Nada que ninguém não soubesse

Uma das característica da política brasileira, é inovar um discurso com questões antigas, e já conhecidas. Assim o fez o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) quando num rompante de moralidade parlamentar acusou o PMBD – seu partido – de ser um grande negociador de cargos em troca de apoio político. Ainda não satisfeito, o senador subirá à tribuna do Senado, para sublinhar ainda mais sabidas práticas políticas.

Numa análise realista e até psicanalítica, poderíamos dizer que tal fato e tal postura partidária, já era sabida e estava, por sedimentada, enraizada no inconsciente coletivo do povo brasileiro.

O que não surgiu da denúncia, que aos olhos do povo seria o fato agregador, foi ter não dado “nome aos bois” como se diz no interior. Isso não foi feito nem será, o que nos faz pensar que o discurso tem um objetivo político apenas, e pouco eficaz do ponto de vista moral e instrumental no combate à corrupção.

Não há a menor dúvida, que tal postura nefasta ultrapassa as fronteiras do PMDB, o que a torna ainda mais distante a nobre consagração de forças na luta contra a desmoralização política partidária, e o saneamento da democracia brasileira.

A grande questão por traz deste inflamado discurso, é saber até que ponto pode-se ter um real efeito moralizador, ou se prestar apenas para servir de argumento a alguns que por desafeto as liberdades democráticas, irão beber da água de Jarbas para desqualificar a democracia brasileira, que por sinal vai mesmo de mal a pior.

Fernando Rizzolo