Lula: “Fui eu que propus a entrada do companheiro Chávez no Mercosul”

“Nos dedicamos, eu e Chávez, a este projeto de integração da América do Sul”

“Nós queremos não apenas a Venezuela, nós queremos o Equador, queremos a Bolívia, queremos a Colômbia, queremos o Peru, queremos todo mundo no Mercosul”, afirmou o presidente Lula, em entrevista coletiva, no encerramento da sessão plenária da “Cimeira União Européia – Brasil”, realizada nesta quarta-feira, em Lisboa.

O presidente insistiu na importância política e econômica da ampliação do Mercosul e afirmou que “é vantajoso para todos esses países participarem do Mercosul”. “Acabou o tempo em que nós ganhávamos alguma coisa ficando de costas uns para os outros”, argumentou. “Olhando para nós mesmos nós temos uma chance extraordinária”, acrescentou.

REFINARIA E GASODUTO

Respondendo a uma pergunta de um repórter da Globo, presente à entrevista, Lula negou que houvesse qualquer restrição de sua parte à entrada da Venezuela no colegiado sul-americano. Ao contrário, o presidente lembrou que foi ele mesmo que propôs a entrada da Venezuela no Mercosul. “Fui eu, em Mar Del Plata, que propus a entrada do companheiro Chávez no Mercosul”, ressaltou Lula.

“O Brasil tem uma relação extraordinária com a Venezuela”, prosseguiu. “Dentro dessa relação teremos um gasoduto que atravessará praticamente toda a América do Sul. Um gasoduto que atravessará o Brasil inteiro para chegar ao Uruguai, Paraguai, Argentina e Chile”, explicou Lula. “Estamos nos dedicando à construção deste projeto. E estamos também construindo junto com a Petrobrás e a PDVSA, uma refinaria na Venezuela e uma refinaria no Brasil. É por tudo isso que a relação do Brasil com a Venezuela é muito importante. E é por isso também que queremos ampliar o Mercosul”, acrescentou o presidente.

Diante da insistência do funcionário da Globo, afirmando que o presidente Chávez teria “ofendido” o Brasil, Lula desfez a intriga respondendo que “é muito temeroso fazer política internacional tendo que interpretar coisas que as pessoas teriam dito, em função do momento ou em resposta a uma pergunta”.

GRANDES AMIGOS

“Uma relação entre dois Estados se dá com muita conversa”, salientou o presidente. “Eu imaginava que ia conversar com o Chávez agora no Paraguai, mas ele não foi à reunião por motivo de compromisso no exterior. Mas não vai faltar oportunidade para conversarmos”, completou. “Além do mais, como eu e o Chávez, além de chefes de Estado, somos grandes amigos, pode ficar certo que não faltará oportunidade para uma prosa boa”, apontou o presidente.

UNIÃO EUROPÉIA

Na Sessão Plenária da Cimeira Empresarial Brasil-União Européia, Lula enfatizou a importância da abertura da nova relação estratégica entre Brasil e União Européia e afirmou que ela deverá se estender também para todos os países do Mercosul. “Penso também que a nossa parceria deve contribuir para que as negociações do acordo de associação entre o Mercosul e a União Européia cheguem a bom termo”, disse o presidente Lula. “Estou convencido de que temos muito a ganhar com essa associação, desde que se levem em conta as necessidades e peculiaridades de ambos os blocos. Estou certo, também, de que a união destes dois blocos contribuirá para a construção de um mundo multipolar”, completou o presidente.

SÉRGIO CRUZ
Hora do Povo

Rizzolo: Acho que o presidente Lula deve ter um discurso único, ainda acredito na mudança dessa postura, não há como agradar a todos, ou é , ou não é, ou enfrenta o embate com os reacionários daqui, ou abaixa a cabeça pra eles. Como bem diz um artigo no site do PC do B ” A direita brasileira, servil aliada dos EUA, nunca criticou a censura imposta pelo presidente George Bush à imprensa daquele país, através da Patriot Act, ou os campos de tortura de Guantanamo e de Abu Ghraib, ou o fim de dezenas de concessões públicas de televisões nos EUA e na Europa – mas resolveu cutucar o presidente da Venezuela, numa provocação rasteira. A manobra era evidente: ela nunca concordou com os esforços do governo Lula e de outros governantes progressistas da construção de um bloco regional capaz de se contrapor aos desígnios do império. O seu sonho, acalentado por FHC, era o da vigência do tratado neocolonial da Alca, da implantação da base militar em Alcântara e das “relações carnais” com os EUA.”

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