A força das mulheres

As mulheres brasileiras estão vivendo cada vez mais que os homens. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida dos homens chegou a 69 anos e 5 meses, enquanto que para as mulheres é de 77 anos. Na média, a esperança de vida ao nascer chegou aos 73 anos e 2 meses no País em 2009 – quatro meses a mais que em 2008.

A pesquisa mostra que a diferença entre a expectativa de homens e mulheres aumentou nas três últimas décadas. Em 1980, era de 6 anos: um brasileiro vivia, em média, 59,7 anos; uma brasileira vivia 65,7 anos. A vantagem para elas, em 2009, chegou a 7 anos, 7 meses e 6 dias a mais de vida.

Fatores diversos são apontados para o descompasso entre a expectativa de vida feminina e masculina. Enquanto as mulheres cuidam mais da saúde, os homens bebem e fumam mais. Mas um dado mostra-se significativo nesta balança: a violência.

Em 1980, os homens de 22 anos tinham duas vezes mais chances de morrer do que mulheres da mesma idade. Conforme o gerente de população e indicadores do IBGE, Juarez Oliveira, em 2009, um homem de 22 anos tinha 4,5 vezes mais chances de morrer que uma mulher da mesma idade, por se encontrar mais exposto à violência. O excedente atual é de 4 milhões de mulheres na população. Para 2050, a projeção é de 14 milhões de mulheres a mais. Os homens entre 15 e 19 anos respondem por 87,35% do total de mortes violentas no País, taxa que vai para 90,21% entre 20 e 24 anos.

A geriatra Eliane Portilho atesta que a presença feminina é mais comum em consultórios médicos. “Quando o homem vai ao médico normalmente é levado pela mulher ou pela filha”, opina. “Constata-se também maiores casos de alcoolismo e tabagismo entre os homens”, confirma.

Filha de Leolila Corsino Tolentino, que completou 106 anos de vida, Wilma Alves Tolentino, aos 70 anos, é exemplo do fenômeno. Ao se aposentar depois de 47 anos de serviço, em 2003, Wilma tratou de ocupar sua rotina das formas mais diversas possíveis. “Faço caminhada todos os dias, e tudo quanto é curso possível de arte na escola Veiga Valle. Também costumo viajar pelo menos uma vez por ano”, salienta.

Assim como a mãe, Wilma Tolentino faz exames médicos regulares. “Penso que há algo genético, já que minha irmã mais velha, aos 89 anos, também segue toda animada. Mas aprendemos, inclusive com minha mãe, a manter a mente ocupada com coisas boas”, afirma Wilma.

De acordo com o geógrafo Denis Castilho, professor do Instituto de Estudo Sócio-Ambientais (IESA) da Universidade Federal de Goiás (UFG), o envelhecimento da população brasileira, em geral, é previsível. “Vivemos em um país em desenvolvimento. Nos últimos anos, cresceu não somente a qualidade de vida mas o oferecimento de serviços”, enumera o geógrafo. “As pessoas têm mais acesso a informação, vão mais ao médico. Temos uma população idosa que se cuida mais, faz programas, atividades específicas para a idade. Todos esses elementos tendem a aumentar a expectativa de vida”,diz.

A geriatra Eliane Portilho reforça. “São efeitos em cascata. Melhorou o saneamento básico, a assistência à saúde, programas específicos para idosos”, afirma a médica. “Trabalho com geriatria há 17 anos e a disponibilidade de serviços melhorou demais. Em Goiânia, não havia tratamento a idosos há 20 anos atrás. Melhorou muito”, diz.

Portilho, que costuma tratar muitos casos de depressão na terceira idade, aconselha a manutenção de atividades, mesmo com a aposentadoria. O aposentado José Manoel Rodrigues, segue a receita. Em novembro, completou 102 anos de idade, sem nunca descuidar no quintal da chácara onde mora com a nora, no Jardim Marques de Abreu, próximo à GO-060. “Ele foi criado na roça”, afirma a filha Neusa Rodrigues Lima, de 60 anos.

A maior longevidade, contudo, não traz apenas boas notícias. Com o aumento da expectativa de vida, haverá redução média de 0,4% no benefício previdenciário do trabalhador que se aposentar entre ontem e 30 de novembro de 2011. O achatamento ocorre devido ao fator previdenciário, utilizado pelo INSS para adiar as aposentadorias.

Mortalidade infantil reduz, mas a ritmo lento

A queda significativa da taxa de mortalidade infantil, do índice registrado em 1980 (69,12 mortes por mil nascimentos) para o apontado em 2009 (22,47 por mil) ainda não tirou o país dentre os piores da América Latina.

Segundo pesquisa apresentada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de mortalidade infantil brasileira somente é inferior a de países como Paraguai, Bolívia e Haiti (veja quadro). A distância com o apresentado pelos países que encabeçam a lista, como Islândia, Singapura e Japão, ainda é gritante.

Em 28 anos, os programas de vacinação em massa, o incentivo ao aleitamento materno, o acompanhamento de gestantes e recém-nascidos, além da expansão do saneamento básico, entre outros fatores, contribuíram para a forte queda da participação das mortes pós-neonatais (de 1 mês a 1 ano de vida) .

amigos dop Lula

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: