“A onça vai beber água”, Coluna Carlos Brickmann

Coluna de domingo, 15 de agosto

Era uma vez, há muitos e muitos anos, naquelas campanhas em que Paulo Maluf saía disparado na frente, com mais pontos que todos os adversários somados. Um dia, o grande jornalista Oliveiros S. Ferreira, cientista político e diretor de Redação de O Estado de S.Paulo, comentou: “Enfim, vai começar a campanha!”. Maluf, perpetuamente em campanha, não entendeu. E Oliveiros explicou: iria começar o horário eleitoral gratuito – este, sim, a campanha de verdade.

O mundo muda quando a TV entra no jogo. Fernando Henrique era prefeito de São Paulo, mas quem levou foi Jânio Quadros. Maluf seria prefeito, com larga vantagem sobre seu principal adversário, João Leiva, e Erundina ganhou. Paes de Andrade tinha a eleição tão segura que até parou de fazer campanha, e Maria Luiza Fontenelle chegou à Prefeitura de Fortaleza. Paulo Souto era favoritíssimo ao Governo da Bahia e Jaques Wagner ganhou no primeiro turno. Gilberto Kassab estava lá em baixo nas pesquisas, fez excelente campanha na TV e derrotou dois pesos-pesados da política paulista, Geraldo Alckmin e Marta Suplicy.

No segundo turno das eleições de 1989, entre os hoje aliados Lula e Fernando Collor, Lula subia consistentemente e Collor perdia fôlego. O jornalista Ferreira Netto, collorido de primeira hora, procurou seu candidato: “Você começou como Super-Homem e virou o Clark Kent. Vá para a briga!” Collor levou Mirian Cordeiro, mãe de uma filha de Lula, para um explosivo depoimento na TV. Ganhou.

Oliveiros tinha razão: a campanha começa agora (e aquela? Maluf perdeu).

Depois de amanhã…

A campanha de verdade começa depois de amanhã e vai até 30 de setembro. São dois blocos diários: das 13h às 13h50 e das 20h30 às 21h20 (sim, a novela vai atrasar). E há os anúncios curtos, espalhados por toda a programação.

…vai ser outro dia

O maior tempo de TV é de Dilma, 10m39s – quase metade do total. Serra tem 7m19s. Marina, 1m23s. Plínio, 1m02s. Os demais, 56 segundos cada. Dilma e Serra têm boas equipes e tempo suficiente para levar vantagem na disputa.

E viva a democracia

Eleição não é santa mas faz milagres. Lula acaba de antecipar a primeira metade do 13º dos aposentados para pagamento até o 5º dia útil de setembro, pertinho das eleições. Mas fez isso porque é bonzinho e não por causa da campanha.

Papo cabeça

O que mais chamou a atenção deste colunista, no debate da Rede Bandeirantes entre os candidatos ao Governo paulista, foi o cuidado que os principais concorrentes dispensaram ao que está fora da cabeça: um pinta a cabeleira com uma cor inacreditável, dois espalham cuidadosamente os cabelos restantes para esconder a careca, um cortou o rabichinho que usou por tantos anos. Só o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, ficou tranquilo: não tem cabelos com que se preocupar, nem adversários que perguntem sobre sua súbita conversão ao socialismo.

Promessas e realidade

Candidato promete tudo. Mas a vida real é meio diferente. Dia 9, 19h30, na elegante região dos Jardins, São Paulo. Na esquina da alameda Lorena com avenida Nove de Julho, o trânsito para longamente no farol. Um rapaz se aproxima agressivamente do carro de nossa leitora, bate forte no vidro, enquanto outro assegura a retaguarda. O carro andou, os jovens abordaram outros veículos, nossa leitora ligou 190, o telefone da PM. Foi uma longa conversa: o atendente queria saber de que cor eram, que roupa usavam (e o tempo passando). O endereço, Nove de Julho com Lorena, conhecido de qualquer paulistano, teve de ser repetido três vezes. Viatura policial? Alguma hora dessas, quando houver disposição.

O juiz do Mensalão

Se o ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal, está momentaneamente impossibilitado de trabalhar, é de elementar justiça que fique fora do serviço até que sua saúde esteja recuperada. Se seu problema se manifesta quando passa longo tempo sentado, isso não o impossibilita de visitar amigos, de tomar uma cerveja no balcão do bar, nada disso. O problema é outro: enquanto as licenças (justificadíssimas) do ministro Joaquim Barbosa se estendem, o julgamento do Mensalão, que está em suas mãos, talvez se atrase. E isso é mau.

Lei, lei – que é isso?

O dono de uma empresa de exploração de petróleo chama a imprensa e diz que encontrou grandes jazidas de gás natural. Outra empresa discute publicamente a quantia que deve pagar por petróleo que ainda não foi extraído, mas que o Governo lhe cederá para aumentar sua capitalização. As duas empresas são cotadas em Bolsa. Há normas para divulgação de acontecimentos desse tipo que, acredita este colunista, talvez não tenham sido seguidas. Com isso, há acionistas que poderão ser prejudicados, há acionistas que poderão ser beneficiados. Antigamente, havia autoridades que fiscalizavam esse comportamento. Onde estarão?

Travesseiro, cobertor

Prepare-se: depois de amanhã, debate entre os candidatos a vice, Michel Temer e Indio da Costa, no O Estado de S.Paulo. Só para quem adora campanha.

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