Importadores da Europa e Ásia já cancelam pedidos

O crédito para exportação, que estava escasso na semana passada, secou de vez ontem para as empresas, após a rejeição, pelo Congresso americano, do pacote de ajuda de US$ 700 bilhões às instituições financeiras em crise. Para contornar a restrição de financiamentos, as companhias – e não apenas as exportadoras – já estudam alternativas de emergência para obter recursos financeiros.

“O mercado parou”, afirmou Sérgio Amoroso, presidente do Grupo Orsa, um dos maiores grupos do setor de embalagem de papelão e celulose do País, que fatura US$ 800 milhões, dos quais US$ 300 milhões são provenientes de exportações. “Não sei o que vamos fazer”, disse. Segundo ele, uma das alternativas é o desconto de duplicatas. “Mas estamos estudando.”

Além da restrição do crédito à exportação, Amoroso conta que muitos importadores da China e da Europa decidiram cancelar parte dos pedidos, temendo a desaceleração da demanda em seus países. “O momento é preocupante”, resumiu o executivo, que optou por segurar os R$ 30 milhões restantes que investiria no aumento da capacidade de produção das fábricas, programado para até dezembro deste ano.

Além do setor exportador, Ricardo Hingel, diretor do Banrisul, lembrou que outros começam a sentir o impacto da crise de oferta de crédito no dia-a-dia. Nesse rol, ele aponta as lojas de varejo, que têm boa parte das vendas financiadas. “A taxa de juros já subiu e a tendência é encurtamento de prazos de pagamento. Estamos avaliando as políticas de redução”, disse.

Também as construtoras, que recentemente abriram o capital e compraram inúmeros terrenos na expectativa de conseguirem facilmente recursos de crédito imobiliário dos bancos para erguer os empreendimentos, começam a recorrer novamente ao mercado para se capitalizarem. Na sexta-feira, por exemplo, a Rossi Residencial distribuiu um comunicado informando que seu conselho de administração tinha aprovado a emissão de debêntures no valor de R$ 40 milhões, com garantia do Banco Votorantim. Segundo o comunicado, a decisão foi tomada para “incrementar a posição positiva de caixa, assegurando maior conforto durante um eventual cenário de contração de crédito”.

A construtora Even decidiu no dia 18 aumentar em R$ 150 milhões o seu capital social, por meio de emissão de ações. “As medidas contribuem para a manutenção da sua robustez financeira”, disse nota da empresa.
Agência Estado

Rizzolo: A situação é extremamente grave, o setor de embalagem de papelão e celulose do País, é o primeiro a sentir os efeitos de qualquer crise. Com o crédito cada vez mais restrito e seletivo, as empresas reavaliam sua condição futura; as projeções do ponto de vista do mercado, são intuitivas e refletem a situação atual. É claro que setor exportador é o primeiro a receber um maior impacto, e não resta outra saída a não ser pensar nas alternativas de emergência para obter recursos financeiros.

O mais preocupante é o fato de que as indústrias do setor de infra -estrutura já sentem o enxugamento do crédito, estando este mais restritivo. Preocupado com esta questão que envolve o desenvolvimento dos projetos, o governo vai procurar garantir recursos para quatro áreas significativas: agricultura, exportação, PAC, BNDES. Agora, temos que repensar a economia de dentro para fora, fortalecendo o mercado interno com os recursos de que dispomos, jogar a culpa nos países ricos, discurso, ficar bravo, isso não tem um efeito diminutivo, apenas aumentativo do fator popularidade. Nisso o presidente já está bem, pelo menos até agora.

Uma resposta to “Importadores da Europa e Ásia já cancelam pedidos”

  1. RICARDO PEIXOTO Says:

    Rizzolo,

    Você avalia que a crise que se avizinha para o setor de embalagens de papel e papelão pode atingir a de plásticos para alimentos, bebidas, refrigerantes, etc?

    Esses setores têm suas peculiaridades, não é?

    Ricardo.


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