A verdade não é uma virtude ?

Com a finalidade de dar transparência ao PAC ( Programa de Aceletação do Crescimento), o governo omitiu e maquiou os resultados do PAC. Na verdade, na área de energia elétrica o governo decidiu ignorar os atrasos em obras como as da usina nuclear de Angra 3 e das hidrelétricas de Belo Monte (PA) e Ribeiro Gonçalves (PI). Entre os projetos de gás natural, não foi considerado o atraso no gasoduto Campinas-Rio. Faltou falar a verdade?

Não entenderam como atraso, as obras da usina nuclear de Angra 3, obra que poderá agregar 1.350 MW (megawatts) ao sistema elétrico se for concluída. No ano passado o cronograma era para que a obra ficasse pronta em dezembro de 2013. Agora, o novo prazo é 31 de maio de 2014. Enfim em todos as questões relativas às obras do Programa de Aceleração do Crescimento no tocante a prazo, o governo procura mais uma vez não dar a devida explicação lógica. É claro que, contra fatos não há argumentos, e melhor seria, até para se redimir dos espúrios acordos com intuito de mercadejar cargos em troca de opoio político, que o governo, de uma vez por todas, fizesse uso da sinceridade.

Determinado momento prevalece os interesses da elite e do agro negócio, como na transposição do São Francisco, em outro momento abandona a ética e parte para acordos ” estranhos” com o PMDB, loteando Ministérios, em outra, admite a afirma peremptoriamente que não haverá crise energética, em outro então, afirma que não haverá aumento de impostos. Ora, afinal aonde está a ética e a sinceridade? Sempre defendi o governo Lula, até porque avanços existem em função da implementação dos programas sociais, mas o que me leva à indignação, é a falta de sinceridade política que transborda os níveis da ética. Será necessário não dizer a verdade para se ter um ganho político? Será tão importante mercadejar cargos para ter-se a chamada ” governabilidade? Isso é a democracia? Não, definitivamente, acredito que não.

Não aceito como premissa, usar o pobre povo brasileiro com promessas eleitoreiras, levando um partido como o PT ao poder, para depois de forma dissimulada servir às elites selecionadas, por que na questão energética e outras onde a sinceridade é escassa como a chuva, o prejudicado será o povo com o possível desemprego face a impossibilidade do desenvolvimento da indústria; até porque não há consumo sem energia em todos os sentidos. Entendo que o governo deveria fazer uma reflexão é, decididamente, não mais iludir a população deixando de assumir a responsabilidade sobre os projetos que andam a passos lentos, enquanto a politicalha se justifica com o pretexto de ” avanços e as necessárias correlações de força “.

Fernando Rizzolo