Nova entidade une empresas e empreendedores da mídia alternativa

Empresários, empreendedores individuais, estudantes, professores e ativistas da área da comunicação criaram sábado (27), em São Paulo, a Altercom — Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores da Comunicação.
Conforme ficou definido no encontro realizado durante todo o dia de sábado, a entidade terá como objetivo central defender os interesses políticos e econômicos das empresas e empreendedores de comunicação comprometidos com os princípios da democratização do acesso à comunicação, da pluralidade e da liberdade de expressão. Não a liberdade apenas para uns poucos grandes grupos midiáticos, como ocorre hoje — mas, sim, para a maioria da população que não tem respeitado hoje o direito a uma informação de qualidade.

Quanto mais proprietários e empreendimentos de comunicação houver no país, maior será a liberdade de expressão. Essa é uma das ideias que anima a criação da entidade: a garantia da expressão coletiva, a universalização do direito à liberdade de expressão. Por meio de uma intervenção coletiva organizada e articulada em todo o país, a Altercom pretende propor e disputar políticas públicas, além de regulamentações que democratizem o acesso aos meios e aos recursos de comunicação no Brasil.

Outro objetivo da entidade é dar visibilidade às novas experiências midiáticas e comunicacionais que vêm se expandindo pelo país. Uma Carta de Princípios, que será divulgada nos próximos dias, sistematizará esses princípios e objetivos que orientarão o funcionamento da associação.

A ideia de criar a nova entidade surgiu no processo de debates preparatórios para a 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), realizada em dezembro, em Brasília. De lá para cá ocorreram uma série de reuniões preparatórias, em São Paulo e em Porto Alegre, que culminaram no seminário realizado sábado na capital paulista.

Além de debater os princípios e objetivos da nova entidade, o encontro também tratou de temas como liberdade de imprensa e liberdade de expressão, formas de associação, imprensa alternativa e independente e construção coletiva de uma comunicação contra-hegemônica. A mesa redonda que discutiu esses temas foi coordenada por Flavio Aguiar e reuniu os professores Bernardo Kucinski, Venício Lima, Laurindo Leal Filho e Denis de Oliveira.

Como resumiu Rodrigo Vianna, do blog Escrevinhador, a Altercom deverá reunir editoras, sites, produtoras de vídeo, de rádio, revistas, jornais, blogueiros, agências de comunicação e tantos outros que não se sentem representados pelo condomínio comandado por Abril/Globo/Folha/Estadão, nem tem peso econômico para atuar junto às grandes teles.

Defender as posições políticas desse setor significa participar do debate nacional. Rodrigo Vianna dá um exemplo: se a Abert (que representa a Globo) ou a Aner (que representa a Abril, basicamente) divulgam uma carta criticando a Confecom por, supostamente, atentar contra a “liberdade de expressão”, a Altercom fará o contraponto em nome dos empresários e empreendedores que não se alinham com o grande capital.

No terreno econômico, a associação defenderá, entre outras coisas, uma regulamentação mais justa e clara das verbas públicas de publicidade, de modo a estimular a diversidade de opiniões existente na sociedade brasileira. Além disso, procurará articular pequenos e médios empresários e empreendedores do setor para disputar também parte da verba dos anunciantes privados.

A Altercom pretende ainda abrir espaço para centenas de empreendedores individuais — a maioria deles blogueiros — que surgiram nos últimos anos no Brasil. Nomes como Luiz Carlos Azenha (Vi o Mundo), Rodrigo Vianna (Escrevinhador), Marcelo Salles (Fazendo Media), Eduardo Guimarães (Cidadania.com) e Marco Aurélio Weissheimer (RS Urgente). Blogueiros de todo o país serão convidados a participar da entidade.

Fonte: Carta Maior

Rizzolo: É de suma importância o fortalecimento de empreendedores da mídia alternativa, não é possível se falar em democracia quando temos apenas algumas famílias controlando a mídia do país. A Altercom poderá fortalecer centenas de empresadores individuais que se sentem sufocados pelo monopólio da informação. Parabéns pela iniciativa.

Governador paulista quer frear escândalo Arruda, diz jornalista

Segundo relato de Rodrigo Viana, ex-jornalista da Rede Globo e responsável pelo blog “Escrevinhador”, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), intercedeu junto à emissora pedindo para “pegar leve com Arruda” e evitar maiores repercussões sobre o esquema de propina descoberto no governo de José Roberto Arruda/Paulo Otávio, revelado pela Operação “Caixa de Pandora”, da Polícia Federal.

“Isso respingaria na minha candidatura”, teria argumentado o tucano, na descrição de Rodrigo Viana, que tem como fonte um senador. Este parlamentar, diz Viana em seu blog, tem informações seguras sobre o esquema do governador do DF. “Em julho, ele avisou a vários jornalistas que havia uma fita de Arruda pegando dinheiro. Poucos acreditaram. As fitas estão aí”, lembra Viana, descrevendo o parlamentar como “um dos mais bem informados do Congresso (ele transita bem entre governistas, mas é de um partido que tem boas relações com a oposição)”.

Agora ele adverte que a fita mais impactante ainda não foi divulgada. Arruda apareceria numa cena de “adoração monetária”, louvando as notas novinhas em folha. “Eu vi a fita, ela existe. Só não sei se vai aparecer”, disse o membro do Senado.

O senador deu as informações numa conversa em “off” com jornalistas: “a Globo vai tirar o pé do escândalo, o Serra chamou a direção de jornalismo e ‘pediu’ (ênfase irônica) para baixar a bola, e não bater tanto no Arruda”, informou o parlamentar. O que tem atrapalhado o plano tucano de sumir com o escândalo são as manifestações, carreatas e protestos quase diários exigindo a saída do governador e do vice. Além disso, destacam-se as ações da OAB-DF e outras entidades, que estão determinadas a não descansar enquanto Arruda, Paulo Otávio e sua turma não forem defenestrados do Palácio do Buriti.

Na avaliação do ex-jornalista da Globo seria difícil ignorar um escândalo desses. Mas, em sua visão, tudo é uma questão de ênfase jornalística. O pedido de Serra, segundo ele, “não foi pra sumir com o caso, mas pra baixar a bola…”. Coincidência ou não, na mesma hora em que a Rede Record fazia uma reportagem de meia hora sobre a pancadaria promovida por Arruda contra os estudantes em frente ao Palácio do Governo do Distrito Federal, no início da semana passada, a Globo apresentava uma reportagem sobre um robô no Japão. Também na mesma semana, o “panetonegate” já tinha sumido da primeira página da “Folha”. Mas, no caso da Folha, nem precisaria mesmo do “pedido” de Serra. Para se ter uma idéia da “isenção” dos Frias, no auge do escândalo de Arruda, uma das manchetes da “Folha”, foi “Dinheiro do BNDES sai mais rápido para petistas”.

“Parece inacreditável. Mas, nesse caso, quase tudo parece inacredi-tável: das meias e cuecas à desculpa do panetone… Eu já não duvido de mais nada”, comenta o blogueiro, atualmente trabalhando na TV Record de São Paulo.

Num dos novos filmes revelados esta semana Arruda aparece pedindo a Durval Barbosa que arranje um emprego para seu filho, além de insinuar que tem algum esquema no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Além de receber os pacotes de dinheiro, ele diz “isso aqui é para resolver as questões no TSE”. Sobre seu filho, ele acrescenta. “O menino formou em economia. Você arranja aí uma colocação para ele numa dessas empresas do esquema, mas não deixa ninguém saber que ele é meu filho”. Segundo alguns cálculos, cerca de R$ 500 milhões foram desviados pela quadrilha chefiada por Arruda. Tudo devidamente filmado e gravado por Durval Barbosa, até então, homem de confiança do governador.

A preocupação do tucano com o desgaste que sofrerá com a continuidade das notícias sobre o caso Arruda tem fundamento. Serra tinha praticamente convidado o governador para compor sua chapa como vice na eleição de 2010. Ele estava tão empolgado com Arruda que já tinha até um magnífico e criativo slogan para a campanha eleitoral da dupla. “Vote num careca e ganhe dois”, disse Serra, sob risos e aplausos de seguidores de ambos, numa reunião realizada em setembro, em Brasília. O encontro, que teve a presença dos “dois carecas” foi realizado para a assinatura de um convênio entre a Sabesp (empresa de saneamento paulista) e a Caesb, sua congênere no Distrito Federal (ver foto ao lado, reprodução do vídeo que corre na internet).

SÉRGIO CRUZ

Jornal Hora do Povo

Rizzolo: Bem primeiramente precisa-se saber se isso é verdade, se houve efetivamente ” um pedido de Serra”, eu acho difícil. Para casos como este, Serra nem precisaria “pedir”. Se a emissora, como consta o texto é pró Serra, para que ” pedir”? Agora não há dúvida que isso irá respingar na candidatura Serra. Provavelmente na campanha política o PT vai requentar o assunto até sua exaustão, e não é por menos, um mensalão do DEM deverá ser explorado como assim o foi, o mensalão do PT, nada mais natural, não é?