá, onde Chaim cresceu e por fim se casou. Em 1950, Avraham Shapiro casou-se e foi morar em Israel.

Porém a trama de suas vidas, tecida junto por uma compaixão mais forte que a lógica ou mesmo o amor à vida, não foi cortada. Avraham procurava sempre se informar sobre Chaim, e a Divina Providência conspirou para que a tia da mulher de Chaim, que morava em Haifa, fosse grande amiga da Sra. Avraham Shapiro.

Alguns anos após seu casamento, Chaim soube por um tio que morava na Bélgica: “Há um judeu em Israel que carregou você da Polônia até a Hungria, e salvou sua vida.” Chaim, no entanto, não tinha idéia sobre a identidade de seu benfeitor, que continuava a observá-lo de longe.

Em 1980, quando contava 39 anos, Chaim levou a família a Israel para o bar mitsvá de seu filho. A tia de sua mulher enviou uma mensagem a Chaim, dizendo que o judeu que lhe salvara a vida se chamava Avraham Shapiro. Avraham então com 60 anos, morava em Haifa e finalmente estava pronto para encontrar Chaim.

Naquele mesmo dia, Chaim tomou um táxi de Jerusalém a Haifa. “Nosso encontro foi bastante emotivo.” relembra Chaim. “Ambos choramos muito, e conversamos durante horas.”

Foi o início de um vínculo afetivo entre as duas famílias. Durante os 27 anos que se seguiram, Avraham tem comparecido aos casamentos de todos os filhos de Chaim, e Chaim tem comparecido aos casamentos de todos os netos de Avraham. “Somos muito, muito ligados,” atesta Chaim. “Eu o considero quase como um pai, e ele me considera um filho.”

O portão do Gueto de Cracóvia

Mas por que Avraham não fez contato com Chaim mais cedo? Por que ele demorou 35 anos para reconectar?

A resposta talvez esteja contida numa caixa. Antes de se separarem naquele dia em 1980, Avraham contou a Chaim: “Tenho algo para lhe dar.” Entregou a ele uma caixa, dizendo: “Esperei 35 anos para lhe dar isso.”

Chaim abriu a caixa e viu que estava repleta de pedaços de ouro. Avraham explicou que antes de a mãe de Chaim ser enviada a Treblinka, ela dera aquela caixa cheia de ouro para a irmã mais nova Chaya Rivca, e encarregou-a de usar o ouro para salvar a vida de seu único filho. Quando Avraham concordou em pegar o bebê, Chaya Rivca transferiu a caixa para ele.

Durante sua fuga da Polônia, a família Shapiro usou seu próprio suprimento de ouro. Avraham foi forçado, relutantemente, a utilizar o ouro do pequeno Chaim. Quando chegaram a Budapeste, nada restava. Isso aborrecia muito a Avraham. “Eu tinha feito uma mitsvá de salvar uma vida,” explicou Avraham a Chaim, “e não queria vender esta mitsvá por quantia alguma de ouro.”

Depois da guerra, assim que Avraham começou a trabalhar, deixava de lado parte de seu salário todas as semanas para comprar ouro. Foram precisos 35 anos, mas finalmente ele tinha a quantia exata de ouro originalmente contida na caixa da mãe de Chaim. Ele entregou a caixa a Chaim, contente por não ter tido nenhum lucro da enorme mitsvá de salvar uma vida. Chaim recusou-se a aceitar o ouro. Avraham doou-o para várias organizações de caridade em Israel, em nome de Chaim Schonbrun.

No Gueto de Cracóvia, a compaixão tinha superado o intelecto de Avraham. Nada jamais superou sua integridade.

Nota:
Shapiro é um pseudônimo. O protagonista prefere permanecer anônimo.

Fonte: Site do Beit Chabad

Tenha um sábado de paz

Fernando Rizzolo

Muito Obrigado

“Quando a Segunda Guerra Mundial terminou, em 1945, a Europa estava devastada. Os judeus haviam sido dizimados e os poucos sobreviventes tinham perdido literalmente tudo. Era o caso de um jovem rapaz polonês que havia perdido toda a sua família, seu dinheiro e até mesmo a sua saúde. Estava completamente abandonado em uma enfermaria que cuidava de feridos de guerra. Seu tio, um milionário que morava nos Estados Unidos, fez um gigantesco esforço para encontrar o rapaz. Levou-o para viver nos Estados Unidos com sua família e pagou os melhores médicos e os mais caros remédios até que ele ficou completamente curado.

Como o rapaz tinha pouco estudo, seu tio pagou também os melhores professores particulares para o prepararem para a universidade. Comprou-lhe roupas novas, servia-lhe apenas as melhores comidas e bebidas. O rapaz começou a se desenvolver e entrou em uma excelente universidade. Lá conheceu uma boa moça, terminou como um dos melhores alunos de sua turma e conseguiu um bom emprego. Após algum tempo decidiu que era hora de casar e construir sua própria família. Novamente seu tio o ajudou, pagando todo o casamento e ajudando-o em cada pequeno detalhe. Um dia antes do casamento, o jovem olhou para o tio, apertou-lhe a mão e disse:

– Tio, obrigado por tudo o que você fez por mim.

O tio ficou furioso. Agarrando-o pela gola da camisa, ele falou:

– Eu te salvei da morte, cuidei da sua saúde, te dei as melhores roupas e comidas, cuidei dos seus estudos e do seu casamento, e tudo o que você me diz é “obrigado por tudo”? É assim que você demonstra todo o seu agradecimento?”

Assim nos comportamos com D’us, que nos dá tudo: vida, comida, roupa, saúde, inteligência. E na maioria das vezes, quando nos lembramos de agradecer, dizemos apenas “muito obrigado”.

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O Shabat desta semana é conhecido como “Shabat Hagadol”, o último Shabat antes da festa de Pessach, que começa na noite da próxima segunda-feira (29 de março de 2010). Lemos a Parashá Tzav, que continua descrevendo alguns dos serviços realizados no Mishkan, entre eles os Korbanót (sacrifícios). Um Korban em especial que nos chama a atenção é o “Korban Todá” (Sacrifício de agradecimento), que era oferecido por qualquer pessoa que havia passado por um grande perigo e havia escapado com vida. Nossos sábios explicam que havia quatro casos em que a pessoa tinha que trazer o Korban Todá: ao ser libertado da prisão, após se curar de uma doença grave, após atravessar o oceano e após atravessar o deserto. Atualmente, quando não temos mais o nosso Beit-Hamikdash (Templo Sagrado), o Korban foi substituído pelo Birkat Hagomel, uma Brachá (Benção) pronunciada em público após passar por um dos quatro perigos mencionados anteriormente, em um agradecimento a D’us pela bondade de nos ter salvo.

O Korban Todá está muito relacionado com a festa de Pessach, pois a essência de Pessach é o reconhecimento e o agradecimento a D’us por todas as bondades que Ele fez conosco durante a época em que éramos escravos no Egito e fomos retirados de lá com Mão forte e Braço estendido. Grande parte da Hagadá que lemos no Seder de Pessach é composta de louvores e agradecimentos a D’us. E um dos momentos especiais de agradecimento é quando lemos o “Daienu” (Nos bastaria). Apesar de “Daienu” parecer uma divertida canção de crianças, ela nos ensina uma importante e profunda lição para nossas vidas. Uma lição de como deve ser o nosso agradecimento pelas bondades que recebemos dos outros.

Umas das maiores virtudes de um ser humano é saber ter “Acarat Hatóv” (reconhecer as bondades que recebe dos outros). Mas Acarat Hatóv não é apenas dizer “muito obrigado”, é refletir sobre todo o esforço que foi investido para que a bondade chegasse até nós. Por exemplo, quando somos convidados a jantar em uma casa, ao sair nós agradecemos pela comida. Mas precisamos lembrar quantas bondades estão por trás daquele prato de comida. Para a comida estar pronta na mesa foi necessário alguém sair para comprar os ingredientes, lavá-los, prepará-los, cozinhá-los e arrumar toda a mesa. Quando o prato de comida está sendo servido, é apenas o último estágio de uma série de bondades anteriores. Passamos às vezes uma vida inteira casados sem nos dar conta de quanto esforço nossas esposas fizeram para que a janta esteja servida na mesa na hora em que voltamos do trabalho.

É isso o que o “Daienu” nos ensina. O “Daienu” é composto de 14 “estágios” de agradecimento. Expressamos que se D’us tivesse feito bem menos por nós, mesmo assim estaríamos agradecidos, mas Ele fez mais e mais, superando nossas expectativas. Ele poderia apenas nos ter tirado do Egito, mas fez ainda mais e castigou os egípcios que nos fizeram mal. Ele poderia ter apenas nos libertado fisicamente, mas fez ainda mais e nos libertou espiritualmente, nos entregando a Torá. Ele poderia ter nos deixado no deserto, mas fez ainda mais e nos trouxe para a Terra de Israel. Quando olhamos todos os “estágios” de bondades que D’us fez conosco, fica óbvio que não é suficiente apenas um “muito obrigado”.

A palavra “Todá” (agradecimento) vem de “Lehodót”, que significa tanto “agradecer” quanto “reconhecer”. Apenas podemos agradecer de verdade quando reconhecemos o que recebemos de bom. Se uma pessoa nos dá um relógio Rolex e pensamos que é falsificado, falaremos apenas um “obrigado”. Apenas quando reconhecermos o verdadeiro valor do relógio é que nosso agradecimento será sincero.

Precisamos aplicar este ensinamento em nossas vidas. Um exemplo trazido pelo Rabino Simcha Cohen em seu livro “Tikshoret” é quando uma pessoa faz uma festa e convida muitas pessoas. Como há muitos convidados, o dono da festa muitas vezes deixa de dar uma atenção especial a alguns dos convidados. Quantas vezes fazemos uma festa e no meio de uma animada conversa com um dos convidados chega outra pessoa que nos interrompe? Como não queremos parar a conversa no meio, damos apenas um rápido “oi” e logo voltamos à conversa anterior. Talvez aquele convidado tenha feito um gigantesco esforço para poder estar na festa e não soubemos dar valor. Ele precisou deixar seus filhos sozinhos com uma baby-sitter contratada, ficou muito tempo no trânsito e pagou um alto valor para estacionar o carro. E quando a pessoa chega, após todo este esforço, é literalmente ignorada pelo dono da festa. Isto acontece apenas porque não paramos para refletir e entender os esforços que estão atrás de cada bondade que recebemos. Recebemos as bondades e achamos tudo normal e óbvio.

Ensinam os nossos sábios que se não reconhecemos o bem recebido das pessoas mais próximas, certamente nunca chegaremos a reconhecer as bondades que D’us faz conosco. Por que? Pois D’us nos faz bondades o tempo inteiro, sem interrupção. O simples fato de estarmos respirando é um ato de grande bondade de D’us. Poder abrir os olhos de manhã e enxergar é uma bondade sem tamanho. Até mesmo ir ao banheiro e verificar que o corpo está funcionando como uma máquina perfeita é uma grande bondade. Porém, se não nos acostumamos a parar e refletir, as bondades se banalizam e não conseguimos mais reconhecê-las.

Voltando à Hagadá, observamos que após o “Daienu” repetimos novamente todos os 14 “estágios” resumidamente em um único parágrafo. Por que? Para ver o quadro completo, todas as bondades juntas pronunciadas de uma só vez. Para aprendermos a dar valor a tudo o que recebemos dos outros. Para aprendermos a enxergar sempre o quadro completo. Para deixarmos de receber bondades sem perceber o esforço que está por trás delas. Somente assim poderemos um dia chegar a reconhecer e agradecer as bondades que recebemos constantemente de D’us.

SHABAT SHALOM e PESSACH KASHER VE SAMEACH (Um Pessach Kasher e alegre)

Rav Efraim Birbojm

Tenha um sábado de paz !

Fernando Rizzolo

A Consciência da Liberdade

*Por Rabino Y. Y. Jacobson

Após uma série de pragas que esmagaram o país e subjugaram seu rei, o faraó finalmente se rende. Depois de torturar, abusar e assassinar judeus impiedosamente durante décadas, eles são libertados. No 15º dia do mês hebraico de Nissan, o povo judeu, finalmente, viveu um êxodo em massa de um regime genocida e de uma monarquia tirânica. Eles tinham embarcado no caminho da liberdade.

Mais de três milênios se passaram desde aquele dia. É muito tempo. Porém os filhos e netos dos escravos que partiram do Egito ainda comemoram anualmente este evento. Até hoje, Pêssach continua sendo a Festa mais amplamente observada e celebrada. Muitos judeus que se consideram afastados da tradição e da religião ainda se sentem compilados a participar em algum tipo de Sêder de Pêssach.

A importância disso não pode ser deixada de lado. É fácil celebrar o milagre da liberdade quando você é livre. Porém na maior parte da sua história a nação judaica se viu exilada, oprimida, dominada – física, emocional e religiosamente – por tiranos e ditadores de todos os tipos. Se Pêssach representa a jornada da escravidão à liberdade, o que ocorreu com isso depois da destruição babilônica do Primeiro Templo e o subsequente exílio de Israel? Ou após a conquista pelos gregos e romanos da terra judaica e o exílio de seus habitantes? O que aconteceu com a celebração da liberdade após a destruição do Segundo Templo, o fracasso da rebelião de Bar Kochba, as horríveis perseguições de Adrianus e a longa, trágica série de eventos que levaram ao maior exílio na história judaica? Poderiam os judeus celebrar a emancipação sob circunstâncias opressivas? Poderiam os judeus ainda se sentarem anualmente e declarar com sinceridade: “Fomos escravos do faraó no Egito e D’us nos libertou?”

Liberdade Sob Opressão?
Essa questão foi levantada por um dos maiores pensadores judeus do Século Dezesseis, que foi ele próprio sujeito a horríveis perseguições por parte das autoridades cristãs. Rabi Yehudah Leow (1512-1607), conhecido como o Maharal, foi Rabino Chefe de Praga, e uma das personalidades judaicas mais influentes de sua época, autor de muitas obras importantes sobre filosofia judaica. Durante seus dias, os judeus sofreram terrivelmente com os infames libelos de sangue, sendo acusados de assassinar crianças cristãs antes de Pêssach para usar seu sangue para a matsá de Pêssach, e diz a lenda que Rabi Leow criou um Golem, um homem criado através de poderes cabalísticos para combater os libelos de sangue que afligiam a comunidade judaica de Praga.
O Maharal de Praga perguntava-se (2) como o povo judeu poderia ter celebrado sua libertação do Egito durante os tempos em que estavam mergulhados novamente nas trevas do exílio e perseguição? Um judeu da Palestina no Segundo Século poderia realmente celebrar Pêssach? E quanto ao judeu iemenita do Século Oitavo? Um judeu na Espanha do Século Catorze? Um judeu polonês do Século Dezessete? Ou um judeu alemão em 1938? Um judeu russo na década de 1960?

Porém eles celebraram. Por 3.300 anos, quando chegava Pêssach, uma nação teimosa estava determinada a revivenciar a liberdade. Sob o olho vigilante da Inquisição, no Arquipélago Gulag de Stalin, até no Gueto de Varsóvia, você poderia ouvir a mesma pergunta sendo feita a cada ano: “Por que esta noite é diferente de todas as outras?” E a resposta: “Porque esta noite fomos libertados!”

Como eles conseguiram fazer isto? Eram escapistas irracionais, alheios à realidade? Ou, talvez, o povo judeu estivesse celebrando algo muito autêntico que sentiam na alma a cada Pêssach, apesar das condições muitas vezes insuportáveis que viviam?”

O Novo Homem
A resposta apresentada pelo Maharal de Praga é profunda e comovente (2).

O Êxodo do Egito, sugere ele, não foi meramente um evento político e geográfico, no qual trabalhadores escravos tiveram permissão de deixar o país e construir o próprio destino. Foi também uma mutacão existencial, na qual o presente da liberdade foi “instalado” na própria psique de um povo. Com a Divina libertação do cativeiro egípcio, um novo tipo de pessoa foi criado – o Homem Livre – o indivíduo que jamais concordará com a opressão e que sempre ansiará pela liberdade. O êxodo implantou dentro da alma do judeu uma repulsa inata contra a subjugação e um anseio inerente pela liberdade.

Daí, todo o drama que levou ao Êxodo do Egito: o diálogo com o faraó, os milagres realizados por Moshê e Aharon, o rei se tornando mais obstinado, as dez pragas que subjugaram o Egito, e finalmente a luxuosa cerimônia do sêder realizada enquanto ainda estavam no Egito. Numa era em que opressão era a norma, quando os reis acreditavam ter poder divino e infinito, e o ser humano comum estava à mercê do capricho dos líderes e deuses, o Êxodo do Egito ocorreu para revolucionar a paisagem da imaginação humana para toda a eternidade. Os judeus descobririam – e seriam responsáveis por partilhar essa descoberta com toda a humanidade – que a responsabilidade fundamental de toda sociedade é preservar a liberdade e a dignidade de todo ser humano, sob a soberania de um D’us livre que desejava seres humanos livres, que escolhessem construir um mundo fundamentado na liberdade, na dignidade do indivíduo e no apelo moral para construir um fragmento do céu no planeta terra (3).

Assim, mesmo se subsequentemente fosse dominado e oprimido, alvo de abuso, caçado como animal, o judeu jamais deixará de se ver como inerentemente um homem livre. Jamais concordará emocionalmente com a perseguição, e jamais chegará a um bom termo com a supressão. Jamais deixará de ver a escravidão e exílio como a suprema aberração da realidade e a maior distorção que o ser humano pode empreender. Seu íntimo gritará em protesto contra a tirania e a crueldade, e permanecerá obcecado com a crença de que o futuro deve ser diferente, que a Redenção ainda virá, que uma sociedade na qual dominem o mal e a corrupção não pode perdurar.

Isso, diz o Maharal, é o que os judeus celebraram a cada ano no Sêder de Pêssach, apesar das circunstâncias de privação. Eles não estavam vivendo num país de sonhos. Sabiam muito bem que estavam exilados, porém agradeciam a D’us pelo Êxodo de antigamente, porque implantou neles a consciência da liberdade para sempre, o anseio pela liberdade, e a convicção de que a liberdade é o direito inato de todo e cada um deles. Se – como declarou brilhantemente o Baal Shem Tov – você está onde sua vontade está, isso significa que você é essencialmente livre. Se você anseia pela liberdade, de fato você é livre.

Um Presente Divino
Os mestres chassídicos levam essa ideia um passo adiante. Se para alguns pensadores religiosos a busca do homem pela liberdade é sintomática de seu anseio pela indulgência frívola e emancipação do jugo da responsabilidade, no misticismo judaico, nosso anseio pela liberdade é uma das nossas qualidades mais divinas, impregnada em nós por causa da divina consciência embebida no espírito humano. O homem anseia por refletir a D’us. Assim como D’us é totalmente livre, o homem criado à imagem de D’us anseia por ser totalmente livre. É essa Divindade inerente num ser humano que nos impulsiona a desafiar e transcender constantemente os limites impostos sobre nós, incluindo até os limites da nossa própria natureza (4).

Como é interessante – e trágico – comparar essa inspiradora observação do Maharal com as odiosas observações feitas por um dos líderes filosóficos do moderno fundamentalismo islâmico, Sayyid Qutb. Em seu livro “Milestones”, Qutb argumenta que: “Durante seu cativeiro no Egito, os judeus adquiriram um ‘Caráter de escravos’. Como resultado eles se tornaram covardes e sem princípios quando indefesos, e cruéis e arrogantes quando poderosos. Essas características se tornaram qualidades eternamente judaicas e isso justifica sua eterna perfídia, ganância, ódio, impulsos diabólicos e as eternas conspirações e tramas contra Maomé e o Islã.”

Por que eles se rebelam?
Essa ideia do Maharal contém profundas ramificações no campo da educação contemporânea.

Como a liberdade é uma propriedade intrínseca da alma humana, uma manifestação da sua natureza Divina, devemos ser extremamente cautelosos para encorajar, em vez de ser ameaçados, pela sua completa e intensa expressão.

Se isso se aplica a toda pessoa, muito mais então com crianças e adolescentes, que têm um anseio especialmente profundo pela liberdade, pela auto expressão, pela liberdade de fazer as próprias escolhas e serem os donos da própria existência. Isso não é pecado; é uma qualidade nobre que pode ser concretizada para produzir as maiores bênçãos. Se suprimirmos sua liberdade, isso pode compeli-los a expressá-la de maneiras indesejáveis.

Se por exemplo, quando pais e educadores impõem sobre os filhos e alunos valores e tradições através somente de autoridade e coerção, muitas dessas crianças poderão rejeitar esses valores na vida adulta. Isso não é por desdém aos valores, mas é sua maneira de provar a si mesmos e ao seu ambiente que são livres.

A educação, obviamente, exige autoridade e disciplina. Crianças que têm permissão de fazer tudo aquilo que querem, freqüentemente terminam por ter vidas infelizes, carecendo de estabilidade, direção e segurança. A longo prazo, quando os valores morais são comunicados aos jovens somente em nome da autoridade em vez de com a voz da compaixão, quando a fé é baseada em dogmas ao invés de profundidade, quando a paixão é completamente substituída pela obrigação, o amor pelo hábito, a voz da alma suplantada pelo fardo da tradição, os valores que prezamos tanto podem ser sentidos como instrumentos de opressão aos olhos de nossos filhos. Em sua desesperada necessidade de liberdade, às vezes não lhe damos outra opção exceto dizer adeua a tudo que tentamos lhes ensinar.

Um delicado equilíbrio entre anarquia e supressão deve ser mantido. Deve-se mostrar aos jovens por que os valores tradicionais, morais e religiosos dos pais e avós são meios de auto-realização, auto-descoberta – e a suprema liberdade. E a eles devem ser fornecidas sábias oportunidades de vivenciar a alegria de ter a liberdade para escolher aquilo que constitui o caminho para uma vida digna e profunda; a liberdade para escolher a liberdade.

Fonte: site Beit Chabad

tenha um sábado de paz !!

Fernando Rizzolo

NOVAS APTIDÕES

O Sr. Dovid Dryan, um judeu muito humilde e simples, era um Shochet (pessoa que faz o abate Kasher de animais) conhecido por todos pelo seu temor a D’us e extremo cuidado com a fala, evitando a todo custo pronunciar Lashon Hará (falar mal de outras pessoas). Em certa fase de sua vida o Sr. Dovid precisou mudar-se para uma cidade inglesa chamada Gateshead. Chegando lá ele descobriu que naquela cidade não havia nenhuma Yeshivá. Ele pensou consigo mesmo:

– Como posso viver em um lugar onde não há uma única Yeshivá?

Talvez muitos de nós também pensaria a mesma coisa nesta situação. Mas que atitude tomaríamos? Nenhuma. Já o Sr. Dovid decidiu não ficar apenas na pergunta, ele agiu. Ele dedicou muito tempo e esforço para realizar uma tarefa aparentemente impossível em face das consideráveis dificuldades. Ele assumiu muitas tarefas que não estavam dentro das áreas de suas competências, incluindo a captação e a administração de fundos para a Yeshivá, atividades que ele não tinha o mínimo conhecimento e experiência.

Com seu esforço incansável o Sr. Dovid conseguiu fundar e administrar por muitos anos a Yeshivá Gateshead. Desempenhou também um papel significativo na formação do Kolel Gateshead (centro de estudos de Torá para homens casados) e de um Seminário de estudos judaicos para mulheres. Certamente sua dedicação sem limites é um dos grandes responsáveis pelo fato da Yeshivá Gateshead ser atualmente reconhecida como o maior centro Torá da Europa, através do qual milhares de rapazes e moças recebem um elevado nível de educação de Torá.

O Sr. Dovid Dryan poderia ter decidido que sua função no mundo era apenas ser um simples Shochet, sem precisar se envolver em projetos difíceis. Ele poderia assumir que desta maneira estava cumprindo todas as suas responsabilidades com a comunidade e com D’us. Mas em vez disso ele motivou-se a fazer o que era necessário e D’us ajudou-o a ter sucesso. (História Real)

*

Nesta semana lemos duas Parashiot juntas, Vayakel e Pekudei, que tratam basicamente do mesmo assunto: as atividades de construção do Mishkan (Templo Móvel) de acordo com todos os ensinamentos de D’us. No meio da descrição das atividades de construção do Mishkan a Torá diz: “E veio todo homem cujo coração o inspirou…” (Shemot 35:21). Mas foi esta a qualificação necessária para as pessoas que construíram o Mishkan? Não era necessário provar nenhum tipo de habilidade? Apesar da Torá descrever detalhes construtivos difíceis de serem executados, o necessário foi apenas um coração inspirado?

O Ramban (Nachmânides) escreve que o Mishkan envolvia vários trabalhos de tecelagem, costura e construção, que exigiam pessoas muito habilidosas e experientes. Mas os judeus eram aparentemente desqualificados para estes tipos de trabalho, pois durante os dois séculos de escravidão no Egito eles haviam realizado apenas tarefas grosseiras de construção. Onde é que estas pessoas haviam aprendido a executar trabalhos finos tão difíceis? Explica o Ramban que realmente ninguém tinha nenhuma experiência nem conhecimento nestas áreas, mas as pessoas encontraram no fundo de suas almas a capacidade de fazer estes trabalhos. Essa força oculta veio à tona como consequência do profundo desejo de cumprir a vontade de D’us. Como resultado do desejo ardente de cada judeu que se voluntariou para construir o Mishkan, D’us deu-lhes a capacidade de fazer coisas que nunca haviam aprendido na vida.

Há um princípio muito conhecido de que D’us dá para cada um de nós um conjunto único de ferramentas com as quais podemos chegar ao nosso máximo potencial. Mas este conceito é muitas vezes mal aplicado no nosso crescimento espiritual. À medida que crescemos naturalmente ficamos cientes dos nossos pontos fortes e fracos e temos a tendência de limitar nossas atividades apenas dentro de áreas de atuação dos nossos pontos fortes, ignorando os campos em que somos menos aptos. Por exemplo, uma pessoa pode sentir que ela desempenha bem a função de falar na frente de pequenos grupos, mas que não pode falar diante de grandes audiências. Assim, mesmo quando existir a necessidade de alguém para falar em tal situação, ela vai fugir da responsabilidade porque se rotulou como alguém incapaz de falar na frente de muitas pessoas. Aprendemos com a Parashá desta semana que esta é uma atitude errada. As pessoas que se apresentaram para trabalhar no Mishkan não tinham consciência do quanto eram capazes de realizar. No entanto, como resultado da sua vontade de cumprir a vontade de D’us, descobriram talentos até então inexplorados.

Assim também acontece em nossas próprias vidas, muitas vezes nos limitamos por acharmos que não temos capacidade de ir mais longe. Às vezes surge a necessidade de que uma determinada tarefa espiritual seja executada e nos esquivamos por sentir que somos incapazes de realizá-la. Mas nos ensina o Pirkei Avót (Ética dos patriarcas): “Em um lugar onde não há homens, se esforce para ser um homem”, isto é, se não há pessoas aptas a realizarem certa tarefa, devemos tomar sobre nós a responsabilidade de fazê-la. Não está escrito no Pirkei Avót que devemos nos levantar para fazer o que ninguém está fazendo apenas em uma área onde nos sentimos altamente capazes. Pelo contrário, a única coisa que devemos analisar é se existe alguém que pode realizar as tarefas necessárias para cumprir a vontade de D’us. Se não há, então é certo que se nos esforçarmos então D’us revelará em nós talentos ocultos.

Muitas vezes o fracasso inicial nos faz desistir. Mas mesmo pessoas que no passado já se esforçaram em certas áreas e não tiveram sucesso não estão isentas das responsabilidades nestas áreas. O rabino Israel Meir HaCohen, mais conhecido como Chafetz Chaim, nos dá um exemplo prático deste conceito. Ele nos ensina a medir nossas forças observando o quanto estamos dispostos a nos esforçar quando o que está em jogo são os nossos próprios interesses. Por exemplo, se um negócio não está indo bem, uma pessoa não vai simplesmente desistir, antes ela sempre pensa em como pode melhorar a situação. Ela procura o conselho de outros homens de negócio, tenta outras alternativas, investe de maneiras diferentes e, eventualmente, muitas vezes acaba sendo bem sucedida após algumas tentativas.

Ensina o Chafetz Chaim que se cumprir a vontade de D’us tivesse o mesmo valor para uma pessoa do que os seus próprios assuntos pessoais, ela procuraria aconselhamento e estratégias de como se desenvolver espiritualmente e com certeza D’us a ajudaria a encontrar formas de ter sucesso. No entanto, não o fazemos desta maneira. Quando vemos que nosso crescimento espiritual é difícil, que não há nenhuma maneira de crescermos imediatamente, muitas vezes desistimos com a sensação de que estamos isentos de qualquer esforço futuro. A verdade é que se estivéssemos dispostos a aplicar o mesmo esforço que utilizamos nos nossos interesses financeiros no nosso crescimento espiritual, poderíamos então superar nossos limites.

As pessoas que elevaram seus corações para cumprir a vontade de D’us descobriram forças que eles nunca poderiam imaginar que possuíam. Nós também temos a habilidade de quebrar nossos limites e conseguir o aparentemente impossível. Basta ter o senso de responsabilidade e, acima de tudo, querer.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

Tenha um sábado de paz

Fernando Rizzolo

TUDO PELA METADE

Jaime era um garoto que nasceu e cresceu na cidade grande sem nunca ter conhecido o campo. Comprava todos os dias pães na padaria mas não tinha a mínima idéia de todos os processos necessários para fazê-los. Imaginava que, como as maças e as peras, os pães também já nasciam prontos e eram colhidos das árvores.

Certa vez seus pais tiveram que se mudar para uma pequena fazenda. Iriam passar algum tempo lá e seria uma grande oportunidade para Jaime aprender coisas novas. Se tornaram vizinhos de um agricultor com extensos campos de cultivo. Nos primeiros dias Jaime viu o vizinho dirigindo um trator e abrindo sulcos na terra. Parecia ser algo interessante, mas para que serviam aqueles buracos todos? No dia seguinte ele estranhou ver o agricultor atirando nos sulcos alguns feixes de trigo. Por que ele estragava tanto trigo assim? E para o seu desespero ele viu novamente o trator passar pelo campo, enterrando de vez aquele trigo. Jaime ficou um pouco chateado, sem entender as atitudes daquele agricultor. Parecia um grande tolo!

Passados alguns dias ele foi novamente até o campo e viu que começavam a brotar algumas plantas. Que cena maravilhosa, o campo inteiro estava começando a florir. Ele pensou que aquilo era um grande jardim, plantado para enfeitar a fazenda vizinha. As plantas foram crescendo e viraram belos feixes de trigo. Jaime todos os dias acordava e ia ver o maravilhoso campo de trigo.

Mas uma surpresa o esperava. Certa manhã o agricultor levantou cedo e, junto com muitos funcionários munidos de foice, começou a cortar todos os feixes de trigo. Jaime se desesperou. Por que aquele homem malvado estragava o lindo jardim que havia plantado? Por que ele destruía o que havia trabalhado tanto para plantar? No final do dia já não havia mais nenhum feixe de trigo plantado, havia sido tudo cortado e atirado no chão. Para piorar, aquele homem malvado ainda pegou uma carroça sem rodas puxada por bois e começou a passar por cima dos feixes de trigo, destruindo-os completamente. Depois recolheu as pequenas sementes que haviam se separado do caule e, para completar a maldade, moeu todas elas, transformando-as em pó. Que desperdício! Jaime já não agüentava mais, queria ir embora e abandonar aquele lugar estranho.

Mas para a surpresa de Jaime, no dia seguinte ele viu um pouco daquele pó ser misturado com água, tomar a forma de um pão e ser levado ao forno. Em poucos minutos saía do forno um lindo pão fresco, que enchia a casa com seu cheiro delicioso. Era assim que os pães eram feitos! Tudo era parte do processo! Mesmo aqueles momentos de “maldade” eram, na verdade, parte do processo necessário para produzir o pão. Se Jaime tivesse saído no meio do processo, certamente nunca teria entendido nada e teria achando que o agricultor era uma pessoa malvada”

Assim é a nossa vida. Vemos coisas que não entendemos. Inundações, terremotos, doenças, sofrimentos. Questionamos constantemente a bondade do Criador do mundo. Mas como queremos entender tudo de uma vez só se estamos apenas entrando no mundo “no meio do processo”? Será que não é injusto julgar as atitudes de D’us sem saber onde tudo começou e onde tudo vai terminar?

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Nesta semana lemos a Parashá Ki Tissá, que começa com um ensinamento muito interessante: o povo judeu não pode ser contado de forma direta, o censo deve ser feito sempre de uma maneira indireta, isto é, as pessoas devem trazer algum objeto e assim, através da contagem dos objetos, pode-se saber o número de pessoas. Durante a época em que o povo judeu estava no deserto a contagem era feita através da doação de meio Shekel (uma moeda de prata utilizada na época) cada um. Por que a contagem era feita com dinheiro e não com outro objeto? Pois o dinheiro arrecadado era utilizado para construir e manter as bases de sustentação do Mishkan (Templo Móvel). Tanto os pobres quanto os ricos precisavam doar, mas a doação não podia ser nem mais nem menos do que meio Shekel, como está escrito “Todo aquele que passar pelo censo, de 20 anos para cima, deve dar sua porção para D’us. Os ricos não podem aumentar e os pobres não podem diminuir do meio Shekel” (Shemot 30:14,15).

Mas desta doação surgem algumas perguntas: em todas as partes que compunham o Mishkan, como os utensílios e as outras partes estruturais, cada um doava de acordo com a vontade de seu coração, isto é, cada um doava quanto desejava, alguns mais e outros menos. Por que então na base do Mishkan todas as pessoas tinham que doar a mesma quantia? Além disso, por que o valor doado era de meio Shekel e não de um Shekel inteiro, o que facilitaria na contagem do povo? E finalmente, qual a relação deste ensinamento com o terrível pecado da construção do bezerro de ouro, que é descrito na continuação desta Parashá?

Explicam os nossos sábios que existe uma regra interessante sobre o Mishkan: todos os elementos que compõem o Mishkan nos ensinam sobre alguma característica com a qual devemos nos comportar para chegarmos a níveis espirituais mais elevados. A base do Mishkan é o elemento que sustentava toda a estrutura, era o que mantinha o Mishkan de pé. Nos ensina o rabino Yossef Salant que a base do Mishkan está associada com a base do ser humano: a sua Emuná (fé). É a Emuná que mantém o homem de pé, que o sustenta durante todos os seus dias. Se uma pessoa perde sua Emuná, ele não tem mais nada em sua vida. Se pudéssemos concentrar todas as 613 Mitzvót da Torá em apenas uma Mitzvá, seria a Mitzvá de Emuná.

Em todas as Mitzvót e níveis espirituais que o ser humano pode chegar em sua vida, D’us não cobra que todos estejam no mesmo nível. É o que afirma a própria Torá em suas palavras finais “Nunca mais se levantou um profeta em Israel como Moshé” (Devarim 34:10). D’us cobra cada pessoa de acordo com as suas possibilidades, cada um tem um propósito diferente e pode chegar a um nível compatível com as suas próprias características. Não vamos ser cobrados por não termos chegado ao mesmo nível de Moshé, cada um vai ser cobrado de acordo com as ferramentas que recebeu de D’us. É por isso que em todos os outros elementos do Mishkan cada um podia doar quanto quisesse, de acordo com a vontade de seu coração, nos ensinando que as pessoas têm capacidades diferentes e são cobradas por D’us em níveis diferentes.

O mesmo não ocorre em relação à Emuná. O nível de Emuná que devemos ter na vida é o mesmo para todos, independente do nível de cada pessoa, independente de qualquer outra característica. Cada ser humano deve trabalhar para chegar até o máximo nível possível de Emuná, tanto na certeza da veracidade de cada palavra da Torá quanto na existência de um Criador que sabe tudo, pode tudo e está presente em todos os lugares. É por isso que, para as doações que eram destinadas para a base do Mishkan, cada pessoa precisava trazer a mesma doação, nem um centavo a mais nem a menos.

Mas por que a doação para a base do Mishkan era de meia moeda e não uma moeda inteira? Para nos ensinar que um dos fundamentos da Emuná é sabermos que em nenhum evento que ocorre em nossas vidas estamos vendo o quadro completo, em nenhum acontecimento vemos o começo, o meio e o fim, sempre estamos no meio de um processo. Com este ensinamento claro em nossos corações conseguimos responder muitos questionamentos que nos incomodam. Perguntas do tipo “Por que pessoas boas sofrem e pessoas más têm sucesso na vida?” somente nos incomodam porque estamos vendo apenas parte do filme. Temos uma vida limitada, não vimos o começo de muitos processos, entramos apenas no meio e, portanto, é impossível querer entender tudo de uma só vez. Por isso a pessoa que tem esta certeza no coração consegue trabalhar e crescer em seu nível de Emuná.

Ensina o Talmud que a doação do meio Shekel veio como uma expiação por termos construído o bezerro de ouro no meio do dia. O que isto significa? A construção do bezerro de ouro aconteceu porque o povo judeu se desesperou. O povo judeu se equivocou na conta dos 40 dias que Moshé deveria permanecer no Monte Sinai e se desesperou ao imaginar que ele havia morrido. O que significa que o bezerro de ouro foi feito “no meio do dia”? Que o erro do povo judeu foi conseqüência da falta de Emuná, pois eles viram somente uma parte da história e quiseram tirar conclusões de forma precipitada. A consequência foi trágica para o povo judeu, pois quando se tira a fundação de uma estrutura, a estrutura inteira racha e desmorona.

É por isso que nossos sábios estabeleceram tantas Brachót (bênçãos) no nosso dia, praticamente tudo o que nós fazemos está associado a uma Brachá. Por exemplo, até mesmo após o simples ato de ir ao banheiro nós pronunciamos uma Brachá, na qual agradecemos pelo perfeito funcionamento do nosso corpo. Isso nos faz refletir sobre a perfeição do Criador do universo, que fez tudo com capricho até os mínimos detalhes. As Brachót colocam a tranqüilidade no nosso coração de saber que tudo o que o Criador faz é com perfeição e para o nosso bem. Se algo nos parece que não está completo, temos que saber que o erro não está nos atos do Criador e sim na limitação dos nossos olhos.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

Tenha um sábado de paz

Fernando Rizzolo