Lula e Bush podem acelerar retomada de Doha, diz Amorim

Bruno Garcez
Enviado especial a Nova York

Para Amorim, negociação agrícola está ‘envolta em nuvens’
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que o encontro desta segunda-feira entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e George W. Bush, em Nova York, permite acelerar o processo de retomada das negociações da Rodada de Doha.

Amorim disse ver “sinais positivos” de que os americanos estariam dispostos a realizar concessões no que diz respeito aos subsídios que oferecem ao seus produtores agrícolas.

Os sinais positivos aos quais se refere foram dados pela delegação americana junto à Organização Mundial do Comércio (OMC) na semana passada.

O coordenador das negociações agrícolas da OMC, Crawford Falconer, recomendou a redução dos subsídios para uma faixa-limite de US$ 16 bilhões a US$ 23 bilhões por ano ao setor por parte dos Estados Unidos.

Os americanos mostraram disposição para acatar o texto sobre concessões agrícolas desde que o Brasil fizesse o mesmo em relação ao que o documento da OMC prevê para a redução de tarifas de produtos industrializados.

“No caso dos produtos industrializados, você sabe exatamente quanto custa para quem. No caso agrícola, tudo está envolto em nuvens.”

Amorim frisou que está otimista em relação a possíveis concessões por parte dos americanos no setor agrícola. “Está melhorando, a proposta do G20 era de US$ 12,5 bilhões”, disse o ministro, referindo-se ao valor que o grupo havia proposto como teto para os subsídios agrícolas nos EUA.

Portanto, segundo o chanceler, o grau de concessões que os Estados Unidos estariam dispostos a fazer estaria próximo do que é contemplado pelo Brasil e o grupo do G-20.

Segundo Amorim, retomar Doha deverá ser o tópico central no encontro entre os presidentes Lula e Bush.

Embora se mostre otimista, o chanceler disse que mantém cautela em relação a uma possível oferta americana.

“Eu sou muito cauteloso em relação a isso. As iminências acabam sendo falsas iminências.”

O ministro das Relações Exterioes prevê que um acordo básico tendo vistas à retomada de Doha possa ser estabelecido até outubro e, com isso, a rodada poderia ser concluída até o ano que vem.

BBC Brasil

Rizzolo: Esse “sinal positivo” de concessões dos EUA é na realidade uma “perola dourada” apenas para adentrarem ainda mais no mercado brasileiro. Ora, se o governo americano dificulta a exportação dos nossos produtos através dos subsídios agrícolas, temos que aprender a negociar com o que temos de melhor aqui, ou seja, temos um mercado consumidor de 190 milhões de consumidores, uma quantidade enorme de multinacionais que aqui se beneficiam com vultuosas remessas de lucro e dividendo e que nem sequer pagam Imposto de Renda ao povo brasileiro, destruindo nosso parque industrial nacional, bancos internacionais que concorrem no nosso mercado, se beneficiando com juros estratosféricos. E ainda querem mais ? Diminuem um pouquinho os subsídios e querem que nós entregamos e ampliamos mais ainda a participação deles no nosso mercado? Não, vamos negociar com as que já estão aqui, vamos aprender a ser patriota como eles, mas parece que Lula e o governo se entusiasmam à toa, com conversa mole e tapinha nas costas, mas esquecem que o empresário nacional não é tolo e sabe que temos como negociar sem ter que abrir mais. Será que temos que fazer cursinhos em Harvard para saber e aprender como explorar os outros ? Chega de abrir o mercado brasileiro para essa gente !