Lula passa uma ‘carraspana’ nos gestores do PAC

Lula reuniu nesta quarta-feira (19) os responsáveis pela gestão das obras do Programa de Aceleração do Crescimento. Abespinhado com as informações desencontradas que lhe chegam, o presidente passou um sabão, como se diz, nos auxiliares.

Disse coisas assim: “Eu faço uma reunião com os ministros e falo: ‘companheiros, temos obras para visitar? Eu quero visitar as obras pra ver como é que está’. Aí, tem ministro que fala: ‘está tudo pronto, presidente’. Aí, eu falo: ‘vai falar com a agenda. Aí, a agenda liga para o chefe de gabinete dele e sou informado que a obra não está pronta”.

Ou assim: “Eu agora decidi que só vou citar número [quando] vier por escrito pelo ministro e assinado. O que eu quero dizer é: ‘segundo o ministro do Transporte, o ministro da Casa Civil e o ministro da Fazenda’. Porque qualquer um pode passar por mentiroso, menos o presidente da República”.

Em meio a tantas broncas, Lula livrou a cara de mãe Dilma. De quebra, pespegou-lhe um apelido com o qual já brindara o companheiro Zé Dirceu: “Capitão (?!?!) do time”.

“Companheira Dilma, eu disse em um ato bem pensado que [você] era a mãe do PAC, porque sei o esforço que você faz junto com sua equipe para coordenar isso”, iniciou Lula. “Sei quantas vezes você tem brigado com seus companheiros ministros, sei quantas vezes é obrigada a dizer não dá para gastar tanto, só dá para gastar isso. E, os companheiros precisam compreender que, às vezes, o capitão do time é obrigado a xingar o jogador do próprio time que não está suando a camisa direito”, completou.

É de perguntar: que mentiras andaram dizendo a Lula? Mais: que potocas o presidente passou adiante?

Blog do Josias

Rizzolo: Mais uma vez o que se observa é que Lula quer desta feita, se ” descolar” daqueles que segundo ele mentem. Quer Lula estar “descolado”, quando efetivamente surgirem os números dos atrasos nas obras. Já prepara terreno e se coloca numa posição de distância, de estar sendo enganado. Agora a “companheira Dilma”, a “mãe do Pac” não tem a menor vocação, nem carisma para disputar a Presidência da República como Lula insiste em mostra-la como popular e eficiente. Ex- guerrilheira, não perdeu seu rosto de mulher “marruda”. O PAC é um projeto de desenvolvimento onde a coluna vertebral do Estado direciona a iniciativa privada, o PAC é bom, mas a gestão petista é fraca, falta pulso firme, e a administração não é nada ética, e Lula sabe disso. A ” carraspana” serve como se diz na gíria, apenas para ” livrar a cara de Lula”, nada mais…

A verdade não é uma virtude ?

Com a finalidade de dar transparência ao PAC ( Programa de Aceletação do Crescimento), o governo omitiu e maquiou os resultados do PAC. Na verdade, na área de energia elétrica o governo decidiu ignorar os atrasos em obras como as da usina nuclear de Angra 3 e das hidrelétricas de Belo Monte (PA) e Ribeiro Gonçalves (PI). Entre os projetos de gás natural, não foi considerado o atraso no gasoduto Campinas-Rio. Faltou falar a verdade?

Não entenderam como atraso, as obras da usina nuclear de Angra 3, obra que poderá agregar 1.350 MW (megawatts) ao sistema elétrico se for concluída. No ano passado o cronograma era para que a obra ficasse pronta em dezembro de 2013. Agora, o novo prazo é 31 de maio de 2014. Enfim em todos as questões relativas às obras do Programa de Aceleração do Crescimento no tocante a prazo, o governo procura mais uma vez não dar a devida explicação lógica. É claro que, contra fatos não há argumentos, e melhor seria, até para se redimir dos espúrios acordos com intuito de mercadejar cargos em troca de opoio político, que o governo, de uma vez por todas, fizesse uso da sinceridade.

Determinado momento prevalece os interesses da elite e do agro negócio, como na transposição do São Francisco, em outro momento abandona a ética e parte para acordos ” estranhos” com o PMDB, loteando Ministérios, em outra, admite a afirma peremptoriamente que não haverá crise energética, em outro então, afirma que não haverá aumento de impostos. Ora, afinal aonde está a ética e a sinceridade? Sempre defendi o governo Lula, até porque avanços existem em função da implementação dos programas sociais, mas o que me leva à indignação, é a falta de sinceridade política que transborda os níveis da ética. Será necessário não dizer a verdade para se ter um ganho político? Será tão importante mercadejar cargos para ter-se a chamada ” governabilidade? Isso é a democracia? Não, definitivamente, acredito que não.

Não aceito como premissa, usar o pobre povo brasileiro com promessas eleitoreiras, levando um partido como o PT ao poder, para depois de forma dissimulada servir às elites selecionadas, por que na questão energética e outras onde a sinceridade é escassa como a chuva, o prejudicado será o povo com o possível desemprego face a impossibilidade do desenvolvimento da indústria; até porque não há consumo sem energia em todos os sentidos. Entendo que o governo deveria fazer uma reflexão é, decididamente, não mais iludir a população deixando de assumir a responsabilidade sobre os projetos que andam a passos lentos, enquanto a politicalha se justifica com o pretexto de ” avanços e as necessárias correlações de força “.

Fernando Rizzolo

Um cabo eleitoral chamado PAC

Com cenário internacional se deteriorando, e a brisa de uma crise anunciada se concretizando na economia brasileira, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), peça-chave do segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, poderá ser a alavanca eleitoral nas eleições municipais em 2008.

Ao completar um ano, o Pac, sob a ameaça de cortes de verbas, ficou mais na retórica do que no concreto, pouco se viu aos olhos do povo o tão revolucionário Programa de Aceleração, muito embora, o balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) mostra que em dezembro do ano passado 86% dos projetos monitorados estavam com ritmo adequado. Em agosto do ano passado, o porcentual de projetos que tinham essa avaliação era de 80%.

Motivos não faltam, a possibilidade de uma crise energética ou uma crise econômica se misturam na indefinição política percebida nas declarações ora de que não haverá apagão elétrico, ora sobre a questão dos aumentos de impostos. Além disso, há dúvidas se o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todas as riquezas de uma nação), previsto em 5% para este ano, será concretizado com a deterioração da economia internacional, e as dificuldades que a mesma poderá acarretar, inclusive com um aumento real nas taxas de juros.

Especificamente ao PAC, o que poderia amenizar é a notícia de que caiu de R$ 20 bilhões para cerca de R$ 17 bilhões –ou até um pouco menos—a previsão de cortes que a Comissão de Orçamento do Congresso planeja fazer nas despesas do governo para 2008. Pessoalmente, projetaria uma expansão de 4,5% na melhor das hipóteses, face ao cenário atual.

Contudo, do ponto de vista político, o PAC poderá se transformar numa poderosa arma eleitoral fortalecendo as bases do PT e de seus aliados, se os governos e as prefeituras forem suficientemente ágeis; a própria ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef já havia prometido que o País seria um enorme ” canteiro de obras”. Há muito que se fazer em termos de PAC no que diz respeito a projetos sociais que visam a urbanização de favelas, saneamento básico e construção de casas populares.

Temos que tornar o PAC visível aos eleitores; os motores desse setor já foram acionados, a construção civil espera um crescimento de 6% este ano, e é disso que Brasil precisa, casas populares gerando dignidade para a imensa população pobre desassistida, e a enorme capacidade de geração de emprego que o setor da construção civil, pela sua natureza, é capaz de agregar. Ano eleitoral também pode ser o sinônimo de ano de desenvolvimento.

Fernando Rizzolo

Ministro diz que governo vai preservar o PAC e que não pretende mexer no superávit

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou na quarta-feira que a meta de superávit primário, reserva para pagamento de juros, definida para 2008, vai ser mantida.

No início da semana, o ministro disse que é possível, conforme a necessidade, o governo usar uma parte do superávit para compensar a perda da receita com o fim da CPMF. “Se houver uma execução boa do PPI (Plano Piloto de Investimentos) e não tivermos receitas tão boas, poderemos usar”, avaliou Paulo Bernardo na segunda-feira. “No ano passado não precisamos usar o PPI, mas é melhor falar que podemos usar do que dizer que não usaremos e depois dizer que mudamos a orientação se for preciso utilizá-lo”, declarou.

“A primeira decisão tomada pelo presidente na manhã seguinte da rejeição da CPMF foi que a meta do superávit de 3,8% do PIB para 2008 não seria alterada e nós não alteraremos”, disse o ministro na quarta-feira.

A possibilidade de investimentos realizados na área de infra-estrutura, principalmente em transporte e saneamento, serem subtraídos do cálculo do superávit primário existe desde 2004, quando o mecanismo (o PPI) foi introduzido na negociação com o FMI e esta não é a primeira vez que o governo avalia essa hipótese.

O ministro reiterou ainda que o governo vai preservar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) de cortes e ajustes. “Consideramos o PAC uma prioridade desde o seu lançamento. Racionalmente não pretendemos fazer cortes no PAC. Mas é possível que no andamento da execução dos projetos perceba-se que é preciso fazer um remanejamento”, observou Paulo Bernardo, após encontro com o relator do Orçamento, deputado José Pimentel (PT/CE), e com o presidente da Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional, senador José Maranhão (PMDB/PB). O ministro explicou que eventuais ajustes podem representar remanejamento de recursos de uma obra com pouca condição de execução para outra considerada com bom andamento e em condições de absorver essas verbas.

Hora do Povo

Rizzolo: “Corte de gastos públicos “, ou ” cortes e ajustes”, deve incidir sim sobre o superávit primário e o pagamento dos juros da dívida pública, que é a maior despesa do Orçamento da União nos últimos 10 anos. Ademais isso é dinheiro do povo para bancos e especuladores. Só para se ter uma idéia, o governo federal gastou R$ 160,3 bilhões em juros, valor correspondente a 6,3 do PIB ( Produto Interno Bruto ), que representa quatro vezes o investimento nas áreas sociais. O Brasil vive uma fase de inclusão, e isso é que deve ser a nossa meta, não prejudicar o povo em função da especulação e da Cartilha do Consenso de Washington. É preciso reduzir a taxa de juros básica usada como referência para o pagamento dos títulos da dívida pública com grupos financeiros. Chega, não é ?