Obama espera “plano viável” para salvar montadoras

O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, espera que as “Três Grandes de Detroit” (General Motors, Ford e Chrysler) apresentem um plano viável para a sobrevivência do setor automobilístico, afirmou hoje assessor de alta categoria, David Axelrod.

Como disse (Obama) no início deste mês, o que não podemos fazer é dar um cheque em branco a uma indústria que não está pronta para se reformar, se racionalizar e se modernizar para os mercados de hoje e amanhã”, disse Axelrod em uma entrevista à emissora “Fox”.

“Espero que eles retornem a Washington no início de dezembro em vôos comerciais com um plano, ou com o princípio de um plano, que alcance tudo isso, porque os contribuintes americanos não vão lhes entregar um cheque em branco para que continuem fazendo” o de sempre, ressaltou.

Axelrod reagiu assim às exigências feitas na quinta-feira pela hierarquia democrata do Congresso aos máximos executivos da GM, da Ford e da Chrysler, de apresentar um plano de viabilidade o mais tardar em 2 de dezembro, antes de estudar possíveis ajudas para que essas empresas enfrentem sua crise de liquidez.

A hierarquia democrata do Congresso lhes enviou na sexta-feira uma carta na qual detalhou os elementos que, segundo sua opinião, o plano de viabilidade e reestruturação deve incluir.

Só então é que o Congresso analisará uma possível votação de um plano de ajuda.

Para Axelrod, parte da precária situação na qual se encontram as três principais fabricantes de automóveis dos EUA se deve a algumas das práticas dos últimos 20 a 25 anos, e o governo não vai “encorajá-los a seguir pelo mesmo caminho”.

Ele afirmou que tanto os executivos quanto os sindicatos e demais partes interessadas têm que contribuir para as discussões sobre como resolver a crise que afeta o setor.

“É urgente que o façamos. Há milhões de empregos que dependem dessa indústria”, ressaltou Axelrod, em suas primeiras declarações a respeito perante o adiamento do voto de uma medida no Congresso que concederia empréstimos de US$ 25 bilhões ao setor.

Calcula-se que o colapso do setor automobilístico poderia desencadear a demissão de 2,5 milhões de empregados.

Por sua vez, em declarações à “Fox”, a governadora democrata de Michigan, Jennifer Granholm, defendeu essas empresas – fonte vital de empregos em seu estado -, ao afirmar que elas iniciaram um exaustivo plano de reestruturação.

No entanto, ela reconheceu que os executivos da GM, da Ford e da Chrysler não apresentaram um argumento convincente perante o Congresso na semana passada sobre quanto necessitam e como pensam em utilizar este dinheiro.

“Estamos muito agradecidos em Michigan que o Congresso lhes tenha dado outra oportunidade” para justificar um plano de resgate, afirmou Granholm, cujo estado já perdeu 400 mil empregos desde 2000 devido à reestruturação do setor.

Granholm insistiu em que as “Três Grandes de Detroit” estão apenas “pedindo um empréstimo que lhes sirva de ponte”.

Os EUA importam muitos componentes para a fabricação e o uso de automóveis, como baterias da Ásia e o petróleo do Oriente Médio e, segundo Granholm, o país tem que reduzir essa dependência e “buscar soluções em casa”.

A GM, que foi objeto de críticas dos congressistas porque seus executivos viajaram para pedir ajuda a Washington em jatos privados, anunciou na sexta-feira que encerrará o uso de dois de seus aviões fretados.

Já a Ford pensa em vender seus cinco aviões corporativos, segundo seu porta-voz, Mark Truby.

Até agora, a equipe de Obama tinha se mantido à margem das azedas disputas entre o Congresso e a Casa Branca sobre como ajudar a indústria automobilística, em momentos de grande incerteza econômica.

Os democratas querem que o dinheiro saia do plano de resgate financeiro de Wall Street aprovado no mês passado, mas a Casa Branca replica que já existe um fundo, aprovado em setembro e a cargo do Departamento de Energia, que incentiva a produção de veículos mais eficientes e ecológicos.

Folha online

Rizzolo: O povo americano questiona a ajuda às montadoras, e de forma uníssona, o Congresso americano exige do setor uma planificação ou uma estratégia clara de aplicação dos recursos. Agora o que Obama propõe no seu governo cujo partido é democrata, nada mais é do que uma política de partido trabalhista, de concepção ideológica como o partido trabalhista inglês. Na realidade o discurso populista de Obama de democrata nada tem, muito menos de republicano, é claro, mas o que se comenta nos EUA é essa guinada ideológica trabalhista. Criar milhares de empregos, reformular a infra estrutura nada mais é do que a conversa do PAC e isso todos conhecemos; Obama vai ter que entregar o que vendeu, muita ilusão.

Inflação pelo IPCA volta a subir, após quatro meses em queda

A inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) voltou a subir, depois de quatro meses em queda, informou nesta sexta-feira o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em outubro, o índice teve alta de 0,45%, acelerando frente aos 0,26% verificados em setembro.

No ano, o IPCA tem alta de 5,23%. Em igual período em 2007, a alta havia chegado a 3,30%. Nos últimos 12 meses, o IPCA acumula alta de 6,41%, acima dos 6,25% identificados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em outubro de 2007, a inflação pelo IPCA havia subido 0,30%.

Os alimentos voltaram a subir, depois de dois meses em queda. Apresentaram alta de 0,69%, ante queda de 0,18% constatados no mês anterior. A contribuição negativa deste grupo representou 0,16 ponto percentual do IPCA, 35% do total.

No ano, os alimentos tem inflação acumulada de 10,04%. De janeiro a outubro de 2007, a alta acumulada dos alimentos era de 7,76%.

Entre os alimentos, o destaque entre as altas ficou entre os feijões (5,66%) e as carnes (3,61%). O aumento do preço das carnes foi responsável pela maior contribuição individual no mês, com 0,08 p.p.

Ao mesmo tempo, caíram os preços da cebola (-15,19%), cenoura (-14,94%), ovos (-4,12%), óleo de soja (-3,38%) e farinha de trigo (-2,84%).

Os produtos não-alimentícios subiram 0,38% em outubro, desacelerando em relação aos 0,42% de setembro. Apresentaram redução os custos de transporte (de 0,39% para 0,02%). Os custos de saúde e cuidados pessoais também caíram (de 0,46% para 0,26%) e despesas pessoais (0,80% para 0,68%) também desaceleraram.

O preço da gasolina caiu 0,18%, após alta de 0,69% em setembro. O álcool também desacelerou, de 1,20% em setembro para 1,08% no mês passado.

O INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), calculado entre as famílias com renda mensal até seis salários mínimos, ficou em 0,50% em outubro, ante 0,15% de setembro. Nos 12 meses encerrados em outubro, o indicador acumula elevação de 7,26%, acima dos 7,04% relativos aos 12 meses imediatamente anteriores.

Folha online

Rizzolo: É claro que o aumento dos custos financeiro manifestado pela seletividade e aumento dos juros, fez com que na composição de preços fosse absorvido esses custos. Outro fator que contribuiu para a alta da inflação, foi a brusca desvalorização do real, fazendo com que os preços de alguns insumos também aumentasse. As medidas propostas pelo governo parecem não ser suficientes para resolver a escassez de crédito. Fala-se muito em utilizar recursos via BNDES, como se o banco tivesse recursos inesgotáveis.

A utilização do FAT que é um fundo compulsório com a destinação específica de garantir o seguro desemprego, e que pode ficar deficitário até 2010. Seus recursos não são inesgotáveis. O pior daqui para frente, é sentirmos em 2009, o efeito de uma eventual recessão com inflação. Além do setor imobiliário, do automotivo sentirem já os efeitos da crise, agora é o setor de transporte, principalmente o de cargas, já começa a sentir os efeitos da crise. Segundo o presidente da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), Clésio Andrade, já há diminuição na demanda por transporte, principalmente entre quem trabalha com commodities. A situação não está nada boa.