Governistas rejeitam requerimentos para investigar caso Alstom na CPI da Eletropaulo

A base governista de São Paulo barrou hoje os requerimentos apresentados pelo PT para tentar investigar o caso Alstom na Assembléia Legislativa. Numa tacada só, os governistas –maioria na CPI da Eletropaulo– rejeitaram sete requerimentos.

Entre os requerimentos rejeitados estavam os que pediam a convocação do ex-presidente da Alstom José Luiz Alquéres, do presidente da Eletropaulo, Britaldo Soares, do ex-secretário estadual de Energia Andrea Matarazzo, do sucessor de Matarazzo, Mauro Arce, do ex-presidente da Eletropaulo Emmanuel Sobral –que presidiu a estatal de janeiro a agosto de 1996– e do presidente da Acqua Lux Engenharia, Sabino Idelicato.

A CPI também rejeitou um requerimento que pedia ao Ministério da Justiça informações sobre a investigação da Alstom, que comprovariam a ligação da multinacional com a Eletropaulo.

Os únicos votos favoráveis aos sete requerimentos partiram dos deputados do PT, Enio Tatto e Antonio Mentor, presidente da CPI, com exceção do requerimento de solicitação dos documentos ao Ministério da Justiça, que também contou com voto favorável do deputado Jonas Donizette (PSB). Houve uma ausência na reunião desta terça-feira.

Ao todo, a comissão parlamentar de inquérito conta com 9 membros: dois do PT, dois do PSDB, um do DEM, um do PDT, um do PTB, um do PV e outro do PSB. Além dos membros da comissão, outros 20 deputados estaduais, tanto da oposição quanto da base aliada, participaram da reunião.

Em maio, o “Wall Street Journal” revelou que a França e a Suíça tinham documentos mostrando que Alstom teria pagado US$ 6,8 milhões a políticos para ganhar uma licitação de US$ 45 milhões do Metrô de São Paulo nas gestão tucanas.

Contratos fechados pela Alstom com outras estatais paulistas também estão sob suspeita. Documentos enviados ao governo brasileiro pelo Ministério Público da Suíça indicam que um contrato realizado pela Eletropaulo, entre 1997 e 1998, está sob investigação. A Eletropaulo foi privatizada em 1998, na gestão Mário Covas.

Os documentos apontam que empresas “offshore” teriam sido utilizadas para repassar, entre 1998 e 2001, até R$ 13,5 milhões em propinas para políticos e autoridades de SP, em valores atualizados. No período, o Estado foi governado pelos tucanos Mário Covas e Geraldo Alckmin. Matarazzo e Arce foram secretários de Energia na gestão tucana.

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), minimizou hoje as votações dos requerimentos pela CPI da Eletropaulo. “Se ela quiser votar, ela vota”, se limitou a dizer.

Ontem, o ex-governador Geraldo Alckmin defendeu a criação de uma CPI para apurar o suposto envolvimento de tucanos com o esquema de pagamento de propinas pela Alstom. Porém, desde de que exista um fato concreto para ser investigado, o que, para Alckmin, ainda não existe.

“Acredito que até o momento não houve um fato concreto. Mas se houver, os órgãos que estão investigando devem colocar a público. Se ficar comprovado [o pagamento de propina] deve haver punição. Mas precisa haver um fato concreto”, afirmou Alckmin.

Folha online

Rizzolo: Quando insisto em dizer que os políticos no Brasil sofrem de uma falta de ética, de um desrespeito com a coisa pública, e um descaso moral com o povo brasileiro, não faltam provas para confirmar minhas afirmações. Hoje nem governo tampouco oposição possuem ética pública; não bastassem documentos vindos da Suíça oferecendo farta matéria-prima para bons inquéritos, e ainda assim tenta-se abafar, não apurar.

Isso vem daqueles que sempre apregoaram a ética, a moral, imaginem no montante em que estamos nos referindo, menciona-se um suposto lote de propinas de R$ 13,5 milhões que teriam molhado mãos de políticos e autoridades. Observem os nomes envolvidos, tomem nota, e jamais tragam de volta à vida pública aqueles que nada querem apurar visando interesses espúrios. A verdade é que falta matéria-prima humana descente na esfera pública brasileira. Acho isso muito triste. Agora quando era para acusar o partido de Lula de receber US$ 3 milhões de Cuba, aí era o rigor, a ética. Da forma em que caminham as coisas o PT ainda tem muito que aprender com o PSDB. O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), afirmou que a proposta da base aliada do governo Lula de criar uma CPI no Congresso para investigar as denúncias de irregularidades nos contratos da Alstom com o governo paulista não passa de ação eleitoreira. “Isso é eleitoralismo, é o kit PT”, disse na segunda-feira, durante evento no Palácio dos Bandeirantes. Triste isso hein !