Lucro do Unibanco cai 41,3% e soma R$ 704 mi no terceiro trimestre

O lucro líquido do Unibanco ficou em R$ 704 milhões no terceiro trimestre deste ano, queda de 41,3% em relação ao lucro do terceiro trimestre de 2007 (R$ 1,199 bilhão). Os dados fazem parte do balanço auditado do banco, divulgado hoje –no dia 24, antes da fusão com o Itaú, o Unibanco antecipou alguns números.

Já o lucro recorrente, que exclui efeitos extraordinários, também ficou em R$ 704 milhões no terceiro trimestre, mas em alta de 5,5% sobre o lucro recorrente do ano passado, de R$ 667 milhões.

Itaú e Unibanco anunciaram na segunda-feira a fusão, que formará o maior banco do país e o maior grupo financeiro do Hemisfério Sul. Segundo comunicado divulgado pelos bancos, o “valor de mercado fará com que ele [grupo] fique situado entre os 20 maiores do mundo”. O total de ativos combinado é de mais de R$ 575 bilhões –contra R$ 403,5 bilhões do Banco do Brasil, e R$ 348,4 bilhões do Bradesco.

No balanço de hoje, o Unibanco informou que a carteira de crédito total encerrou setembro com R$ 74,3 bilhões, avançando 32,9% sobre o fechamento do terceiro trimestre do ano passado. Já os ativos cresceram 33,3% no mesmo período, para R$ 178,5 bilhões.

O banco ainda informou no comunicado ao mercado que suas operações com derivativos indexados à variação cambial atingem cerca de R$ 10,5 bilhões. Porém, segundo o banco, “essas operações não acarretam nenhum impacto no resultado, uma vez que as marcações a mercado dos derivativos é anulada com a variação cambial sobre os investimentos no exterior.”

Sobre a concessão de crédito, o Unibanco informou em comunicado ao mercado que está mais seletivo. “O menor crescimento no trimestre é fruto da maior prudência adotada na concessão de crédito, principalmente, nas parcerias com varejistas no segmento de baixa renda”, explica o banco.

No segmento varejista, a carteira de crédito estava em R$ 3,493 bilhões no terceiro trimestre, 12,2% acima do registrado em setembro de 2007, mas só 0,4% superior ao do segundo trimestre.

O Unibanco é dono das financeiras Fininvest, PontoCred e LuizaCred.
Folha online

Rizzolo: A crise aportou no setor financeiro, e muito das fusões que ora são comemoradas, tem relação próxima com os resultados desanimadores. Uma forte recessão é prevista para o primeiro trimestre de 2009, alguns setores contudo, já apontam os efeitos devastadores, as vendas de veículos novos no mercado brasileiro somaram 239,2 mil unidades em outubro de 2008, o que representa uma queda de 11% em relação a setembro e de 2,1% em comparação ao mesmo mês de 2007, e o mercado imobiliário brasileiro já sofre com a escassez de crédito.

É claro que existe um componente pessimista na elaboração do cenário econômico, em períodos de expansão o lado positivo dos fatos é maximizado e em períodos de retração o pessimismo toma conta gerando um impacto sobre os ativos maior que o real gerando por fim a manutenção de uma alta volatilidade. Um exemplo é o corte de juros pelo BC inglês por cortar 150 pontos a ” leitura”. Se corta é porque o cenário é ruim. O mercado não faz uma análise positiva das medidas, mas sempre negativa e desconfiada.

Bancos negam que fusão tenha sido motivada pela crise financeira internacional

O presidente do banco Itaú, Roberto Egydio Setúbal, negou nesta segunda-feira que a crise financeira mundial tenha sido o estopim para que a fusão entre o Unibanco e o Itaú acontecesse e disse que a compra do banco Real pelo Santander foi o que motivou a operação.

“A crise apenas acelerou as negociações. Achamos que esta era a hora”, disse.

Segundo o executivo, o Santander ficou muito fortalecido, principalmente no exterior, e o Itaú e o Unibanco enxergaram a necessidade de criar um banco brasileiro forte que pudesse atuar no cenário internacional e atender à grande demanda de empresas brasileiras que estavam se instalando e atuando no exterior.

“O nosso objetivo é fazer com que a nova instituição se torne um “player” global em quatro ou cinco anos. O Brasil precisa de um banco internacional e esse novo banco terá enorme capacidade de financiar empresas brasileiras no exterior”, diz o presidente do Unibanco, Pedro Moreira Salles.

O processo de internacionalização terá início na América Latina. Setúbal afirmou que eles querem estender a presença para o México, Peru e Colômbia, que são países com bom nível de crescimento econômico.
Folha Online

Rizzolo: Acreditar que a crise não ” catalisou” esta fusão é ser “econômicamente ingênuo”. De qualquer forma não vejo nada de mal na fusão, o importante é saber se os juros diminuirão. As taxas de juros bancários mostra que Itaú e Unibanco não são tão baratos. Em empréstimo pessoal, o Itaú cobra 6,89% ao mês e o Unibanco, 6,59% ao mês. Esses dados são de outubro. No cheque especial, o Itaú cobra 8,75% ao mês e o Unibanco, 8,39% ao mês.

Com a fusão, o novo banco, segundo o comunicado conjunto divulgado por Itaú e Unibanco, será o maior do hemisfério sul em ativos e uma das 20 maiores instituições financeiras do mundo. Na área de relações com investidores do site do Itaú, um outro comunicado detalha os termos da fusão. A nova holding controladora do novo banco, IU Participações, terá 66% da família Setubal, dona do Itaú, e 33% da família Moreira Salles, dona do Unibanco. Com isso o Banco do Brasil (BB) deve acelerar a compra da Nossa Caixa, Banco de Brasília (BRB) e Banco do Estado do Piauí (BEP) com a fusão do Itaú e Unibanco. Vamos ver !!