Serra não soube avaliar profundidade da crise, diz Dilma

A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, disse hoje que o presidenciável tucano, José Serra, fez uma avaliação equivocada da crise financeira internacional quando era governador de São Paulo. “Acho que você teve uma avaliação errada da crise e achou que seria mais profunda do que foi”, afirmou Dilma, durante debate promovido na capital paulista pelo jornal “Folha de S.Paulo” e pelo portal UOL, criticando a adoção do sistema de substituição tributária pelo governo paulista.

“Até seria (mais profunda), se usássemos os padrões vigentes no governo anterior”, disse, acusando o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de “quebrar o País” durante sua gestão frente às crises internacionais. Dilma afirmou que o governo federal reduziu impostos durante a crise internacional para estimular o crescimento econômico e disse que a substituição tributária teve efeito contrário, uma vez que o sistema concentra e aumenta a arrecadação em um primeiro momento.

Serra acusou Dilma de se prender ao passado e disse que o governo federal elevou os impostos incidentes sobre os investimentos em saneamento básico e energia elétrica. “Você fica tão ligada para trás, seu espelho retrovisor é maior que o para-brisa.” Dilma afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva investiu R$ 40 bilhões em saneamento, enquanto o governo FHC não ultrapassou os R$ 300 milhões. “Acho que discutir saneamento era algo que você não deveria tentar”, ironizou.
Estadão
Rizzolo: Não há dúvida que o governo Lula soube com eficácia lidar com a turbulência internacional, até porque os bancos não estavam na época tão alavancados, e já Brasil havia uma regulamentação do setor financeiro, ao contrário dos EUA. Soube também o governo federal, desonerar setores da economia mais atingidos pela crise internacional. Com estas medidas e outras, o Brasil ficou pouco vulnerável à turbulência financeira, e negar isso é desconstruir a realidade dos fatos. Mesmo na questão de saneamento básico, o governo Lula priorizou o investimento e é necessário reconhecermos também esse dado.

Policiais de penitenciárias invadem Câmara

Sem votar nada, o esforço concentrado da Câmara terminou hoje à noite com a invasão do Salão Verde, principal acesso ao plenário da Casa, por cerca de 200 agentes policiais de penitenciárias. Os policiais penais decidiram invadir a Câmara depois que o vice-presidente da Casa, deputado Marco Maia (PT-RS), encerrou a sessão sem que nada fosse votado.

Esta é a segunda vez, em agosto, que os deputados são convocados para ir à Câmara, mas nada é votado. Os policiais penais conseguiram ficar acampados no Salão Verde da Câmara depois de forçar uma das entradas secundárias da Casa. Após muito empurra-empurra, com direito a lata de lixo e extintor de incêndio voando, os agentes atropelaram os cerca de 30 seguranças da Câmara, que tentaram impedir o “arrastão”. Os invasores percorreram cerca de 100 metros pelos corredores da Câmara até chegarem às portas do plenário.

Os policiais reivindicam a aprovação de emenda constitucional (PEC 308), que regulamenta a carreira e aumenta os salários da categoria. “Tinha um acordo para que nós entrássemos, mas resolveram nos tratar como bandidos, barrar nossa entrada e nos escorraçar daqui”, reclamou Jânio Gandra, presidente da Confederação Brasileira de Trabalhadores das Polícias Civis.

Os policiais penais prometiam passar a noite no Salão Verde da Câmara. Até as 21 horas, nenhum parlamentar havia aparecido para negociar com a categoria. O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), não esteve hoje na Casa. Uma sessão da Câmara está marcada para amanhã à tarde, mas a avaliação de lideranças partidárias é que dificilmente haverá votação. A PEC 308 sequer está na pauta de votação da Casa. Mas, segundo os policiais, havia uma promessa para que a proposta fosse apreciada pelos deputados antes das eleições de outubro.
estadão

Rizzolo: Coincidentemente, acabei de escrever um artigo sobre essa questão dos salários dos profissionais da segurança publica. Não há como darmos continuidade a qualquer projeto de inclusão educacional ou social, se a questão da ordem pública não estiver bem resolvida, e quando me refiro a uma política de segurança publica bem resolvida, ela passa acima de tudo pleo viés salarial dos profissionais. Procrastinar aumentos dignos aos profissionais policiais de penitenciária, por exemplo, significa dar oportunidade para o aumento do crime organizado. Seja qual for o policial militar civil ou federal, é de suma importância a sua remuneração, até pela periculosidade que estes estão envolvidos. Quando falamos em educação, não podemos conceber que não haja a devida proteção aos jovens do outro lado do muro da escola, no combate ao tráfico e a criminalidade em geral.

Lula adia envio de projeto de leis sociais ao Congresso

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que não vai mais enviar neste ano ao Congresso o projeto de consolidação das leis de políticas sociais, como anunciou diversas vezes ao longo do ano. Em um encontro promovido pela Secretaria Nacional da Juventude, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília, Lula disse que não enviará mais porque o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Luiz Dulci “lamentavelmente” fez uma consolidação muito grande. Depois, disse que não vai enviar, por causa do processo eleitoral.

As declarações do presidente foram feitas em encontro fechado, transmitidas pelo circuito interno de som no CCBB. “Por que não mandarei para o Congresso? Não mandarei exatamente porque a gente manda um pônei bonitinho de circo e o bicho volta um camelo. Para não destruir e transformar, eu disse para o Dulci: vamos ter paciência, vamos esperar o Congresso ter novos deputados e senadores.”, afirmou Lula acrescentando que, passadas as eleições, os atuais parlamentares, especialmente os que perderem, vão voltar muito mal-humorados e por isso o governo não deve enviar a proposta agora.
estadão

Rizzolo: Entendo que o presidente agiu com o costumeiro acerto. Enquanto tivermos os famosos “políticos profissionais” no Congresso que lá estão a mando de seus financiadores de campanha, nada será resolvido em prol do povo brasileiro. Quando afirmo que é necessário uma total renovação do quadro parlamentar, não é pelo fato de ser candidato a dep.federal e nunca ter exercido um mandato, mas por pura razão e amor ao povo brasileiro que merece varrer aqueles que sustentam com poucos ideais a miséria e a falta de oportunidade aos mais pobres desse país.

Joaquim Barbosa ataca ‘Estado’ e repórter

Pressionado pelo presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, e pelos colegas do Supremo Tribunal Federal (STF) por causa das licenças médicas que o afastam dos julgamentos, o ministro Joaquim Barbosa concedeu entrevista ao site da revista Época. Barbosa reagiu a reportagens publicadas pelo Estado e fez acusações contra a repórter do jornal Mariângela Gallucci.

Advogados e ministros não discutem a doença ou o direito à licença, mas o fato de Barbosa não poder trabalhar e continuar ocupando uma vaga no STF. No ano passado, com base em laudos médicos que atestam que o ministro sofre de dores crônicas na região lombar e no quadril, ele renunciou ao cargo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Perícia. “Que se defina a situação”, disse o ministro Marco Aurélio de Mello, do STF. O próprio presidente do Supremo, Cezar Peluso, indicou a possibilidade de submeter Barbosa a uma perícia médica, caso ele precise continuar afastado da Corte.

Barbosa não vai trabalhar, mas foi visto e fotografado numa festa na sexta-feira à noite, e, no sábado, num bar de Brasília. Indicado para o STF em junho de 2003 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro vai completar em 30 de setembro 225 dias de licença médica. No Supremo, ele acumula mais de 13 mil processos.

Na entrevista à Época, Barbosa afirmou: “A repórter Mariângela Gallucci do jornal O Estado de S. Paulo invadiu ilegalmente a minha privacidade, me fotografou clandestinamente em ambiente residencial privado, me espionou no fim de semana, quando eu me encontrava com amigos e, ainda por cima, colocou dúvidas sobre o estado de minha saúde (…) Ela fingiu que ligou para o outro lado. Ela ligou para o meu gabinete, sabendo que eu estava há três meses em tratamento em São Paulo, quando ela poderia ter falado diretamente comigo.”

As fotos do ministro na festa de sexta-feira não foram feitas pela jornalista Mariângela Gallucci, que nem sequer estava no local. No sábado, Barbosa foi fotografado pelo Estado no bar, um lugar público.

Ao contrário do que afirma o ministro, a repórter contatou sua assessoria de imprensa para falar sobre a paralisação de processos provocada por suas sucessivas licenças médicas. No bar, a repórter abordou o ministro, mas ele disse que não falaria com o jornal.
estadão
Rizzolo: Entendo que o conceito de individualidade e privacidade deve ser mantido mesmo em locais públicos, portando concordo com o Ministro Barbosa. Agora a questão básica, não é a doença ou o direito à licença, mas o fato de Barbosa não poder trabalhar e continuar ocupando uma vaga no STF, para tanto devemos nos basear numa perícia médica. A grande verdade é que o ministro Barbosa tem sido constantemente atacado por alguns segmentos o que nos leva a pensar em pontuações políticas, muito mais do que jurídicas operacionais.

Com licença médica, Joaquim Barbosa vai a festa de amigos e a bar em Brasília

BRASÍLIA – O ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, que está de licença por recomendação médica, alegando que tem um “problema crônico na coluna” e, por isso, enfrenta dificuldade para despachar e estar presente aos julgamentos no plenário do STF, não tem problemas para marcar presença em festas de amigos ou se encontrar com eles em um conhecido restaurante-bar de Brasília.

Na tarde de sábado (ontem), a reportagem do Estado encontrou o ministro e uns amigos no bar do Mercado Municipal, um point da Asa Sul. Na noite de sexta-feira, ele esteve numa festa de aniversário, no Lago Sul, na presença de advogados e magistrados que vivem em Brasília.

Joaquim Barbosa está em licença médica desde 26 abril. Se cumprir todos os dias da mais nova licença, ele vai ficar 127 dias fora do STF, só neste ano. Em 2007, ele esteve dois dias de licença. Em 2008, ficou outros 66 dias licenciado. Ano passado pegou mais um mês de licença. Advogados e colegas de tribunal reclamam que os processos estão parados no gabinete do ministro.

Processos estocados. Neste sábado, a reportagem do Estado aproximou-se da mesa onde Barbosa estava no Bar Municipal. O ministro demonstrou insatisfação e disse que não daria entrevista. Em seguida, entretanto, passou a criticar um texto publicado pelo jornal no último dia 5 intitulado “Licenças de Barbosa emperram o Supremo”.

No texto havia a informação de que Barbosa é o campeão de processos estocados no STF, apesar de ter sido poupado das distribuições nos meses em que ficou em licença. De acordo com estatísticas do tribunal, tramitam sob a sua relatoria 13.193 processos, incluindo os que estão no Ministério Público Federal para parecer. O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante Júnior, disse que o STF deveria encontrar uma solução para os processos que estão parados e que essa saída poderia ser a redistribuição das ações.

De acordo com Barbosa, o jornal tinha publicado uma “leviandade”. O ministro afirmou que a reportagem foi usada por um grupo de pessoas que, segundo ele, quer a sua saída do STF. “Mas eu vou continuar no tribunal”, disse, irritado. Ele afirmou que não é verdade que as suas licenças emperram os trabalhos da Corte. O ministro reclamou que não foi procurado pela reportagem para se manifestar sobre as queixas feitas por advogados e colegas de STF por causa de suas licenças médicas. Ministros do Supremo chegaram a dizer que se Barbosa não tem condições de trabalhar deveria se aposentar.

“Você não me procurou”, disse. A verdade é que o Estado só publicou a reportagem do último dia 5 depois de contatar um assessor do ministro. Esse funcionário disse que Barbosa não daria entrevista. Ao ser confrontado com essa informação, o ministro disse: “Você tinha de ter ligado para o meu celular”. Depois, não quis mais falar.

Volta temporária. Na semana passada, o presidente do STF, Cezar Peluso, anunciou que Barbosa voltaria ao plenário da Corte. O regresso será, porém, temporário: é só para participar de um julgamento que diz respeito ao mensalão petista, processo do qual ele é relator, e outros casos em que a conclusão do julgamento depende do voto dele. O ministro participará desse julgamentos e retornará para a licença, para se tratar em São Paulo.

Entre os processos nas mãos de Barbosa está uma ação que discute se as empresas exportadoras de bens e serviços devem recolher ou não a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Na sessão da semana passada, o julgamento do processo foi interrompido porque o placar ficou empatado em 5 a 5. Caberá a Barbosa desempatar o julgamento.

De acordo com estatísticas disponíveis para assessores do tribunal, Barbosa é o campeão em processos no STF, apesar de ter sido poupado das distribuições nos meses em que ficou em licença. Tramitam sob sua relatoria 13.193 processos, incluindo os que estão na Procuradoria-Geral da República para parecer. Na outra ponta das estatísticas, Eros Grau, que se aposentou na segunda-feira, era o responsável por 3.515 processos em tramitação. Ao todo, estão em andamento no tribunal 92.936 ações.

estadão

Rizzolo: É interessante observar que por traz de toda crítica sempre existe algo tendencioso. Não se trata aqui de se alegar ou sempre sair em defesa do ministro Barbosa por ser ele negro, mas de fazer uma reflexão da forma pela qual se trata uma questão de saúde, de um Ministro do Supremo Tribunal Federal, que evidentemente se distanciou fazendo-se valer de uma licença médica que é claro, teve o aval de um corpo clínico. Agora alegar que só porque em determinado momento o ministro estava numa reunião com amigos, justifica desqualifica-lo, acho um tanto comprometedor. Podemos ter dores terríveis e em alguns momentos, mas até sob efeito de medicação, termos sim uma vida social razoável. Como brasileiro, Advogado, entendo na matéria um viés injusto em relação ao ministro Barbosa.Acho que eu fui claro.

Presidente do PSDB diz que Sensus ‘não é sério’

O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), disse que não comentará o resultado da pesquisa Sensus divulgada hoje pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT). De acordo com a pesquisa, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, tem 41,6% das intenções de voto, contra 31,6% do candidato tucano, José Serra. A candidata Marina Silva, do PV, tem 8,5%. Para o senador, o Sensus não é uma “instituição séria”.

“Eu não comento pesquisa Sensus, o Sensus não é sério”, afirmou Guerra, que também é coordenador de campanha de José Serra. “O PSDB não comenta pesquisa do Sensus. Eleição é coisa séria e pesquisa também deve ser coisa séria”, continuou. O presidente tucano disse que o partido só analisará com calma a nova pesquisa Ibope, marcada para ser divulgada nos próximos dias.

Sobre a vantagem de 37 pontos que Dilma teria sobre Serra na região Nordeste, Guerra disse que é “normal” que a candidata petista, a exemplo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tenha mais vantagem na região. “O problema é o tamanho da vantagem”, disse. A larga vantagem é vista como “irreal” pelo senador.

“Na Bahia nosso candidato a governador só perde por 15 pontos. Em Pernambuco, as pesquisas apontam 47% e 37% entre o candidato do governo e o nosso. Em Alagoas, estamos na frente. Não há possibilidade de ela ter essa vantagem”, avaliou.
estadão

Rizzolo: Bem é natural que quando uma pesquisa não auxilia um candidato, a única saída é desqualifica-la. Mas um fator importante em ralação a pesquisas, é que elas mostram uma realidade atual, mas que no seguir da campanha podem ser alteradas. Portando como a própria candidata Dilma sempre diz, o melhor é aguardar e ver os resultados nas urnas, essa sim é a melhor pesquisa a ser feita.



Lula oferece abrigo a iraniana condenada à morte

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ofereceu hoje, durante comício em prol da candidatura de Dilma Rousseff (PT) à Presidência da República, em Curitiba, abrigo político para a iraniana Mohammedi Ashitiani, de 43 anos, condenada à morte por apedrejamento em razão de suposto adultério. “Eu tenho que respeitar a lei de um país, mas se vale minha amizade e o carinho que tenho pelo presidente do Irã (Mahmoud Ahmadinejad) e pelo povo iraniano, se esta mulher está causando incômodo, nós a receberíamos no Brasil”, afirmou.

O presidente tocou no assunto quase ao final do discurso, após criticar os Estados Unidos por repudiar sua tentativa de negociar a paz no Oriente Médio. “Parece que tem mais gente trabalhando contra a paz do que trabalhando pela paz”, destacou. “Já que minha candidata é uma mulher, eu queria fazer um apelo a meu amigo Ahmadinejad, ao líder supremo do Irã e ao governo do Irã.” Logo depois, explicou a centenas de pessoas que se postaram na Boca Maldita, no centro de Curitiba, para ouvi-lo, que no Irã o adultério é punido com a morte por apedrejamento.

Ele reconheceu que estava em situação difícil porque se tratava de falar da soberania de um país. Quarta-feira passada, Lula havia dito que não tomaria nenhuma atitude em relação à decisão do Irã, justificando que as leis de cada país precisam ser respeitada sob risco de virar “avacalhação”. “Acho que é coisa muito grave o que está acontecendo”, disse. “Nada justifica o Estado tirar a vida de alguém, só Deus dá a vida e só Ele é que deveria tirar a vida.” Lula disse que já tinha feito outros apelos a favor de brasileiros condenados à morte, em favor de uma francesa também no Irã e em favor de americanos. “Mas os americanos também tem que liberar companheiros do Irã”, ponderou. Em entrevista, mais tarde, Dilma elogiou o presidente por sua “sensibilidade”.

Mas Lula não deixou de atacar opositores e, principalmente, o Congresso Nacional ao pedir voto para candidatos dos partidos que o apoiam. “É preciso que tenha mais rigidez na escolha de candidatos a deputado e deputada para que o presidente da República não tenha a vida dificultada nos grandes projetos que o Brasil precisa”, apelou. Ele acentuou que, como cidadão e integrante do PT, vai lutar pela reforma política, a fim de evitar as infidelidades partidárias. “Não dá para continuar do jeito que está, é preciso critério”, ressaltou.

As críticas maiores foram contra os senadores. “Peço a Deus que esta companheira (Dilma) não tenha o Senado que eu tive, que seja mais respeitador, que não ofenda o governo”, disse. Ele reclamou, principalmente, do fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), que teria tirado R$ 40 bilhões da saúde. “Eles, quando estavam no governo, usaram durante oito anos o dinheiro e, quando eu cheguei, eles derrubaram”, criticou.

Lula disse que muitos perguntam o que ele fará quando sair do governo. “Eu quero ensinar um ex-presidente da República a ser um ex-presidente e não dar palpite a quem está governando”, afirmou. “Tenho consciência de que esta companheira tem que montar o governo com a cara dela e não com a cara do Lula e, por ser mulher, sei que tem que colocar mais mulher no governo.”

Em seu discurso, Dilma também atacou os adversários, começando pelo vice na chapa de José Serra (PSDB), deputado federal Índio da Costa (DEM-RJ). “Eu tenho um vice capaz e competente, que é o Michel Temer (deputado federal pelo PMDB-SP), não um vice inexperiente e incapaz”, afirmou. A candidata destacou que há diferença entre falar e fazer. “Eles, quando puderam mais, fizeram menos”, criticou. Para ela, os maiores cortes aconteceram na área de educação. “E trataram professores a cassetete”, ressaltou.

Dilma afirmou que todos ficarão tristes quando o presidente deixar o cargo. “Mas vai estar passando às minhas mãos a herança dele, o que ele mais ama, que é o povo”, afirmou. “Uma mulher pode cuidar do povo dele, pode apoiar o povo dele.” A coordenação da campanha no Paraná espera que a candidata venha mais vezes, com o objetivo de diminuir a diferença de intenção de voto em relação ao adversário José Serra (PSDB), que é uma das maiores entre todos os Estados.
estadão

Rizzolo: Muito Nobre a postura do presidente Lula. É claro que não é fácil se dirigir a um outro presidente de um país, que por sua vez tem leis e normas a respeitar, porém a possibilidade ofertada pelo presidente Lula, vem ao encontro dos anseios de todos que evidentemente não aceitam esse tipo de pena medieval. Já em relação ao comentário do presidente em relação ao fim da CPMF está coberto de razão, e o pior disso tudo, é que aqueles que lutaram contra o fim da CPMF, hoje posam de “socialistas” e ainda querem concorrer ao governo de São Paulo.

Brasil permanece um dos mais desiguais do mundo, apesar de progresso, diz ONU

Apesar dos progressos sociais registrados no início da década passada, o Brasil continua entre os países mais desiguais do mundo, segundo atesta um relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), que será divulgado nesta sexta-feira.

O índice de Gini – medição do grau de desigualdade a partir da renda per capita – para o Brasil ficou em torno de 0,56 por volta de 2006 – quanto mais próximo de um, maior a desigualdade.

Isto apesar de o país ter elevado consideravelmente o seu índice de desenvolvimento humano – de 0,71 em 1990 para 0,81 em 2007 – e ter entrado no grupo dos países com alto índice neste quesito.

O cálculo do indicador de desigualdade varia de acordo com o autor e as fontes e a base de dados utilizados, mas em geral o Brasil só fica em melhor posição do que o Haiti e a Bolívia na América Latina – o continente mais desigual do planeta, segundo o Pnud.

No mundo, a base de dados do Pnud mostra que o país é o décimo no ranking da desigualdade.

Mas os dados levam em conta apenas 126 dos 195 países membros da ONU, e em alguns casos, especialmente na África subsaariana, a comparação é prejudicada por uma defasagem de quase 20 anos de diferença.

Na seleção de países mencionada no relatório do Pnud, os piores indicadores pela medição de Gini são Bolívia, Camarões e Madagascar (0,6) e Haiti, África do Sul e Tailândia (0,59). O Equador aparece empatado com o Brasil com um indicador de 0,56.

Colômbia, Jamaica, Paraguai e Honduras se alternam na mesma faixa do Brasil segundo as diferentes medições.

Desigualdade e mobilidade

O relatório foca no problema da desigualdade na América Latina, o continente mais desigual do mundo, segundo o Pnud. Dos 15 países onde a diferença entre ricos e pobres é maior, dez são latino-americanos.

Em média, os índices Gini para a região são 18% mais altos que os da África Subsaariana, 36% mais altos que os dos países do leste asiático e 65% mais altos que os dos países ricos.

O documento traça uma relação entre a desigualdade e baixa mobilidade social, caracterizada pelo círculo de aprisionamento social definido pela situação familiar de cada indivíduo.

No Brasil e no Peru, por exemplo, o nível de renda dos pais influencia a faixa de renda dos filhos em 58% e 60%, respectivamente.

No Chile esse nível de pré-determinação é mais baixo, 52% – semelhante ao da Inglaterra (50%).

Já nos países nórdicos, assim como no Canadá, a influência da situação familiar sobre os indivíduos é de 19%.

Alemanha, França e Estados Unidos (32%, 41% e 47%, respectivamente) se incluem a meio do caminho.

No campo educacional, os níveis de educação dos pais influenciam o dos filhos em 55% no Brasil e em 53% na Argentina. No Paraguai essa correlação é de 37%, com Uruguai e Panamá registrando 41%.

A influência da educação dos pais no sucesso educacional dos filhos é pelo menos duas vezes maior na América Latina que nos EUA, onde a correlação é 21%.

“Estudos realizados em países com altos níveis de renda mostram que a mobilidade educacional e o acesso à educação superior foram os elementos mais importantes na determinação da mobilidade socioeconômica entre gerações”, afirma o relatório.

Para o Pnud, a saída para resolver o problema da desigualdade na América Latina passa por melhorar o acesso das populações aos serviços básicos – inclusive o acesso à educação superior de qualidade.

O relatório diz que programas sociais como o Bolsa Família, Bolsa Escola e iniciativas semelhantes na Colômbia, Equador, Honduras, México e Nicarágua representaram “um importante esforço para melhorar a incidência do gasto social” na América Latina, sem que isso tenha significado uma deterioração fiscal das contas públicas.

“No que diz respeito à distribuição (de renda), as políticas orientadas para o combate à pobreza e à proteção da população vulnerável promoveram, na prática, uma incidência mais progressiva do gasto social, que por sua vez resultou em uma melhor distribuição da renda.” BBC Brasil – Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Rizzolo:Isso denota que com todos os avanços que houveram, muito há que se fazer. A diminuição das desigualdades sociais se faz com os projetos de inclusão e maior geração de empregos, dessa forma ao aumentarmos o nosso mercado interno, com uma política de juros aceitável, estaremos contribuindo para que a grande massa principalmente de jovens participem dos avanços econômicos. É bem verdade que o resultando da desigualdade demonstrada, elenca inúmeros fatores como educação, saúde, mas sou um grande otimista do potencial do nosso mercado consumidor, que como já disse se continuar fortalecido por um mercado interno aquecido e robusto estaremos na direção de uma sociedade mais justa. Projetos de Inclusão, formação de mão de obra, educação, e juros num patamar aceitável será a saída, no fortalecimento do mercado interno.



Dilma diz a bispo que aborto é questão de saúde pública

A candidata da PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, respondeu hoje a um artigo publicado no site da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), assinado por d. Luiz Gonzada Bergonzini, bispo de Guarulhos, na Grande São Paulo, recomendando o boicote à candidatura dela por causa da defesa do aborto nos casos permitidos por lei. Em entrevista à rádio Marano, de Garanhuns (PE), concedida hoje de manhã, Dilma avaliou que o aborto não deve ser tratado como uma questão religiosa, mas de saúde pública.

O texto do bispo, intitulado “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”, foi publicado na segunda-feira, mas não está mais disponível para leitura no site da CNBB. No artigo, d. Luiz diz não pertencer a nenhum partido, mas ressalta que, como bispo, “denunciamos e condenamos como contrárias às leis de Deus todas as formas de atentado contra a vida, dom de Deus, como o suicídio, o homicídio, assim como o aborto, pelo qual, criminosa e covardemente, tira-se a vida de um ser humano, completamente incapaz de se defender”.

“Já afirmamos muitas vezes e agora repetimos: não temos partido político, mas não podemos deixar de condenar a legalização do aborto”, diz o texto. “Isto posto, recomendamos a todos verdadeiros cristãos e verdadeiros católicos a que não deem seu voto à senhora Dilma Rousseff e demais candidatos que aprovam tais ”liberações”, independentemente do partido a que pertençam.”

Na entrevista, Dilma afirmou que a posição de d. Luiz não representava a da CNBB como um todo. “Até onde eu sei não é a posição da CNBB”, disse. Ela defendeu que o governo cumpra a lei e faça o procedimento em estabelecimento de saúde públicos nos casos estabelecidos por lei – estupro e risco de morte para a mãe.

“O que nós defendemos é o cumprimento estrito da lei, que prevê casos em que o aborto deve ser feito e provido pelo Estado”, afirmou a petista, ressaltando que mulheres com melhores condições fazem abortos em clínicas, enquanto as menos favorecidas acabam recorrendo a técnicas perigosas, como o uso de agulhas de tricô.

“Não conheço nenhuma mulher que ache aborto uma coisa maravilhosa. Não se deve tratar a questão como religiosa, mas de saúde pública”, afirmou. “(O bispo) parte de pressuposto incorreto. Tanto eu quanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não somos pessoas que acham que o aborto é algo para se falar que se defende. O aborto é uma violência contra corpo de mulher”, disse a candidata.
estadão

Rizzolo: Bem essa é uma questão controversa, pessoalmente sou contra o aborto, porem existem casos já previstos em lei que se autoriza fazê-lo. A grande questão é a população de mulheres pobres, que acabam se submetendo à clinicas clandestinas, muitas vezes contraindo infecções, e morrendo. Eu entendi muito bem a colocação da candidata Dilma Rousseff, não é que ela seja a favor do aborto, aliás só uma pessoa com um coração maldoso poderia apregoar e achar que o aborto é bom, sua colocação foi a de saúde pública, restrita a esse universo.

Em relação ao Velho Testamento o aborto é proibido, até porque ao meu ver, isso é um retrocesso espiritual, tanto é que dois grandes rabinos de Israel dirigiram uma carta às comunidades judaicas locais dizendo que os abortos no país “atrasam a chegada do messias”, informa a edição digital do jornal Yedioth Ahronoth. “A imensa maioria dos abortos é desnecessária e está proibida pela Halajá (lei religiosa judia)”, assinalam Yona Metzger e Shlomo Amar na carta.No escrito, o rabinato superior anuncia que estuda renovar a luta contra o aborto com a criação em seu seio de um comitê especial para tratar de impedir o “assassinato de fetos no ventre das mães”. Trata-se de uma “autêntica epidemia que leva a cada ano a vida de dezenas de milhares de judeus” e que “além da gravidade do pecado, atrasa a chegada do messias”.

PT pede à Justiça que condene Indio por declarações

O PT pediu hoje à Justiça de Brasília que condene o PSDB e o candidato a vice-presidente na chapa de José Serra, Indio da Costa (DEM), a indenizá-lo por ter dito que o partido é ligado ao narcotráfico e às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Na ação de indenização, o PT afirma que sofreu danos morais e pede que o juiz fixe o valor de uma indenização levando em conta a repercussão que o fato teve.

A notícia foi divulgada em vários veículos de comunicação e na internet, inclusive no portal “Mobiliza PSDB”. O PT ressalta na ação que, além de ter dito que o partido tem ligações com as Farc e o narcotráfico, Indio afirmou que a candidata do PT, Dilma Rousseff, é “ateia” e “esfinge do pau oco”.

“O réu Indio da Costa, de forma intencional, dedicou-se a assacar afirmações ofensivas à honra do partido autor com a finalidade de denegrir a reputação frente a sociedade brasileira, contando para tanto com a participação do réu PSDB, que de maneira deliberada fez veicular tais afirmações difamatórias em seu site”, sustentam os advogados do PT, na ação que está na 13ª Vara Cível de Brasília.

Essa não é a primeira vez que o PT recorre à Justiça por causa do episódio envolvendo Indio da Costa. No dia 19, o partido protocolou uma representação no Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando que seja apurado se foi cometido crime contra a honra. O PT também encaminhou um pedido ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que seja garantido direito de resposta.
estadao

Rizzolo: Como já comentei anteriormente, as afirmações de Índio da Costa denotam imaturidade e despreparo político, o que por consequência colocou a campanha do PSDB numa “ saia justa”. A grande verdade é que Índio é um rapaz muito novo, pouco preparo, e muito mal conduzido como vice. Não é possível que não existia ninguém, na ocasião das afirmações, a orienta-lo sobre essa demostração de superficialidade, prova disso foi a tentativa de Serra contornar e amenizar o fato. Mas agora é tarde.

Alckmin e Mercadante defendem revisão das tarifas de pedágio em SP

SÃO PAULO – Os dois principais candidatos ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) e Aloizio Mercadante (PT), defenderam nesta quarta-feira, 7, a revisão dos valores das tarifas de pedágios nas estradas paulistas.

Alckmin, acompanhado pelo presidenciável tucano José Serra em Jundiaí, interior do Estado, disse que pretende revisar as tarifas de pedágio no Estado. “O que coloquei (em Campinas, na terça-feira) é que em alguns casos você pode ter uma cidade ou um bairro muito perto de uma praça de pedágio em que a pessoa percorre às vezes um período curto e paga a tarifa cheia, então esses casos nós vamos analisar, caso a caso, e vamos procurar reduzir”, afirmou.

Em São Paulo, Mercadante, junto à presidenciável pelo PT, Dilma Rousseff, prometeu renegociar os contratos de concessão de rodovias estaduais em São Paulo para reduzir as tarifas de pedágio. “Vamos negociar e diminuir o pedágio em São Paulo. As empresas não podem continuar tendo o lucro que têm hoje. Vamos acabar com o abuso dos pedágios. O preço do abuso será a derrota eleitoral (dos tucanos)”, criticou. “A gente começa a sentir o sabor da vitória”, disse, confiante. Ele também defendeu salários melhores para os professores e uma política intensiva de combate ao crack.

Alckmin esteve em Jundiaí ao lado dos candidatos ao Senado por São Paulo Aloísio Nunes (PSDB) e Orestes Quércia (PMDB), com quem passeou pelas ruas do Centro de Jundiaí, tomou café com leite, entrou nas lojas, tirou fotos e cumprimentou eleitores e fãs. Um grupo de professores seguiu o quarteto com uma faixa na qual estava escrito: “Serra mente para o povo. Educação pede socorro”.

Pouco antes de Serra chegar à cidade, Alckmin, acompanhado de Quércia, entrou na Catedral Nossa Senhora do Desterro durante uma missa. Os candidatos ajoelharam sob os flashes e após alguns minutos saíram. “Eu aprendi com o meu pai que você, sempre que entrar em uma igreja em que você nunca foi, você pode fazer três pedidos. Mas meus pedidos nunca são políticos”, disse Alckmin. “A tarefa política é nossa.”
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Rizzolo: Essa questão do pedágio é realmente problemática. Ambos os candidatos possuem uma visão revisionista sobre o caso. Com efeito, precisamos rever os abusos, analisar cuidadosamente os aumentos, os contratos, e intervir nos trechos onde existe pedágio e pequenas cidades ou comunidades, trechos estes de passagem. O que causa espécie, é como isso não foi pensado antes, prejudicando assim grande número de pessoas.

” Chega de corrupção e rolo, para deputado federal Fernando Rizzolo ” PMN 3318

Lula condena preconceito contra alunos do ProUni

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou hoje “o preconceito” dos ricos contra os pobres e “a inveja” que setores da elite, a seu ver, alimentam contra alunos carentes que se formam com auxílio do Programa Universidade para Todos (ProUni). Lula disse que seu governo promoveu uma revolução na educação, mas que ainda há um longo caminho pela frente. Ele acrescentou que seu governo teve de enfrentar fortes barreiras para vencer “o maldito preconceito, uma doença entranhada na cabeça das pessoas”. Segundo Lula, o preconceito e a inveja “são doenças crônicas que precisariam de uma especialidade da medicina para tratá-las”.

Lula discursou hoje na abertura do seminário “Perspectivas profissionais na área de saúde”, destinado aos primeiros formandos em Medicina do ProUni. Ele citou que o programa foi lançado em 2005 e, até agora, já beneficiou 704 mil estudantes com bolsas parciais e integrais, 4.400 deles na área de medicina. Para concorrer às bolsas integrais do ProUni, o candidato deve ter renda familiar de até um salário mínimo e meio por pessoa. Para as bolsas parciais (50%), a renda familiar deve ser de até três salários mínimos por pessoa.

Após o discurso, Lula posou para fotos com cada um dos formandos e seus familiares, que lotaram o auditório de um hotel em Brasília, onde se realiza o seminário. “Não sei se terei foto melhor que esta para justificar a minha passagem pela presidência”, disse ele, emocionado. Segundo ele, historicamente, o Brasil foi pensado e governado para “uma pequena parcela da sociedade”. “Só uma parte tinha direito a cursos de graduação, mestrado e doutorado. A outra parte era predestinada a fazer o primário e, no máximo, o secundário, para, a muito custo, conseguir um emprego”.

Ele ressaltou os investimentos do seu governo em educação e criticou os antecessores que não deram a mesma prioridade ao setor. “Alguns presidentes passaram o mandato todo sem fazer uma só universidade”. “Em oito anos, eu, o Haddad (ministro da Educação, Fernando Haddad) e o Alencar (vice-presidente, José Alencar) fomos os que mais fizemos universidades federais e escolas técnicas neste País. Falo com orgulho”, completou. Segundo ele, aplicação de recursos em educação não é gasto, é investimento. “No meu governo, tratamos recursos para educação como investimento e não como gasto. Aliás, o investimento que mais retorno dá ao País”.

Vice de Serra

Ao final do evento, quando deixava o local, um repórter questionou o que ele tinha achado do vice da chapa do tucano José Serra, o deputado Índio da Costa (DEM-RJ), e devolveu a pergunta: “Quem é? Não sei quem é”. Diante da informação sobre o nome do vice, indagou novamente: “De onde ele é?”. O repórter respondeu: “Do Rio” e, então, Lula limitou-se a dizer: “Ah é?”.
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Rizzolo: Muitos estudos levantam a questão sobre qual seria a melhor forma de fazermos maior inclusão na área da saúde à grande massa carente, que, muitas vezes, se encontra longe dos grandes centros médicos e de pesquisa. Todavia, o cerne da questão sempre passa pela falta de médicos, de estrutura dos hospitais ou de oportunidade daqueles que por questão financeira não podem estudar medicina. Faltam médicos no Brasil, o número de faculdades de medicina no Brasil em relação à população é pequeno, precisamos dar oportunidade aos estudantes pobres que sonham ser médicos. Ingressar numa universidade particular abre as oportunidades e o ProUni é o instrumento social de acesso a este sonho. Agora preconceio existe, ser médico sempre foi um previlégio da elite, que por poder pagar aos seus filhos as melhores escolas, os colocavam em condição de melhor desempenho nos vestibulares, ou então tinham poder aquisitivo para pagar uma fortuna faculdade particular. Uma injustiça para com os jovens pobres.



Parte do eleitorado de Serra é também ‘lulista’

Quase um quarto dos eleitores de José Serra (PSDB) manifestou um comportamento dúbio e paradoxal na última pesquisa Datafolha: eles também afirmaram que votarão “com certeza” no candidato apoiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Nesse contingente há brasileiros que dizem ignorar a opção eleitoral de Lula, mas também os que estão convictos de que o presidente apoia Serra. Quase um décimo dos eleitores do tucano pensa assim.

Menos da metade dos serristas afirma que não votaria em um candidato apoiado por Lula. Outros 26% dizem que talvez o façam, e 23% anunciam que seguirão “com certeza” a opção de voto do presidente.

Os eleitores com “duas caras” são cerca de 11,5 milhões. Até a eleição, eles terão de se posicionar de maneira coerente: ou abandonarão o barco lulista ou votarão na pessoa efetivamente apoiada pelo presidente, conforme sua intenção declarada.

O eleitorado de Dilma é menos heterogêneo: 76% dele afirma que votará no candidato de Lula e 17% diz que “talvez” o faça. Mas no grupo dilmista o paradoxo também se manifesta: 5% de seus simpatizantes afirmam que não votariam em um candidato apoiado pelo presidente.

Esses dados mostram que os resultados das pesquisas ainda podem oscilar muito até a campanha eleitoral avançar e entrar no cotidiano da população, com a consequente queda da desinformação sobre os candidatos.

Essa desinformação se distribui de forma desigual no eleitorado. É maior entre as mulheres, entre os mais pobres e entre os moradores do Nordeste. Na região, 59% dos eleitores dizem que pretendem votar no candidato de Lula, mas 41% ignoram que Dilma ocupa esse papel.
Televisão. Na semana passada, o PT aproveitou a propaganda partidária a que tinha direito para fazer campanha para Dilma. Em inserções de 30 segundos e em dez minutos de programa em rede nacional, o partido associou a pré-candidata a Lula e a programas sociais do governo.

A ofensiva propagandística fez efeito, como demonstrou a ascensão da petista no Datafolha – de uma desvantagem de 12 pontos porcentuais em abril, ela passou para uma situação de empate com Serra, ambos com 37% das intenções de voto. O programa, porém, foi menos assistido justamente nos bolsões em que há mais desinformação sobre a relação entre Lula e Dilma.

No Nordeste, por exemplo, 67% dos moradores negaram ter visto propaganda de Dilma nos 30 dias anteriores à pesquisa. Nas demais regiões, esse índice variou entre 60% e 62%.

Entre os eleitores com renda de até dois salários mínimos – dos quais 37% não sabem quem é o candidato de Lula –, apenas 33% assistiram à propaganda de Dilma. Entre os que ganham mais de dez salários mínimos, 61% viram a candidata na TV.

No grupo que viu a propaganda. Dilma tem 45% das intenções de voto, contra 33% para Serra. Na parcela do eleitorado que não assistiu ao programa petista, é o tucano quem lidera, por 38% a 33%.
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Rizzolo:Como já comentei anteriormente, não acredito que a propaganda partidária da TV por si só tenha influenciado as pesquisas, muito mais pela falta de discurso da oposição e pela postura de Serra ao contemplar os avanços do governo Lula, faz com que o eleitor já preocupado com um eventual retrocesso neoliberal, entenda que votar num candidato indicado pelo presidente é a opção mais segura, o que logicamente não deixa de ser verdade. A grande massa vê os efeitos da política econômica do governo no próprio bolso e isso é mais forte argumento pró Dilma.

No rádio, Serra compara Dilma ao ex-prefeito Celso Pitta

Em entrevista concedida nesta manhã à Rádio Bandeirantes, em São Paulo, o pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, negou ter tentado se descolar da imagem de FHC, disse que “não necessariamente o sucessor replica o antecessor” e citou como exemplo o ex-prefeito da capital paulista Celso Pitta, eleito com apoio do ex-governador Paulo Maluf (atual deputado pelo PP).

“Não necessariamente o sucessor replica o antecessor, mesmo se tiver sido apoiado por ele. Pode acontecer e pode não acontecer”, disse Serra, que em seguida lembrou a eleição de Pitta à Prefeitura de São Paulo. “Maluf estava bem avaliado e bancou Pitta. Pitta foi diferente de Maluf. Foi outra coisa.”

Serra negou que tente descolar a imagem da do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. “Não procurei me descolar de Fernando Henrique. Fui ministro da Saúde convidado por ele. Eu posso discutir o que eu fiz”, disse. Mesmo assim, o tucano seguiu com a estratégia de evitar comparações entre FHC e Lula. Para Serra, falar do passado nessas eleições deve ficar restrito ao currículo de cada candidato.

“Lula não é candidato, assim como não são os ex-presidentes (Fernando) Collor (atual senador pelo PTB de Alagoas), (José) Sarney (atual presidente do Congresso), Itamar Franco e Fernando Henrique. Discutir quem não é candidato não faz muito sentido”, afirmou.

Serra apontou deficiências no País nas áreas da segurança, prevenção de tragédias, infraestrutura e na questão tributária e repetiu o slogan: “O Brasil pode mais.” “Nos últimos 25 anos, o Brasil avançou. Lula também colocou muita coisa por diante. Sou de acordo com ele de que devemos dar os créditos a quem fez. E podemos fazer mais.”

Nessa linha, o tucano prometeu, mais um vez, que, se eleito, manterá o programa de transferência de renda Bolsa-Família, criado pelo governo Lula. “Eu vou manter e reforçar o Bolsa-Família porque é uma coisa que funcionou”, afirmou e gabou-se: “O programa juntou bolsas do passado. Uma delas eu criei quando era ministro da Saúde, a bolsa alimentação para mães que amamentam e para crianças pequenas.”

O presidenciável disse ainda que pretende manter o nível no debate da campanha eleitoral. “Uma coisa é responder ao que dizem a meu respeito. Outra é baixar o nível. Isso não vou fazer.”

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Rizzolo: Uma das características mais marcantes nessa eleição, é que de fato a oposição é carecedora de elencos argumentativos, ao mesmo tempo em que se vê presa à terrível imagem de FHC. Com toda cautela para que o comentário seja imparcial, muito embora como todos sabem que nesse momento apoio o governo Lula, a sutileza na insinuação de Serra na afirmação que o governo Lula foi bom , já é um reconhecimento de que de nada adianta contrapor um governo que conta com 80% de popularidade.

Agora, Serra afirmar que em termos de segurança pública falta muito a ser feito, é no mínimo hilário, pois é exatamente em São Paulo, na gestão Serra, que o PCC fez sua maior operação de guerra, colocando a população paulista em pleno terror, houve aumento da criminalidade, confronto entre Paolícia Civil e Militar, e isso o paulista o sabe. De forma que tal afirmação pode impressionar os incautos de outros locais do Brasil , por aqui não. Falta de discurso total..