Liberalismo Financeiro e o PAC

Um dos conceitos mais discutidos nas questões políticas e econômicas na última década, foi a do neoliberalismo e seu papel na economia. Seus ardentes combatentes, em contraponto aos amantes de Adam Smith, se digladiaram numa discussão polarizada, que em última instância, se expressava em conceitos sócio políticos sobre a participação do Estado como provedor de desenvolvimento, e ao mesmo tempo, como regulador do processo econômico em oposição aos liberais que entendiam que o mercado por si era auto sustável.

Mais recentemente no Brasil, como na América Latina, prevaleceu-se o pensamento contrário às posturas neoliberais e ao ” Consenso de Washington”; impulsionado por economistas como Joseph Stinglitz ( Prêmio nobel ), que sempre defendeu um modelo econômico não tão liberal, onde o Estado assume um papel mais participativo na elaboração das diretrizes de investimento, balizando-o, e dando o tom na segmentação da aplicação dos recursos à iniciativa privada. Modelo este, mais próximo ao instituido na época do “milagre brasileiro”, onde a presença do Estado era mais acentuada.

Foi nesse esteio de pensamento, que o modelo econômico do governo do presidente Lula, pavimentou seus ideais de construir e desenvolver programas de inclusão social e consolidar a implantação de projetos de infra-estrutura contidos no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Ainda na esfera da regulação por parte do Estado, a sucessão de crises forçou modificações do sistema bancário brasileiro, que tornou-se mais eficaz, ao contrário dos preceitos do liberalismo financeiro. Hoje, o Banco Central, ao contrário do FED( banco central americano), tem grande abrangência nas suas atividades reguladoras e fiscalizadoras.

A história de certo modo veio provar que não estávamos de todo errado ao propagarmos uma política econômica mais centrada e menos arrojada do ponto de vista do liberalismo financeiro. A crise bancária dos EUA que levou à elaboração de uma pacote de resguardo à economia no valor de US$ 700 bilhões em dinheiro público, nos leva apensar que o caminho inverso das propostas liberais ganha força no pensamento econômico mundial.

Por ironia econômica, nosso modelo de desenvolvimento, baseado no PAC, sofrerá as influências da crise mundial advindas do descontrole financeiro. Já se observa um grande número de obras fora do prazo estabelecido, até o balanço do programa está atrasado. Com efeito, as indústrias do setor de infra -estrutura já sentem o enxugamento do crédito, estando este mais restritivo. Preocupado com esta questão que envolve o desenvolvimento dos projetos, o governo vai procurar garantir recursos para quatro áreas significativas: agricultura, exportação, PAC, BNDES. Contudo a Taxa de Juros de Longo Prazo poderão ser alteradas dificultando ainda mais o crédito.

Não seria exagero a um observador, inferir que a inter conectividade dos mercados ultrapassa as políticas internas monetárias, fazendo com que a blindagem econômica dos demais países pobres acabam sendo um minimizador na contenção das turbulência internacionais, que ainda insistem na pouca regulação financeira e na pouca participação do Estado na economia, fazendo com que o debate sobre a discussão neoliberal, seja paga pelos pobres do mundo e pelos pobres contribuintes dos países ricos.

Fernando Rizzolo

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Lula diz que pacote dos EUA é injusto com pobres

BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva culpou os Estados Unidos pela crise financeira global e disse que o plano de resgate de 700 bilhões de dólares para socorrer Wall Street é injusto com as pessoas pobres de outros países do mundo.

O Congresso norte-americano acertou, na madrugada de domingo, as bases para o acordo de resgate destinado ao setor financeiro. A crise iniciada em Wall Street se espalhou para os mercados de todo o mundo.

“Eles querem ajudar os bancos e não querem ajudar os pobres”, disse Lula, na noite de sábado, durante comício do PT na cidade de Garulhos, na Grande São Paulo.

“Porque quando eles ganham é só deles, mas o prejuízo eles querem repartir com todos os países do mundo e com os mais pobres. Se eles brincaram com a economia deles, eles que resolvam e não deixem a crise chegar aqui”, acrescentou o presidente, de acordo com reportagem da Agência Brasil.

Lula disse ainda que os Estados Unidos têm a responsabilidade de resolver a crise de repercussão internacional que eles mesmos causaram.

“Se eles brincaram com a economia deles, eles que resolvam e não deixem a crise chegar aqui”, afirmou o presidente, acrescentando que o Brasil está em melhores condições para enfrentar a crise do que no passado por não depender tanto dos EUA.

“Antes, os Estados Unidos eram responsáveis por 30 por cento das nossas exportações, agora são 15 por cento. Começamos a vender para a América do Sul, Ásia, Europa, Oriente Médio, África”, disse.

A economia brasileira está crescendo mais de 5 por cento ao ano, mas deve diminuir para um crescimento por volta de 4 por cento no próximo ano. Empresas exportadoras brasileiras anunciaram na semana passada grandes perdas de derivativos devido à flutuação cambial causada pela crise financeira global.
Agência estado

Rizzolo: A realidade é que pacote americano é única solução plausível para resolver o problema causado pela falta de regulação do mercado financeiro americano. Em verdade a liberalização financeira, tão apregoada pelos neoliberais do mundo, desta vez está sendo questionada até pelos seus mais árduos defensores no passado. De fato que paga são os pobres, não só dos países em desenvolvimentos ou extremamente miseráveis, mas o contribuinte americano que também é um assalariado e sofrerá com o desemprego e um mercado mais retraído. É como sempre afirmo, a liberalização financeira possui um discurso em que o lucro não é compartilhado pelo Estado, mas os prejuízos estes sim. Os povos é que pagam.

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Emergentes correm risco de menor fluxo de capital, diz Morgan

HONG KONG – O pânico do setor bancário que devastou economias desenvolvidas pode causar uma queda de 25 por cento na entrada de capital em países emergentes, aumentando o risco de uma recessão global e mesmo de uma crise monetária, afirmaram estrategistas do Morgan Stanley nesta sexta-feira.

Fluxos de capitais para economias emergentes podem cair para cerca de 550 bilhões de dólares em 2009 ante uma estimativa de 730 bilhões de dólares este ano, reduzindo uma importante fonte de crescimento de países como Brasil e China, aposta Stephen Jen e Spyros Andreopoulos, em nota de pesquisa.

“Uma redução no ritmo de crescimento econômico global vai minar os fluxos de capital para mercados emergentes. Isso, acreditamos, é um grande risco para moedas de mercados emergentes”, afirmaram os analistas.

A maior parte do capital que vai para economias emergentes tem ido na forma de empréstimos, não de investimentos em portfólio, que somente representam 8 por cento do total de recursos.

Empréstimos de bancos e outras instituições correspondem a 57 por cento do fluxo líquido total do setor privado, enquanto o investimento estrangeiro direto representa 35 por cento.

Isso significa que as ondas de choque da implosão de Wall Street nas últimas semanas aceleraram um processo de redução de risco e o congelamento dos mercados abertos vai provavelmente ter um impacto direto nos fluxos de capitais aos mercados emergentes.

Como resultado, o crescimento das economias emergentes, um dos principais motores do crescimento global no ano passado, quase que certamente vai ser prejudicado. Isso poderia retardar o crescimento do Produto Interno Bruto global para abaixo dos 3 por cento, um nível que o Fundo Monetário Internacional considera como recessão.

Fluxos de capitais para mercados emergentes entraram em colapso cerca de uma década atrás depois da crise asiática e da moratória russa. Entretanto, os danos aos mercados emergentes podem ser maiores desta vez porque os fluxos de capitais a essas regiões cresceu muito nos últimos anos.

“O risco de uma crise ainda é baixo, mas está crescendo, em nossa opinião”, disse Jen e Andreopoulos.
Agência Estado

Rizzolo: Com certeza haverá um fluxo de capital bem menor, aliás já há um problema de captação de recursos no exterior, prova disso é a disponibilidade do governo brasileiro atuar via empréstimos, no mercado interno visando amenizar esta dificuldade de fluxo. Nossa economia está muito relacionada com as exportações de produtos primários constantes no elenco das chamadas ” commodities”, e evidentemente com uma retração nos emergentes, as exportações serão afetadas. Uma das saídas é desenvolver o mercado interno e diversificarmos as exportações modulando-as também aos produtos manufaturados, o que por sua vez também exige mais investimento. Só o tempo poderá quantificar os estragos da crise na economia brasileira.

Democratas e republicanos alcançam acordo para plano de resgate financeiro

Washington, 25 set (EFE) – Os líderes democratas e republicanos do Congresso dos Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira que chegaram a um acordo sobre os princípios básicos do plano de resgate solicitado pelo governo americano para combater a crise financeira.

“Tenho confiança de que podemos agir rapidamente” para ratificar o programa, avaliado em US$ 700 bilhões, disse em entrevista coletiva o presidente do Comitê dos Bancos do Senado, Christopher Dodd.

A proposta do acordo será enviada com detalhes para o secretário do Tesouro, Henry Paulson. A votação está marcada para amanhã (dia 26).

O mesmo otimismo foi manifestado pelo senador republicano Robert Bennett. “Prevejo que teremos um plano que possa ser aprovado pela Câmara Baixa e o Senado, e ser assinado pelo presidente e que traga um sentimento de certeza a esta crise”, afirmou.

Os legisladores chegaram ao acordo de princípios após negociações hoje no Capitólio das quais participaram os membros mais importantes dos comitês que supervisionam assuntos financeiros nas duas Câmaras.

Folha online

Rizzolo: O Plano proposto ao Congresso dos EUA engloba, a criação de fundo de até US$ 700 bilhões para comprar hipotecas residenciais e comerciais e títulos garantidos por essas hipotecas, a compra de hipotecas por um prazo de 2 anos, contudo, o governo poderá decidir como adquirir, administrar e utilizar as hipotecas e os títulos, incluindo criação de um fundo e nomeação de instituições financeiras privadas para fazer essa administração, esses ativos devem ter sido originados ou emitidos antes de 17 de setembro de 2008, essas hipotecas e os títulos serão mantidos até o mercado se normalizar ou até seu vencimento. Nenhum tribunal ou agência governamental poderá examinar as decisões do secretário do Tesouro, que prestará contas periodicamente ao Congresso.

Na realidade essas medidas visam a balizar como um mecanismo de supervisão do dinheiro do contribuinte americano e estabelecer, um limite aos salários dos executivos das empresas que se beneficiem da ajuda. A verdade é que não há outra saída para esta crise, desencadeada pela irresponsabilidade de alguns que já são alvo de investigações por parte do FBI e pela falta de uma regulamentação por parte do governo americano no mercado financeiro, apregoa-se a não interferência do Estado nos lucros e a participação do mesmo nos prejuízos. Quem acompanha este Blog sabe que eu me refiro a isso desde o início.

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Obama critica plano de socorro financeiro a custo “assombroso”

O candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, criticou neste domingo o plano “assombroso” de socorro do sistema financeiro americano, durante um comício em Charlotte, na Carolina do Norte.

Em sua primeira reação ao plano anunciado neste final de semana pelo governo de George W. Bush, que prevê destinar US$ 700 bilhões para a compra de créditos podres das instituições financeiras. Obama também acusou seu adversário republicano, John McCain, de defender um projeto que, segundo ele, levará a economia americana à falência.

Para Obama, o governo de Bush “apenas propôs um conceito a um custo assombroso, mas não é plano”. “Inclusive se o Tesouro americano recuperar com o tempo alguns ou a maioria destes créditos, o desembolso inicial de mais de US$ 700 bilhões é algo preocupante”.

“Em troca deste apoio, o povo americano precisa ter a segurança de que o acordo reflete os princípios básicos de transparência, justiça e reforma”.

Pacote eleva dívida

O pacote de ajuda ao setor financeiro que o governo americano tenta aprovar no Congresso, de US$ 700 bilhões, prevê um aumento do limite de endividamento público do país de US$ 10,6 trilhões para US$ 11,3 trilhões, informa Sérgio Dávila em reportagem da Folha deste domingo (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).

Espera-se que o projeto entre em discussão já no fim-de-semana, diz o texto. “A intenção do governo é que ele seja votado antes do recesso eleitoral do Congresso, previsto para começar na sexta-feira.”

O valor da dívida hoje é de US$ 9,6 trilhões, com um limite estabelecido em US$ 10,6 trilhões. “O documento, de duas páginas e meia, foi enviado aos líderes dos comitês financeiros do Congresso na noite de sexta. Nele, o Tesouro norte-americano pede que seja autorizado a comprar papéis relacionados a hipotecas que tenham sido emitidos até 18 de setembro de 2008 de toda instituição financeira que tenha sede nos EUA.”

O presidente Bush, declarou ontem que o plano de seu governo para pôr fim à crise financeira é “grande porque o problema é grande”. “Direi a nossos cidadãos e continuarei lembrando a eles que o risco de não fazer nada é muito maior que o risco do pacote”, acrescentou Bush.

Folha online

Rizzolo: Bem para ousar resolver um problema deste monte é preciso algo que Obama não tem: coragem. Obama todos sabem é um candidato fraco, que tem muito discurso e pouco conteúdo. Se estivesse Obama em lugar de Bush, faria sim um longo discurso sobre o problema e não teria a magnitude política de agir a contento. Todos sabem das minhas restrições a Bush e aos republicanos, mas desta vez não tem jeito; entre um Obama democrata e fraco, prefiro um MacCain que já demonstrou patriotismo, determinação e capacidade. É lógico que os petistas do mal não gostam destas minhas afirmativas, mas pouco me importa; para quem tem Chavez como herói, é bem compreensível a pouca capacidade de discernimento político e senso de democracia. Agora ” assombroso” é ter como plataforma um bom discurso populista sem conteúdo, vazio, que apenas influencia o emocional. Eu prefiro a realidade, e a determinação em agir nos grandes problemas como essa crise financeira.

Lula repete que crise é de Bush e reservas são ‘sagradas’

MOSSORÓ – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva repetiu nesta sexta-feira, 19, que a crise americana é um problema do presidente dos Estados Unidos, George Bush, e não dele. “A imprensa vive me perguntando sobre a crise americana. Eu digo: Pergunte ao Bush. A crise é dele, e não minha”, disse.

“Tenho que cuidar do meu País para que não seja contaminado por essa crise. Hoje, não dependemos de um ou dois países”, destacou, durante discurso em Mossoró, onde participou da inauguração de novos prédios da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), da usina termelétrica Jesus Soares Pereira (Termoaçu) e da assinatura de protocolo para implantação da refinaria Clara Camarão em Guamaré.

Lula citou que o Brasil tem uma balança comercial diversificada, não deve mais ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e tem US$ 207 bilhões de reservas “sagradas”, para não permitir especulação imobiliária e financeira. Ele disse também que um “espirro” na economia americana há dez anos causaria uma “pneumonia” no Brasil.

Em rápida entrevista concedida após o evento, o presidente das Petrobras, José Sérgio Gabrielli, disse não acreditar que a alta do dólar possa influenciar no preço da gasolina, uma vez que os preços internacionais do petróleo estão baixos.
Agência Estado

Rizzolo: As afirmativas são procedentes em parte, não há dúvida que hoje o Brasil tem uma balança comercial diversificada, contudo se crise abalar os países emergentes da Ásia, mais precisamente a China, é óbvio que de nada adiantará perguntar a Bush. Prova disso é a volatilidade da economia mundial. Existe por certo uma interconectividade mercadológica que impede uma visão tão simplista da economia mundial. De certo houve um entusiasmo dos exportadores quando há dias observou-se uma desvalorização do real frente ao dólar. Contudo, como o Banco Central voltou a realizar leilão de venda de dólares para tentar conter o avanço na cotação da moeda, prática esta que não era adotada desde 2003, e com o reanimo dos mercados, o dólar despencou, e os exportadores principalmente os de manufacturados, continuarão em determinados segmentos, a ter a velha dificuldade para exportar em função da política monetária. Reservas temos, mas a crise não é só de Bush não, é bom que o pessoal de Mossoró saiba.

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Mantega: governo pode agir para garantir crédito para empresas

BRASÍLIA – O governo brasileiro poderá tomar algumas medidas para garantir o financiamento dos investimentos no país, caso a escassez de crédito no mercado internacional perdure, afirmou nesta quarta-feira o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

“Se faltar crédito para investimento, para agricultura, para exportação, o governo tomará as medidas no sentido de supri-lo”, disse a jornalistas.

Na avaliação do ministro, a escassez de crédito no mercado internacional já é um fato, e as empresas brasileiras que vinham captando recursos lá fora já não estão conseguindo levantar esse dinheiro ou estão tendo que pagar mais caro para a renovação das linhas de financiamento.

“Esse é um problema que pode ser passageiro e pode ser resolvido… Se isso se prolongar, nós poderemos tomar algumas medidas no sentido de estimular o crédito para investimento”, afirmou o ministro.

Mantega esclareceu que as possíveis medidas de estímulo ao crédito seriam restritas aos investimentos, já que, segundo ele, não há falta de crédito para o consumo no país.

Em palestra feita na segunda-feira em São Paulo, Mantega reafirmou que a taxa de expansão do crédito ao consumidor no Brasil, em torno de 32 por cento, continua acima do que ele considera saudável.

No entender do ministro, o aperto no crédito é uma das poucas consequências da crise financeira internacional, que se arrasta há mais de um ano, sobre a economia brasileira até o momento.

Mantega comentou ainda que o socorro da seguradora AIG pelo governo dos Estados Unidos, anunciado na véspera, foi acertado.

“É uma grande empresa de seguros, com impacto na economia internacional. Foi adequado”, disse. Ainda assim, o ministro acredita que o clima de instabilidade deve permanecer por mais tempo nos mercados financeiros.

Apesar de defender que o Federal Reserve, o banco central dos EUA, não deve ajudar todas as empresas em dificuldades, Mantega deixou claro que a atuação do Fed é correta ao tentar evitar um efeito dominó nos mercados.

“Quando você tem uma quebradeira generalizada, que atinge vários países, vários bancos, você tem que intervir. Se não, pode criar um problema maior”, disse.

Agência Estado

Rizzolo: Garantir os financiamentos dos investimentos no País é de suma importância, e o governo federal deve, como demonstra pelas declarações do ministro Mantega, supri-las. Como já disse, pode-se inferir desde já, que existe de fato uma restrição ao crédito; o que é natural face às circunstâncias internacionais. De forma alguma podemos deixar de dar seguimento aos créditos para os investimentos, à agricultura, a exportação, e demais segmentos da economia. O papel do governo nestes momentos, é crucial, até mesmo nos EUA o Federal Reserve intervém quando necessário, como de fato ocorreu. O mais interessante nessa crise, é que a economia americana sob os auspícios dos republicanos, que tem como premissa a não intervenção do Estado na economia, ao primeiro susto recorrem a este mesmo Estado, ou seja, o Estado serve apenas para o prejuízo, quanto aos lucros, bem estes são dos especuladores.

Lula minimiza crise financeira e diz que Brasil está livre de reflexos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva procurou minimizar o temor com a crise financeira vivida pelos mercados, especialmente nos Estados Unidos, e buscou afastar os efeitos negativos da economia brasileira.

Questionado sobre a crise, Lula disse que os jornalistas deviam “perguntar ao [George] Bush” e sobre os reflexos, limitou a dizer que, “até agora” não atingiu o Brasil. O presidente participou nesta terça-feira da cerimônia de recepção ao primeiro-ministro da Noruega, Jens Stoltenberg.

Diferente da percepção do presidente, a Bovespa chegou a registrar 4% de queda na abertura desta terça após despencar 7,59% ontem, quando as Bolsas registraram seu pior dia do mercado desde o 11 de Setembro, derrubadas pela quebra do Lehman Brothers, o quarto maior banco de investimento norte-americano.

Ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, recomendou aos investidores e correntistas brasileiros que evitem tomar decisões precipitadas diante do agravamento da crise financeira mundial e da conseqüente queda na Bolsa de Valores brasileira.

Segundo Mantega, “o Brasil é um porto seguro” em meio à crise internacional, já que está com sua economia fortalecida.Ele reafirmou as previsões de crescimento para 2008 e 2009, de 5,5% e 4,5%, respectivamente.

“O Brasil será uma das economias que será fortalecida a partir dessa crise, enquanto outros países serão enfraquecidos”, afirmou.

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, também afirmou ontem que o Brasil está preparado para enfrentar a crise financeira nos Estados Unidos. Segundo ele, o país vai enfrentar o colapso nos mercados internacionais com serenidade e seriedade.

Folha online

Rizzolo: Por hora, de forma incisiva, a crise ainda não deixou marcas expressivas na economia brasileira. Mas um fato relevante que se deve levar em consideração, é a necessária determinação brasileira em fortalecer o mercado interno. Não existe forma melhor de blindagem do que termos a economia interna aquecida, e não é com essa política perversa de altas taxas de juros que vamos nos preparar para esta e outras turbulências. Ao contrário do Brasil, os EUA estimulam em época de crise o mercado interno, injetando recursos para vascularizar a economia, já aqui exercitamos a exegese da retração, isso tudo a favor da especulação e especuladores, que nessas horas são por demais prejudiciais ao País.

Para Greenspan, crise financeira americana é a pior dos últimos 50 anos

A atual crise financeira americana é a pior dos últimos 50 anos, e provavelmente do último século, estimou neste domingo o ex-presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Alan Greenspan, afirmando que o problema ainda está longe de terminar.

‘Devemos reconhecer que isso (a crise) é um evento que acontece uma vez a cada meio século’, explicou Greenspan no programa “This Week”, da rede de televisão ABC.

‘Não há nenhuma dúvida de que isso está perto de superar tudo o que já vimos, e ainda está longe de se resolver, ainda deve durar algum tempo’, alertou Greenspan, que durante 19 anos (até 2006) trabalhou à frente do banco central americano.

Greenspan estimou ainda que o governo federal ‘não pode estender uma rede de segurança debaixo de todas as instituições financeiras que quebrarem’, destacando que os atuais esforços das autoridades para salvar o Lehman Brothers devem se limitar na busca por uma solução sem recorrer ao Tesouro.

Greenspan avaliou em mais de 50% o risco de que a atual crise financeira provoque uma recessão nos Estados Unidos
Folha online

Rizzolo: A crise no mercado hipotecário dos EUA é uma decorrência da crise imobiliária pela qual passa o país, e deu origem, por sua vez, a uma crise mais ampla, no mercado de crédito de modo geral. O principal segmento afetado, que deu origem ao atual estado de coisas, foi o de hipotecas chamadas de “subprime”, que embutem um risco maior de inadimplência. Na verdade foi uma causa maior da falta de uma regulementação do mercado financeiros dos EUA. As empresas financeiras especializadas no mercado imobiliário, para aproveitar o bom momento do mercado, passaram a atender o segmento “subprime”. O cliente “subprime” é um cliente de renda muito baixa, por vezes com histórico de inadimplência e com dificuldade de comprovar renda. Esse empréstimo tem, assim, uma qualidade mais baixa –ou seja, cujo risco de não ser pago é maior, mas oferece uma taxa de retorno mais alta, a fim de compensar esse risco.

O problema é que gestores de fundos e bancos compram esses títulos “subprime” das instituições que fizeram o primeiro empréstimo e permitem que uma nova quantia em dinheiro seja novamente emprestada, antes mesmo do primeiro empréstimo ser pago. Ora, está evidente que lá no início da tomada de empréstimo, as instituições já sabiam sim que estes tomadores de emprestimos eram na sua grande maioria insolvente, mas quiseram ” fazer dinheiro” na operação. Isso que dá a falta de regulamentação do setor financeiro, há que haver no mínimo algum controle senão dá nisso.

Fatores externos fazem inflação recuar, não os juros de Meirelles

Assim com aumentaram, os preços dos alimentos caíram pela ação dos especuladores em Chicago

A queda geral da inflação, confirmada por todos os índices, impõe, necessariamente, uma conclusão: “esse recuo da inflação nada tem a ver com os aumentos da taxa básica de juros conduzidos pelo Banco Central desde abril”, como disse em uma de suas análises o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), uma entidade de empresários. Ou, nas palavras do ex-ministro Delfim Netto – “Uma coisa é certa: se a inflação voltar à meta de 4,5% no início de 2009 não será devido à ‘tempestiva precipitação’ [do BC], mas a fatores externos, a não ser que seja o aumento de juros no Brasil que está derrubando o preço das ‘commodities’ em Chicago…”.

Delfim refere-se à última ata do Comitê de Política Monetária do BC (Copom), onde se diz que “a estratégia adotada visa trazer a inflação de volta à meta central de 4,5% tempestivamente”. Em seguida, afirma-se que o aumento de juros só agirá sobre a inflação no fim deste ano e no início do próximo.

O aumento localizado da inflação teve origem externa. A queda atual, também. Os aumentos de juros do BC tiveram como efeito perturbar o crescimento e promover um charivari no câmbio, prejudicando o saldo comercial, portanto, as contas externas. Mas eles nada tiveram a ver com a queda da inflação. Têm a ver com a drenagem de recursos do Tesouro para os bancos, principalmente os externos, via juros – além da intenção de facilitar a vida dos tucanos na eleição de 2010, freando o crescimento implementado pelo presidente Lula.

O preço dos alimentos – principal setor onde houve aumento da inflação – começou a cair porque os especuladores, centralizados na Bolsa de Chicago, começaram a se livrar dos papéis lastreados neles, por medo de que daqui a pouco não possam vendê-los por preço maior do que aquele pelo qual os compraram.

A especulação nas “bolsas de futuros”, onde se aposta qual será o preço de tal ou qual alimento depois de um determinado prazo, tem sido um dos principais, senão o principal fator que tem catapultado esses preços para o espaço sideral, já que nesse cassino jogam os próprios monopólios que dominam o comércio mundial desses produtos, assim como os bancos vinculados a eles.

A queda dos preços que se verifica no momento corresponde à banal lógica da especulação: compram-se títulos quando seus preços estão baixos para vendê-los quando seus preços atinjam o máximo possível. O problema é que ninguém sabe por antecipação quando é o momento do “preço máximo”, porque especuladores não são adivinhos. Mas se alguns desconfiam que chegou esse momento, ou está próximo, começam a vender seus papéis – e os colegas de ofício os acompanham, apavorados com a perspectiva de serem os últimos, ou seja, de ficarem com o mico na mão sem ter a quem vendê-lo ou tendo que vendê-lo abaixo do preço pelo qual foram comprados.

Daí a queda atual nos preços dos alimentos, depois de uma contínua alta nos últimos anos – e principalmente nos últimos meses, após a erupção da crise norte-americana das hipotecas, quando muitos especuladores fugiram dos títulos lastreados nelas, querendo compensar as perdas com os papéis lastreados nos alimentos.

Assim são, enquanto o país não estabelecer mecanismos de proteção, as elevações e quedas da especulação mundial – a manipulação dos especuladores faz com que os preços se elevem e depois caiam, com alguns se dando bem e a maioria se retirando, provisória ou permanentemente, para a rua da amargura. Aliás, numa dessas Meirelles foi “aposentado” da presidência do BankBoston, depois que, na crise argentina de 2001, deixou o banco e seus clientes ficarem com o mico na mão. Mesmo com De la Rua fazendo jus ao seu nome, ele achava que tudo voltaria a ser como dantes na grande nação do Prata…

CARLOS LOPES
Hora do Povo

Rizzolo: O excelente texto do jornalista Carlos Lopes, desnuda o que realmente ocorre com a questão inflacionária no Brasil. Não resta a menor dúvida que o componente externo é sim o fator preponderante na queda da inflação, de fato, os especuladores da Bolsa de Chicago, começaram a se desfazer dos papéis vinculados a algumas commodities relacionadas aos alimentos, fazendo o preço cair. A política monetária do Banco Central serviu apenas para emperrar ainda mais o desenvolvimento do País e de certa forma contribuir para uma maior especulação interna, alem de criar obstáculos às exportações face ao real valorizado. O mais interessante é o silêncio de Meirelles e do Copom desde que a inflação começou a ceder.

Commodities caem e País deve rever estratégia comercial

GENEBRA – A queda nos preços das commodities pode obrigar o Brasil a rever sua estratégia para manter um superávit em sua balança comercial. Dados coletados pela Organização Mundial do Comércio (OMC) sugerem que a queda nos preços dos bens agrícolas pode reduzir “de forma substancial” o superávit brasileiro.

Para deixar a situação dos exportadores brasileiros ainda mais difícil, a Europa acaba de anunciar que terá uma safra que pode bater recordes em 2008, o que deve fazer com que os preços caiam ainda mais.

“O que estamos vivendo é uma correção nos preços das commodities, que estavam altos”, explicou Michael Finger, chefe da divisão de estatísticas da OMC.

“Com a alta de preços, muitos consumidores deixaram de comprar nos volumes que estavam acostumados, principalmente nos países ricos onde a desaceleração da economia é clara. O resultado é que o mercado se auto-regulou e os preços voltaram a cair”, explicou Finger.

Segundo a análise da OMC, mais da metade da alta registrada nas exportações nacionais nos últimos meses ocorreu graças aos preços, e não ao volume exportado.

O mesmo já havia ocorrido em 2007. No ano passado, o País registrou um crescimento das exportações de 17% em valor, com US$ 161 bilhões. Em volume, porém, o Brasil teve uma alta de suas vendas de apenas 6,9% em 2007.

Commodities salvaram as exportações

Nos primeiros quatro meses do ano, a alta nos preços das commodities salvou as exportações brasileiras e permitiu que o País tenha uma taxa de crescimento em 2008 acima dos índices da China, pela primeira vez em décadas. Em janeiro, as exportações tiveram alta de 20,9%, contra 26,4% em fevereiro. Na China, a alta foi de 21% nos dois primeiros meses.

Mesmo com essa expansão, o superávit já vinha caindo diante do crescimento das importações, uma das maiores entre as principais economias do mundo nos últimos seis meses.

Agora, sem o fator preço, o cenário promete ser bem diferente. “A expansão das exportações brasileiras pode não ocorrer nas mesmas taxas. O pico nos preços das commodities pode ter passado”, afirmou Finger.

Safra

Outro fator que deve atrapalhar as exportações brasileiras deve ser a retomada da boa safra na Europa em 2008. “Os produtos, incentivados pelos preços, plantaram mais e as perspectivas de safra na Europa são muito boas neste ano”, disse Finger.

Segundo dados da União Européia (UE), a safra de alimentos neste ano será 16% superior à de 2007. No ano passado, o clima pouco propício foi um dos motivos que levou à alta nos preços dos alimentos. Mas a previsão de 2008 está ainda bem acima da média de crescimento da safra nos últimos cinco anos. Em comparação à média da década, a alta é de 9%.

No setor de trigo, a safra deve ser 10,4% superior em 2008 em comparação a 2007. Em relação aos últimos cinco anos, a alta é de 6,1%. A produção de milho será 20,1% maior neste ano em comparação a 2007. O açúcar de beterraba deve sofrer um incremento de produção de 19% em relação aos últimos cinco anos, principalmente na Alemanha e França. “O resultado desse novo cenário pode ser uma queda substancial no superávit brasileiro”, disse Michael Finger.

Representando apenas 1,2% do comércio mundial, o Brasil precisaria se concentrar em garantir uma maior competitividade de seus setores produtivos para não depender os preços dos produtos de base. “A bonanza nos preços das commodities não duraria mesmo para sempre”, disse Finger.

O alerta se refere principalmente os impactos do real valorizado para as exportações dos produtos fora do setor agrícola. Para a OMC, o Brasil precisa tomar medidas para garantir maior competitividade, melhor infra-estrutura e produtividade para compensar o câmbio.

Ranking

O resultado, por enquanto, é que o País continua patinando no ranking dos maiores exportadores do mundo. Mesmo que tenha subido uma posição – ocupa hoje a de número 23 – e incrementado sua fatia no comércio internacional em 0,1% em um ano, a participação de 1,2% no mercado mundial é inferior às taxas apresentadas pelo País em décadas passadas. Países relativamente pequenos como Áustria, Suécia e Suíça continuam com maior participação no comércio mundial que a economia brasileira.

Agência Estado

Rizzolo: O fato do preço das commodities cair, é extremamente preocupante, haja vista o fato de que com o dólar valorizado, não temos competitividade nas exportações a não ser face à demanda dos produtos elencados nas commodities. Depender exclusivamente ou em grande parte as exportações nas commodities, é algo preocupante que este Blog já há tempos vem comentando.

A perversa política de alta dos juros impede a competitividade da indústria de manufaturados no Brasil, e transforma o País num imenso Cassino. Agora, com a inflação caindo, esses juros na estratosfera, e os preços das commodities em queda, a situação fica do ponto de vista econômico perigosa terá forte impcto no superávit brasileiro.