Perda de empresas com o câmbio pode chegar a US$ 20 bi, diz Mantega

SÃO PAULO – A Aracruz deve solucionar nos próximos dias o problema de crédito para equacionar o prejuízo bilionário por conta de operações com derivativos de câmbio. A informação foi dada hoje pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, que disse que a economia brasileira estaria apta a absorver “com tranqüilidade” um rombo de até US$ 20 bilhões em perdas das empresas com este tipo de instrumento financeiro.

Ele fez questão de salientar, no entanto, que o governo não irá ajudar essas empresas a cobrir seus prejuízos.

“As empresas que ousaram terão que pagar por sua ousadia”, disse o ministro.

Porém, Mantega lembrou que as companhias expostas aos chamados “derivativos exóticos” irão precisar de crédito para zerar os prejuízos e que o papel do governo é irrigar o mercado para que o funding possa ser oferecido.

Sem revelar projeções, Mantega disse acreditar que as perdas anunciadas por Votorantim (R$ 2 bilhões), Aracruz (R$ 1,9 bilhões) e Sadia (R$ 765 milhões) são as maiores do país e que, segundo ele, os “casos menores” estão sendo negociados “em condições normais”.

Mantega informou ainda que o governo vem solicitando informações para a Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F), Câmara de Custódia e Liquidação (Cetip) e bancos de empresas na busca do valor total das perdas com derivativos, montante ainda desconhecido.

Folha online

Rizzolo: A situação das empresas que de uma forma ou de outra participaram das operações de câmbio é realmente complicada. Mas é válido dizer que essas operações de venda de dólares via exportação e aplicação no mercado brasileiro, foi sim estimulada pela política econômica de altas taxas de juros. Culpar os empresários, não é uma boa conduta, o empresariado age de acordo com a lógica do mercado. Outra questão é a situação econômica do Brasil que não é nada boa como apregoam os petistas otimistas.

O Brasil lidera com o pior desempenho dentre as economias emergentes, o quadro é o seguinte: houve uma desvalorização de 36,25%, aumento de 190 pontos na taxa do DI janeiro de 2010, 62,63% de queda no valor do Bovespa em dólares e queda do índice de confiança ao menor nível desde 2006 traçam um cenário que não tem respaldo nos fundamentos da economia brasileira, mas, mostra equívocos no enfrentamento da crise em seu início, e de forma alguma justifica qualquer otimismo.

Hoje,o BC anunciou uma nova medida: o banco que antecipar o dinheiro do Fundo Garantidor de crédito terá desconto no compulsório. Enfim mais uma medida, se reunirmos e somarmos tudo que já foi anunciado pelo BC, teremos já um “pacotão”, mas Lula não quer ouvir falar em pacote; provavelmente tem trauma em relação à palavra. Só para terminar, hoje foi a primeira vez desde novembro de 2005 que o mercado brasileiro de ações encerra um pregão abaixo dos 30 mil pontos. Notícia péssima.

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Quando o Liberalismo se torna pouco Liberal

Os mais dignos expoentes da teoria marxista, sempre se ativeram ao estudo das mais diversas formas de como a partir do capitalismo, atingirmos um ideal socialista. Para tanto, desde os escritos de ” O Capital” de Marx até os postulados de Lênin, a perspectiva de uma sucessão de ocorrências, e a observação pontual de cada uma delas levaria, segundo eles, a uma convergência ao socialismo; ou em última instância, à uma economia planificada onde o Estado seria a viga mestre da inspiração de uma sociedade mais justa.

Ainda me lembro jovem, como inocênte útil, quando das discussões sobre o papel do Estado se faziam presentes na Universidade ; se éramos surpreendidos com um questionamento liberal ao acaso, a respostas vinham de forma concreta. ” Você está com muitas contradições “, afirmavam os mais velhos socialistas, de olhar sombrio, sobre as velhas cadeiras em reuniões nos chamados ” coletivos”. O tempo passou. E quem diria ? Aquelas contradições, a que os mais ferrenhos comunistas se rebelavam, tornou-se hoje o menor caminho entre dois pontos. Entre o liberalismo e o estatismo.

Quando os estudiosos do socialismo poderiam prever que, ao invés das lavagens cerebrais, dos gritos de ordem, das lutas armadas no sentido de combater a exploração do “homem pelo homem”, aquelas idéias liberais reacionárias, poderiam se tornar o melhor instrumento para um repensar no papel do Estado na sociedade liberal ?

A regulação dos setores financeiros pelo Estado, sua participação, e seu papel agora apregoados pelos liberais em pânico, surpreenderam a esquerda no mundo. De certo as medidas acabaram ” esvaziando” um pouco a legitimidade ideológica esquerdista, pois que partiu-se dessa feita, a participação do Estado, de uma análise empírica, e até financista, sem nenhum componente propriamente social, mas o pior, de uma visão conservadora de se manter um sistema capitalista em ” frangalhos”.

Uma nova estirpe de economistas e pensadores surgem no esteio pensante de Paul Krugman, Nobel de Economia . A dos economistas que, embora não defendam uma economia planificada, entendem que o mercado não só precisa ser regulado, mas que de certa forma, é incapaz de promover o bem-estar social sozinho. Fico imaginando como seriam as discussões de outrora, se algum comunista sugerisse deixar o mercado à vontade, e tentasse com isso provar que tal medida levaria o liberalismo a o Estatismo. Provavelmente seria fuzilado, ou na pior das hipóteses morto como Trotsky, que por sinal, também jamais ousou pensar nessa teoria, assim ” tão reacionária “. (risos..)

Fernando Rizzolo

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“Não há bancos quebrando”, diz Mantega ao explicar MP da estatização

Em entrevista coletiva em Brasília nesta manhã, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, explicaram a medida provisória que permite a estatização de instituições financeiras, públicas ou privadas, sediadas no país. Mantega negou que haja bancos brasileiros prestes a quebrar.

“Quero deixar claro que não há banco quebrando. O sistema financeiro brasileiro é um dos mais sólidos do mundo, justamente porque é menos alavancado, mais prudente e mais rentável. Só que isso não o isenta de ter problemas de liquidez. Estamos apenas criando alternativas e irrigando o sistema para que o país não tenha problemas e estamos dando conta disso”, disse Mantega.

Como o governo tem dito que não faria pacotes, mas só tomaria medidas pontuais quando elas fossem necessárias, a autorização para estatização de bancos significaria que já haveria instituições com risco de quebra, diferentemente do que analistas e governo afirmavam antes.

O ministro Mantega foi questionado sobre isso na entrevista. Também foi indagado quais seriam essas instituições que deveriam ser salvas de imediato com a compra estatal.

Ele negou qualquer risco de quebra já. Mantega preocupou-se apenas em dizer que bancos pequenos e médios podem vir a ter problemas de falta de dinheiro em caixa e, por isso, o governo criou as novas medidas.

“A idéia é não interromper a liquidez da economia brasileira. O problema da liquidez está dado. É claro que isso pode trazer falta de liquidez para algumas instituições, de médio porte, de pequeno porte.”

Ele disse que, apesar de não haver bancos quebrando, a medida foi tomada para dar “mais uma alternativa” ao mercado.

Mantega declarou que, apesar da autorização para estatização, isso pode não acontecer. Segundo ele, apenas é uma abertura para interesse das instituições, se for o caso.

O ministro disse que, depois de recuperados, os eventuais bancos comprados poderiam ser revendidos à iniciativa privada, da mesma forma que prevêem os pacotes de resgate da Europa e dos EUA.

Questionado sobre como a sociedade brasileira poderia ter certeza de que essas operações de fusões bancárias seriam transparentes, Mantega afirmou que qualquer negociação desse tipo será realizada com base em regras e preços de mercado.

“Todas as ações que o governo brasileiro está tomando são transparentes. Não demos nenhum subsídio ou socorro específico. Apenas queremos dar alternativas e tranqüilidade para os bancos que possam vir a ter dificuldades. Mas as regras serão claras”, afirmou.

Recursos
A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil possuem recursos suficientes se precisarem fazer compra de outros bancos, segundo Mantega.

“O governo não fará nenhum aporte de capital no BB ou na CEF, porque não é necessário. Eles já têm recursos suficientes”, disse.

Sobre a medida que autoriza os bancos públicos a atuarem em outros segmentos, por exemplo com a compra de instituições previdenciárias, o ministro da Fazenda afirmou que essa operação também é uma forma de elevar a liquidez no país, sem entrar em detalhes.

Folha online

Rizzolo: Como comentei anteriormente, a medida é boa, porém traz no seu bojo a dimensão da crise financeira que atinge certos bancos. Não há dúvida que a medida tem endereço certo, ou seja, muito embora mais uma vez o governo não admita, a extravagância da medida em si denota a preocupação existente. Não há uma explicação plausível para a urgência da medida, a não ser o direcionamento a certas instituições que já estão no fundo do poço e em sentido de espera. Agora a grande incógnita é saber quais são estas que serão beneficiadas; com certeza isso gera mais pânico no mercado e insinua a gravidade da crise. Quando se fala em ” comprar bancos em dificuldade” o investidor e o empresariado entendem o recado, e retraem ainda mais seus investimentos.

A notícia é boa do ponto de vista de manejo da crise, e péssima do ponto de vista do mercado financeiro brasileiro. Em três dias, a moeda subiu 12,52%. No ano, a alta acumulada é de 33,99%, donde se conclui que, “até agora o BC está apenas está enxugando gelo” . Na verdade tenho sérias críticas em relação aos chamados Leilões à vista, ou seja, quando o Banco Central vende dólar físico, queimando as reservas internacionais. É uma operação que não tem volta, portanto, o BC deve tomar cuidado ao se desfazer dos recursos estrangeiros que o País possui, esses leilões, visam principalmente resguardar as empresas que especularam.

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Governo autoriza estatização de instituições privadas no País

SÃO PAULO – O governo mostrou mais uma vez seu comprometimento para evitar que a crise financeira atinja com força o Brasil. Nesta quarta-feira, 22, o Diário Oficial da União traz uma medida provisória, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que autoriza o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal a comprarem ações em instituições financeiras privadas. Na prática, a MP permite aos bancos estatizar as instituições com problemas.

De acordo com a medida, os dois bancos federais poderão comprar participações em instituições financeiras, públicas ou privadas, sediadas no Brasil, incluindo empresas dos ramos securitário, previdenciário e de capitalização, entre outras. Além disso, o negócio poderá ser realizado sem qualquer licitação para isso.

A MP 443 autoriza ainda a criação da empresa Caixa – Banco de Investimentos S.A., sociedade por ações, subsidiária integral da Caixa Econômica Federal, com a finalidade de explorar atividades de banco de investimento.

A última determinação da medida, que entra em vigor já nesta quarta, é que o Banco Central poderá realizar operações de swap (contratos que trocam os rendimentos em juros pela oscilação da moeda estrangeira) de moedas com bancos centrais de outros países, nos limites e condições fixados pelo Conselho Monetário Nacional.

O presidente do BC, Henrique Meirelles, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, darão uma entrevista coletiva a partir das 11 horas, na sede do Ministério da Fazenda em Brasília, para explicar a Medida Provisória.

Agência Estado

Rizzolo: A medida é boa e poderá amenizar o problema de falta de liquidez de algumas instituições financeiras. Observem que o problema todo gira em torno da confiabilidade no mercado, quanto mais o governo sinalizar nas propostas que pautam a segurança do financeira, melhor será as reações inclusive na questão cambial, que é alavancada pela especulação. Nesse mesmo esteio de proposta, os bancos europeus agiram para conter a crise. Hoje existe de forma acentuada um caráter endógeno de geração de crises no capitalismo, e demora na participação do Estado como elemento regulador pode causar danos irreparáveis.

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Bolsas asiáticas desabam seguindo perdas de Wall Street

TÓQUIO – As Bolsas asiáticas fecharam em baixa as operações desta quarta-feira, 21, seguindo Wall Street que fechou em queda na terça-feira. O temor sobre a situação da economia americana aumentou depois que um grupo de empresas importantes dos EUA advertiram sobre maiores complicações no futuro por causa da crise.

O índice Nikkei da Bolsa de Tóquio desabou 631,56 pontos (6,78%), para 8.674,69. Já o índice Topix, que reúne todos os valores da primeira jornada, caiu 67,41 pontos (7,04%), aos 889,23.

Em Seul, o índice Kospi perdeu 61,51 pontos (5,14%), aos 1.134,59. Enquanto que o indicador de valores tecnológicos Kosdaq caiu 15,44 pontos (4,40%), para 335,53.

Os outros mercados ásiaticos também fecharam no vermelho. Hong Kong perdeu -5,42%; Bangcoc -1,95%; Jacarta -4,32%; Manila – 1,12%; Cingapura -4,93% e Xangai -3,58%. A bolsa australiana amargou perda de -3,09%.
Agência Estado

Rizzolo: Os dados concretos de que a economia americana caminha para uma recessão derrubou os mercados, companhias como a Caterpillar, a DuPont e a Sun Microsystems divulgaram na terça-feira resultados piores do que os esperados. Esse fato com certeza repercutirá mal no mercado brasileiro nesta quarta-feira. O nosso problema cambial se agrava, à medida que o crédito escasso e o clima de desconfiança dos empresários brasileiros aumentam. Alguns setores como o imobiliário, já enfrentam dificuldades e o socorro às construtoras ainda parece longe de ser o suficiente.

Ontem Mantega afirmou que o governo não vai arcar com prejuízos de empresas obtidos em operações de derivativos. “Não vamos cobrir nenhum tipo de prejuízo”, afirmou. Segundo ele, essas empresas tiveram lucros nessas operações anteriormente e agora, com a desvalorização do real, tiveram prejuízos, com os quais devem arcar e “seguir a vida”, ou seja, já está de uma forma clara dizendo ao empresariado, ” virem-se”. O governo só esquece que ele também contribuiu para esse quadro, quando “induziu” – do ponto de vista mercadológico -, essas empresas a fazer tais operações face às altas taxas de juros. É como eu sempre digo, a economia vive de ambiente confiável, afirmações como esta apenas pioram o ambiente financeiro.

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Gastos do BC para aumentar liquidez já somam US$ 22,9 bilhões

BRASÍLIA – O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou nesta terça-feira, 21, que o BC já injetou US$ 22,9 bilhões para dar liquidez ao mercado de câmbio, desde o início da fase mais aguda da crise financeira mundial, com a quebra do banco Lehman Brothers.

Segundo ele, foram US$ 3,2 bilhões no mercado spot e US$ 12,9 bilhões em operações de swap cambial. Além disso, o BC vendeu US$ 1,6 bilhão destinados a financiar os comércio exterior e mais US$ 3,7 bilhões em leilões com compromisso de recompra. O BC também deixou de rolar US$ 1,5 bilhão em swap reverso.

Em audiência na Câmara dos Deputados nesta terça, Meirelles voltou a dizer que o Brasil hoje é mais resistente aos choques externos e creditou isso, sobretudo, à política de redução da vulnerabilidade externa, que fez com que o País saísse de um endividamento em dólar de 55,5% de sua dívida para uma posição credora em dólar de cerca de 28% do total.

Dessa forma, explicou, os choques externos que antes geravam depreciação cambial e aumento da dívida pública, piorando a percepção de risco e alimentando a desvalorização do real, hoje fazem com que a dívida pública caia em proporção do PIB e se torne um fator estabilizador para a economia brasileira. Ele afirmou que a posição cambial credora do Brasil, resultado da política de swap cambiais reversos e acumulação de reservas internacionais, “mostra-se providencial” neste momento de crise.

Ele repetiu a projeção do BC para a relação dívida/PIB em setembro, que é de 38,9%, a mais baixa desde 1998, e disse também que em outubro, com a alta do dólar, a dívida deve ter caído abaixo desse valor.

Meirelles afirmou que crise gerou um problema de liquidez para o Brasil e reconheceu que, por conta disso, houve queda no fechamento de Adiantamento de Contratos de Câmbio (ACC), o que, no entanto, avalia, deve ser normalizado com os leilões de empréstimos em dólar realizados pelo BC. Ele ressaltou que os valores que o Brasil tem gasto para mitigar os efeitos da crise no País são inferiores aos empregados pelos países desenvolvidos ou outros emergentes.

Incertezas

O presidente do BC afirmou que há ainda um fator de incertezas sobre a economia mundial, que é o montante de prejuízos que ainda serão reconhecidos pelos bancos norte-americanos. Na sua apresentação na Câmara, Meirelles ponderou sobre os problemas de capitalização das instituições financeiras no mundo desenvolvido, que exigiram fortes intervenções governamentais que, somadas, foram de US$ 595 bilhões, sendo parte significativa destinada a capitalizar os bancos. Meirelles ressaltou que os bancos brasileiros, ao contrário, estão com índices de capitalização acima do requerido, bem como têm indicadores positivos de rentabilidade, liquidez e inadimplência.

Meirelles afirmou que o mundo, por conta da crise, está crescendo menos, e as estimativas atuais tendem a ser revisadas para baixo.

Agência Estado

Rizzolo: Sinceramente uma das posturas econômicas que eu encaro como relutante é a do Meirelles, numa crise como esta em que até o governo Bush pensa de forma indireta em prevalecer o Estado como interventor do bancos, Meirelles pensa apenas na inflação; sua fixação na inflação parece ser de concepção tendenciosa e freudiana, uma inflação de certo que parece aos olhos do mundo, ter cara de deflação face à recessão; e acreditem, ainda apesar a tudo que vemos, Meirelles terá com certeza uma inspiração especial no dia 28 e 29 na reunião do Copom. Irá satisfazer o desejos do “cassino Brasil” aumentando os juros e satisfazendo a especulação internacional e os banqueiros.

Às vezes penso que Meirelles mantem a dinâmica de seu raciocínio como que ainda estivesse no Bankboston; o cuidado e o carinho que tem ele com os bancos brasileiros, é uma coisa impressionante, e o pobre empresário sem dinheiro para financiar suas operações, e o consumidor fica a ver navios. É o dinheiro que o Banco Central deu e os bancos não emprestam.

Aí vão dizer, Ah! Mas o Rizzolo gosta de falar dos bancos, dos pobres empresários e mal do PT bebendo vinho em Saint- Germain-Des-Prés, no Brasserie Lipp. Falem o que quiser, a opinião dos esquerdistas pouco me afeta, essa é a realidade. Agora, o fato de que o Meirelles ainda se sente do Bankboston, não resta a menor dúvida !!

Em relação ao PT o pior: o partido ainda acredita que este é um governo para o social. Sorte dos bancos, não é ? Aqui em São Paulo, o PT já não encanta mais, tampouco no ABC. E olha, o problema não nem Lula viu, que no meu entender é um grande estadista, mas é o PT mesmo. Tenho quase certeza que ele próprio ( Lula ) já se deu conta disso. Mas não pode falar, não é ? ” Ce n’est pas une chose élégante ” ( risos..)

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Lula admite reduzir orçamento de ministérios com efeitos da crise

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu nesta terça-feira que, caso a crise financeira mundial atinja o Brasil com mais força, poderá haver corte dos investimentos da União previstos nos orçamentos dos ministérios. A declaração foi feita durante discurso realizado em São Paulo, no evento de comemoração dos 60 anos do SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência).

“Eu não posso assumir o compromisso com vocês de que se houver uma crise econômica que abale o Brasil a gente vai manter todo o dinheiro em todos os ministérios. Até porque se a União arrecadar menos, vai ter menos dinheiro para dividir com todo mundo. Só que a gente não pode vender ilusão aqui”, afirmou Lula.

O secretário-adjunto da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, disse nesta terça-feira que o crescimento da arrecadação neste ano pode ficar abaixo dos 10% previstos pelo governo até o mês passado. Ele também afirmou que os efeitos da crise econômica sobre os resultados de 2009 já preocupam o governo.

O presidente também ressaltou a participação dos países emergentes nas ações anticrise. “É importante ter em conta que essa crise pode chegar ao Brasil muito mais leve que nos países de origem. […] Mas quem está dando solidez à economia mundial são os países periféricos: Brasil, China, indica, África, os países da América Latina, entre outros.”

Lula voltou a afirmar que o país não terá pacote econômico. “Não vamos fazer nenhum pacote econômico na expectativa de que as medidas que já nos foram apresentadas dêem resultado”, disse, em referência aos pacotes apresentados pelos Estados Unidos e por governos da Europa.

Nesta segunda-feira, porém, o governo anunciou novas medidas de crédito para aliviar os efeitos da crise. A agricultura ganhará mais R$ 2,5 bilhões, e a construção civil deve receber entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões.

Na SBPC, ele destacou ainda do fortalecimento do Estado no sistema financeiro. “Até o Bush está falando em comprar ações dos bancos privados, ou seja, significa que o coração do regime capitalista começa a ter gostinho pelo papel do Estado, que esteve desmoralizado nos últimos trinta anos e agora volta a ser peça importante”

Em tom de brincadeira, o presidente comparou o papel do Estado à relação entre pai e filho. “Quando um filho adolescente vem atrás do pai? Quando está sem dinheiro ou quando está doente. Ou seja, o mercado que poderia resolver tudo e nos últimos trinta anos ditou regras para a sociedade, no primeiro fracasso, para quem eles recorrem? Ao paizão que é o Estado. Obviamente que eu acho que o Estado tem que ajudar a resolver o problema. E acho que a saída de não dar dinheiro para banco, mas comprar ações do banco é muito importante. Porque isso permite que o Estado volte a exercer o papel de influência sobre o sistema financeiro internacional, que não tinha nenhum controle”, disse.

“Aqui no Brasil nós estamos com as instituições públicas muito fortalecidas: Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e BNDES. Portanto, estamos comprando carteira em bancos de investimentos que tiveram problemas e vamos comprar mais”, afirmou Lula.

Agência Estado

Rizzolo: Bem, a crise avança, setores da construção civil já sofrem forte impacto; demorou muito para Lula categoricamente afirmar que se não houver recursos reduzirá os orçamentos. É incrível a capacidade que o governo tem, em não aceitar momentos de tempestade com receio de ferir sua popularidade. Observem que este Blog vem alertando desde o início da crise, que a postura correta do governo, seria a de admitir e enfrentar a crise, e não ” dizer que era problema de Bush” ou para nós uma ” marolazinha ” ou outras frases de efeito amenizadoras e pouco realistas.

Apesar de até agora negar os efeitos da crise financeira internacional na arrecadação tributária de setembro, o secretário-adjunto da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, afirmou hoje que o crescimento das receitas em 2008 deve ser menor que o projetado no início do ano. Além disso, a confiança do empresário da indústria caiu para o menor nível desde 2005, também estima-se que as reservas já cairam pelo menos três bilhões de dólares desde o começo da crise.

E mais uma notícia pouco agradável, o dólar comercial disparou nesta terça-feira e fechou a sessão em forte alta de 5,32%, cotado a R$ 2,238 para venda. Os três leilões que o Banco Central fez no mercado de câmbio não foram suficientes para reduzir a cotação da moeda. Agora eu pergunto. Para que iludir o povo brasileiro ? Para não cair a popularidade petista ?

A percepção que tenho, é que o ” marketing” petista não admite queda de popularidade, tampouco demonstração de fraqueza partidária como no caso da eleição de Marta. O problema agora é reduzir os gastos públicos, é fazer com que o ” Paizão Estado” seja um pai responsável e doe apenas ao filho o necessário como demonstração de bom senso, e não de pai pródigo. Agora, haja dinheiro para as promessas e demandas do BNDES; por enquanto tem dinheiro restrito. Qual será a retórica se a fonte acabar? Problema de Bush, hein !

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