Ahmadinejad diz que ONU é manipulada por grandes potências

TEERÃ – O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, culpou nesta terça-feira, 29, os Estados Unidos e outros “grandes potências” pela proliferação nuclear, pela AIDS e outros males globais e afirmou que estes países exploram as Nações Unidas (ONU) e outras organizações para os seus próprios benefícios. Ele ainda pediu ao Movimento de Países Não-Alinhados (NOAL) a criação de um “mecanismo” para defender seus interesses, após criticar a atuação “favorável às grandes potências” do Conselho de Segurança da ONU e de outras organizações internacionais.

Ahmadinejad fez o apelo na inauguração, em Teerã, da 15ª reunião ministerial do NOAL, na qual estão representados mais de 100 países, pelo menos 80 deles por seus ministros de Relações Exteriores, além de oito organizações internacionais e regionais. O presidente também responsabilizou “grandes potências” pelas crises econômicas mundiais, e defendeu o direito dos países em vias de desenvolvimento ter acesso à tecnologia nuclear para fins pacíficos.

“Há muitos exemplos da ineficácia dessas organizações internacionais e da falta de reconhecimento dos direitos dos demais países por parte do Conselho de Segurança da ONU”, disse o líder iraniano. “Apesar dos riscos e da proibição da arma nuclear, eles continuam a produzi-la (…) muitas organizações internacionais foram criadas para servir aos interesses das grandes potências e bloquear os demais países”, acrescentou.

Além disso, Ahmadinejad perguntou se “é possível que o Conselho de Segurança da ONU condene os EUA e aprove resoluções” contra o Irã. “Se as entidades internacionais tivessem atuado de forma justa a respeito dos problemas do mundo, não teria existido o problema da Palestina e o Conselho de Segurança não teria reconhecido o regime

O líder iraniano acusou as grandes potências de “fomentar a discórdia, intensificar a corrida militar e armamentista” para que possam alimentar sua indústria de armas. A AIDS, segundo Ahmadinejad, é resultado das condições do mundo “imposta pelas grandes potências”. Ele ainda acusou o Conselho de Segurança da ONU ser uma ferramenta destes países, e afirmou que o organismo é inútil em alcançar soluções para os problemas do mundo.

Segundo Ahmadinejad, o tempo está ao lado dos países pobres. “Os grandes poderes estão ruindo”, afirmou. “Eles chegaram ao fim de seu poder, e o mundo converge para uma nova e promissora era”.

Ahmadinejad criticou o indiciamento do presidente sudanês, Omar al-Bashir, por genocídio em Darfur, e afirmou que o Tribunal Penal Internacional deveria acusar os líderes israelenses, por matar oponentes e impor o embargo de suprimentos alimentares e médicos contra os palestinos. O presidente disse ainda que as tentativas americanas de alcançar um acordo com o governo iraquiano para manter as tropas no país “minarão a independência e os direitos do povo do Iraque”.

Os países do grupo se opõem “às medidas unilateralmente impostas por certos países, que utilizam a ameaça do uso da força, a pressão e medidas coercivas para alcançar suas políticas nacionais”, diz comunicado. A declaração parece ser uma referência indireta aos EUA, que afirmam que usarão a força como último recurso se o Irã não atender aos pedidos do Conselho de Segurança para interromper o seu programa nuclear. O documento ainda condena “a classificação de países como bons ou maus com base em critérios unilaterais e injustificados”, numa crítica ao rótulo que o presidente George W. Bush aplicou ao governo iraniano como integrante do “Eixo do mal”, em que já foram incluídos o Iraque de Saddam Hussein e a Coréia do Norte.
Agência Estado

Rizzolo: Esse cidadão com esse nome complicado representa o maior perigo para estabilização da paz no cenário mundial. O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, é um velho conhecido não confiável dos EUA, e inimigo mortal do Estado de Israel, que segundo suas afirmações, quer ” varre-lo do mapa”. O pior são seus tentáculos na América Latina e seus discípulos, amigos ou aliados como Chavez. Segundo Chavez, a Venezuela apoiaria o Irã “a qualquer momento e em qualquer circunstância”.

É impressionante como existe na esquerda da América Latina condescendência com governos fundamentalistas perigosos, ou grupos guerrilheiros como as Farc. Confesso que a idéia inicial do socialismo bolivariano original, que tinha na sua essência aquele romantismo, me era simpático, mas a escalada de posturas autoritárias, e as alianças de Chavez com governos perigosos, fez com a grande massa que outrora enxergava Chavez como um socialista moderado e incompreendido, o tenha hoje como um descontrolado; muito embora faça atualmente um esforço descomunal para amenizar ou mudar essa imagem que já está impregnada no cenário internacional. Agora só coopta os incautos.