EUA preparam ajuda de emergência para crise de alimentos

Os Estados Unidos se preparam para anunciar uma ajuda de emergência para enfrentar a crise dos alimentos que atinge duramente alguns países, informou a Casa Branca nesta segunda-feira.

“O presidente George W. Bush está muito preocupado e tratou do tema com seus conselheiros de Segurança Nacional, e pediu ao Departamento de Estado e da Usaid [agência de ajuda internacional do país, na sigla em inglês] que examinem o que pode ser feito em curto prazo”, afirmou a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, 24 horas depois de o Bird (Banco Mundial) lançar um chamado para uma intervenção urgente.

Perino informou que os Estados Unidos devem anunciar medidas específicas nos próximos dias.

Segundo reportagem da BBC Brasil, o presidente do Bird (Banco Mundial), Robert Zoellick, e o diretor do FMI, Dominique Strauss-Kahn, defenderam neste domingo (13) a adoção de medidas urgentes para conter a atual inflação de alimentos.

‘Temos agora que colocar nosso dinheiro onde está a nossa boca, para que possamos colocar comida em bocas famintas’, disse Zoellick, usando uma expressão idiomática da língua inglesa que significa algo como não ficar apenas no discurso, mas tomar uma ação.

Os comentários dos dois líderes foram feitos na entrevista coletiva que marcou o encerramento da reunião de primavera do FMI e do Bird, em Washington, neste domingo.

Preocupação

A preocupação com a recente alta dos preços dos alimentos e o forte crescimento da demanda no mercado mundial foi tema de declarações de uma série de órgãos internacionais ao redor do mundo na semana passada.

Na quinta-feira (10), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, durante viagem à Holanda, que os recentes aumentos nos preços dos alimentos indicam que é necessário produzir mais em nível mundial, mas que não se pode culpar o investimento nos biocombustíveis pela pressão nos preços.

No dia seguinte (11), Lula voltou ao assunto ao afirmar que a elevação dos preços dos alimentos é “inflação boa”, que “convoca” os países a produzir mais e atender à demanda por alimentos no mundo. “A inflação sobre os alimentos é decorrente do fato de que as pessoas estão comendo mais”, disse Lula. “Ora, na medida em que mais gente começa a comer carne, produtos de soja, trigo… se a produção de alimentos não aumentar, obviamente que nós vamos ter inflação.”

Também de manifestaram sobre o assunto na semana que passou o primeiro-ministro britânico, Gordon Brow, a ONU (Organização das Nações Unidas), o FMI (Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial e o representante da FAO (Organização da ONU para a Agricultura e Alimentação) para América Latina e Caribe, José Graziano.
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Rizzolo: Na realidade a inflação sobre os alimentos é devido a uma série de fatores, dentre eles é claro, o fato de que imensas populações como as da Ásia, mais precisamente a da China, estão consumindo mais alimentos, e quando falamos em mais alimentos, nos referimos também a alimentos de origem animal. Há que se lembrar, que se consome-se mais carne, os animais também por sua vez, consomem mais alimentos, ou seja, temos um aumento em duplicidade.

Quanto à questão do fator biocombustível no cálculo da inflação dos alimentos, ele é real, contudo, não tão avassalador como apregoam alguns. É bem verdade que é necessário uma planificação nas culturas que servem aos biocombustíveis; sempre defendi uma regulamentação, uma delimitação do território nacional para o plantio de cana-de-açúcar; até porque se deixarmos à vontade, o Brasil se transformará num imenso canavial daqui a uns 10 anos. Isso chama-se planificação, palavra pouco conhecida pelo governo petista.