A Magia de uma Antiga Casa

Não havia nada mais desafiador na minha infância que fazer o trajeto de bicicleta da minha casa a casa dos meus avós, no bairro de Indianópolis, em São Paulo. Não era tão longe, mas as ruas de terra davam a impressão de que a distância era imensa. Quando chegava, minha avó, como de costume, me preparava um chá de hortelã e depois me oferecia as deliciosas balas de morango. Após o ritual quase diário, eu fazia o mesmo trajeto de volta pelas ruas empoeiradas, numa pedalada alegre, com a brisa batendo no rosto e o gosto refrescante de hortelã na boca.

Hoje, ao pensar na minha infância, relembro que minha alegria nem era tanto pelo passeio diário, mas por sentir o vento no rosto e pela sensação de liberdade que o passeio proporcionava. Ir à casa da avó, me preparar para pedalar, calibrar os pneus da bicicleta e passar de forma desafiadora nas pequenas poças d’água, nas velhas ruas de terra, eram minha felicidade de menino. Imagens da antiga casa ficaram gravadas em minha mente: o portão baixo de ferro pintado de cinza, uma pequena varandinha, a cadelinha chamada Lupinha deitada próxima à porta de entrada, a maçaneta da porta toda em cobre, uma janelinha nessa mesma porta, daquelas que se abre para atender as pessoas… E era ali que o rosto da minha avó surgia, com um sorriso largo, e dizia: “Entre, Fernandinho”. E eu, ainda sobre a bicicleta, aos 8 anos, abria o portão baixo e colocava minha bike na varanda, antes de entrar para saborear o delicioso chá de hortelã e as balas de morango.

O tempo passou, mas a memória ficou. E um dia algo maravilhoso aconteceu, sem que eu esperasse: ao tentar fugir de um imenso congestionamento na região, há mais ou menos três anos, sem que eu percebesse, fui parar exatamente em frente à antiga casa dos meus avós, vendida havia mais de quarenta anos. Como hipnotizado pela cena, estacionei o carro diante da casa e, como se assistisse a um velho filme, revivi todo o meu passado. A rua já não era mais de terra, mas eu podia vê-la; a frente da casa tinha sido um pouco modificada, mas eu via nitidamente o portão cinza entreaberto, e a porta… Ah, a porta era a mesma!

Calmamente, saí do carro, aproximei-me ainda mais da casa e, num atrevimento saudoso, toquei a campainha. Uma senhora abriu a janelinha da porta e me disse: “Pois não?”. Meus olhos encheram-se de lágrimas, porque, naquele instante, lembrei-me da minha bicicleta e da rua de terra batida. De volta ao presente, resolvi responder: “Desculpe-me, senhora, mas é que esta casa um dia foi alugada à minha família, e quando criança eu vinha quase todos os dias aqui. Sinto muita saudade da casa e dos meus avós”. A mulher, mais que depressa, abriu a porta e disse: “O senhor quer entrar?”. Meio sem jeito, mas curioso, aceitei o convite. Tudo era exatamente igual! As paredes, a sala, a cozinha, a escada… Senti-me mergulhando num passado doce, leve, saudoso.

Quando resolvi ir embora, a simpática senhora me olhou e disse: “Moro sozinha. Sou viúva, meus filhos me abandonaram. Venha quando quiser relembrar seu passado, seus avós, sua infância”. Naquele momento, percebi que as pessoas se vão ou porque morrem, ou porque desistem das outras, mas uma casa e seu passado sempre ficam, o vínculo que se estabelece entre a casa e a família é algo mágico. Lembrei-me também da importância de as pessoas terem a sua casa própria, assim como do projeto Minha Casa, Minha Vida, o maior programa habitacional da história do Brasil, criado no governo do presidente Lula.

Uma casa própria é sempre um abrigo seguro às demais gerações – a parede resiste, e através das portas e janelas podemos voltar ao passado e relembrar o doce chá de hortelã, as saborosas balas de morango, o olhar da velha cachorrinha chamada Lupinha e o sorriso da avó dizendo: “Entre, Fernandinho”. E essas são coisas que ficam para sempre gravadas na memória e nas paredes das antigas casas. As casas alugadas se vão mas a saudade persiste.

Fernando Rizzolo

Artigo publicado no Blog da Dilma http://dilma13.blogspot.com/2010/05/magia-de-uma-antiga-casa.html

Condições de Moradia e os Direitos Humanos

A distância existente entre as condições socioeconômicas da população de classe média, ou média alta, e as da grande parte da população faz com que a primeira não tenha acesso à realidade das condições de moradia em que vive a grande maioria do povo brasileiro. O esforço do Poder Público em dar espaço às políticas habitacionais acaba não sendo suficiente para prestar atendimento à demanda da melhoria da infraestrutura que envolve o setor de habitação. Contudo, estudos recentes demonstram que em países como o Brasil os projetos de inclusão começam a mostrar resultados, como o Ministério das Cidades e a aprovação da Emenda Constitucional que inclui a moradia entre os direitos fundamentais.

Em meio ao aumento populacional das grandes cidades, reflexo da maior oferta de empregos e da pouca mobilização social neste segmento, agregando a isso a indiferença das classes emergentes na cobrança de uma pauta aceitável a curto prazo, observa-se ainda o avanço da favelização dos grandes centros urbanos do país, porém de forma mais lenta. É interessante observar que políticas de condições dignas de moradia, além de estarem correlacionadas à questão da saúde pública, implicam a percepção da autoestima no desenvolvimento intelectual e a estabilidade emocional da família.

Na direção do combate às condições precárias de moradia, o governo federal vem intensificando os programas pautados na área habitacional, assim como os reflexos das políticas de transferência de renda acabam por permear, de certa forma, este segmento, propiciando aporte maior por parte das famílias de baixa renda no investimento em moradia, revertendo isso em melhor qualidade de vida.

Uma informação importante vem da Organização das Nações Unidas (ONU), cujos dados indicam a diminuição dos moradores em favelas em muitos países, entre eles o Brasil. Na última década, cresceu a luta dos povos por melhores condições de vida, o que resultou em ações políticas que culminaram em benefícios para a população, como se pode concluir dos dados divulgados pelo Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), a agência da ONU dedicada ao estudo das habitações e condições de moradia: “Estado das cidades do mundo 2010/2011: unindo o urbano dividido”.

No Brasil, por exemplo, nestes dez anos, o número de favelados recuou em 10,4 milhões, e o número relativo passou de 31,5% da população para 26,4%. Isto é, eram favelados 1 em cada 3 brasileiros; hoje, 1 em cada 4. Nessa melhoria social, o Brasil está atrás da China, da Índia e da Indonésia, que, segundo a ONU, deram “grandes passos” na melhoria das condições de moradia de seus povos.

A inclusão da moradia entre os direitos fundamentais dá nova dimensão e interpretação mais abrangente ao conceito de direitos humanos. De forma acertada, a tutela constitucional vem ao encontro da afirmação da importância do espaço habitacional digno para o pleno desenvolvimento da cidadania, dos reflexos psicossociais da população pobre e, acima de tudo, assinala uma nova bandeira na luta pela dignidade da pessoa humana.

Fernando Rizzolo

Lula: falta de discurso leva oposição a atacar inaugurações

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça (9) que as ações dos partidos de oposição ingressadas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra suas viagens para inauguração de obras são um pretexto para a falta de discurso.

“Penso que quando um partido de oposição não tem o que propor e não tem discurso, fica difícil a situação deles, então eles tentam impedir que o outro time jogue. Nossos adversários estão com aquele time mais frágil que tenta parar [o adversário] fazendo falta”, disse Lula em entrevista a rádios em Minas Gerais.

“Eles não têm como competir e tentar dizer que o presidente está viajando. Eles queriam que eu ficasse em Brasília? Tenho que ver as obras, que é o dinheiro do povo”, disse o presidente que hoje cumpre agenda com visitas a várias obras nos municípios mineiros de Teófilo Otoni e Governador Valadares.

Lula ressaltou que está recuperado da crise de hipertensão sofrida há duas semanas e que pretende continuar viajando até o final do seu mandato. O presidente afirmou ainda que não medirá esforços para eleger “sua sucessora”.

“Vou continuar viajando até o dia 31 de dezembro à meia noite. A partir da meia noite começo a desligar os neurônios e pretendo passar para quem de direito e tenho convicção que vou fazer muita força para eleger minha sucessora. Aí sim, estarei tranquilo e não vou dar palpite porque vou deixar o governo com quem sabe jogar”, disse Lula em referência à candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dima Rousseff. Durante a entrevista, Lula ainda falou sobre os investimentos que estão sendo feito em saneamento básico. Ele lembrou que a segunda edição do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2) será voltada para obras de drenagem e saneamento. “Querermos mudar o Brasil. É preciso entender que cada centavo que for investido na coleta e no tratamento de esgoto, estamos investindo em saúde, porque é menos doença nas cidades.”
agencia brasil

Rizzolo: Entendo a situação da oposição como sendo um trabalho penoso. Mesmo o governador de São Paulo José Serra, homem que tem um passado político brilhante, combativo, sabe que o PSDB que é o espelho de FHC, e sua gestão voltada ao capital, às privatizações, ao distanciamento do povo, Serra tem pela sua frente o estigma do partido. Certa vez disse algo que foi alvo de comentários raivosos dos tucanos, afirmei que José Serra pelo seu passado está em partido errado, e sinceramente entendo que na calada da noite, sozinho, antes de dormir ele pensa nisso.

Traficantes matam trabalhadores de obras do PAC no Rio

RIO – Três operários foram executados por traficantes, esta manhã, quando chegavam para cumprir jornada de trabalho em obra do Plano de Aceleração Econômica (PAC) na favela Fazendinha, localizada no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio. O local está sendo alvo de investimentos de cerca de R$ 600 milhões e já foi visitado pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e pela pré-candidata do governo ao posto, ministra Dilma Rousseff.

Segundo testemunhas, os assassinatos ocorreram quando quatro funcionários da construtora Lafarge chegavam às 7 horas, num carro modelo Saveiro, para render os colegas do turno da noite. Os traficantes teriam atirado no veículo porque confundiram os operários com bandidos de uma facção rival.

Três trabalhadores – um funcionário de manutenção, um cozinheiro e um motorista – morreram e outro foi baleado no joelho. William Siqueira Guimarães, de 33 anos, foi operado para a retirada da bala no Hospital Getúlio Vargas e seu estado de saúde é estável, sem risco de morte. Ele teria se fingido de morto para conseguir fugir. Policiais militares do 16º BPM de Olaria retiraram os corpos da favela Fazendinha no meio da tarde.

O Complexo do Alemão reúne 150 mil moradores, em 11 favelas e é um dos locais mais violentos da cidade do Rio. Os crimes ocorreram nas proximidades das obras de um teleférico de quase três quilômetros, com capacidade para transportar 30 mil pessoas por dia e que está sendo construído nos moldes das favelas de Medellín, na Colômbia.

O PAC prevê também a construção de 13 centros comunitários e sociais, seis creches, cinco escolas infantis, seis de ensino médio, uma profissionalizante e quatro centros de saúde, além do teleférico. A última visita de Lula às obras ocorreu no dia 22 de dezembro do ano passado, acompanhado da ministra, quando participaram das solenidades de inauguração de unidades habitacionais no Alemão.

Anteriormente, o presidente havia participado do lançamento das obras, em março de 2008, tendo retornado ao local em dezembro daquele mesmo ano.

Consideradas um sucesso pelo governo, as obras no local têm sido comemoradas pela ministra Dilma Rousseff, que já afirmou, em uma das visitas aos empreendimentos, em outubro do ano passado, que “o Alemão está sendo transformado em um verdadeiro bairro, de dar inveja a muitos bairros de classe média”.
agencia estado
Rizzolo:Não podemos aceitar que a marginalidade atrapalhe e intimide os trabalhadores do PAC no Rio. É claro que precisamos saber as circunstâncias desse crime bárbaro, já em outras circunstâncias isso ocorreu, o Poder Público não pode se deixar abater pela intimidação marginal.

Em MG, Dilma diz que vitória da oposição seria o fim do PAC

SÃO PAULO – A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, voltou a mirar em adversários políticos durante inauguração da barragem Setúbal, em Jenipapo (MG), nesta terça-feira, 19. Em discurso, a pré-candidata do PT à Presidência da República disse que se a oposição vencer as eleições deste ano, vai acabar com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), de acordo com a rádio ‘CBN’.

Ela também enalteceu as obras do programa e declarou que elas estão acima de qualquer partido. Durante o evento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o governo federal ainda vai inaugurar muitas obras no começo deste ano, porque “daqui a pouco o Geddel (Vieira Lima) não vai mais estar aqui, a Dilma também não vai mais estar aqui”.

Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do País. A visita de Dilma, pré-candidata do PT à sucessão de Lula, é parte da estratégia do partido para aproximar a ministra de seu estado natal. Embora seja mineira, atualmente Dilma é mais identificada com o Rio Grande do Sul, Estado em que consolidou sua carreira política.

Além de participar de eventos do governo federal, Dilma também estará em território mineiro para visitar a mãe e para receber homenagens na Câmara Municipal de Belo Horizonte e na Assembleia Legislativa. O argumento para as homenagens é liberação de verbas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para obras como a duplicação da Avenida Antônio Carlos, em Belo Horizonte.

Há pelo menos um ano, desde que Dilma passou a ser considerada a candidata de Lula ao Planalto, seus principais aliados no Estado – como o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel – trabalham na sua “mineirização”. Eles acreditam ser preciso convencer o eleitorado de que, embora tenha passado a maior parte de sua vida fora de Minas, a ministra tem raízes no Estado.

Lula e comitiva seguirão depois para Juiz de Fora, para a inauguração de uma usina termelétrica que utilizará o etanol como gerador de energia. É uma nova experiência, em fase de testes, para a redução do nível de emissões atmosféricas. O embarque para Brasília está previsto somente à noite e a chegada às 21h45.
agencia estado

Rizzolo
: Quer queiram ou não, Dilma nasceu em Minas Gerais, se por outras razões passou a maior parte de sua vida em outros Estados, isso não significa que não possui raízes mineiras. O grande problema é que Minas é o segundo colégio eleitoral, e a oposição não aceita Dilma em território mineiro. Em relação ao fim do PAC se a oposição ganhar, não acredito que isso acontecerá, é claro que poderá ser chamado com outro nome, designação, mas entendo que Serra não experimentará uma volta à direita, ao conservadorismo, ao atraso, muito embora seu partido goste disso. Agora PSDB é uma coisa Serra é outra. Vamos ver.

‘Máquina da fiscalização’ é maior que a da produção, diz Lula

RIO – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou sua visita à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em cerimônia de inauguração de laboratório voltado aos testes para o pré-sal, para criticar a burocracia que “emperra o desenvolvimento”. Em crítica direta ao Tribunal de Contas da União (TCU), Lula disse que a máquina da fiscalização tornou-se maior do que a máquina da produção. “Se o Juscelino Kubitschek quisesse fazer Brasília nos dias de hoje, terminaria seu mandato sem conseguir a licença para fazer uma pista de pouso”, disse.

Ele também aproveitou a presença em uma universidade para elevar o que vem sendo feito na seara educacional do País. “Nunca antes um governante foi a uma reunião da SBPC e saiu sem receber críticas”, disse, lembrando o PAC educacional vai investir R$ 41 bilhões nos próximos anos. “Quando vi que um PAC dava certo, resolvi fazer PAC para todo lado”.

Após homenagear o professor Alberto Luiz Galvão Coimbra, que desenvolveu uma série de experimentos na área da Coppe, na UFRJ, Lula diz que falta ao País ressaltar o valor histórico “dos que vieram antes de nós”. “Muitas vezes a gente encontra o prato pronto e não procura saber como foi preparado o prato. Aí a gente não valoriza quem veio antes de nós. Acontece entre os pesquisadores, técnicos, sindicalistas, todos temos a impressão de que a história começa a partir de nós, mas na verdade somos resultado de todos que vieram antes de nós”, disse o presidente, afirmando ainda que “antigamente tinha gente que pensava mais sério, pensava em soberania e queria que o Brasil fosse um país respeitado”.

Lula ressaltou que “foi preciso um governante sem ensino superior para fazer o que os outros não fizeram”. “A gente olha para a educação do País e vê que tem Estados ricos em que 80% estudam em universidades privadas. Nada contra escolas privadas, mas tudo a favor das públicas. Me pergunto porque em tantas décadas se investiu tão pouco em universidades públicas. Todos os governantes, até os militares, tinham curso superior. Eu e o Zé Alencar fomos os únicos, por sorte ou por azar, sem curso superior e não falo com orgulho não. Possivelmente por eu não ter o conhecimento acadêmico facilita para fazer as coisas, porque não tem disputa acadêmica”.

Lula também brincou com a plateia dizendo que “tinha loucura para fazer economia”. “Mas bom mesmo é ser economista da oposição. Quando a gente está de fora a gente acha que sabe tudo. Se eu tivesse feito economia, não seria presidente da República”.
agência estado

Rizzolo: As questões levantadas pelo presidente Lula são procedentes. O ensino público universitário foi praticamente preterido pelo avanço da iniciativa privada que também não deixa de ser boa. Contudo, o Estado deixou de investir mais nas Universidades Federais e Estaduais que na sua maioria são as que promovem a pesquisa no País. Já em relação à burocracia, esta existe em todos os países desenvolvidos e é fruto do aprimoramento e do conhecimento das questões abrangentes que envolvem os projetos. Dissuadi-las ou ignorá-las denota pouco caso com a ciência.

A grande verdade na questão da educação, é que no Brasil não mais podemos considerar que só os ricos e afortunados tenham o direito de se tornarem médicos, advogados, engenheiros, e o papel do ensino público é fundamental na correção desta distorção advinda dos conceitos elitistas deste a época do império. Por bem, a política que é arte que passa muito mais pela sensibilidade do que pela graduação, colocou no poder um presidente que não possui diploma superior, e isso o faz tornar sensível à questão da abrangência educacional a todo povo brasileiro quer ele seja rico ou pobre. Só através da igualdade de oportunidade construiremos um grande País.

Dilma pede a empresários que acelerem obras do PAC

PORTO ALEGRE – A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, reiterou hoje pedido a empresários envolvidos em obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para adotar um segundo turno de trabalho, onde for possível, ao realizar a primeira de 27 apresentações estaduais sobre o andamento dos investimentos. O aumento de ritmo nas obras do PAC tem duplo efeito, conforme ela, de estímulo ao crescimento econômico e combate aos efeitos da crise financeira mundial.

O secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Pereira Zimmermann, observou que a antecipação de obras no setor elétrico é vantajosa também para o fluxo de caixa dos empreendedores, que podem ofertar energia mais cedo no mercado e gerar receita.

Dilma reafirmou a meta de crescimento de 2% do Produto Interno Bruto do Brasil em 2009, apesar da redução de expectativa feita pelo Fundo Monetário Internacional, que ontem divulgou previsão de queda de 1,3% para a economia nacional este ano. A ministra disse que o FMI não tem mais o mesmo nível de informações que tinha sobre a economia brasileira até 2002. Ela lembrou que, em 2005, o FMI permitiu que o Brasil investisse R$ 500 milhões em saneamento, mesmo sem que o País terminasse de pagar seu empréstimo com o fundo. Em apenas uma obra do PAC – a recuperação do Rio dos Sinos (RS) – serão investidos R$ 500 milhões, comparou a ministra.

“Eu sei que hoje eles não têm a mesma informação”, afirmou. “Nós éramos obrigados a informar até a última vírgula do que se fazia aqui dentro”, acrescentou, sobre a prestação de contas ao fundo. A ministra também argumentou que o FMI não tem dados sobre programas como o Minha Casa, Minha Vida, a desoneração fiscal de produtos da linha branca e providências para ampliar o crédito em setores específicos que o governo tem adotado. “Não vejo nenhuma razão para ter respeito religioso por qualquer avaliação de qualquer órgão em detrimento das do governo”, avaliou.
agência estado

Ela admitiu que o governo, como os demais órgãos, tem dificuldade de fazer avaliações diante da crise e está tomando medidas para atenuar seu impacto. “Nós estamos trabalhando com a meta de um crescimento entre 1,5% e 2% este ano”, reiterou, ao citar medidas anticrise do governo, como o lançamento do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, a liberação de recursos para investimento pela Petrobras e uma política “agressiva” de preços mínimos e crédito na agricultura. “O governo não tem poupado esforços no sentido de combater a crise”, declarou. “Por isso, eu olho para a estimativa do FMI como ela é, uma estimativa.”
agencia estado

Rizzolo: No tocante as obras do setor elétrico, estas são de suma importância. Não há como pensar em desenvolvimento sem geração de energia suficiente. Já na antecipação das obras do Pac, concordo com a ministra Dilma, não podemos nos ater a informações e dados do FMI.

A dinâmica macroeconômica é por demais variável, e os dados que o governo dispõe são confiáveis. Impulsionar a economia através dos programas desenvolvimentistas é caminho para alavancar a economia e produzir um mercado interno mais robusto. É por aí mesmo, estamos descobrindo que agir de forma contrária às recomendações do FMI pode nos levar à prosperidade. Agora Dilma além de “acelerar seu visual” precisa tornar-se mais dócil quando fala. Marta poderá ajudá-la nesse aspecto, aqui em São Paulo. Ou não ?