Néstor Kirchner: o homem que peitou o FMI e a banca internacional

A morte, súbita e inesperada, do ex-presidente da Argentina e secretário-geral da Unasul, Néstor Kirchner, causou forte comoção não só por lá como em toda a América Latina. E não é para menos. Kirchner foi firme na defesa dos direitos humanos e punição dos militares golpistas cujo regime deixou um saldo de 35 mil mortos e desaparecidos e, com a moratória da dívida externa, resgatou a Argentina da depressão econômica e abriu caminho a uma extraordinária recuperação.

Por Umberto Martins

A Argentina é dona de um passado exuberante, mas ingressou num longo período de decadência após o primeiro governo Perón (1946-1955) e ao longo dos anos 1980 e 1990 viveu anos trágicos, marcados pela ditadura militar (1976-1986) e o neoliberalismo liderado por Carlos Saul Menem, que presidiu o país entre 1989 e 1999 e ficou famoso ao proclamar que sua administração mantinha “relações carnais” com os EUA.

Herança maldita

Lá, ainda mais que aqui no Brasil, o neoliberalismo deixou uma herança que, sem qualquer exagero, merece ser classificada de maldita. O país quebrou em 2001 e foi sacudido por rebeliões populares que acabaram abrindo caminho para a eleição de Néstor Kirchner em 2003. Ele derrotou Carlos Menem, um político entreguista, corrupto e desmoralizado perante a opinião pública.

As políticas neoliberais resultaram na desnacionalização e desindustrialização da Argentina que, atolada em dívidas, foi cair nas mãos ingratas do Fundo Monetário Internacional (FMI), esta mesma instituição que hoje se apresenta como reformada e continua distribuindo palpites infelizes e impondo, onde pode, pacotes recessivos, privatizantes e antinacionais.

Moratória

Ao assumir, Néstor Kirchner encontrou uma economia destroçada e enfrentou sérios desafios para colocar a casa em ordem. O ex-presidente foi obrigado a enfrentar poderosos interesses e não vacilou. Teve a coragem de peitar o FMI, a banca internacional e a relação de subserviência diante dos Estados Unidos, cultivada pela direita pelo menos desde a ditadura e exacerbada por Menem, além, é claro, da oligarquia local.

Uma de suas primeiras providências na área econômica foi consolidar a moratória da dívida externa, que tinha sido decretada em 2001 por absoluta falta de dinheiro para pagar os credores, e propor um ousado plano de reestruturação dos débitos, que reduzia em 75% o valor da dívida.

O FMI deixou de dar as cartas, os banqueiros estrangeiros chiaram, respaldados, em maior ou menor medida, por seus governos. No final das contas, foram constrangidos a aceitar os termos da renegociação definido pelo ex-presidente. A mídia de referência, também conhecida como mídia golpista, alardeou o fim do mundo. Ainda hoje dizem que o capital estrangeiro, especialmente do ramo financeiro, foge da Argentina como o diabo da cruz. Seja lá como for, isto não causou maiores prejuízos à economia.

Rebeldia premiada

A moratória, previam ideólogos neoliberais, iria condenar o país a uma recessão infindável. Mas não foi o que sucedeu. A verdade é que, sufocada pelo endividamento externo e o neoliberalismo, a Argentina chegou ao fundo do poço e foi de lá resgatada pelo governo Kirchner. A moratória foi um passo fundamental nesta direção. Se continuasse pagando juros, em detrimento da poupança e dos investimentos internos, o país não teria saído do buraco.

Os indicadores econômicos mostram que a estratégia de Néstor Kirchner foi um inquestionável sucesso. Durante os quatro anos do seu mandato (2003 a 2007), a economia argentina cresceu 44%, seminterrupção e com uma expansão média anual de 9%, performance inédita até então. O desemprego cedeu e as condições de vida do povo melhoraram visivelmente.

No plano externo, a Argentina recuperou a dignidade e a soberania nacional, distanciando-se dos EUA e priorizando o fortalecimento do Mercosul e a integração latino-americana. A defesa dos direitos humanos e a punição de torturadores e assassinos alimentados pelo regime militar foram outros grandes feitos de Néstor Kirchner, cuja rebeldia diante dos EUA, o FMI, a banca internacional e a oligaraquia local, acabou sendo premiada pela história. É por estes e outros motivos do gênero que a morte do ex-presidente causou tamanha comoção e, por enquanto, calou a boca até da direita argentina.
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Rizzolo: Investidores e economistas estão ansiosos por verem se Cristina irá abandonar a estreita relação política que mantêm com o dirigente sindical Hugo Moyano, e se desistirá das acirradas disputas que têm mantido com o setor agrícola e com as empresas de comunicações. A facção peronista comandada por Kirchner provavelmente apresentará Cristina como candidata a presidente em 2011, mas ela deve buscar um vice com maior capacidade de construir consensos, e em curto prazo provavelmente irá fazer uma reforma ministerial. Tanto Kirchner quanto Cristina levaram para a Casa Rosada um estilo combativo, que incluía frequentes conflitos com ruralistas, Forças Armadas, veículos de comunicação e a Igreja Católica.

Governar com a Razão e com o Coração

Pouco se poderia dizer do que constitui o emocional do povo da América Latina. Uma mistura de raças, em que o índio, o negro, o europeu se misturam e compartilham um espaço que durante décadas foi alvo de descaso por parte de seus governantes. A percepção dos pobres da nossa região sempre foi a do abandono, da desesperança, e da falta de oportunidade. Das ditaduras militares que açoitavam os menos favorecidos, emergia a tristeza em forma de lirismo, reflexo de uma vida imersa na injustiça social, sempre combatida sob inspiração da indignação.

Foi através da democracia participativa que a maioria dos países da América Latina acabou elegendo presidentes do povo, comprometidos em reagir contra o abandono social e que acima de tudo tinham as feições da população de seu país. No Brasil não foi diferente; nossa tradição política elitista sempre rechaçou candidatos à Presidência com pouca formação acadêmica. Incutiu-se no inconsciente coletivo que, para uma pessoa pretender ser presidente da República, deveria ter consubstanciado seu curriculum com títulos acadêmicos, e tal versão conceitual política foi propagada principalmente na população mais pobre desde os anos 1960.

Com efeito, esse falso juízo de admissibilidade política, visava a promover candidatos comprometidos com o capital, e que mantinham pouca relação com a imensa população pobre deste país. O governo Lula, de características mais humanas e com o olhar voltado para o combate à miséria, trouxe nova esperança e resgatou a autoestima do povo brasileiro. Esse governo fez com que o potencial humano do nosso povo aflorasse e desenhou-se assim uma nova forma de identidade do trabalhador brasileiro. Partiu-se da ideia conceptiva de que mesmo sem cultura se pode fazer, e se houver oportunidades de formação, pode-se mais ainda.

Não é à toa que os discursos conservadores, margeadores de uma visão elitista de governo segundo a qual a cultura de um presidente seria a condição da capacidade gestora de promover o desenvolvimento, sofreu uma grande mudança. O governo FHC e o esteio conservador tucano que permeiam os redutos ideológicos da pretensa social-democracia tornaram-se opacos diante da constatação da nova realidade política: governar com a razão e com o coração.

A proposta da candidata Dilma nada mais é do que a continuidade desse modelo que prima pela técnica, sem jamais se disponibilizar aos interesses daqueles que esqueceram do coração para, em lugar da justiça social, se entregar cegamente aos caprichos do capital sem o viés social.

Fernando Rizzolo

Uribe critica comentários de Lula sobre crise com Venezuela

O gabinete do presidente colombiano, Alvaro Uribe, emitiu nota criticando os comentários do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a crise com a Venezuela.

” Deploramos que Lula, com quem temos as melhores relações, tenha se referido à crise como um caso pessoal e ignore a ameaça que representa a presença de guerrilheiros das Farc na Venezuela”, diz a nota.

“É deplorável que Lula, com quem temos as melhores relações, tenha se referido à crise como um caso pessoal e ignore a ameaça que representa a presença de guerrilheiros das Farc na Venezuela”, diz a nota.

“Ainda não vi conflito. Eu vi conflito verbal, que é o que nós ouvimos mais aqui nessa América Latina”, afirmou Lula ontem após se reunir com o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega.

Lula se encontrou no começo da semana com o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Nicolás Maduro, com quem discutiu a crise. Ontem, o presidente indicou que pretende negociar uma distensão entre Colômbia e Venezuela com o presidente eleito da Colômbia, Juan Manuel Santos, que toma posse no próximo dia 7, e Chávez.

A Colômbia acusa a Venezuela de abrigar, com a anuência do governo do presidente Hugo Chávez, guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), incluindo vários líderes do grupo. Caracas nega que dê proteção à guerrilha.
efe

Rizzolo: Bem, acho que por hora o que o presidente Lula fez foi o suficiente. Ora, se não queremos tensão, crise, conflito, temos que levar as coisas de uma forma amena. E na verdade está bem claro que Uribe antes de acabar seu mandato quer mesmo gerar um conflito com a Venezuela. Agora, o Brasil como país que tem tradição no entendimento, apregoa a paz, a mediação, evidentemente tenta distensionar as partes, o que é natural. O Brasil não deve se indispor com vizinhos, e para isso mantem sempre sua postura independente e conciliatória, mas parece que Uribe quer mesmo confusão a todo preço, desestabilizando a região. Bom mesmo por hora é o Brasil ficar longe disso, e acompanhar o desenrolar dos fatos.

Chávez se solidariza com chuvas no nordeste do Brasil e oferece ajuda

CARACAS- A Venezuela expressou nesta terça-feira, 22, sua solidariedade com o Brasil, especialmente com os habitantes de Pernambuco e Alagoas, pela tragédia causada pelas fortes chuvas que atingiram os estados na última semana e que já deixaram ao menos 41 mortos e 607 desaparecidos.

“O presidente Hugo Chávez transmite suas mais sentidas condolências aos familiares e amigos das milhares de vítimas, e manifesta seu profundo pesar pelos numerosos danos materiais causados por este fenômeno”, afirmou um comunicado da chancelaria venezuelana.

Segundo o texto, o “governo bolivariano” colocou à disposição do Brasil “os meios humanos e materiais que modestamente possam contribuir modestamente para salvar vidas e aliviar as dificuldades provocadas por esta catástrofe”.

Além disso, Caracas expressou sua confiança em que o povo brasileiro “saberá superar esta adversidade graças a seu espírito combativo e solidário.
agência estado

Rizzolo: É nesse momento que realmente encontramos os países solidários e amigos. Quando muitos apregoam a desunião, o fim do Mercosul, lançam verbalizações demoníacas contra Hugo Chavez, surge a Venezuela nos estendendo a mão. Eu não vi até agora nenhum país europeu, se solidarizar com a catástrofe do nordeste. A união dos países da América do Sul e o respeito que devemos ter com a democracia participativa venezuelana são prerrogativas essenciais a um candidato à presidência. Devemos enxergar a solidariedade bolivariana como um a demonstração de carinho ao nosso povo, agora os radicais não gostam , não é ? Para eles o povo do nordeste que se dane, e romper com os nossos vizinhos é o sonho de verão de todo radical de plantão. Eu conheço a Venezuela, suas favelas, e o avanço social que o Chavez empreedeu, antes de falar mal sugiro: vão lá e vejam.

‘Pensem 2 vezes’, dizem EUA sobre relação América Latina-Irã

WASHINGTON – No lançamento da nova estratégia diplomática para a América Latina, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, advertiu os países da região sobre a influência iraniana e fez um chamado ao respeito pelas instituições democráticas em países como a Venezuela e a Nicarágua.

“As pessoas que querem se aproximar do Irã deveriam pensar em quais as consequências disso. Esperamos que pensem duas vezes”, disse Hillary em um discurso sobre as relações entre EUA e América Latina nesta sexta-feira, 11.

Segundo a secretária de Estado, os EUA estão cientes dos interesses iranianos em se promover na região. “Relacionar-se com o Irã é uma má ideia”, afirmou. “Espero que os países latino-americanos reconheçam que o Irã é um dos maiores promotores e exportadores do terrorismo nos dias atuais”.

O Irã tem se aproximado de países como Bolívia, Venezuela e Nicarágua. No mês passado, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad esteve na região para uma visita a Brasil, Bolívia e Venezuela.

Democracia

Hillary ainda fez um firme pedido para que Venezuela e Nicarágua mantenham-se no caminho da democracia. Segundo a secretária de Estado, países cujo líderes eleitos legitimamente não podem maltratar a ordem constitucional e democrática, o setor privado e os direitos do povo.

“A democracia não se trata de líderes individuais, mas de instituições fortes”, disse.

No começo do ano, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, conseguiu aprovar um referendo que o permite se candidatar sucessivamente à presidência. Na Bolívia, Evo Morales foi reeleito na semana passada após uma reforma constitucional que permite apenas uma reeleição.
agencia estado

Rizzolo: Após longo e tenebroso inverno de silêncio, omissão, e fraqueza, o governo Obama resolve reagir e advertir a América Latina sobre os perigos das relações com o Irã. O que todos já esperavam há tempos surge agora através das palavras da secretária de Estado americana, Hillary Clinton . As conseqüências ainda advindas dos EUA ainda são desconhecidas, mas as afirmativas servem como base para uma maior reflexão da postura política de alguns países inclusive o Brasil. Demorou mas a reação começa a surgir.

Igreja critica os problemas de corrupção na América Latina

CIDADE DO VATICANO – A Igreja Católica disse estar muito preocupada com o comércio de drogas, a corrupção e o tráfico de armas na América Latina, e demonstrou disposição em colaborar “eficazmente” com as autoridades para desenvolver projetos que acabem com esses problemas na América Latina.

É o que afirma um documento divulgado nesta terça-feira, 1, pelo Vaticano por ocasião da 14ª Reunião do Conselho especial para a América da secretaria geral do Sínodo de Bispos, realizada nos dias 17 e 18 de novembro.

Os bispos latino-americanos denunciaram que o continente sofre de graves problemas como o comércio de drogas, reciclagem de lucros ilegais, corrupção, violência, corrida armamentista, discriminação racial, dívida externa, desigualdades entre grupos sociais e destruição da natureza.

Sobre a corrupção, assinalaram que é um fenômeno “muito disseminado” no continente e que a Igreja apoia os esforços das autoridades civis para “derrotá-la ou, pelo menos, reduzi-la”.

Além do comércio de drogas, que, segundo os religiosos, “ameaça a integridade dos povos americanos”, os bispos denunciaram a facilidade com que armas circulam na América Latina.

“A Igreja deve levantar a voz que denuncia o rearmamento e o escândalo do comércio de armas, que consome grandes quantias de dinheiro que deveriam ser destinadas a combater a miséria e a promover o desenvolvimento”, diz o texto Vaticano.

Os bispos também afirmaram que é necessário promover uma cultura da solidariedade que incentive iniciativas de apoio aos pobres e aos marginalizados, especialmente aos refugiados.
agencia estado

Rizzolo: Bem em relação à corrupção não resta a menor dúvida, o rearmamento fica pela corrida armamentista de Chavez, patrocinado pelo Irã, Rússia, e China que tentam ter maior influência na América Latina. Apoio aos refugiados é bom, dependendo do refugiado, é claro. Tráfico de armas se resolve com vontade política, polícia e erradicação da miséria. Não falaram nada que ninguém saiba.

Oposição usa crise em Honduras contra Venezuela no Mercosul

A votação sobre a entrada da Venezuela no Mercosul, que deve acontecer na próxima semana, no Senado, ficou ainda mais “complicada” com o agravamento da crise em Honduras, de acordo com a oposição.

O argumento é de que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, contribuiu para o retorno do presidente deposto, Manuel Zelaya, a Honduras – causando um “problema” para o Brasil.

O fato é citado no parecer do relator, senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). Depois de quase seis meses de análise, o senador concluiu que a Venezuela não deve ser aceita no bloco.

“Mais uma vez Chávez é responsável por dificuldades e embaraço ao governo brasileiro”, diz o texto, referindo-se ao retorno de Zelaya e à escolha da embaixada brasileira como “destino final”.

Há cerca de três meses, Jereissati chegou a considerar um parecer favorável “com ressalvas”.

O texto final será apresentado nesta quinta-feira, na Comissão de Relações Exteriores.

O parecer traz ainda uma série de outras críticas ao presidente da Venezuela. Entre elas, afirma que Chávez contribui para a “discórdia” na região e que sua gestão traz “incertezas” quanto ao cumprimento de compromissos.

Adiamento

O documento será apresentado nesta quinta-feira, mas é provável que a base governista faça um pedido de vista, adiando a votação para a próxima semana.

O pedido de vista também permite que um novo parecer, inclusive com diferente teor, seja apresentado e aprovado na Comissão. O documento costuma ajudar os senadores na votação em plenário, sobretudo entre aqueles que não acompanham de perto a discussão.

O presidente da Comissão, senador Eduardo Azeredo, diz que o impasse em Honduras colocou o governo “em contradição”.

“O governo defende com afinco a democracia em Honduras e ao mesmo tempo quer abrir o Mercosul para a Venezuela, que atualmente segue uma linha autoritária”, diz.

Segundo ele, há “claros indícios” de atentados à democracia e à liberdade de imprensa no país vizinho.

O tema também foi abordado no parecer de Jereissati, que inclui um anexo com relatórios da Organização dos Estados Americanos (OEA) citando casos de descumprimento à carta democrática identificados na Venezuela.

O texto questiona ainda a legitimidade das eleições no país vizinho, “onde políticos são proibidos de concorrer” e a forma “quase ditatorial” de governar do presidente Chávez.

‘Constrangimento’

O parecer do relator diz que o governo coloca o Congresso em situação “constrangedora”, pois se vê obrigado a analisar um protocolo de adesão que “ainda carece de documentos”.

O texto refere-se ao fato de a Venezuela ainda não ter cumprido todos os pré-requisitos dentro dos prazos estabelecidos.

“A decisão de não incorporar os seus resultados no texto do Protocolo de Adesão impõe, sem dúvida, um constrangimento indevido ao Congresso Nacional”, diz o parecer.

Segundo o documento assinado pelo senador Jereissati, “na União Européia, aos candidatos a membros se impõe uma lista de condições e enquanto não as cumprem não são aceitos”. BBC Brasil – Todos os direitos reservados.
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Rizzolo: Bem, a grande discussão é saber se a Venezuela deve ou não fazer parte do Mercosul. O grande erro nessa história, é a oposição misturar questões políticas com econômicas. Não é possível integrarmos o Mercosul, avançarmos em direção a uma interação comercial maior na América Latina, sem a Venezuela. E olha que eu sou um dos maiores críticos do chavismo. Conheço a Venezuela, critico a política chavista, mas sinceramente misturar as coisas denota uma insensibilidade política e econômica sem tamanho. Não concordar com um regime, com posições políticas, não invalida as questões maiores que dizem respeito ao comércio bilateral. Se assim fosse, não teríamos relações comerciais coma China, e outros países autoritários.

Certa vez ouvi de um empresário brasileiro uma afirmativa muito coerente, quando perguntei a ele sobre os pesados investimentos siderurgicos que fazia seu grupo na Venezuela de Chavez, e ele apenas me respondeu: ” Chavez passa, a Venezuela fica “. Nesse prisma que precisamos ter o foco, o resto é bobagem da oposição, que diga-se de passagem, não tem mais discurso, e usa este tema para ter ganho secundário eleitoral. Quem sofre é o empresariado que quer vender e ter uma participação maior no mercado venezuelano. Uma pena.