Cientistas debatem energia nuclear e proteção ambiental

Othon Pinheiro: “Brasil está entre os sete países que detêm 77% da reserva mundial de urânio”

Nos dias 12 e 13 de dezembro, o Instituto de Física e Química de São Carlos (IFSC) em parceria com a Eletronuclear realizou a conferência “Proteção Ambiental e o Uso da Energia Nuclear”, reunindo diversos setores da sociedade em torno do debate da produção energética através da fonte nuclear.

A conferência, que ocorreu na USP de São Carlos, contou com a presença do almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, presidente da Eletrobrás Termonuclear (Eletronuclear) e criador do programa nuclear brasileiro. Durante sua palestra, o almirante falou das necessidades energéticas do Brasil e da importância que a energia nuclear tem na matriz energética brasileira. De acordo com o presidente, a posição do Brasil é favorável pelo fato de o país estar entre os sete países que detêm 77% das reservas de urânio do mundo. “O Brasil ocupa a 6ª posição, sendo que apenas 30% do território nacional foram prospectados. A partir desses números concluímos que o nosso país tem muito a produzir em energia nuclear, por isso é fundamental debatermos o manejo dos rejeitos”, destacou.

De acordo com o almirante, a geração nuclear no mundo deverá crescer entre 12% e 68% entre os anos de 2007 e 2030. Baseando-se em dados da Associação Brasileira para Desenvolvimento de Atividades Nucleares (ABDAN), o presidente declarou ainda que, hoje, a energia nuclear representa 16% da matriz energética mundial e 2% da matriz energética brasileira. Atualmente existem 370 GW instalados em 31 países, em um total de 443 usinas.

Para o professor José Eduardo Hornos, coordenador do acordo de cooperação entre o IFSC e a Eletronuclear, a conferência faz parte do “esforço da comunidade científica, empresas produtoras de energia da área nuclear e instituições controladoras, de discutir uma forma científica, clara e sem preconceito a questão da produção de energia no nosso país”. Em entrevista ao HP, José Eduardo destacou a importância da discussão em relação aos riscos dos reatores nucleares. “Essa questão foi discutida na conferência e ficou absolutamente claro que a opção brasileira de usar os reatores PWR (água pressurizada) é uma opção absolutamente segura porque a física desses reatores não permite que haja um incêndio, como houve em Chernobyl”. José Eduardo explicou que o PWR é projetado para ter características de auto-regulação. Isto é, se houver excesso na demanda de energia, o reator funciona como um freio automático contra aumentos repentinos de potência.

O professor destacou a questão dos rejeitos na produção de energia nuclear e a preocupação com o meio ambiente. “A energia nuclear é a fonte mais limpa e mais segura, e que vai garantir o abastecimento de energia elétrica para as gerações futuras do país.” E continuou, “os piores rejeitos que nós temos na produção de energia são os rejeitos que aparecem na utilização de combustíveis fósseis”. “No caso do uso de fontes de hidrocarbonetos e de petróleo, o rejeito é o CO2. E o CO2 você não controla, ele se espalha no meio ambiente em grandes quantidades. A indústria nuclear tem um controle absolutamente rigoroso. Os rejeitos são armazenados numa sala sob vigilância total”, explicou.

José Eduardo afirmou que o Brasil tem todas as condições para desenvolver a energia nuclear, e para isso, é necessário “aprender a conviver com os rejeitos, com a indústria nuclear, ter cuidado com as águas subterrâneas, com a fauna e com a flora, redobrar os cuidados com o meio ambiente, mas não de uma forma irracional, de uma forma anti-científica”. “Nós temos que ter entendimento científico do processo de produção de energia nuclear, do processo de produção de rejeitos e do processo de prevenção desses rejeitos que atingem o meio ambiente ou à população”, ressaltou.

O vice-prefeito e secretário de Desenvolvimento Sustentável, Ciência e Tecnologia de São Carlos, Emerson Leal, também participou da conferência, e destacou a importância do trabalho desenvolvido pelo grupo de estudos do professor Hornos, a fim de evitar danos ao meio ambiente. “Sabemos que a energia nuclear é a forma mais limpa de obtenção de energia, porém os rejeitos causam problemas ao meio ambiente, por isso o trabalho da equipe do professor Hornos desenvolvido em São Carlos é muito importante para o Brasil” declarou o vice-prefeito, que ao final de sua explanação, presenteou o almirante Othon Luiz Pinheiro com uma medalha alusiva à comemoração dos 150 anos da cidade de São Carlos.

Também participaram dos debates da conferência o presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear, Odair Gonçalves e o diretor do Instituto de Física de São Carlos, Glaucius Oliva.

Hora do Povo

Rizzolo: Leiam artigo meu sobre a questão nuclear brasileira

Palpiteiros internacionais não querem Brasil enriquecendo urânio

E impressionante a quantidade de palpiteiros que surgem se opondo ao desenvolvimento social e tecnológico brasileiro. Desta feita, surgiu no Brasil, o ex-inspetor da Organização das Nações Unidas (ONU) para armas nucleares, Hans Blix afirmando que “não faz sentido” para o Brasil ter um programa de enriquecimento de urânio. Passando uma imagem de pessoa contraditória, que ora afirma que não havia encontrado evidências de que o regime de Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa, tem também um discurso de compreensão tecnológica. Como generoso que é, defende o uso de energia nuclear e diz não ver risco do desenvolvimento de uma arma nuclear na Venezuela. Apóia também, ainda num rompante maior de generosidade técnica, a ampliação do número de usinas nucleares no Brasil.

O que o diplomata sueco que hoje coordena um centro contra a proliferação de armas nucleares não quer, é que o Brasil desenvolva o projeto de enriquecimento de urânio. Dessa forma poderíamos construir armas atômicas, não é ? Isso não ! E aí, como diz o caipira, ” ele vira um bicho”. Ora, ele como um bom representante daqueles que não querem e não gostam de um Brasil soberano, disfarça e afirma estar preocupado com “o impacto de hidrelétricas e do etanol na floresta amazônica”, mas na verdade o que ele não quer é ver o Brasil dominando totalmente o ciclo de produção de energia nuclear que ocorrerá em 2010, quando o país então, não dependerá mais de outras nações para enriquecer urânio.

Com efeito, alem dos problemas da Amazônia, o camarada Blix provavelmente de forma velada, também esta preocupado com o fato do Governo investir R$ 1 bilhão nos próximos dois anos, no desenvolvimento do projeto nuclear brasileiro, sendo que para o próximo ano está previsto um primeiro investimento de R$ 130 milhões, como afirmou o comandante da Marinha, o almirante Júlio Soares de Moura Neto, e mais, segundo o almirante poderemos gaseificar o “yellow cake” a partir de 2014.

Não podemos deixar de desenvolver nosso potencial nuclear, o Brasil possui, hoje, a 6ª maior reserva geológica de urânio do mundo. Parte do povo brasileiro vive em miséria absoluta sobre uma das maiores jazidas de urânio, escondida sob a vegetação seca e os mandacarus da caatinga do sertão do Ceará. Ali está a jazida de Itataia, uma montanha cheia de pedras avermelhadas.Já surgem, além de palpiteiros, os privateiros, aqueles que querem ” de mansinho ” se apropriarem das enormes jazidas de urânio do país, querem sim acabar com o monopólio de exploração do urânio no país, cuja detentora é a INB (Industrias Nucleares do Brasil).

O Brasil pode estar dormindo, mas eu não, e tenho certeza que muitos, cidadãos, militares, engenheiros, advogados, patriotas como eu, também estão bem acordados, principalmente em relação às preocupações ecológicas do camarada Hans Blix.

Leia também: Soberania e Energia Nuclear

Fernando Rizzolo

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