A lógica da “velha doença desgraçada “

Muito se tem falado principalmente nos EUA, sobre as famosas “teorias conspiratórias”, elas são de toda ordem, desde conspirações internas quanto externas, existe inclusive sites que se dedicam a este tipo de paranóia que gera aficionados pelas suas fantasias persecutórias. No Brasil, elas também existem, contudo, o nível de persecução é de menor intensidade dado ao fato de que a clareza das intenções geralmente salta aos olhos.

Os EUA passam por um crise recessiva, onde a moeda americana se desvaloriza em relação a outras moedas devido a uma má gestão financeira, e pouca participação do governo na regulamentação das regras bancárias do País. A crise das “subprimes”, está levando a cada dia mais instituições financeiras a encontrar dificuldades em cumprir suas obrigações. A decisão do Fed em diminuir a taxa de juros não acomodou as incertezas, e o maior País capitalista enfrenta agora as agruras financeiras que antes afetavam apenas os em desenvolvimento.

O nosso autônomo Banco Central e os integrantes do Copom, interessados em determinar a porção ou o quinhão do crescimento do Brasil, insistem naquilo que venho afirmando há tempos : travar o País. A firme disposição demonstrada na última reunião do Comitê de Política Monetária ( Copom), em insinuar desde já, um aumento das taxas de juros, beneficiando dessa forma o capital especulativo, nos leva a pensar nas boas e nas más intenções do Comitê. Mas o que estaria por trás dessa insistência? Como diz o ex-ministro Delfim Neto ” o Banco Central exagera ao imaginar que o País vai apresentar no curto prazo ” uma inflação devastadora”. Mas o recado está dado, aguardem por que como diz a velha historinha ” o gato subiu no telhado”, depois disso ele escorregará, cairá, e enfim sucumbirá.

Mas voltando a velha teoria conspiratória, entendo que no Brasil ela não existe, ate´porque os recados são claros, cristalinos. A política do Banco Central vem sim beneficiar os EUA com uma economia debilitada no momento, fazendo com que economias com grande potencial de desenvolvimento, como a do Brasil, permaneçam na sua mediocridade; ao mesmo tempo que especuladores se confraternizam e festejam os altos lucros auferidos com as nossas taxas de juros. Trazem com eles, ” na sacola”, uma verdadeira enxurrada de dólares para investimentos em títulos públicos, inundando o Brasil com a moeda americana, já enfraquecida, e deixando o nosso pobre empresário exportador morrer lentamente, sem contar com os efeitos negativos na nossa balança comercial. Depois, numa atitude passiva, típica da “conciliação lulista”, já sabendo de antemão que o cerne da questão não foi atacado, Mantega apresenta soluções inócuas, e como Meirelles em sentido contrário já antecipa, serão necessárias outras mais enérgicas.

É um triste fim de uma situação política econômica, onde através de um discurso elaborado dialeticamente às massas como a ” velha doença desgraçada” (inflação), se tem a popularidade necessária para embasar uma política econômica de interesses externos. De um lado joga-se com os projetos populares, e com outra mão adula os especuladores, segura o desenvolvimento econômico do Brasil, privilegia o capital e os Bancos, e agrada o governo americano num momento em que a sua economia se debilita. Essa e a solidariedade internacional do “socialismo” do Partido dos Trabalhadores.

Fernando Rizzolo