Entendendo a ministra Dilma

Uma das características de uma luta israelense chamada krav Maga, é aproveitar o tamanho do inimigo e sua força utilizando – a contra ele mesmo. Ontem no seu depoimento, a ministra Dilma Rousseff ao perceber que o senador Agripino Maia se agigantava numa pergunta envolvendo seu passado, aproveitou a oportunidade do embate e numa tática de Krav Magá reeditou seu passado nas mãos dos militares, acusando os de bárbaros e num detalhamento ideológico ressaltou a pouca vocação na época dos militares à democracia.

Todos sabemos dos horrores ocorridos nos porões da ditadura, eu mesmo quando estudante senti na pele uma invasão da PUC em 1977, contudo o que nos leva a refletir são dois aspectos intrigantes do depoimento. O primeiro deles é a pouca malícia do senador Agripino Maia ao formular uma pergunta que dava “vazão” a um assunto que a ministra sempre relembra : seu passado de sofrimento nas mãos dos algozes da ditadura. Numa análise perfunctória poderíamos imaginar que a perguntar tivesse sido encomendada, mas não gostaria de pecar pelo exagero, todavia a abertura ao golpe de krav Magá foi dado, e com a devida destreza, a ministra de forma sutil demonstrou e relembrou o que os militares fizeram quando no poder estiveram.

Mas se nos aprofundarmos um pouco mais, e talvez ainda não seria um golpe de misericórdia ou tampouco uma visão conspiratória, podemos observar nas entrelinhas das afirmações – que não deixam de terem a devida legitimidade – um recado aos militares. Com efeito, inferiu-se nas declarações da ministra, a pouca vocação democrática dos militares, mas não fez a devida menção e ressalva, de que época tais militares pertenciam, até porque, muitos dos jovens de hoje, nem sequer tinham nascido, e caberia à ministra por reconheceimento e amor à democracia, fazer menção à atual vocação democrática dos militares de hoje, mas não o fez, ao contrário enalteceu sua luta no passado.

De forma alguma estaria aqui, defendendo o regime de exceção do passado, contudo, entendo que numa democracia há de haver o cuidado com as palavras ; um jovem incauto, que desconhece o passado do regime militar tende a estereotipar as Forças Armadas como sendo a inimiga da democracia, o que hoje não é verdade.

De qualquer forma, a pergunta do senador Agripino Maia serviu à aplicação de um discurso desfavorável aos militares, desejado a reconduzi-los ao silêncio numa época em que a nova intelectualidade militar se manifesta. Nem o governo tampouco a oposição tem interesse no dossiê. Do ponto de vista moral ambos estão nivelados por baixo, cabe agora relembrar o passado para que então, todos enfim, sem nenhuma exceção possam ficar ao mesmo nível do chão, nocauteados pelo krav Magá.

Fernando Rizzolo

“Veja” manipula as opiniões de militares para defender tortura

Diz o boletim das estagiárias da CIA que “a cúpula do Exército autorizou os pesquisadores a entrar nos quartéis e questionar qualquer militar”, para responder um questionário no qual se encontra a seguinte pergunta: “O Congresso dos Estados Unidos estuda a aprovação de leis que permitem o uso de métodos não ortodoxos para obter informações cruciais. Desde que haja amparo legal, o senhor acha que se pode fazer uso de métodos não ortodoxos?”

A pergunta se baseia em duas premissas falsas, para obter um “sim” como resposta, de modo a poder apresentar a maioria dos militares brasileiros como partidários do emprego da tortura contra o “tráfico”, o “crime organizado” e “ameaças à segurança nacional”.

O Congresso dos EUA não só não estuda a aprovação de leis que permitam a tortura como tem denunciado de forma cada vez mais intensa o seu uso ilegal pela CIA e pelo poder Executivo.

Ademais, a suposta aprovação de uma lei pró-torturas nos EUA, que forneceria autorização expressa para que militares americanos, quando capturados, fossem igualmente torturados, não implicaria em qualquer mudança da Constituição brasileira diante da qual a tortura é crime hediondo, particularmente se exercida pelo Estado.

O Brasil, ainda que “Veja” não se conforme, é um país soberano e civilizado, razão pela qual mais dia menos dia não só os torturadores mas também os pregadores de tortura estarão devidamente atrás das grades. É só uma questão de tempo.

Jornal Hora do Povo

Rizzolo: Em primeiro lugar, nos dias de hoje, a grande maioria dos militares brasileiros, não pertencem à geração dos torturadores da ditadura militar que fora instalada no Brasil a partir de 1964, ditadura essa, já publicamente declarada por autoridades americanas, financiada na época pelo governo dos EUA. Em segundo lugar, insinuar que a intelectualidade militar brasileira, é a favor da tortura, como meio lícito de obtenção de provas, é um absurdo que depõe contra o espírito patriótico das nossas Forças Armadas. Os militares brasileiros, tenho certeza, estão hoje engajados em construir um Brasil melhor, mais justo e soberano, na defesa dos interesses do povo brasileiro, aliás uma tendência dos militares na América Latina, não é ?

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