De olho no etanol, espanhola compra empresa brasileira

Mais uma empresa nacional produtora de álcool e açúcar foi desnacionalizada. Desta vez, o grupo Dedini Agro, localizado na região de Pirassununga (SP), foi levado pela espanhola Abengoa Bioenergia por 216 milhões de euros. A espanhola já anunciou que pretende expandir as instalações da Dedini para aumentar as exportações.

Fundada em 1960, a Dedini Agro figura entre os maiores produtores de açúcar e álcool do país, com capacidade de moer 4,1 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra. A empresa é dividida em duas plantas: a Dedini Açúcar e Álcool (1,5 milhão de toneladas de capacidade), e a Dedini Indústria e Comércio (2,6 milhões de toneladas). A Dedini também conta com uma unidade de produção de sementes de soja.

Atualmente, com a recente aquisição de 5 usinas, o segundo maior produtor de álcool do país é o grupo francês Louis Dreyfus. Apesar de a maior parte da produção de etanol ainda ser realizada por empresas nacionais, a Archer Daniels Midland (ADM), maior produtora de etanol dos EUA, a Cargill, a Infinity Bio-Energy, a Clean Energy Bio-Energy, a Globex e a Pacific Ethanol já adquiriram ou estão em vias de adquirir usinas brasileiras de álcool. Até o mega-especulador George Soros entrou na desnacionalização, comprando uma usina em Monte Alegre (MG).

Hora do Povo

Rizzolo: Tenho dito que temos que ir devagar nessa questão do etanol , a necessidade de gerarmos 4 milhões de novos empregos ao ano, nos impulsiona a nos aventurarmos em novas oportunidades de geração de emprego, muito embora o agronegócio é mecanizado, sendo necessário a formação mão de obra especializada, temos que pensar no trabalhador rural, e na sua formação, hoje o Brasil tem 357 usinas de açúcar e álcool em operação, 43 em construção e outras 244 em fase de planejamento. Os investidores estrangeiros dominam 35% destes novos projetos, fora as aquisições e sociedades que estão se multiplicando neste momento, ou seja, poderemos perder o controle total, se não tivermos uma política firme que comtemporize os interesses de todos principalmente do Brasil e do trabalhador rural, que por tradição sempre ficou de fora na onda do desenvolvimento.

Os hoje cerca de 1 milhão de trabalhadores rurais cortadores de cana de açúcar poderão até duplicar, ou aumentar anualmente acima do crescimento do emprego no pais. Espero que a mecanização avance e que o governo apóie e crie cursos de capacitação para esses trabalhadores e trabalhadoras não qualificados, temos que resgatar a cidadania para esses trabalhadores

Esta disputa pelo controle acionário das empresas sucro-alcooleiras brasileiras por investidores estrangeiros se demonstra agora na luta pelo controle do segundo maior grupo do Brasil, a companhia açucareira Vale do Rosário. O grupo é disputado pelo maior produtor de álcool do Brasil, o grupo Cosan, pelo Bradesco, pela Bunge, transnacional do agronegócio. Os investidores estrangeiros estão por trás do ex-ministro privatizador Antonio Kandir e do ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga.

Pelo que podemos inferir até agora, os empresários brasileiros do grupo Etalnac, vão administrar as destilarias e entregar toda a produção de álcool para a Sempra, que exportará para os EUA e o Japão, em outras palavras,a burguesia brasileira se tornará “administradora” dos negócios imperialistas.

Neste ramo, se repetirá, em escala superior, o que aconteceu com a produção de soja no Mercosul, que foi totalmente dominado pelas grandes transnacionais do agronegócio como a Cargill, Bunge, Archer Daniels Midland, Louis Dreyfus, e agora a espanhola Abengoa Bioenergia abocanha por 216 milhões de euros a Dedini agro.

Temos que constituir com urgência uma empresa ou um órgão regulador da produção de etanol, uma “Etanolbras” que se aterá aos aspectos específicos dessa área que difere do petróleo, envolvendo questões ligadas à produção, transporte, comercialização, exportação, etc, que precisam ser controladas e reguladas pelo governo.

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, informou que o governo está definindo um zoneamento ecológico-econômico, a ser concluído em um ano, para o plantio de cana-de-açúcar. “Um mapa de restrições vai proibir o plantio de cana-de-açúcar nos biomas da Amazônia, do Pantanal e de outros que ainda estamos estudando”. “Será totalmente proibido. É uma decisão de governo”, disse.

Entre as áreas que também poderão ter a plantação proibida estão o cerrado e o pampa gaúcho. Segundo Stephanes, “haverá uma certificação socioambiental do Inmetro para todo o processo, desde as lavouras até a qualidade do álcool. Isso está sendo tratado com extremo cuidado”.

O ministro afirmou que será incentivada a plantação de cana em áreas degradadas por pastagens. De qualquer forma não basta só restringir o plantio, mas restrigir a participação internacional nessa corrida do ouro, temos que priorizar o capital nacional e restringir a participação internacional na questão do etanol. Depois não adianta chorar, hein ! Tá demorando muito , hein !

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: