Invasão de Bush deixa 70% dos iraquianos sem água potável

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A organização humanitária Oxfam afirma que o desemprego atinge “50% da força de trabalho” no Iraque; “43% estão na ‘pobreza absoluta’” e “quase 30% das crianças sofrem de desnutrição”

Relatório divulgado em Londres pela organização de ajuda humanitária Oxfam, que denuncia que “um-terço da população iraquiana – mais de oito milhões de pessoas – necessita de assistência de emergência”, lançou uma luz sobre a amplitude da devastação e sofrimento provocados pela invasão de Bush e a limpeza étnica a cargo dos fantoches.

A Oxfam afirmou que os “quatro milhões” ameaçados pela fome e doenças dentro do Iraque, os “dois milhões de deslocados internos” e “mais de dois milhões refugiados nos países vizinhos” fazem dela a crise humanitária “que mais rápido cresce no mundo inteiro”. Na capital Bagdá, e nas principais cidades, “só há eletricidade duas horas por dia” e a falta de água potável afeta agora “70% da população”.

O relatório – que sistematiza os dados de agências humanitárias da ONU, Cruz Vermelha Internacional, Crescente Vermelho e mais dezenas de entidades, afirma ainda que o desemprego atinge “50% da força de trabalho” no Iraque; “43% dos iraquianos padecem de ‘pobreza absoluta’”; “quase 30% das crianças sofrem de desnutrição”.

CATÁSTROFE

Trata-se, assinalou a Oxfam, de “catástrofe humanitária de uma alarmante escala e severidade”. Os civis do Iraque estão sofrendo da “negação dos seus direitos humanos fundamentais básicos, na forma de pobreza crônica, desnutrição, doença, falta de acesso aos serviços básicos, e destruição de casas, instalações vitais, e infra-estrutura, bem como de ferimentos e morte”.

O porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (UNHCR), Peter Kessler, denunciou que existe “uma negação abjeta do impacto, do impacto humanitário, da guerra”. O dado dos “oito milhões de iraquianos” em situação de urgência foi referendado por dois organismos da ONU, a UNAMI (Missão das Nações Unidas de Assistência ao Iraque) e o Escritório das Nações Unidas para Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA).

Outro órgão da ONU, o Programa Mundial de Alimentos, da ONU, (WPP, na sigla em inglês) já havia, em documento do ano passado, advertido que “mais de quatro milhões de pessoas no Iraque estão em situação de insegurança alimentar e com terrível necessidade de diversos tipos de assistência humanitária”. Dois anos antes, eram “2,6 milhões de pessoas os iraquianos extremamente pobres”.

A UNHCR, afirmou em abril de 2007 que, “dos quatro milhões de iraquianos que não têm o bastante para comprar comida, só 60% tem acesso ao programa de cestas básicas – criado pela revolução iraquiana, e que vem sendo desmantelado desde a invasão. Em 2004, “96% de todas as famílias iraquianas” eram atendidas. A cesta inclui trigo, arroz, leite, açúcar, chá e sabonete. Pior ainda entre os deslocados. De acordo com pesquisa da Organização Internacional para Migração (IOM, na sigla em inglês), realizada no ano passado, “32% não tem acesso às cestas básicas; 51% só recebem vez por outra; e apenas 17% registraram receber sempre” – embora “muitas vezes incompleta”.

A Oxfam denunciou também o “alto preço” que as crianças iraquianas estão pagando, em meio ao colapso. Segundo a organização católica Caritas, “a taxa de desnutrição entre as crianças subiu de 19% antes da invasão, para 28% quatro anos depois”. Estudo do “Escritório Central de Tecnologia de Estatística e Informação – Cosit), o “IBGE” de lá, registrou que “43% dos iraquianos sofrem de ‘pobreza absoluta’”. O que, indicou a Oxfam, tem raiz no desemprego que afeta “mais de 50% da força de trabalho”.

O relatório destaca, ainda, a “deterioração no fornecimento de eletricidade nos últimos meses, com a maioria dos lares em Bagdá e outras cidades recebendo apenas duas horas de eletricidade por dia”. Já o número de iraquianos sem suprimento adequado de água potável subiu de “50% para 70% desde 2003” e o dos sem saneamento básico chega a “80%. O documento citou, também, relatório de abril deste ano do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, atestando a contaminação freqüente da água por causa do despejo de esgoto e falta de manutenção das estações de tratamento. O que tem causado “aumento de doentes de diarréia”.

Quanto aos serviços de saúde, a Oxfam ressaltou que “estão em uma situação catastrófica na capital, nas principais cidades e nas províncias”. Os deslocados internos “geralmente não conseguem receber tratamento fora da área onde moravam e eram registrados” para atendimento. De 180 hospitais no país inteiro, “90% sofrem da falta dos recursos chave, com remédios básicos e itens cirúrgicos”. A Associação Médica Iraquiana afirmou que “50% dos 34 mil médicos registrados em 2003” foram forçados a deixar o país. O relatório registra que a polícia fantoche, integrantes das milícias (esquadrões da morte) e militares vivem invadindo hospitais, disparando tiros e ameaçando médicos e pacientes.

O relatório soma a isso o desastre na educação, com “92% das crianças com dificuldades de aprendizado, amplamente atribuíveis ao atual clima de medo”. “Mais de 800 mil crianças podem estar agora fora da escola, de acordo com uma recente estimativa feita pela organização ‘Save the Children UK” – em comparação com “600 mil em 2004”. Muitas escolas têm sido transformadas em abrigos de refugiados internos, forçando os alunos a ficar em casa ou estudar em condições difíceis. Nas universidades, o quadro é de intimidação e desmonte.

LIMPEZA ÉTNICA

Em algumas províncias, o número de refugiados internos “teve um aumento de dez vezes” desde o início de 2006. Milhares de pessoas sem laços familiares ou dinheiro “estão tendo de viver em prédios públicos e escolas, sob constante risco, em perigosos e improvisados abrigos sem água e eletricidade, ou em campos administrados pelo Crescente Vermelho”. Também é dramática a situação dos 34 mil palestinos, que sob o governo de Sadam, gozavam de apoio e segurança, mas agora são atacados.

O documento explicita a dimensão da limpeza étnica: 1,4 milhões de refugiados na Síria; 750 mil na Jordânia; 200 mil nos estados do Golfo; 80 mil no Egito; e 40 mil no Líbano. “Por mês, aproximadamente 40 mil – 50 mil iraquianos estão deixando seus lares”. Minorias que sempre viveram em segurança sob Sadam, agora estão fugindo da perseguição sectária e engrossando o número de refugiados e deslocados internos. Metade dos 1,5 milhões de assírios se viu obrigada a partir do Iraque.

ANTONIO PIMENTA

Hora do Povo

Rizzolo: O ator e ativista político Sean Penn comparou as condições de vida dos iraquianos com o “inferno de Dante”, em referência à obra A Divina Comédia, do italiano Dante Alighieri. “Iraque não é nosso banheiro. É um país de seres humanos que, durante um tempo, foram oprimidos por Saddam Hussein e agora vivem como no inferno de Dante”, disse durante uma reunião de pacifistas em Oakland, Oregon. Segundo ele, “devemos estar unidos para deter essa guerra – mas também para fazer a administração de Bush pagar o preço de seus erros”. O ator visitou o Iraque em 2005 como jornalista e, depois do furacão Katrina, viajou a Nova Orleans para ajudar as vítimas. Observem que celebridades do povo americano já estão se manifestando abertamente, contra essa imbecilidade , esse modo prepotente de achar que pode mandar e desmandar nas questões internas de outros países, visando os interesses do lucro da elite perversa americana, isso está chegando ao fim .

Os democratas devem dar um novo tom, à política externa americana. Infelizmente no Brasil os representantes de Bush são inúmeros, sedentos de lucro, defensores do capital do império se lançam em altos brados na defesa dessa beleza de democracia que já não encanta nem os encantadores de público do cinema americano . Leiam Noam Chomsky e vão entender muito mais sobre Bush e que está por trás dele.

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