A eficiência do mercado político no Brasil

 

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*por Fernando Rizzolo

Em razão da verdadeira guerra política que vivemos neste período de eleições, é necessário nos debruçarmos no que é tangível do ponto de vista histórico e político no Brasil.

A grande dúvida seria: até que ponto o regime militar não favoreceu a guinada socialista em nosso país? Lembro-me de que, nos anos 70, época em que a influência e o pensamento estatista permeavam o governo militar, centralizador e afeito a construir grandes obras, como a Ferrovia do Aço, a Eletrobrás, a Telebrás e muitas outras, havia uma euforia com o crescimento econômico que contagiava a população e os empresários, pois 23% do PIB, em média, eram destinados aos gastos públicos, e a imprensa mais conservadora alegava que o Brasil era tão estatizante quanto os países comunistas.

É claro que a argumentação de que só uma empresa estatal seria capaz de construir uma usina como a Itaipu é verdadeira, mas, ao analisarmos o desfecho do regime militar, podemos aferir que sem dúvida o legado estatista satisfez não só as ideias socialistas, pois, se por um lado os gastos com as estatais engordavam, o mesmo ocorria com os lucros das empresas multinacionais que se instalaram aqui para fornecer bens de capital.

Toda a dinâmica política do regime militar na época era tachada de “autoritária, de direita”, e essa percepção com a saída dos militares permaneceu e foi ardilosamente utilizada pela esquerda, que se dizia “social-democrata”, para angariar os órfãos da direita liberal, que teve como um de seus gurus o ministro Roberto Campos, ministro do Planejamento no governo Castelo Branco, que, sem dúvida, juntamente com o colega Octávio Gouveia de Bulhões, do Ministério da Fazenda, modernizou a economia e o estado brasileiro através de diversas reformas, além de controlar a inflação.

Portanto, ao fim do regime militar e com a abertura política, com a anistia e a vinda de vários expoentes da esquerda, a tática era dizer que quem era de direita era autoritário e antidemocrático, pois os esquerdistas alimentavam no povo a ideia de que democracia era sinônimo de justiça social, de tal sorte que a direita acabou sucumbindo no Brasil.

As pessoas tinham vergonha de se dizer de direita, pois a imprensa, também já orientada pela esquerda, impingia no inconsciente coletivo – como dizia Jung – do povo brasileiro que a social-democracia era o caminho, e então todos os partidos políticos passaram a ser de esquerda, não mais havendo ideias liberais democratas e enterrando-se de vez os ideais do Conservadorismo Liberal neste país. Foi aí que a dívida social entrou em pane com ideias social-democratas, de um lado, e políticos oportunistas populistas embriagados de poder e de mãos dadas com economistas ingênuos, de outro, o que culminou no Plano Collor, por exemplo.

Agora vejo com entusiasmo certo amadurecimento político, que faz com que o Conservadorismo Liberal não seja mais tido como um crime, até porque, enquanto perdíamos tempo com todos os partidos de esquerda neste Brasil, outros, como a China comunista, faziam o caminho do liberalismo econômico e do crescimento. Vejo também uma esquerda social-democrata desmoralizada, envolvida em corrupção, assim como todos os partidos, que disputam 40% do PIB numa festa em que os convidados são sempre os mesmos.

Partidos políticos no Brasil se assemelham a sindicatos, possuem donos e toda sua corriola. Isto posto, diria até que ocorre hoje uma crise existencial da esquerda não só no Brasil, mas em vários países. Seremos capazes de nos reinventar? Eu pelo menos hoje digo: “sou um Conservador Liberal”, e isso – como se dizia nos anos 70 – “é muito legal”. Perdemos a vergonha de ser felizes e queremos esquecer o negro passado da bandeira vermelha.

Quando a esquerda sobrevive das palavras

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*por Fernando Rizzolo

Artigo publicado no Estadão dia 18 de julho

Acredito que, entre todos os textos que escrevi até hoje, nunca tenha me debruçado sobre o porquê de a retórica esquerdista haver sobrevivido e ter sido tão atrativa na história do mundo como foi na América Latina. Hoje, graças a uma insônia, comecei a refletir não sobre a disputa eleitoral que estamos já vivenciando, tampouco sobre seus candidatos, mas fiz uma profunda análise, se é que isso pode ser chamado de análise, ou observação, em relação ao que mais me fascina no mundo da retórica esquerdista na defesa de seus “ideais”, sempre como costumamos dizer, repletos de “segundas intenções”.

É realmente interessante, e explica muito os motivos da engenhosa postura da esquerda no mundo, sua astúcia na impregnação de conceitos nas lacunas da sociedade que me parece às vezes “pega de surpresa”, pois esses intelectuais esquerdistas sempre se anteciparam em lograr argumentos para manipular, em ambiente fértil, no qual os incautos poderiam enfim se aliar a suas causas.

Thomas Swell é um economista norte-americano, crítico social, filósofo político e autor liberal conservador. Nasceu na Carolina do Norte, mas cresceu em Harlem. Graduou-se em Economia na Universidade de Harvard em 1958 e depois fez mestrado em economia pela Universidade de Columbia. Como intelectual e negro, sempre foi contra as ações afirmativas, e seus textos são de uma genialidade ímpar ao fazer uma exegese do pensamento retórico esquerdista no decorrer dos anos desde o século XVIII.

No Brasil a esquerda sempre se utilizou das argumentações bem pensadas, antes de colocá-las em prática. Uma das curiosidades é que o PT, por exemplo, assim como os demais partidos de esquerda – que na verdade nunca foram de esquerda, pois nunca existiu uma direita forte no Brasil –, sempre se referiu a seus adversários como “Conservadores”. Essa era a palavra mais usada e em palanques diziam que o “conservadorismo estava arraigado no Brasil”, que as “atitudes conservadoras” eram culpadas pela miséria, que banqueiros conservadores usurpavam os pobres, e assim por diante, num país em que o Conservadorismo nunca existiu!

Só hoje, em 2018, é que os conservadores mostram sua cara, falam o que pensam, defendem suas ideias e seus ideais, demonstrando coragem e indignação pelo fato de a esquerda haver destroçado nosso país com a corrupção, a ladroagem e a politicagem, saqueadoras do erário público.

Portanto, desde que surgiram os Conservadores no Brasil, a esquerda jamais voltou a usar o termo conservador para desqualificar adversários, como outrora fazia, pelo simples fato de que hoje se materializou o Conservadorismo no Brasil, e então teriam que debatê-lo.

Desmascarar as táticas da esquerda sempre foi um trabalho muito bem elaborado pelo conservador Thomas Swell, falar sobre pobres, gays, índios, jogar ricos contra pobres, exaltar a ideologia de gênero, agora uma tímida defesa da pedofilia, ser radicalmente a favor do desarmamento, em justificativas  agregadas de elementos pseudointelectuais, preenchendo lacunas setoriais numa arrogância de se alçarem “pensadores do bem”; esta é a tática de se mostrar culta, pensadora e inovadora em meio a uma cultura pobre de pensamento, colocando-se como a dona da verdade, fazendo dos incautos vítimas de seus desígnios mais espúrios, usando a democracia e a liberdade para implantar uma ditatura implacável. Por isso, candidatos conservadores que existem de verdade hoje no Brasil e no mundo, como Trump, desestabilizam os argumentos frágeis nas convicções ideológicas esquerdopatas na estratégia de tomada dos poderes.

E para finalizar, amigos, e voltar a dormir, pois escrevo de madrugada, lembro-me de uma famosa frase de Swell ao se referir à liberdade: “A liberdade custou muito sangue e sofrimento para ser renunciada por uma retórica tão barata”. E como tudo que é barato se prolifera, o custo do Conservadorismo é ainda alto num país em que ele só agora surge.

A Copa política e o Patriotismo

 

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*por Fernando Rizzolo

Este artigo foi publicado pelo Jornal “O Estado de São Paulo” dia 19 de junho de 2018

Ainda me lembro das antigas copas do mundo em que realmente se vibrava com o futebol. Não que o futebol brasileiro fosse tão bom quanto os outros, mas a disputa exacerbava algo que estava latente no povo brasileiro, o patriotismo. Milhares saíam às ruas para comemorar, torcer com as bandeiras nas janelas dos automóveis e mandar gritos de amor ao Brasil. Porém, isso foi se perdendo com o tempo. A tal ponto que hoje, o brasileiro, em razão de tanta desesperança e falta de patriotismo, tendo por quase vinte anos nossa bandeira brasileira substituída por uma bandeira vermelha, o Hino Nacional substituído por músicas partidárias compostas por marqueteiros esquerdistas em época de eleições, após tanta desventura política regada de corrupção vindo à tona, se cansou. Hoje não há mais copa do mundo vibrante exalando patriotismo, e sim decepção.

Nunca vi uma Copa do Mundo tão triste como esta, tão sem o elemento de união que por bem ou por mal nos trazia um sentido de nação. A grande verdade é que o que desperta hoje no brasileiro comum é a vontade de mudança política, pois a maturidade ideológica nos leva a uma compreensão de que infelizmente o esquerdismo que vivenciamos após o regime militar destruiu o patriotismo. Hoje preferimos lutar contra a corrupção, lutar contra as mesmas caras políticas que insistem em nos enganar, fazendo uso dos mesmos partidos políticos, e seus donos, que manipulam o desejo do povo brasileiro em prol de seus interesses.

Isto posto, fica fácil entender a enorme adesão a partidos de direita no Brasil, pois nunca houve discursos francos e abertos sobre o conservadorismo. Numa análise pura e simples, entende-se o porquê de se cantar o Hino Nacional com disposição patriótica quando um candidato militar de Direita aparece nos aeroportos, ou seja, a figura do militar empresta confiabilidade, num país onde se perdeu a confiança em todos políticos da mesma cara, do esquerdismo que canta um mantra de luta de classes que até hoje não levou a nada, a não ser a uma corrupção desvairada.

Há poucos dias li uma matéria que informava que cerca de 6 mil estudantes da Universidade de Brasília (UnB) elegeram a direção do Diretório Central dos Estudantes (DCE). Desta vez, alunos com perfil de direita conquistaram o comando da entidade, ou seja, algo que jamais poderíamos imaginar anos atrás, pois a esquerda dominava as universidades, principalmente as federais e estaduais.

Essa pode ser uma Copa do Mundo sem interesse, mas com certeza o Brasil está mudando politicamente e se vê claramente a rejeição do povo brasileiro aos políticos de esquerda, os da bandeira vermelha, os que nos fizeram esquecer o Hino Nacional, os que roubaram nosso brilho nos olhos e o amor ao Brasil. Vamos marcar um gol nestas eleições elegendo gente bem-intencionada, sincera, corajosa e acima de tudo patriota. Essa sim será a Copa do Brasil, e não a Copa do Mundo.

Corrupção e descaso na Saúde Pública

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*por Fernando Rizzolo

Costuma-se dizer em Direito que “contra fatos não há argumentos”. E agora, ao sentirmos o inverno chegando, podemos afirmar que nem sempre nosso sistema imunológico está preparado para enfrentar o frio. Com a nova estação, nasce também um temor na população pobre e nos idosos. É claro que as doenças não escolhem idade, mas lotam hospitais nessa época do ano. Esta semana, por exemplo, recebemos a notícia de que nossa secretária do lar, ou assessora doméstica – até porque não gosto do termo “empregada doméstica” –, foi vítima de uma tremenda gripe, que a impeliu a ir à procura de um posto de saúde.

Bem, não preciso contar a maratona que nossa querida doméstica enfrentou para ser atendida na periferia de São Paulo. Horas de espera, corredores lotados, falta de médicos.

Sabe-se que neste país a corrupção desvia R$ 200 bi por ano, segundo coordenador da Operação Lava-jato, enquanto o valor investido na saúde não ultrapassa os R$ 120 bi. Não encontramos palavras para expressar nossa indignação com a podridão política deste Brasil. Vivemos uma situação de imoralidade.

Para se ter uma ideia, em proporção aos gastos gerais do governo, o Brasil também está bem abaixo da média mundial em termos de investimentos na área da saúde. Senão vejamos. Em 2015, o governo destinou 7,7% de seus gastos totais para a saúde, uma taxa parecida (pasmem!) à de mais de uma dezena de países africanos. Ocorre que, na média mundial, os gastos são de 9,9%. Na Alemanha ou no Uruguai, por exemplo, a proporção dos gastos do governo com a saúde chega a 20%.

A realidade é que as opções são poucas. Existe, sim, a real falta de médicos – e não a má distribuição deles, como alegam os corporativistas de plantão −, além disso o governo Temer suspendeu a criação de novos cursos de medicina por 5 anos, ou seja, uma verdadeira barbárie. Faltam também remédios no SUS (Sistema Único de Saúde). No sistema particular de saúde, então, a mensalidade é alta e não há cobertura para diversas doenças e exames. E, como se não bastasse, o pouco-caso não para por aí, pois em algumas UBS, de São Paulo inclusive, já ocorre falta de vacinas contra a gripe. Segundo a Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa), “a quantidade de doses recebidas pelo município foi insuficiente para o atendimento da demanda”.

Hoje, com a condição péssima da economia e a disparada do dólar, tenho até medo de entrar numa farmácia, pois os preços dos medicamentos estão absurdamente altos. Sempre costumo terminar meus textos dizendo que “este país não tem porvir”, mas neste em especial diria que a corrupção adentrou os corredores dos hospitais, e o nosso pobre povo brasileiro está desamparado, acamado e gripado, ou seja, literalmente abandonado…

 

A desculpa do “preso político”

 

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*por Fernando Rizzolo

Enfrentamos tempos difíceis neste Brasil que tenta se consertar. Parece haver surgido, em nosso país, uma fé na popularidade de forma incontrolável, a ponto de se considerar um político que outrora fora popular, ou que poderá ainda sê-lo, uma figura jurídica de inimputabilidade. Ora, sejamos francos, o ex-presidente Lula nada tem de preso político. Passou pelo crivo do Judiciário em todas as instâncias, e, ainda assim, a esquerda tenta a qualquer custo se aproveitar da desinformação da grande maioria do povo brasileiro, que nem sequer lê jornal, na maioria das vezes em função da pouca escolaridade. São 11,8 milhões de analfabetos, um terreno fértil em que brotam as brechas ideológicas esquerdistas para envolver num manto de vitimização o ex-presidente, alegando ser ele um “preso político”, a fim de manipular os pobres incautos.

Contudo, para ser considerado um preso político pela nossa legislação, é preciso ter cometido um crime político previsto na Lei de Segurança Nacional, e isso é bem claro. Senão, vejamos: A Lei de Segurança Nacional (L 7.170/1983) prevê como crime político atos que “lesam ou expõem a perigo de lesão a integridade territorial e a soberania nacional; o regime representativo e democrático, a Federação e o Estado de Direito; e a pessoa dos chefes dos Poderes da União”. Então vem a pergunta: Por acaso ele se enquadra nessa situação? Evidentemente não. Ele foi, sim, condenado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.  A grande verdade é que aqueles que fogem da leitura eminentemente jurídica elaboram uma “manobra diversionista” com o intuito de caçar incautos, alimentar-se da ignorância do povo brasileiro e fazer, acima de tudo, brilhar a estratégia esquerdista, desqualificando o Judiciário brasileiro e propagando o alarmismo político persecutório a um presidente que foi julgado com todos os requisitos pertinentes ao Estado Democrático de Direito na sua plenitude.

Como se não bastasse, tenta a esquerda se valer de problemas internacionais para dar visibilidade e veracidade ao que não é real. Portanto, o populismo na América Latina, apregoado pelos representantes da velha esquerda, está perdendo espaço, de tal forma que o conservadorismo surge como uma opção, e mais, perdeu-se a vergonha de identificar como cidadão aquele que compactua com os ideais conservadores, afinal, se pensarmos bem, transformar um condenado por corrupção em perseguido político é a última cartada dos sonhadores de Marx, que afundaram o país nesta imensa crise, tudo porque Lula é popular, e ser popular num país de desinformados pode facilmente permitir que a pena por um crime se converta na salvadora “perseguição política”…

O efeito da nova direita no Brasil

 

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*por Fernando Rizzolo

Ainda me lembro das primeiras aulas de Direito Penal na faculdade, em que se falava muito sobre o Estado como ente legitimador em relação aos que cometiam atos delituosos, que, se condenados, cumpririam pena para que fossem “reeducados”. Referia-se, então, aos presos como “reeducandos”, que vem do verbo reeducar, ou seja, tentar educar novamente alguém que se perdeu diante dos valores previstos em lei, que na realidade legal significa conter o mínimo de moral e conduta que deve ter um cidadão.

Muitos se mostram indignados com a estrondosa subida da direita em todos os países do Ocidente, pelos mais variados motivos. É sempre bom lembrar que o “Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães” tinha como inspiração o modelo comunista soviético, a meta em si era o coletivismo, o livre pensar foi abolido, para empreender era preciso seguir os ditames do Estado.

Foram então criadas as SA, milícias paramilitares que tinham a função de sufocar qualquer oposição. Portanto, isso denota pura mentalidade esquerdista. Prova disso é a cartilha esquerdista agindo hoje na tirania de esquerda da Venezuela, com sua SA, uma vez que cidadãos são executados por milícias similares. A grande confusão que ocorre ao se afirmar que o nazismo era de direita se deve ao fato de a Alemanha ter entrado em guerra com a URSS, o que fez com que, após a II Guerra Mundial, a esquerda marotamente tentasse se distanciar do nazismo e antagonizá-lo. Na verdade, ambos praticavam sistematicamente perseguição aos judeus e minorias, campos de concentração e os gulags (campos de trabalhos forçados), enfim, o nazismo é na verdade o irmão siamês do comunismo.

O Brasil, na sua história, nunca teve um partido conservador. Todos que estavam e agora estão aí são partidos criados por ex-comunistas, o que na base ideológica sempre coloca o coletivismo, a consternação com os “oprimidos”, o assistencialismo e o Estado como provedor, o que culminou com uma Constituição de 1988 esquerdista, que paralisou o país e o transformou, pela base ideológica esquerdista de todos os partidos existentes, neste país inviável, em que o crime e o discurso socialista se uniram para atingirmos o caos.

Ouço de pessoas humildes que “o Brasil precisa começar do zero, ser construído de novo”. Ora, isso já coloca um partido ou um candidato que prega a ordem, a militarização ideológico-social, uma legislação enérgica, uma moral social no centro do imaginário popular. As pessoas deixaram de sentir vergonha de se expor, de assumir que querem mudanças fora da cartilha esquerdista, o que causa um verdadeiro temor aos ex-exilados que criaram e fundaram os partidos que tinham rótulo de direita, mas eram na realidade de esquerda. Não estou aqui defendendo a nova direita, ou massacrando os esquerdistas, apenas constato e tento, do ponto de vista político, fazer uma leitura das vozes que emanam do povo, vozes das ruas, das comunidades, vozes de gente humilde, ou seja, “o Brasil precisa começar do zero, ser construído de novo”, eu particularmente diria as palavras do texto penal, lá da época da faculdade, fazendo uma analogia: “O Brasil precisa ser preso, tornar-se um reeducando, para que possamos construir uma sociedade ética, justa, com jovens dotados de princípios morais, patriotas, varrendo todos os corruptos…”. Enfim, alguém que nos salve deste caos…

Temos saída?

 

A Violência sem Limites e as eleições

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*por Fernando Rizzolo

Fica claro pelos noticiários que a violência no Brasil aumentou muito de um ano para cá. Os fatores desencadeantes que de certa forma colaboram com esse quadro são o desemprego, a corrupção generalizada e endêmica dos governantes e, acima de tudo, um descrédito da democracia, além, é claro, da certeza da impunidade. A exegese dessa violência tem sido palco no Brasil de explicações sociológicas tanto pela esquerda quanto pela direita, que se aproveita desse verdadeiro caos.

É verdade que, no bojo da violência ostensiva, existe a violência ideológica, preconceituosa e racista que dá a sustentação para os discursos dos presidenciáveis que evidentemente prolatam uma linguagem de fácil acesso aos que mais sofrem com esta situação calamitosa a que chegamos.

Crianças são mortas em tiroteios no Rio de Janeiro, pessoas incautas que não conhecem determinados trajetos dentro das comunidades são alvejadas sem o menor pudor, alunos agridem professores em salas de aula, automóveis são parados e seus motoristas, assaltados, quando não mortos em arrastões. O feminicídio aumentou barbaramente. Tudo isso ao som agora das marchinhas de Carnaval e das cidades coloridas por essa festa tradicional, tão tradicional quanto tem se tornado o costumeiro conformismo com a deliberada agressão ao cidadão de bem.

Abrigando por volta de 100 mil habitantes, vista para o mar da zona sul do Rio de Janeiro e um sem fim de becos e vielas espalhados entre os bairros da Gávea e de São Conrado, a favela da Rocinha passou nos últimos quatro meses por alguns dos momentos mais violentos de toda sua história. Fica patente que ninguém tem uma fórmula mágica para acabar com a criminalidade, que, num país pobre, em crise moral, com um nível de desemprego assustador, tende a piorar.

O mais intrigante é a difusão da violência pelo país, que não mais se restringe ao Rio de Janeiro, contudo, entendo que neste ano eleitoral é importante nos abstermos dos discursos delirantes de presidenciáveis que vendem a facilidade do “olho por olho”, muito embora eu tenha a convicção de que o endurecimento do Estado deve ser aferrado para o bem da sociedade e para o equilíbrio contencioso do crime a céu aberto, típico do que podemos chamar de “rotina de guerra”.

Na próxima eleição, vamos ter os “Rambos”, os candidatos do antigo argumento de que “tudo se resolve com a educação” e os liberais com a tese de que “aumentando os investimentos” o tiroteio diminui. Por ora, é bom contar com D´us, saber por onde transitar ou a última opção, para os que podem mudar de país, uma atitude que alguns podem achar covarde ou tão corajosa como ficar no meio de um tiroteio na linha vermelha… E ter a sorte de sair vivo.