O grito de uma criança

*por Rabino Chefe da Inglaterra, Professor Jonathan Sacks

Um dos aspectos mais chocantes do maior ato de desumanidade na história da humanidade foi o extermínio de crianças entre as milhares de vítimas. Mais de um milhão e meio de crianças foram mortas durante o terror nazista. Teve início com os deficientes, epilépticos e mentalmente retardados, passando para os grupos considerados inferiores aos espécimes perfeitos da raça ariana, culminando com aqueles culpados de ter avó ou avô judeus.

Mais de um milhão de crianças judias foram perdidas durante estes anos, uma geração inteira assassinada. Até hoje, quando caminho nas ruas de determinadas cidades da Europa, sinto-me como se estivesse na presença de fantasmas, ouvindo novamente as palavras de D’us a Caim: “O sangue de teu irmão clama a Mim lá da terra.”

Há oito anos, visitei Auschwitz pela primeira vez. É difícil descrever o arrepio que se sente ao passar pelos portões com sua inscrição zombeteira: “O trabalho liberta.” O que mais congelou meu sangue, porém, foi a visão das roupas das crianças, ainda ali, preservadas: os minúsculos sapatos, a capa vermelha de uma menina de três anos, as pequenas malas amarradas com cordão. Há certas coisas que depois que você as vê, o assombram para sempre, e para mim isso foi o pior de tudo.

A palavra hebraica para compaixão, rachamim, vem de rechem, e significa “um útero”, porque mais que qualquer outra coisa, o ato de trazer ao mundo uma nova vida é a matriz de nosso respeito pela vida. Para assassinar crianças, os nazistas tiveram primeiro de destruir aquele senso de compaixão, o que fizeram – assim como fizeram tudo o mais – com eficiência brutal. Nos primeiros anos, as crianças recebiam injeções letais. Mais tarde, morriam de inanição ou então à bala, baioneta ou estranguladas.

Estes atos provaram ser demais para poucos soldados, e lentos demais para a planejada liqüidação de todos os judeus da Europa. Assim foram criados os campos de extermínio, com câmaras de gás disfarçadas de chuveiros. Um guarda de Auschwitz, testemunhando no Juramento em Nuremberg, admitiu que no auge do genocídio, quando o campo estava matando dez mil judeus por dia, as crianças eram atiradas ainda vivas à fornalhas.

Nunca a humanidade chegou tão perto do mal pelo mal em si.

As crianças eram e sempre serão o teste de nossa humanidade. Porém, ainda nos dias de hoje, trinta mil morrem a cada dia de doenças evitáveis, e centenas de milhões vivem sem alimentação adequada ou abrigo, educação ou assistência médica. Pior de tudo, ainda são usadas como peões no jogo de xadrez do ódio, sendo jogados em zonas de conflito em todo o mundo.

Porém, mesmo nesses anos mais tenebrosos houve exceções – as quase dez mil crianças trazidas, na sua maioria para a Inglaterra, na operação de resgate chamada Kindertransport, e os milhares de outros abrigados, escondidos e salvos por homens e mulheres comuns, cuja simples humanidade os levou a extraordinários atos de coragem, quando salvar a vida de um judeu significava arriscar a própria vida. Muitos membros de nossa comunidade devem a vida a pessoas assim, cujo heroísmo ainda acende uma chama de esperança num mundo escuro e perigoso.

Ao final de sua vida, Moshê reuniu os filhos daqueles que ele levara da escravidão à liberdade e disse: “Escolham a vida, para que vocês e seus filhos possam viver.” Aquelas palavras continuam a reverberar numa época em que o ódio dá as mãos às armas de destruição em massa. Se o Holocausto nos ensinou alguma coisa, é isso: tudo aquilo pelo qual lutamos não vale a pena, se nos deixa surdos ao grito de uma criança.

Fonte: Site do Beit Chabad

Tenham um sábado de paz !

Fernando Rizzolo

Entre a Natureza e o Homem

Desde a Antiguidade, o homem tem se deparado com percalços da natureza, vivenciando-os na forma de doenças, pestes, terremotos, enchentes ou tornados, o que o torna vulnerável ao próprio planeta. Muitos foram os homens que se dedicaram a estudar e compreender esses efeitos devastadores que ocorrem desde os primórdios da humanidade, e, na verdade, somente no campo da medicina foi possível observar avanços significativos, mas em termos climáticos a imprevisibilidade ainda é fatal.

Já seria deveras preocupante se o ser humano contasse como fator ameaçador apenas com as causas supracitadas; contudo, o que observamos ao longo da História é que, além das causas naturais, estamos de tempos em tempos predispostos a violências humanas de cunho ideológico, que levam milhares de pessoas à morte. Ao contrário das causas naturais, que muitas vezes não podem ser previstas, as de origem ideológicas podem e devem ser prevenidas por meio da democracia, da liberdade plena, pelo efetivo combate ao preconceito, fator decisivo no desenrolar de histórias trágicas como as vivenciadas no período da Alemanha nazista.

É nesse aspecto, e em clima democrático, que devemos combater a tentativa de desqualificação da verdadeira história vivenciada por milhares de vítimas do holocausto, mormente quando proferida por “pseudorreligosos” como o bispo britânico Richard Williamson, que em abril terá de depor no Tribunal de Justiça alemão por expressar que o extermínio de judeus pelos nazistas não passou de uma “enorme mentira”, como publicou a revista Der Spiegel.

Muitas vezes, é desanimador observarmos que, do ponto de vista natural, a história da humanidade se traduz numa luta incessante pela sobrevivência. Todavia, muito pior que lutar para nos mantermos longe de pestes e doenças ou das tragédias climáticas incontroláveis é saber que a semente do ódio ainda é cultivada de alguma forma pelos obreiros do mal, discípulos do totalitarismo, fazendo com que a sustentabilidade entre a natureza e o homem continue a ser um dos maiores desafios das próximas gerações, que fatalmente poderão ser sacrificadas vítimas dos imprevisíveis terremotos que assolam o planeta ou exterminadas pelos terríveis vendavais do preconceito.

Fernando Rizzolo

Vítimas do Holocausto pedem que rabino conte ao papa sua dor

PULLELLA – Sobreviventes do Holocausto e seus parentes pedirão a um rabino de Roma que diga ao papa Bento 16, durante visita do pontífice a uma sinagoga no fim de semana, sobre a dor que eles sentem por verem a possibilidade de que Pio 12 seja canonizado.

“A decisão do papa Bento 16 de promover a candidatura de Pio 12 à santidade transmitiu ondas de choque por toda a minguante comunidade mundial de sobreviventes do Holocausto”, disse a mensagem que o grupo pretende entregar ao rabino-chefe Riccardo di Segni.

A Reuters teve acesso na segunda-feira a trechos da mensagem preparada pela Reunião Americana de Sobreviventes do Holocausto e Seus Descendentes, que será entregue na quarta-feira a Di Segni. O rabino receberá o papa no domingo na sinagoga.

Os signatários apelam ao rabino para que “transmita nossa dor e emoção ao papa Bento quando ele for recebido pelo sr. na sinagoga principal no domingo”.

Grupos judaicos criticaram Bento 16 por aprovar no mês passado um decreto reconhecendo as “virtudes heróicas” de Pio 12, acusado por alguns judeus de fazer vista grossa ao Holocausto.

Pontífice durante a Segunda Guerra Mundial, Pio 12 pode ser beatificado e canonizado (transformado em santo), mas o processo ainda pode levar anos. Grupos judaicos queriam congelar o processo até que mais arquivos do Vaticano sejam abertos a acadêmicos.

“Acreditamos que o papa deva ser recebido com amor no coração e braços abertos. Nesse espírito, porém, a fidelidade à verdade e à memória deve ser vigorosamente afirmada”, diz a mensagem.

“O histórico de silêncio de Pio durante o período da barbárie nazista contra o povo judeu é um sinal de fracasso moral. Nossos repetidos apelos para que as declarações do Vaticano de que Pio agiu para salvar vidas judaicas sejam documentadas por meio da abertura dos arquivos relevantes do Vaticano têm sido recebidas com silêncio”, acrescenta a carta.

O Vaticano argumenta que Pio 12 agiu nos bastidores para ajudar os judeus, e que intervenções mais diretas dele poderiam ter piorado a situação para judeus e católicos da Europa. Muitos judeus contestam essa posição.

O grupo, que representa 80 mil famílias de sobreviventes, diz que “grande parte da nação italiana e de instituições católicas individuais” tentaram ajudar judeus durante o Holocausto, mas que “o Vaticano não apresentou documentos para mostrar que Pio estivesse entre eles”.

O Vaticano diz que os arquivos vão demorar a ser abertos devido ao enorme número de documentos envolvidos.
agencia estado

Rizzolo: O Rabino Chefe da Comunidade Italiana, Ricardo Di Segni, tem a incumbência de entregar este documento que relata o sofrimento dos judeus na época em que o silêncio reinava no Vaticano. Entendo ser este ato de canonização uma barbárie, e que de forma alguma vem ao encontro dos preceitos cristãos, está mais do que demonstrado a omissão da Igreja na triste página da história da humanidade.

Esperando pelo Perdão

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Cena de Yom Kippur numa Sinagoga na época medieval

Neste domingo, ao final da tarde, se dará o início ao Yom Kipur. Portanto, retornarei nesta segunda-feira após 21 horas, pois ainda pretendo passar, após a quebra do jejum, na casa de um rabino amigo meu para tomar um “lechayim”, (geralmente vodka).

Como meu jejum é completo, sem água inclusive -iniciando-se domingo às 18:00 – espero novamente estar ao lado de vocês, bem disposto, após o horário referido (21:00 de segunda). A todos os meus leitores, que são meus amigos invisíveis, saibam da minha mais profunda admiração, carinho e respeito que tenho por todos, por este Brasil imenso.

Obrigado por me acompanharem nas minhas reflexões, nos meus pensamentos, no ano que passou. Continuem divulgando o Blog do Rizzolo, prestigiando este humilde espaço, minha mídia é apenas você, meu leitor e amigo, mais ninguém !

Tenho tentado nos meus escritos externar o que eu penso, sob uma visão ética, na defesa dos mais pobres, dos esquecidos, dos desvalidos, defendendo meu ponto de vista sem uma conotação ideológica marxista, ateista ultrapassada, mas numa visão humana, religiosa, firme e de bom senso. Até mais queridos amigos !

Fernando Rizzolo

Um pouco da história

O nome Yom Kipur – Dia do Perdão – nos informa de um aspecto apenas de sua significação. “Porque neste dia se fará expiação por vós para purificar-vos de todos os vossos pecados; Perante Ad-nai ficareis purificados (Lev.XVI,30).

Isso é Yom Kipur, perdão e purificação, esquecimento dos erros e extirpação das impurezas da alma. Nobres conceitos que se tomam em sua acepção mais ampla. Não se trata unicamente do perdão Divino, que se invoca mediante a confissão das faltas e as práticas de abstinência, mas, também, do perdão humano, que exige o desprendimento da vaidade e contribui para a elevação moral. Quando chega Yom Kipur, cada judeu deve estender ao seu inimigo uma mão de reconciliação, deve esquecer as ofensas recebidas e desculpar-se pelas feitas aos outros, pois, limpo de todas as suas escórias físicas e morais, deve comparecer perante o Tribunal de D`us.

Durante um dia inteiro ele permanece diante desse Tribunal numa ampla confissão de suas culpas, em humildade e arrependimento, não com o fim de rebaixar sua dignidade humana, mas para elevar-se acima de suas misérias morais e apagar toda sombra de pecado em seu interior. E assim, depurado, vislumbrar com mais claridade os caminhos do bem.

Yom Kipur é data de jejum absoluto que se interpreta não somente como uma evasão do terreno, mas como uma prova de nossa força de vontade sobre os apetites materiais que tantas vezes conduzem ao pecado. Por último, o jejum nos faz sentir na própria carne os padecimentos de tantos seres humanos que, por falta de meios, sofrem fome, sede, fraqueza, vítimas da mais profunda miséria.

por Isaac Dahan

Veja Também: Silvio Santos fala sobre o Yom Kippur

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Stalin vs. Schneersohn: Anos depois – Quem venceu?

*Por: Rabbi YY Jacobson – Em: theyeshiva.net

O Rebe de Lubavitch, Rabi Yosef Yitschak Schneersohn (1880-1950) disse que se havia uma batalha lutada em vão, foi esta. Ou pelo menos, assim parecia na época.

O ano era 1924. Vladimir Lenin, pai da Revolução Comunista, está morto; mais de 900.000 pessoas passam pelo Salão das Colunas durante os quatro dias e noites em que seu corpo esteve exposto à visitação.

Josef Stalin o sucedeu como o novo líder da União Soviética. Durante os trinta anos que se seguiram, ele iria assassinar 20 milhões de pessoas do seu próprio povo. Judeus e Judaísmo eram seus alvos principais. Ele estabeleceu uma organização especial do governo, a Yzvestia, para assegurar que os judeus russos aos milhões abraçassem a nova ética do Comunismo, introduzindo um paraíso construído de metralhadoras e gulags.

Stalin iria governar com mão de ferro até sua morte em 1953, quando quatro milhões de pessoas se reuniram na Praça Vermelha para se despedir do tirano reverenciado e amado por grande parte da nação e por milhões de pessoas no mundo inteiro.

Na sua casa em Leningrado (hoje S. Petersburgo), um rabino de 44 anos, herdeiro de um dos mais notáveis líderes do Judaísmo russo, convoca nove jovens discípulos. Oferece a eles uma oportunidade que muitos recusariam: assumir responsabilidade pela sobrevivência do Judaísmo na União Soviética; assegurar que a vida e a fé judaicas sobreviveriam às trevas infernais do regime stalinista. Ele deseja que lutem “até a última gota de sangue”, segundo suas palavras.

Eles concordam. O rabino dá a mão a cada um deles como um sinal de que estão aceitando um juramento, um voto que transformaria seu destino para sempre. “Eu serei o décimo”, diz ele, “juntos teremos um minyan.”

Uma Revolução Subterrânea

Os nove homens foram despachados por todo o país. Com ajuda de colegas com os mesmos ideais, eles criaram uma impressionante rede subterrânea de atividade, que incluía escolas judaicas, sinagogas, micvaot (banhos rituais usados pelas mulheres judias para revigoração espiritual), educação de Torá para adultos, yeshivot (academias para estudo de Torá), livros judaicos, fornecendo rabinos para comunidades, professores para escolas, etc.

Nas décadas de 1920 e 1930, estes indivíduos construíram seiscentas escolas judaicas subterrâneas em toda a União Soviética (1). Muitas delas duraram apenas algumas semanas ou meses. Quando a KGB (a polícia secreta russa) descobria uma escola, as crianças eram expulsas, o professor era levado preso. Uma escola nova era aberta em outra parte, geralmente num porão ou num telhado.

Um daqueles nove jovens foi enviado à Geórgia. Havia dezenas de micvaot ali, todas fechadas pelos comunistas que as enterraram em areia e pedras. Este jovem decidiu fazer algo radical. Falsificou uma carta supostamente escrita pela chefia do KGB em Moscou, instruindo os funcionários locais a abrirem duas micvaot num prazo de 24 horas.

Os funcionários locais foram enganados. Dentro de um dia, duas micvaot foram abertas. Vários meses depois, quando descobriram a mentira, foram fechadas novamente. E assim foi. Um mohel (o profissional que realiza a mitsvá da circuncisão) foi preso, e outro despachado para servir à comunidade; uma yeshivá foi fechada, e outra abriu noutro lugar; uma sinagoga foi destruída e outra foi aberta em segredo.

Porém aquilo certamente se parecia com uma batalha. Aqui estava um rabino, com um pequeno grupo de pupilos, fazendo uma rebelião subterrîanea contra um poderoso império que contava com centenas de milhões de adeptos, e aspirava dominar o mundo. Era como um bebê lutando contra um gigante, uma formiga tentando derrotar um ser humano. A situação era desesperadora.

Finalmente, em 1927 perderam a paciência com ele. O rabino por trás da obra contra-revolucionária foi preso e condenado à morte por fuzilamento. Pressão internacional e nada menos que um milagre convenceram a KGB a alterar a sentença para dez anos de exílio. Foi então convertida para três anos e depois – inacreditável no regime soviético onde tanto religiosos como leigos eram assassinados como moscas – completamente exonerado. Milagrosamente ele foi libertado da sentença de morte e da prisão stalinista.

O homem por trás do motim era o Rebe de Lubavitch, Rabi Yosef Yitschak Schneersohn (1880-1950), que se tornou líder de Chabad em 1920, após o falecimento de seu pai. Ele escolheu nove jovens discípulos para batalhar ao lado dele. O jovem enviado à Georgia, falsificando o documento da KGB, era meu avô, Simon Yakabashvili, pai do meu pai (1900-1953). Ele, juntamente com centenas de seus colegas chassidim em toda a União Soviética, foi preso em 1938, impiedosamente torturado e condenado a 25 anos de prisão no Gulag. A maior parte dos seus oito colegas a fazer o juramento jamais conseguiu se livrar do inferno de Stalin. Pereceram na União Soviética. (Meu avô conseguiu, porém morreu anos depois em Toronto).

Investindo na Eternidade

Muitas décadas se passaram. Esta passagem do tempo nos dá a oportunidade de responder à pergunta: Quem venceu? Stalin ou Schneersohn?

Há mais de oitenta anos, o socialismo de Marx e o comunismo de Lenin introduziram uma nova era para a humanidade. Seu poder aparentemente interminável e sua brutalidade pareciam inatingíveis.

Porém um homem se levantou, um homem que não permitiria que a impressionante máquina de guerra da Mãe Rússia turvasse sua visão, eclipsasse sua clareza. Nas profundezas de sua alma ele sabia que a história tinha uma corrente subterrânea invisível para muitos, mas discernível para estudantes da longa e dramática narrativa de nosso povo. Ele sabia com plena convicção que o mal pode prosperar, mas irá morrer; porém a Divindade – incorporada em Torá e mitsvot – é eterna. E ele escolheu investir na eternidade.

Ele não sabia exatamente como tudo iria terminar, mas sabia que sua missão na vida era jogar as sementes no solo, embora as árvores estivessem sendo abatidas uma a uma.

Os cínicos zombavam dele; amigos próximos disseram que estava cometendo um trágico engano. Até mesmo muitos dos seus colegas religiosos estavam convencidos de que ele desperdiçava seu tempo e energia lutando uma guerra impossível. Eles fugiram do país ou se mantiveram em total discrição.

Porém 80 anos depois, este gigante e aquilo que ele representou emergiram de maneira triunfante. Hoje, em 2009, nas repúblicas da antiga União Soviética existem centenas de sinagogas, escolas judaicas, yeshivot, micvaot, centros de comunidade judaicas. Quando o verão está para começar, dezenas de acampamentos judaicos se abrem em toda a União Soviética com milhares de crianças que apreciarão um verão feliz associado à celebração da vida judaica.

No último Chanucá, uma menorá imensa foi colocada no Kremlim, lançando a glória de Chanucá sobre o solo onde Stalin caminhou com Berya e Yezkov. Em Lag Baomer, milhares de crianças judias com kipot sobre a cabeça marcharam pelas ruas de Moscou com cartazes proclamando: “Ouve, ó Israel… D’us é Um.” A vida judaica está ativa na Rússia, Ucrânia, Usbequistão, etc.

O Camarada Stalin está morto; o comunismo se desvaneceu como desesperadamente irrelevante e destrutivo. O sol das nações hoje não passa de uma nuvem escura. A ideologia do Império Soviético que declarou: “Lenin não morre e Stalin não morrerá. Ele é eterno,” agora não passa de uma zombaria.

Stalin e Lenin estão tão mortos como se pode estar. Porém as micvaot construídas pelo Rebe em 1927, estas ainda estão lá.

Se você visitar a Rússia neste próximo Shabat, não tenho certeza se encontrará alguém celebrando a vida e a visão de Stalin, ou mesmo Khruschchev e Brezhnev. Porém você encontrará dezenas de milhares de judeus celebrando a libertação do Rebe de Lubavitch em 1927 e a narrativa do triunfo de um homem sobre um dos maiores assassinos em massa da história humana, compartilhando sua visão, comprometendo-se a continuar sua obra de saturar o mundo com a luz da Torá e mitsvot.

L’chayim!

Fonte: Site do Beit Chabad

Tenha um sábado de muita paz !!!

Fernando Rizzolo

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Obama: Ahmadinejad deveria visitar campo de concentração

DRESDEN, Alemanha – O presidente dos EUA, Barack Obama, disse nesta sexta-feira, 5, que o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, que esta semana voltou a qualificar ao Holocausto como um grande engano, deveria visitar Buchenwald, um campo de concentração nazista da Segunda Guerra Mundial. Em uma entrevista na Alemanha ao programa NBC News, ele foi perguntado sobre o que o líder iraniano poderia aprender no lugar. “Ele deveria fazer sua própria visita’, disse. ‘Não tenho paciência com as pessoas que negam a história. E a história do Holocausto não é algo especulativo’.

Obama destacou que seu tio-avô ajudou a liberar o campo de concentração de Buchenwald durante a Segunda Guerra. O lugar, a leste da Alemanha, foi criado pelos nazistas e se estima que 56 mil pessoas, em sua maioria judeus, tenham sido mortas ali.

Obrigação de impedir novos genocídios

Em entrevista coletiva conjunta com a chanceler alemã, Angela Merkel, em Dresden, Alemanhã, Obama afirmou que a comunidade internacional tem a obrigação de impedir os genocídios, por mais inconveniente que seja tentar. Segundo ele, “é preciso atuar quando houver” esses casos.

O presidente americano, que esta tarde visitará o campo de concentração de Buchenwald, tinha sido perguntado sobre como se pode aplicar o lema “Nunca Mais” referente ao Holocausto aos eventos na região de Darfur, no Sudão, ou no norte do Sri Lanka.

Obama afirmou que seu Governo colabora ativamente para evitar o genocídio no Sudão, onde o presidente Omar Hassan al-Bashir expulsou as organizações humanitárias, e ele mesmo falou sobre a situação em Darfur na quinta-feira com o presidente egípcio, Hosni Mubarak, que conta com “sólidos laços diplomáticos” no país vizinho.

O presidente americano se encontra na Alemanha dentro de uma viagem pelo Oriente Médio e pela Europa que já o levou à Arábia Saudita e ao Egito. Amanhã, ele viaja para a França. Obama concluirá sua estadia na Alemanha com uma visita à base militar de Landstuhl, onde cumprimentará as tropas americanas no local e percorrerá o hospital onde são atendidos os feridos nas guerras do Iraque e do Afeganistão.

(Com informações da Efe e da Reuters)
Rizzolo: Obama tem pela frente uma missão difícil: agradar árabes e judeus. Na verdade pouco há que se fazer para conter o radicalismo de ambos os lados. A postura de quem é dócil e ao mesmo tempo enérgico, não se coadunam; prova disso são as críticas dos extremistas árabes, afirmando que Obama tenta dar lição ao islamismo. Ainda vamos sentir saudade de Bush..

Museu do Holocausto manifesta ‘decepção’ com discurso do papa

De Tel Aviv para a BBC Brasil – O presidente do conselho do Museu do Holocausto Yad Vashem, em Jerusalém, rabino Meir Lau, se disse “desapontado” com o discurso feito pelo papa Bento 16 na instituição israelense nesta segunda-feira.

Para Meir Lau, ex-Grão Rabino de Israel e sobrevivente do Holocausto, o líder da Igreja Católica “perdeu um momento histórico” em seu discurso, que fez parte da visita oficial de cinco dias do pontífice a Israel e aos territórios palestinos.

“Houve algumas coisas que não foram mencionadas no discurso do papa”, declarou Lau, “ele não mencionou o número exato das vítimas do Holocausto e, diferentemente de seu antecessor (o papa João Paulo 2º, que visitou Jerusalém em 2000), que disse a palavra ‘assassinados’, o papa atual disse que as vítimas ‘foram mortas'”.

Meir Lau também disse que “o papa anterior mencionou que os assassinos foram os nazistas, e, no caso de hoje (segunda-feira), não foi dito quem foram os assassinos, não se mencionou nem os nazistas e nem os alemães”.

O maior site de notícias de Israel, o Ynet, resumiu a visita do papa ao Museu do Holocausto com as palavras “acabou mal”.

Em seu discurso, o papa Bento 16 condenou a negação do Holocausto e pediu que “os nomes destas vítimas nunca pereçam, que seu sofrimento nunca seja negado, depreciado ou esquecido”.

Governo israelense

O governo de Israel, no entanto, parece não concordar com a posição do Museu do Holocausto.

“Não costumamos criticar visitas tão importantes como o papa Bento 16”, disse à BBC Brasil o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Yossi Levy.

“Do nosso ponto de vista, a visita do papa é um dos eventos mais importantes da história de Israel e das relações entre as religiões judaica e cristã”, disse o porta-voz.

“Não costumamos ‘dar notas’ a nossas visitas, principalmente visitas tão importantes”.

“A própria visita do líder da Igreja Católica a Israel e ao Museu do Holocausto representa uma mensagem da maior importância, e temos todo o interesse em continuar o diálogo com o Vaticano”, afirmou o porta-voz da chancelaria israelense.

“(O museu) Yad Vashem fala em seu próprio nome, e não em nome do governo israelense”, acrescentou Yossi Levy.

Vaticano

O Vaticano também rejeitou as críticas do Museu do Holocausto ao discurso de Bento 16.

“O discurso de Sua Santidade foi abrangente e muito emocionante. Eu, que não sou judeu, fiquei emocionado”, disse à BBC Brasil o porta-voz do Vaticano em Israel, Wadi Abu Nassar.

“Penso que as palavras matar e assassinar são semelhantes, acho que o papa deve ser respeitado, seu discurso foi muito claro, e não há necessidade de mais esclarecimentos”, concluiu Abu Nassar.
agência estado

Rizzolo: Isso depende do ponto de vista. Se a visita foi proveitosa só o tempo dirá. Temos que combater os radicalismos de todas as formas; criticar a visita do papa em todos os seus aspectos é de certa forma ser radical. A grande virtude é sabermos absorver o que houve de bom nisso tudo . Não gosto de radicalismos , o governo de Israel tem razão em ver o lado bom. Agora que ele é antissemita isso ele é.