Ex-assessor de Bush critica governo Lula

“Os brasileiros esperam milagres de Lula e muitos estão começando a achar que ele não está se esforçando muito em seu segundo mandato.” Essa é a crítica de Roger Noriega, ex-secretário-assistente de Estado para o Hemisfério Ocidental no governo Bush. Em artigo para o American Enterprise Institute, reduto dos neoconservadores e de muitos egressos do governo Bush, Noriega afirma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva corre o risco de “desperdiçar os 30 meses de mandato que restam se ele ficar desfrutando os elogios que recebe e se tornar complacente”.

No artigo “Legado ou complacência: a missão inacabada de Lula no Brasil”, Noriega elogia o desempenho econômico do País, dizendo que o Brasil “costurou algumas décadas de políticas macroeconômicas sólidas e governo pluralista para se tornar um exemplo de como uma democracia multiétnica e uma economia de livre mercado podem ajudar a tirar milhões de pessoas da pobreza”.

Noriega diz que, enquanto outros líderes da região passam o tempo impondo uma agenda divisiva, Lula sobressai pelo pragmatismo. Mas ele afirma que Lula está negligenciando as reformas do País em seu segundo mandato. “O Brasil nunca esteve tão bem equipado para lidar com obstáculos, mas o ritmo de reformas do governo Lula desacelerou”, diz Noriega, conhecido por sua posição linha-dura com a Venezuela e Cuba. Como embaixador dos EUA na Organização dos Estados Americanos (OEA), ele pregava sempre o isolamento dos dois países.

“Grande parte do desempenho positivo do Brasil – particularmente o superávit comercial de US$ 40 bilhões – deve-se aos preços recordes das commodities; mas a desaceleração da economia global ameaça eliminar muitas das condições externas positivas que o Brasil acha que são garantidas”, alerta Noriega no artigo.

“Mais do que nunca, é hora de prosseguir com reformas”, diz Noriega, fiel ao receituário do Consenso de Washington. “Mas até agora, em seu segundo mandato, Lula está concentrando mais esforços em projetos de desenvolvimento do que na reforma de um sistema que estrangula o crescimento. Regulamentações ineficientes e alta carga tributária para financiar os gastos crescentes do governo ameaçam desfazer todo o progresso atingido no primeiro mandato de Lula.”

Segundo Noriega, o presidente Lula deveria “estudar” o relatório Doing Business 2008 do Banco Mundial e se esforçar para que o País melhore em cada uma das categorias analisadas.
Agência Estado

Rizzolo: Não há dúvida que a alta carga tributária é um problema. Tão problemática é esta questão, quanto a dúvida se realmente a carga tributária é excessiva no Brasil ou mal gerenciada. O que parece para mais coerente, é a mal aplicação dos recursos públicos, até porque, as cargas tributárias de alguns países europeus que se assemelham a nossa, porem possuem um Estado eficiente. Na verdade existe sim no governo Lula um problema de gestão, mas não podemos deixar de reconhecer os grandes avanços sociais, quer eles em face aos preços das commodities, ou em função de uma política desenvolvimentista. Só criticar é fácil, fazer a máquina toda funcionar que é difícil. O povo brasileiro espera um corte nos gastos públicos, não nos projetos sociais, e isso realmente está difícil de acontecer , neste aspcto procede a crítica de Noriega.