SP raciona medicamento contra aids Lamivudina por falha logística

A falta do Lamivudina, um dos medicamentos do coquetel para tratamento da Aids, levou o programa do Estado de São Paulo contra Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) a fracionar comprimidos e a remanejar medicamentos para atender os ambulatórios estaduais. O medicamento, usado diariamente por soropositivos, está em falta no Estado. Desde o início de abril, é constatada a falta do produto nas regiões de Campinas, Marília, Sorocaba, Bauru e São José do Rio Preto.

A falta, que ocorre por problemas de logística na entrega dos medicamentos e pela adaptação do almoxarifado à mudanças do código de barras, foi agravada pelo feriadão da Páscoa, informou a diretora de Logística de Medicamentos do programa, Edjane Falcão. Segundo ela, para atender a todos, foram feitos remanejamentos de cargas de uma região para outra e fracionados comprimidos entregues aos ambulatórios.

O programa informou nesta quinta-feira, 8, que a normalização deve ocorrer até o início da semana que vem. “Disseram que nos mandariam o medicamento na segunda; a falta aqui ocorre desde terça-feira”, disse a coordenadora de Marília, Helena Shawitz. A previsão do programa estadual é de que a região de Sorocaba também seja abastecida a partir desta sexta-feira ou segunda, quando o município buscará o medicamento no aeroporto de Guarulhos.

Para segunda-feira também está prevista a normalização em Bauru. Já a região de Campinas, que possui a maior massa de soropositivos do Estado teria recebido os medicamentos na quarta-feira. “Aqui, conseguimos uma remessa que veio remanejada depois que ameaçamos entrar com centenas de ações na Justiça”, disse Júlio Caetano, do Grupo de Doentes de Aids, de São José do Rio Preto, região onde 1,2 mil soropositivos consomem 16 mil comprimidos por mês.
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Rizzolo: Esse é o tipo de problema que jamais poderia ocorrer, por aí podemos imaginar que a gestão tucana de adminitração, tão apregoada pelo governo do Estado, é na realidade pura ficção administrativa, fracionar comprimidos e remanejar medicamentos para atender os ambulatórios estaduais, é um expediente lastimável quando se trata de atendimento à população que necessita do medicamento Lamivudina.

Remédio não pode ser tratado como produto banal, diz Anvisa

BRASÍLIA – O diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Dirceu Raposo de Mello, criticou nesta quarta-feira, 24, a transformação de farmácias em estabelecimentos comerciais que vendem os mais variados produtos.

“Hoje a farmácia é um estabelecimento banal em que se comercializa tudo, e o medicamento não pode ter esse tratamento. Ele é produto especial, e, portanto, precisa de condições e regras especiais para o tratamento dele, para sua utilização”, disse em entrevista ao programa de rádio Brasil em Pauta, produzido pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) em parceria com a Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Dirceu Raposo ressaltou que mesmo os medicamentos sem prescrição médica não estão isentos de orientação técnica adequada de um profissional, por isso é necessária a presença de um farmacêutico no local.

“O cidadão tem que entrar na farmácia e exigir a orientação do farmacêutico. Eu não posso admitir que nesse país uma farmácia funcione sem farmacêutico o tempo todo para atender o cidadão. É a mesma coisa de a gente dizer que o hospital vai funcionar sem médico de noite, porque de noite o movimento é fraco.”

Para ele, o usuário de medicamento não pode ser tratado como um simples consumidor. “O medicamento é um produto que não é simples. Por isso, não gostamos de chamar o usuário medicamentos de consumidor, porque a gente consome bala, sorvete, mas medicamento a gente só deve fazer uso dele quando necessita, para manter ou recuperar a saúde.”

De acordo com o diretor-presidente da Anvisa, apenas dois itens da resolução que estabelece novas regras para farmácias e drogarias estão em discussão no Judiciário quanto a sua obrigatoriedade. Ele alerta que a agência está trabalhando em conjunto com as vigilâncias estaduais e municipais no sentido de fiscalizar e fazer cumprir os demais itens da resolução.
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Rizzolo: As farmácias assim como os hospitais hoje no Brasil são ” bens de comércio”. A política de se transformar a saúde em oportunidade para se obter lucros, ganhar dinheiro, é típica de países que tomaram como exemplo em sua política de saúde pública os EUA, e que hoje se encontram em situações difíceis. A Europa por exemplo possui uma rede de saúde pública estatal e eficiente, e no tocante às farmácias o controle é rigoroso. Saúde é algo que deve ser tutelado pelo Estado, e não jogado em sua maior parte à iniciativa privada ou a planos de saúde onde os consumidores acabam ficando reféns por falta de opção.