Não defraudarás o empregado pobre

Como é sabido, me recolho toda sexta-feira para o shabat, geralmente antes participo de um estudo com o rabino da minha Sinagoga Chabad em São Paulo. Esta semana a porção semanal da Torá chama-se Ki Tetsê e o que me chama sempre a atenção nesta parashat (porção da Tora´) é um versículo que diz ” Não defraudarás o empregado pobre e necessitado, seja ele de teus irmãos ou seja ele dos teus estrangeiros que habitam na tua terra ” .

Com efeito, a humanidade tem lutado sempre por este princípio, deste a época mais remota, a ética judaica sempre priorizou as relações com os pobres, a diferença conceitual do mais fraco contrapõe-se ao princípio ético de que todos somos iguais perante Deus, e obviamente se existe o mais indefeso, e temos consciência disso, como parceiros de Deus aqui na terra, temos a obrigação de não propiciar a este uma condição ainda pior.

Na realidade isto não tem apenas um caráter social, mas sim altamente religioso, pois qualquer falta em relação a Lei apregoada na Torá terá por conseqüência um ” pecado religioso”. É interessante ressaltar que talvez por influência bíblica, certos conceitos de justiça social se originaram no Antigo Testamento, ou na Torá. A exegese conceitual da opção pelo mais fraco, e a observação como isto sendo um pecado religioso, nos confirma a determinação divina na opção até por questões éticas, aos mais pobres.

Isso, com efeito, não poderia jamais ser apropriado pelo socialismo ateu como sendo uma premissa autoritária, até porque a tirania desconstitui o livre arbítrio, que é a manifestação mais nobre do ponto de vista político daquilo que podemos chamar de democracia. De qualquer forma escrevi este singelo texto, talvez por sempre me emocionar com este pequeno versículo do antigo versículo, que por muitas vezes é tão difícil de ser observado, principalmente em países pobres como o nosso.

Mais uma vez Shabat Shalom !!

Fernando Rizzolo