Alckmin quer dar o troco a tucanos pró-Kassab

A ala alckimista do PSDB de São Paulo resolveu revidar com sua própria demonstração de força às manifestações de apoio de outros tucanos à candidatura do prefeito Gilberto Kassab, do DEM mas apoiado pelo governador José Serra. “É uma manifestação espontânea da militância”, disse farisaicamente o deputado Júlio Semeghini (PSDB-SP), sobre a contra-ofensiva marcada para esta quinta-feira (27) às 19 horas. A tendência é o partido marchar dividido para a eleição paulistana.

A guerra de manifestações de apoio encerrou o cessar-fogo pactuado em fevereiro entre Alckmin e Kassab. O sinal do reinício das hostilidades foi a divulgação de uma carta pelo líder da bancada tucana na Câmara Municipal, Gilberto Natalini, com elogios à gestão Kassab e uma defesa velada do apoio do PSDB ao prefeito. A movimentação do vereador, orquestrada pela ala serrista, foi uma reação a declarações dadas dias antes por lideranças do PSDB em outros Estados, como os senadores Arthur Virgílio (AM) e Tasso Jereissati (CE), em defesa da candidatura própria em São Paulo.

A missão quase impossível de Guerra

Nesta segunda-feira (24), o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), desembarca em São Paulo com uma missão aparentemente impossível: apaziguar o racha entre os defensores do apoio à reeleição de Kassab e os que desejam candidatura própria de Alckmin. Na terça-feira Guerra vai se reunir, em separado com Alckmin e Serra.

Não se acredita que o senador, que tem suas bases na frágil seção pernambucana do PSDB, tenha argumentos ou cacife político para apartar a briga entre os emproados tucanos do principal reduto do partido. Ele já tentou de outras vezes, sem resultado.

Em privado, Guerra teria confessado que considera a candidatura de Alckmin irreversível e que ela tem de ser anunciada em breve para minimizar as possíveis seqüelas partidárias. Acredita-se que nesse caso Serra prestaria apoio formal a Geraldo Alckmin, mas o seu grupo político trabalharia para Kassab. Há até quem cogite que esse ânimo dissidente pode até se estender ao segundo turno, devido ao acirramento das divergências. Estas são na realidade um segundo round do conflito iniciado em 2006. Na ocasião, Alckmin e Serra disputaram a indicação como candidato presidencial tucano. Após três meses de paralisia, o primeiro venceu a contenda, mas perdeu a eleição para Lula.

Da redação, com agências

Site do PC do B

Rizzolo: Este problema dentro do PSDB paulista, denota a falta de fidelidade partidária por parte dos tucanos. Alianças podem ocorrer quando não há candidato à altura na disputa eleitoral; Alckmin tem todas as condições de concorrer à prefeitura de São Paulo como candidato com o perfil do eleitor paulista. Kassab é um bom nome, mas o que se analisa aqui, é a crise gerada dentro do PSDB que se estende para a disputa presidencial de 2010, onde interesses maiores estão em jogo. Leia também Alckmin X Kassab