Tuma: ” Ele nem precisava ter recibo dela”

Extratos e recibos de Renan desmontam a chantagem

Até membros de partidos adversários se solidarizam com o presidente do Senado

Na quarta-feira, dia 30, o advogado do senador Renan Calheiros entregou ao corregedor do Senado, Romeu Tuma, os extratos e recibos que demonstram a origem dos recursos repassados antes do reconhecimento de sua filha, em dezembro de 2005.

A rigor, o senador, depois do que apresentou na segunda-feira, não teria que apresentar mais nada. Mas o circo dos fariseus, puxados pela “Veja”, passou dois dias enchendo a paciência do senador com a história de que os recursos que Renan despendeu com a filha e sua mãe antes do reconhecimento da paternidade não tinham origem comprovada. Como se o senador tivesse que provar alguma coisa – e não eles, que estavam acusando-o.

FONTES

É evidente porque ele não tinha em seu poder os comprovantes do que foi obrigado a pagar antes do reconhecimento oficial da paternidade. Os sacripantas de “Veja” sabem perfeitamente o motivo dessa ausência de documentação, como, aliás, qualquer cidadão que seja adulto – e não seja clinicamente um imbecil. É triste – e constrangedor, sobretudo para o senador, mas também para nós – que tenhamos de entrar em tal assunto, mas, infelizmente, esse é o preço para que a canalhice não prospere. Graças aos céus o senador Romeu Tuma, com sua argúcia sherlockiana, conseguiu resumir o problema em poucas e sintéticas palavras, restando a nós apenas reproduzi-las: “A ausência do recibo não compromete. Ele não precisava pedir recibo a ela, poderia ser constrangedor, já que não havia uma relação às claras. Ele pode ter passado o dinheiro e não ter cobrado recibo. O que ele tem que provar é que tinha fundos para fazer os pagamentos”.

Além disso, parece óbvio que Renan estava sendo vítima de uma chantagem. Se havia alguma dúvida sobre esse último ponto, o advogado da mãe da filha se encarregou de eliminá-la. Não somente por suas declarações após o pronunciamento de Renan: por que a tentativa de respaldar a “Veja” depois que Renan mostrou que a história disseminada por esta não tinha fundamento? O acordo já tinha sido feito, a pensão – convenhamos: mais do que generosa – já tinha sido acertada na Justiça. Para que respaldar a “Veja”, então? Por que não haviam conseguido o que queriam?

É claro que “Veja” aceitou esse tipo de fonte – se é que não a buscou, o que talvez seja o mais provável – porque há muito o seu elemento é a difamação. Sendo assim, que fontes teria, senão os chantagistas, contumazes ou de ocasião? Não existem outras para esse repulsivo ofício.

Entre os documentos entregues ao senador Tuma estão os recibos assinados pela mãe da filha e pelo seu advogado, referentes ao fundo de R$ 100 mil, mencionado por Renan, destinado “às despesas futuras com educação, desenvolvimento cultural da criança”. Este era o fundo que, segundo o advogado da mãe declarou após o pronunciamento de Renan na segunda-feira, não existia. No entanto, nos dois recibos de R$ 50 mil está escrito exatamente o que o senador disse: o dinheiro era destinado a um fundo com aquele objetivo.

Dessa vez a Globo, no “Jornal Nacional”, resumiu bem a questão: “O presidente do Senado encaminha novos documentos à Corregedoria. Entre eles, recibos que provam ter dado dinheiro para a criação de um fundo para a educação da filha. Quem assinou os recibos foi o advogado que desmentiu a existência desse fundo”. Entrevistado em seguida, o advogado disse que realmente havia assinado aqueles recibos, mas que eles eram “uma simulação”. Simulação de quê? Será que ele tem por hábito simular que recebeu o que não recebeu, inclusive com recibo? Desse susto certamente que ninguém corre o risco de morrer. Vejamos a declaração que o mesmo causídico perpetrou horas depois: “Na época foram feitos dois recibos para justificar os pagamentos, e a fórmula que se encontrou foi essa”. Se isso fosse verdade, seria uma confissão de chantagem. Por que seria necessário um motivo falso para “justificar os pagamentos”? Ou seja, por que esses pagamentos eram injustificáveis por um motivo verdadeiro? É interessante que não haja qualquer sinal de que o sujeito tenha percebido o significado do que falou. Também não notou que assinar recibos falsos é um crime capitulado no Código Penal. Parece que ele acha natural essas coisas.

Porém, a razão real para a negação de que Renan constituiu o fundo para a educação e desenvolvimento cultural da filha, apesar dos recibos que o provam, vem mais adiante na declaração do advogado: “esse dinheiro não existe mais, foi usado como o que é: uma complementação de pensão alimentícia. Foi usado no aluguel e em outras despesas”. Complementação da pensão alimentícia? R$ 100 mil? Além dos R$ 8 mil que Renan, nessa época, pagava com esse fim? Aluguel? Mas não é o próprio advogado que revelou que Renan pagava o aluguel? Quanto às “outras despesas”, não queremos saber quais foram. Daqui a pouco vão acabar descobrindo que a mãe gastou o dinheiro pagando o advogado. Seja como for, R$ 100 mil não é pipoca. Aliás, é muita pipoca. Mas o fato é que o fundo que Renan estabeleceu não existe porque foi torrado.

A revista do Bob Civita lançou o seu ataque contra Renan na sexta-feira – a distribuição foi antecipada, supõe-se que acharam que isso causaria mais danos à reputação do senador. No mesmo dia, até o senador Artur Virgílio recomendou “cautela” aos seus colegas do PSDB. O senador Agripino, líder do DEM, limitou-se a pedir que Renan respondesse às acusações. Já o senador Pedro Simon, a quem não se pode acusar de falta de vigilância quando o assunto é a moral parlamentar, lembrou que a “Veja” havia fabricado provas contra o deputado Ibsen Pinheiro.

Tinham razão. Na segunda-feira, depois do pronunciamento de Renan, a história havia desmoronado. A própria oposição havia se solidarizado com o presidente do Congresso. Na quarta, os últimos focos de chicana foram, simplesmente, erradicados como se alguma água sanitária houvesse entornado sobre as calúnias. Até os que, na mídia, haviam seguido – ou por tolice, ou por oportunismo, ou por mera ingenuidade – a intentona de “Veja” contra o presidente do Congresso, no essencial foram tratar de outros assuntos.

RACISTAS

A falta de escrúpulos de “Veja”, seu total descompromisso com a verdade, já são notórias inclusive entre homens que podem não gostar do governo Lula, mas não são crápulas. Não há nada na revista do Bob Civita que se pareça com jornalismo, exceto, talvez, o papel, já que, pelo tipo, não serve para outro fins. Trata-se de um panfleto truculento, com notórias ligações partidárias – entre outras, ligações com o Partido Nacional, o grêmio dos nazistas da África do Sul.

Restou ao Civita e aos racistas sul-africanos que são donos de “Veja”, o apoio do senador Jeferson Peres e do Psol. O primeiro, por amargo e reacionário. O segundo, por presepada – ou seja, para aparecer, embora, verdade seja dita, não há algo mais parecido com um ultra-direitista do que um ultra-esquerdista. Esse exército de Brancaleone – nome que escrevemos com um certo sentimento de injustiça, pois o original não era tão ruim assim, além de ser divertido – foi tudo o que resultou de uma campanha sórdida que por pouco não termina antes de começar.

CARLOS LOPES

Hora do Povo

Obs. Os chantagistas são as fontes de Veja ,os sacripantas de “Veja” , agora essa última parte do artigo esta ótima principalmente quando se digirem aos Trotskistas que querem aparecer.

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