Antes do cinema, conspiração contra Hitler sai em livros

SÃO PAULO – No dia 20 de julho de 1944 um grupo de oficiais nazistas tentou matar Adolf Hitler e quase conseguiu realizar um bem-sucedido golpe de estado. A corajosa ação, batizada de Operação Valquíria, falhou e a maioria dos envolvidos foi executada. A história é tema do filme Operação Valquíria, estrelado por Tom Cruise, que virá ao Brasil para pré-estreia do longa em fevereiro. Antes disso, três editoras (Record, Novo Século e Planeta) aproveitam que os holofotes estão apontados para o assunto e lançam diferentes livros, todos com o mesmo título: Operação Valquíria.

O roteiro do filme Operação Valquíria, no entanto, não foi baseado em nenhum dos títulos. Na realidade, o que aconteceu foi o inverso. O autor alemão Tobias Kniebe (da editora Planeta) e o espanhol Jesús Hernández (da Novo Século), decidiram escrever o livro após tomarem conhecimento da produção de Tom Cruise. “Queria contar a história real e não hollywoodiana”, disse Kniebe por e-mail ao Jornal da Tarde. “Acho que o filme dará um forte impulso ao livro. Na Espanha já estamos na terceira edição”, completou Hernández, também por e-mail.

Em março é a vez da Ediouro lançar mais um título sobre o tema. Killing Hitler: The Plots, The Assassins, and the Dictator Who Created Death. Com título provisório em português de Quero Matar Hitler, o livro terá 400 paginas e falará sobre as tentativas de assassinato do fuhrer.

PRÉ-ESTREIA
O ator Tom Cruise visita o Rio de Janeiro no dia 3 de fevereiro, acompanhado da mulher, a atriz Katie Holmes, e da filha Suri, de 2 anos, e deverá participar de uma coletiva de imprensa e da pré-estreia do filme Operação Valquíria no Cine Odeon, no centro da cidade. Seu personagem no longa – o coronel Claus von Stauffenberg – foi um dos mais ativos da conspiração na Alemanha. Depois de ser chamado de traidor, é hoje considerado herói nacional. O filme chega aos cinemas brasileiros no dia 13 de fevereiro. As informações são do Jornal da Tarde.

Rizzolo: O filme deve ser interessante, na verdade, em 20 de julho de 1944, o conde Claus Schenk Graf von Stauffenberg perpetrou um atentado contra Hitler, em nome do movimento de resistência, do qual faziam parte vários oficiais. Hitler saiu apenas levemente ferido da explosão de uma bomba em seu quartel-general na Prússia Oriental. A represália não se fez esperar: mais de quatro mil pessoas, membros e simpatizantes da resistência, foram executadas nos meses seguintes.

O conde Claus Schenk Graf von Stauffenberg foi um dos principais personagens da conspiração que culminou com o fracassado atentado contra Hitler em 20 de julho de 1944. Nascido na Suábia em 15 de novembro de 1907, Stauffenberg foi um patriota alemão conservador, que a princípio simpatizou com os aspectos nacionalistas e militaristas do regime nazista.

Mas desde cedo começou a questionar não só o genocídio contra judeus, poloneses, russos e outros grupos da população estigmatizados pelo regime de Hitler, como também a forma, na sua opinião “inadequada”, do comando militar alemão. Mesmo assim, como muitos outros militares, preferiu no começo manter-se fiel ao regime.

Em 1942, junto com seu irmão Berthold e outros membros da resistência, ele ajudou a elaborar uma declaração de governo pós-derrubada de Hitler. Os conspiradores defendiam a volta das liberdades e direitos previstos na Constituição de 1933, mas rejeitavam o restabelecimento da democracia parlamentar.

Em março de 1942, Stauffenberg havia sido promovido a oficial do Estado Maior da 10ª Divisão de Tanques, com a incumbência de proteger as tropas do general Erwin Rommel, após o desembarque dos aliados no norte da África. Num ataque aéreo em 7 de abril de 1943, Stauffenberg perdeu um olho, a mão direita e dois dedos da mão esquerda.

Após recuperar-se dos ferimentos, aliou-se ao general Friedrich Olbricht, Alfred Mertz von Quinheim e Henning von Treskow na conspiração que passaram a chamar de Operação Valquíria. Oficialmente, a operação pretendia combater inquietações internas, mas na realidade preparava tudo para o período posterior ao planejado golpe de Estado.

Os planos do atentado que mataria Hitler foram elaborados com a participação de Carl-Friedrich Goerdeler e de Ludwig Beck. Os conspiradores mantinham, além disso, contatos com a resistência civil. Os planos visavam a eliminação de Hitler e seus sucessores potenciais – Hermann Göring e Heinrich Himmler. A primeira tentativa de atentado em Rastenburg (hoje Polônia), no dia 15 de julho, fracassou.

Na manhã de 20 de julho de 1944, Stauffenberg voou até o quartel-general do Führer “Wolfsschanze”, na Prússia Oriental. Com seu ajudante Werner von Haeften, ele conseguiu ativar apenas um dos dois explosivos previstos para detonar. Mais tarde, usou uma desculpa para entrar na sala de conferências, onde depositou a bolsa com explosivos ao lado do Führer. Incomodado pela bolsa, Hitler a colocou mais longe de si. A explosão, às 12h42, matou quatro das 24 pessoas na sala. Hitler sobreviveu.

Na capital alemã, os conspiradores comunicaram por telefone, por volta das 15 horas, convencidos do êxito da missão: “Hitler morreu!” Duas horas mais tarde, a notícia foi desmentida. Na mesma noite, Stauffenberg, Von Haeften, Von Quirnheim e Friedrich Olbricht foram executados. No dia 21 de julho, os mortos foram enterrados em seus uniformes e condecorações militares. Mais tarde, Himmler mandou desenterrá-los e ordenou sua cremação. As cinzas foram espalhadas pelos campos.