Lula diz que dossiê contra FHC é ‘mentira’; Dilma liga para Ruth

Denúncia da ‘Veja’ diz que ex-presidente e sua mulher tiveram gastos bisbilhotados nos anos de 1998, 2000 e 2001

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira, 24, que “é uma mentira” a reportagem da revista Veja segundo a qual o Palácio do Planalto teria elaborado um dossiê sobre os gastos com cartões corporativos feitos no governo Fernando Henrique Cardoso (FHC). “Se não fiz dossiês em 2005, na época em que precisava fazer enfrentamentos, por que os faria agora. A quem pode interessar isso agora?”, disse Lula. As declarações do presidente foram feitas na reunião desta segunda do Conselho Político, no Palácio do Planalto, segundo o senador Renato Casagrande (PSB-ES) e o deputado Beto Albuquerque (PSB-RS).

Ainda no esforço para desmentir a história, a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, telefonou também nesta segunda para a mulher do ex-presidente, a antropóloga Ruth Cardoso, assegurando que o governo não montou dossiê sobre despesas dela, à época em que era primeira-dama (1995-2002), com cartões corporativos. Foi o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quem informou sobre as explicações de Dilma a Ruth. Na reportagem da Veja, o ex-presidente e sua mulher tiveram os gastos bisbilhotados nos anos de 1998, 2000 e 2001, todos efetuados com a chamada conta B, um fundo de despesas que antecedeu a criação dos cartões corporativos.

Lula afirmou que o governo vai se dedicar “muito” para saber quem vazou documentos sigilosos citados na reportagem da revista. Ainda foi lida, durante o encontro, uma nota divulgada no sábado pela Casa Civil, em que o Planalto nega a autoria do suposto dossiê. Diante da ameaça de integrantes da oposição de abandonar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Cartões, caso os governistas insistam em manobras que impeçam a votação de requerimentos que pedem a quebra de sigilo, o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) disse que se afastar das investigações é “legitimar a farsa”. “Se o governo deixar claro que não quer investigar, o PSDB tem de estar vigilante na CPI para denunciar a operação. Abandonar a comissão vai nos colocar na posição de coadjuvantes da farsa”, disse.

Agência Estado

Rizzolo: Essa questão do dossiê é séria. Prova disso é que o presidente Lula chegou ao ponto de pedir para que a ” mãe do Pac” telefonasse para a antropóloga Ruth Cardoso. Ora, ninguém vai chegar às raias de pegar um telefone e dar explicações sobre algo que sabe não ter existido. Na minha opinião há sim um dossiê intimidatório. Para casos como este em questão, a oposição deve ir às últimas conseqüências, sair à frente e abrir as contas de FHC com intuito de fazer com que Lula se sinta constrangido e passe a aceitar a investigação sobre seus gastos.. Agora, ” se dedicar muito para saber quem vazou as informações ” como afirma Lula, é no mínimo ser réu confesso. Não há outra saída para a oposição a não ser em insistir para que as contas sejam abertas.

O próprio ministro Tarso Genro admitiu que existe um levantamento minucioso dos gastos do governo Luiz Inácio Lula da Silva e do anterior, mas por razões de Estado, não para chantagear a oposição. “O objetivo é levantar dados universais que estejam disponíveis para o Congresso, o Judiciário e os órgãos de fiscalização do Estado.” Por favor ! Depois alega que não há dossiê, isso só pode ser uma brincadeira petista, não é?